///o meu cantinho EsCuUUuUurO......///
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Mais distensões de mim:
Outros que tais:
Quarta-feira, Outubro 14, 2009
E no entanto, há as que teimam em ferir os olhos e a alma como um sol perigosamente próximo. Um exemplo. E faça-se erguer o volume à altura de as suas chamas.
Pedro 22:02
E, se tivesse que explicar algo acerca de mim, se houvesse algo, alguma vez, que tivesse que ser explicado aqui, ou noutro lugar em que o desafio serve de estímulo temporário à ilusão de agir, em poucas palavras tentaria dizer as muitas palavras que se iriam formar em torno das palavras que o não sabem dizer.
Sucinta e fugaz melodia, aquela de tantas músicas sempre diferente e a mesma, uma que convida a acompanhar o acompanhamento que é essa melodia no seu convidar-nos a acompanhar, aquele som que tinge de atenção o coração que era latente no vago latejar do seu tempo, nuvem fria sob o sol quente, sim, essa melodia que sopra e destapa a nudez, o sentir, faz lembrar aquele casamento da ideia de ser - não poder - com o misto de querer com tentar - e sofrer - .
Sons na mente, solene projecto; como qualquer melodia, mente. Um trajecto perene, o ocaso. O cérebro, um corredor de distâncias veloz na partida e rápido a cansar-se. E assim castelo se sucedeu a castelo num reino de cartas sem remetente, que é o nicho do sonho, o sonho de um nicho, sonhos e nichos, confusos, difusos, desusos.
Me abstenho de novo de ver - abro os olhos - e a noite é pálida como uma criança, e o dia é tórrido como sempre foi, e andar cansa como qualquer dança à melodia que cessa e avança pela orquestra de não haver tema, pelo horizonte de aqui e os traços rasgados de ali, longe como os nervos estão perto, um longe asfixiante, cortante, como a navalha que estralhaça o mapa. - "Poisa lá a mala... É hora de desistir outra vez." O desertar à missão que é o deserto, sempre perto
e a languidez arenosa de perceber que das notas, que do requinte do trecho se espalha ao vento a beleza, ficando só um tinir oco que é informação vestindo uma túnica proporcional e seca.
Do mistério da miragem, da complexidade do novo, a mera ortogonalidade e um sabor a sangue, pouco.
Pedro 21:53
Sábado, Agosto 29, 2009
an inner trial liberation of the presence does but provide frail contents and the colors dissipate torn photograph thin arms stretching their hunger from within the bars within ...love's sentence... the heartbeat, pounding the rhythm of yearning aging rhythms of life sound and anxiety oh, suspiration the lesser smile of acceptance flapping doves high above grace over the turmoil when the meaning fades factories shutdown for the night clouds are shades in the night sky pollution disperses slightly the eyes sleep soul bathing in a puddle swamp of the persona remainder of coffees and unsure will
Pedro 00:35
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Retorno à grandeza; reviver a grandeza; ter algo em que firmar um encosto à turbulência do presente. As glórias já sonhadas, do ontem um hoje. Acreditar ou desacreditar? Dilemas do dia, dilemas da noite. O tempo que passa no peito. Tacteando o subconsciente, à consciência penando, dorme-se de viver, sofre-se de dormir; não sei se ceda à luta, se trave outra, ou se ceda, simplesmente. Morre-se lentamente neste templo inacabado em que almejava adorar a uma entidade indefinida, e em cuja indefinição uma vez mais perdi a imagem, perdi a visão. Por recurso último, as tais obras antigas, estátuas de estética e de pedra. Ó, alma hoje galeria, que gládio é esse que empunhais tão deserta e só? Firme dessa conquista, como se disso dependesse a tua própria memória, o teu próprio ser, e como se houvesse alguém, dessa maneira, que te visse ou sentisse roçá-lo, acutilante como uma lâmina. Marcos na estrada, até que esta acabe ou o burro se canse.
Pedro 22:28
Quinta-feira, Julho 02, 2009
E em renovado tributo a uma obra de arte ímpar na história do cinema, deixo uma versão preliminar da parte final do script que em nada compromete a sua grandeza épica, pecando apenas provavelmente, na visão de Milius, por ser demasiado explícito face à cadência que ele ambicionara - uma de silêncio a reforçar o contorno estético de um conteúdo profundo e que servisse de mote à reflexão e à introspecção.
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Holding his father’s broken sword, moving up in a swift arc and down, chopping into Thulsa Doom’s neck and shoulder...
Doom sinks to his knees.
«You would kill your -- father??»
He withdraws the blade and wheels it down with another mighty chop -- and another.
Each blow shakes the crowd and drives them back.
He pulls back the head of Thulsa Doom and the body falls back, sliding down the stairs. He stands full on, looking down on the thousands of lights, the head in one hand, his father’s broken sword in the other. Silence.
Conan (voice over) : «He was right -- the answer was not in the blade but in the man... If my father was the light of day -- Thulsa Doom was my night...»
He sits on the steps and watches as the lines form myriad patterns of light far below him.
Conan (voice over) : «They were his children and now they are like so many orphans... but like myself -- they are free.»
Pedro 22:42
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Há como que duas margens: atravessando a ponte, enredamos por sequências de imagens que como lianas fazem baloiçar. A oscilação de ser, uma vida mental de pesquisa e diluição. Onde um grande peso desce e esmaga a noção de realidade, subvertendo os mais recentes planos por articular. Enquanto houver fantasia, enquanto houver sons e côres, a alma recatada subsiste e obedece. Servo temporário do apelo escondido à sombra da imaginação, o caçador furtivo habita a ilha deserta que há no outro lado de um rio.
Pedro 14:06
Palette e mistura
Glória vã na fé, vã fé na descrença, sabor a desavença, açúcar no café,
palmilho incerteza sem saber o porquê do poema que se lê debruçado na mesa
que tem pernas em vê; inspiração que retorna sem que haja para o quê;
sem que haja para um onde, abstracção que se entorna no mistério que ela esconde.
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Tinto e desafio
De absurda direcção escreve-se hoje o caminho; da côr do copo de vinho tinge-se o coração.
Tudo aquilo que falta o Adamastor se soergue; do mar imenso o icebergue, um frio de alma que assalta
e em silêncio se exalta co' o marujo sem rumo; e o mar azul sobressalta
à luz trémula da vida a viagem sem aprumo e o barco de côr garrida.
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Tempestade e bonança
Do azul perpétuo os mares revoltos; cabelos soltos na peça em que actuo.
A sede é de Roma, e disto e daquilo, o viscoso do Nilo, de Veneza o aroma,
paisagens que a mente desenha a côr quente no cenário que traça.
Quando a tarde passa deixa a brisa, rente ao corpo em alma ausente.
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Ser e não-ser
Um desvio pela maresia; de Norte ou Sul insciente, é de novo intermitente a estrada, que embacia.
Nuvens e soalho, ponto e contraponto, ora esperto, ora tonto, cartas de um baralho -
renasce a antiga cruzada, a pessoa em morna dança numa certa encruzilhada
que jamais é consumada; consciência que se entrança em seu torno, sem ser nada.
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Somatório
Após sobrevoar vestígios de maré, poisa no parapeito da alma a noção matemática de que há beleza na solução mais sucinta e simples possível. E nisto a equação ondulada que rege as formas faz também sorrir, levemente, as vibrações implícitas. Como uma flauta que trina persuasora uma melodia nocturna, à qual recaio em fascínio. Contemplo, silente como uma fórmula.
Pedro 01:18
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Revisitando sonhos antigos e o espaço de sempre para os perder, sorrindo levemente a mágoa esse embalo. Estas ruas cinzentas e desertas mais não que a casa de campo, e o meu estar nelas a rede presa à árvore só. Emoção reciclada, outra palavra para poesia, estação transitória em que o som esbatido da dôr é já de um simples triste, estrada pontilhada de folhas amarelas. A velha melancolia, instalando-se na mente como a brisa se encosta ao corpo quente, aligeirando o cinzento dessa estrada e arrefecendo essa página da viagem. Sem saber por onde atalhar, coberto de existencialismos fora de época num hoje em que a norma é a de existir, procura-se dispersar a passadas a consciência, mãe severa do sofrimento. Esbate-se o brilho das pedras duras, o deambular por entre elas servindo de confirmação da passagem. Os dias e a complicação cosem-se e descosem-se, sem porém que se dê por remendado aquele último buraco por onde vem escoando a esperança. Alma que falha em se sintetizar corpo; significado falho; desnorte. Onde eram laivos de sonho, é na emoção um grande ponto de interrogação. Neste lapso de reflexão jaz hoje parte da verdade, onde amanhã o entusiasmo traçará, ainda que brevemente, novo percurso híbrido e inconstante de medo e de vida. Mas pagando a factura, nos nervos, no coração, nos sonhos interrompidos, daquelas largas forças que em rigor não possuía, e a que no entanto apelava persistentemente, delas preenchendo o carácter, tentando iludir a realidade, tentando iludir a solidão. Essa avassaladora solidão, a qual quão mais profundamente se tenta ignorar, mais nos agride quando vem à superfície, como um enorme recipiente cheio de ar que se tentasse submergir.
Arde a floresta e suas côres. Um nenúfar poisa sobre o reflexo impressionista disso tudo, beleza diluída no turvo fluxo do que passa.
Pedro 22:24
Quarta-feira, Março 25, 2009
The purity of senses but impurity of feelings arises cathartic.
Amidst the lesser activity in which self is detachment a sudden window through time opens up for this fresh breeze...
Staring at me, the hours, the days kept inside all these months, all these years... And there I am, as all that nothing, once something; a sense of surrounding and the sense of abandonment of that surrounding, for something deeper and closer to the knowledge of pain and its survival, that new dawn after that last curve of that last hill, the imaterial place, a strong undefined memory that knows its truth, that knows its reasons, and that carries on, as beautiful as the aesthetics which lie beyond philosophy, beyond the shelf that is home in its social, strained sense.
The disguise wore off those nights, mostly nights, in which darkness was appeased slowly as the moon shone higher and higher, the bright enigma of bleeding youth, grains of sand...
Then, I was. Today... when am I? Which road am I on?
Recollection of scattered pieces failing to form a mirror - - the only reflection here.
And so one pretends that he's digging, and forgets that to dig is to drop off one's tools and return, and awake... ...free, so to say.
(Although a shadow shall pass by and something shall be lost in translation...)
Pedro 23:18
Quinta-feira, Março 19, 2009
Com tijolos se calceta a estrada da solidão. - Trechos de perdição... - - Frestas na emoção... -
Quem me dita a sua vã glória, quem dela se vangloria desta vez?
A nobreza morta não esconde o vermelho do sangue. O pegajoso vermelho do sangue... repisado pelo incauto caminhante, para quem os tijolos são tijolos até tropeçar neles.
Dói-me a voz do estar, fala esquecida de uma já clássica peça cujos panos caem à hora prevista.
O palco é coração agora quieto onde vibra apenas essa mesma dôr quieta de ele estar quieto.
Segura o nome da tragédia a consciência furtiva, calceteira e cada vez mais uma personagem mais neste teatro e percepção em que a lágrima se desinibe contida, em que o céu se pinta côr cinzenta (e não cinzento), nódoa no quadro de pesados tijolos vermelhos
e alguns vultos incertos a passar, surdos como qualquer sombra ou som de passos em surdina.
Foi como foi. O odôr a musgo pintado a vermelho num papel sem cheiro e a vida a revelar fotográfica a vida por revelar
e os panos a cair deste meta-teatro doendo ainda.
E dói tanto, tanto ... tanto ...
E resta esta fútil tristeza com a qual não sei bem o que fazer. E de repente não sei de novo onde me enfiar, sucessão sem tempo de linhas sem retribuição, não-amôr espalmado e gordo sem a paz das linhas que definem o manuscrito
ou ao menos alguma novidade, um pouco de ilusão sem noção de ilusão, que me não recorde do dualismo real-abstracto. Isto enquanto se prolonga já uma menor ligação aos sentidos desta noção de temática menos e menos presente.
Das sombras se faz a vicissitude... ...e algures um fim de beco côr de panos.
Pedro 00:15
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Entrei no hospital. Disse: "Fui atropelado." Internei-me em busca da liberdade. Quão estropiada se torna a missão de quem se nega à condução... O trânsito incontornável da capital dói como um embate frontal. Verificar a chapa... a dura periferia de tudo, o olhar apavorado que as mãos bem abertas não conseguem suster... O protocolo seguido pelas enfermeiras torna-se ele mesmo mecânico. Tudo é labirinto, beco, paredes. A paciência do ânimo fica-se por mais esta esquina. O corropio é um pavio que corrói (não só etimológicamente). Por onde me esgueirar com esta dôr? Para onde, se todos são lá no meio uns dos outros? Qual o ritual que abstraia da rotina, e que não seja vã à luz do espaço sem iluminação?
Sociedade, dizem eles. Acredito. Sinto-me descabido. Um estereotipo qualquer aprisiona-me a alma desprendida do corpo, do ali da vida. Entre o mim e o nós há um meio passo, sempre um meio passo. Enfim... vou atravessando passadeiras, mecânicamente, enquanto respiro a poluição que não parece poder dissipar-se. Há uma grande ferida na atmosfera. Socorro-me do calôr que ela escorre, enquanto ponho de lado a esperança. O doutor passa-me umas receitas impessoais. Cai a noite como os panos intensamente mortos de uma peça. Espero, artificialmente.
Pedro 16:26
Terça-feira, Dezembro 23, 2008
Havia aqui algo mais...
Lembro-me de procurar a alma embrenhado em teias de jogo e de mentira. Anos idos... e velas a toda a haste. Fui conquistando pequenos nadas, que regalaram a visão nocturna do comandante. Alonguei o mapa, rompi com a terra firme, almejei com o vento, sem parar. As horas mortas à ondulação fustigavam-me. Foi-se manobrando... cada vez mais alto o mar, no espaço e no tempo, até que enfim aportava na distracção. Quimeras cada vez mais indefinidas...
E agora? Agora, uma rotura terceira, desta feita com o que lavrara e deslavara a sós. Uma nova vida igualmente fragmentária, igualmente de pedaços. E o fardo da mudança, e o fardo do desnorte. E um fado incerto... permeado de sussurros... sussurra a criança "Pssst estou aqui."; sussurra o artista "E eu? Serrais-me os pulsos quando cerrais o olhar! Reles mortal..."; geme o músico, sem abrigo. Sem palavras. Sempre novos refúgios, escuros qual esquecimento. A côr fica no agora (na ilusão). Finge aquecimento.
Tudo é massa, tudo é mão, e aquele desconforto reconfortante que enjoa enquanto não chega a chuva. A chuva de ser sem intermediários. A chuva de não requerer. A chuva - acontecer.
E entretanto? Há sempre tempo para atear um archote uma outra vez. Pôr fogo a Roma, de quando em quando... cumprir o papel de querer cumprir o papel. Porque ainda não ardeu.
Ainda não morri. Ardo em mim.
Pedro 00:42
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
vicissitudes do ser... não queria que isto se transformasse nisso. refraseando e incutindo a dialéctica que o sono permite, vivamos pois, ainda que na sombra, ainda que na cave, na habitação projectada que mais não é. contemplo sereno do alto do baralho de cartas, desmontado, como é insurreição da estima o projecto, como é depressão a confiança no projecto, como é dura limalha o lápis com que projecto, desejoso e aspirante até à hora da dimensão, apenas. rasgão no papel, e outro, e outro, aonde é que isto pára, não há fim. não há força para lamber o dedo, não há dedo para ir buscar a força, só um corrimão que baloiça à beira da desilusão e de onde fitamos a áspera sensação de amarrotados esboços, de decalcar voltas e voltas, vincos de projecto, vincos em mim de não conseguir sentir o vento fresco e direito da planície, o resultado, o próprio. E tudo isto para plantar uma árvore... Não vejo o princípio à floresta. Não vejo o fim à floresta. O emaranhado é. Tolda. Molda a percepção de um caminho. É difícil avançar pelas silvas, os pés descalços, enrugada a vontade... Não vejo o fim. Não vejo... (está escuro. apaguem esta inércia. apaguem a frustração.) Enfim... Meio aceso o candeeiro... Temperando a noite, o amor... Sobra lá dentro o amor a uma luz pouco óbvia.
Pedro 01:35
Sábado, Agosto 23, 2008
the lost feeling melancholy yearning for life in dead words silence it refrain from it what else is there to ignite? ashes fall slowly sparkles won't lighten darkness embeds absence absence of someone absence of me the song screams its chorus but i can't fall in love can't fall in love with life again chords fade out words stop to pulse heartbeat decays tomorrow - a weak placebo today, night lingers a blurred night a blurred self foreign sadness as if it ain't real as if it ain't worth it prolonged unspoken dizzyingly low the whirling fatality of passing by (just)
Pedro 22:21
Sábado, Julho 05, 2008
Um, dois, um, dois.
Montanha de gente que galgo, palpitante de solidão... Parece que tudo se encaminha já para lado nenhum. O tal despropósito geral das minhas capacidades. A tal rudeza do objecto, limalha de engrenagem espalhando-se ao vento. Inércia móvel. Presenças desfalecidas - eclipse. Na antemanhã da proposta, a entrega do subconsciente ao prenúncio agastante. Terror de não haver como tornear o que foi e é labirinto. Deserto espelhando o quente difuso dos grãos que é preciso arrastar a cada passo. Oásis esfumando-se à distância que vai de ser a estar.
A mudança é triste. Perde-se. Difícil, difícil... tão difícil... Adjectivos exauridos e um desnível na energia. A vontade invertida à falta de escoamento. Grande piscina suspensa, intramarés turbulentas extraditadas de fora dela. O riacho é um entretanto, lapso na humidade molhado de ervas, sonhos, emoções...
Pessoa e silêncio.
Um ...
Pedro 18:09
Sexta-feira, Abril 18, 2008
Procuro qualquer inspiração alheia, e uso-a para me enveredar nos moldes de qualquer criatividade forjada. Esqueço-me e lembro-me. Sou vago. Quem é a naturalidade em mim? Reflexão perdida à sombra do silêncio ou do outro... E o quarto ameaçadoramente igual. Tenebrosamente iluminado pelo dia que desponta. Espreita-se e tudo é feito. Tudo está feito. Não há lugar à descoberta. Não há lugar... para quem sou? Calça-se a bota, e terá que servir. Ainda que os pés se molhem nos dias do vendaval. Caminhamos, plural forçado. Couro mal engraxado, pesando a realidade a cada passo mais. Até já, mundo cruel.
Pedro 11:26
Domingo, Março 30, 2008
Por aqui nada. A velha teia, e a respectiva fixação pela incerteza. A tremer de estaticidade. O coração vago e rancoroso. Antemanhã em nulidade absorta... O esquecimento de despontar com os sentidos, e a consciência revoltando-se. Derivei hoje progressivamente, declinando o rumo, a estrada afundando-me em todo o seu alcatrão.
Sensação de erro absoluto... Mas afinal, é só um outro dia.
Valha-nos a regeneração enquanto não formos cinza.
Pedro 00:11
Sábado, Março 15, 2008
Os dissertantes procuram ao caminhar as altitudes de escrever o vinho, de procurar embriagar a incerteza de estar.
Ladram ao vento os cães da planície que poisa o mundo e alisa ao fundo da caminhada o Sonho Apagado, dissipação.
A côr das nuvens, quando branca, é a aura da montanha que coroa o espírito e desenha a canoa que dormita sem manha.
O seu adeus é o sol posto, os tons rubros nostálgicamente.
Oh, linha do horizonte, és o cais em que aporta o silêncio de Tudo e o som de Nada, a quimera maíuscula de que se vangloriam contradizendo-se os Neófitos...
Sorrio hoje a tristeza íntima dos nómadas, alegre de passagem na alvorada que o Sol invoca no coração cego das horas.
Oh, como choro quieto este país estendido à verdade das auroras interiores, este local em que sitio, afinal, a mentira da ocupação que enfim adormeço num ponto final.
Pedro 18:10
Maré de palavras, as frases soltas, nenhuma onda encontra a quilha... Pedaços de vida, museu do eu, para que tu vejas, para que tu vejas... A rotunda tem música e eu tenho regras, há que violar a pauta para que nasça a flauta. Alegrem-se, árvores laterais, que a viagem é. (Turbilhão) (Paz e vento) (Oriente) (Ocidente) Fina flor que desponta no asfalto... Vruuuum. Semeiam sonhos os infantes esquecidos, abandonados à beira da estrada. Congeminam maravilhas por essas mesmas milhas de permeio. O esturpor, o freio e o rigor procuram revoltar-se... Mas antes, ecoa a fibra que tudo liga e era a aragem que aqui deixa uns pós reminiscente.
Pedro 17:47
Quarta-feira, Março 12, 2008
Tem vezes em que só me apetece desfazer da clausura, em que sinto uma necessidade asfixiante de desenterrar a pureza do esforço e da continuidade do esforço. Remeter de volta toda a discrição do consolo que é o hábito, pequenos impulsos meramente fáceis, simples esquissos de anestesia frustrada. Reorganizar a mente, a palavra, o sonho e a aproximação. Regressar. Reconquistar, dir-se-ia quase. Primeiro recolher, e por fim reagir novamente... São estas as palavras desta noite em que me custa o pasmo existencial e a inércia redundante, por contraste ao interior batimento do coração.
Pedro 00:33
Domingo, Março 09, 2008
Inspiro-me nos teus olhos.
(tudo a desfocar-se...)
Um fascínio natural soergue-se do medo e suspira a memória, dobrada a esquina lúcida.
Encontro a criança impossível, intangível nos contos que foi o sonho ido, o sono vivido em serena emoção.
Percebo o que é o sublime.
Regresso a mim de mim.
Aguardo a tua presença celestial que desnudo utópicamente da distância triste que é a minha luta contra a minha mesma distância...
a minha mesma distância, repito, algo irritadamente.
Tudo isto se passa ao de leve, no poema de fim-de-tarde, o coração pulsando ao de leve as tonalidades do pôr-de-sol e o não querer deixá-las partir noite e sombra fora...
...o cintilante verde dos teus olhos... ...encarnação viva da eternidade... ...para lá de limiares estéticos... ...o verde suave e absoluto dos teus olhos... ...e sobretudo,
tu contida neles.
Pedro 19:13
Sábado, Março 08, 2008
Perseguindo muralhas estéticas mergulhavam na fossa comum os alcoviteiros da Liberdade. Tenho dôr para dar. A dôr da realidade, vertida sussurrada ao meu ouvido incrédulo, teimosamente surdo ao eco do espelho.
Não ultimo a concepção. Sou ligeiro, e custa-me verificar a diferença sem a alma que sustenta, sem os anos segurando a rede de que pressinto o baloiçar hipotético por outra dimensão.
Abafado, o canto ergue-se de poeira, pueril como mais esta madrugada - e afinal, amanhece tarde pois as nuvens, que foram água, que seriam correnteza, são hoje a ditadura da sombra por onde espreitam os murmúrios, por onde espreita a palavra.
A mim, indiscretos amantes do consensualismo. Dubito-vos mas sem punhal. Não enxergo o punhal que vos rasga a saia de rodar colorida de sociedade, imposto fluxo de energias falsas, razões sonoras, tão somente.
Critico assim migalhas atiradas aos pombos, fazendo referência a algo mais definido que se me escoa pela mão rugosa, esburacada à seiva do Sonho.
Escorre-me alguém que me habitava a aspiração. Quem era?
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Pedro 14:40
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Excertos de arte não escondem a ruína. Gloriosamente só. A palavra vem e finge articuladamente, nos espaços vagos que a isso a forçam. Facilitismos, até à hora da verdade. "Vá, e agora?" Não pago com o espírito. Sou silente.
Vou portanto às putas.
Aos poucos se polvilha assim a possibilidade, e a tão importante sensação de continuidade. Aos poucos se firma a escassez de recursos que a solidão traz e impõe ao esforço. Aos poucos é mais nítido e seco o quadro do dia-a-dia. Nele figura um rapaz de pincel na mão, estendido num sofá, sem técnica para dar forma aos edifícios, visíveis somente os rasos alicerces da imaginação. Pago para que algum esboço de contornos anime a paisagem de escombros. Peço tinta emprestada à proximidade. E por vezes ela existe para que sobressaia novo estímulo na construção. E por vezes, é bela a pedra de memória que se ajunta às outras pelo quadro do que passa. Como em toda a interacção.
E momentos sucedem-se a momentos. Entorno pela escrita traços e côres que são já incontornáveis, ao longo dos meses e anos. Evoco assim, como que brindando, aquelas que se dispõem à demanda por Eros, as que se aliam ao artista em moldes de almejar, aquelas que lhes inspiram o imortal sentido de divindade de que é feito o esplendor.
Às putas! (tchin tchin)
Pedro 21:02
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008
Enquanto Conan procede à cremação do corpo da sua amada, Subotai assiste, deixando rolar algumas lágrimas. Akiro, o mago, intriga-se então:
- "Why are you crying?" - "He is Conan... Cimerian... He won't cry. So I cry for him."
Pedro 23:33
Trespassando a inspiração, lâminas acordadas. Severas de impulso... Assim é quando se desce a rampa da virtude, o âmago da multiplicidade, apertando junto ao peito tudo o que é insaciável.
Meus amores, florescei!... As tropas pilharão esta terra, cálidas, como o Sol Nascente que a assola. Mais que tudo, mais que a Morte, hoje é o Ser, a Invasão! Letras espreitando por papiros de paisagem, procurando despojar de si as tocas, agitando-se borbulhando por este paraíso fétido. Engodos do que é, forçai a passagem pela dureza física dos portais. Desentalai-vos do círculo, atentai contra a mediocricidade, toda e qualquer!! É nascer, rebentar as águas, e transbordar portentosos legados de ânsia guerreira no primeiro chôro de uma vida.
Somos nós, portadores da palpitação; desencadeamos o Apocalipse. Não há mais - é a vida, a vida, A VIDAAAAA. E bradaremos a vitória, com um urro.
Pedro 23:27
Os modernos e a popularidade (soneto sociológico) Contemporâneos doutrinavam lantejoulas onde antes era o clima, a aragem; cepticismos decalcavam por argolas o eco e o aroma da vantagem. E a loucura intimidada profanáveis exultando a malícia dessas vestes de que os anjos caídos enfeitáveis, luciferianas horas e agrestes. O público discorre, sintomático; obstando à luz visual sabor uma batuta sem maestro - plateia. Diploma de um sonho catedrático, egocêntrico cego esplendor; ferramenta e ego - ser sereia.
Pedro 21:53
Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008
Tremo, no topo da corda... os pés enroscando-se ao se aperceberem da falta de aderência. Pequenos passos de urgência servem apenas para confirmar a desilusão. Não há pano de fundo. Esforço-me, mas só pontualmente tons de verde obscuro parecem distrair o vácuo cénico de seu absoluto. É nulidade de que me preencho, por esta grande corda pendente sobre o abismo. Não se vê quem pega nela do outro lado, mas dá a sensação que se esquece disso indiferente, quando ela abana à brusquidão delineada por movimentos conceptuais, numa física distante e outra. Insatisfatório ao longo da vertigem, o passo adquirindo sensações de queda, mais que preconizando. Diáriamente... os passos de ninguém..
Pedro 21:04
Terça-feira, Janeiro 29, 2008
E chego a esta hora e estou disperso... Como um punhado de pássaros abalroado pelas águias da incursão. Visível, mas inconcluso, o vôo das palavras. Palpita o estanque do sangue nosso (meu). Para trás, a coesão. Prossegue para Norte o sopro do vento, segregando o tempo, nova moradia de quando há só um limitado acompanhamento, insatisfatório na migração - o dos pássaros fugazes esbatidos em pequenez.
Dou a mão à palmatória. Posso apenas sublinhar o conceito de crença - pois que é tudo. (Bem como o de exagero, que é vida.)
Pedro 22:09
Domingo, Janeiro 13, 2008
E este de agora, contrastando:
Abandonei o saco de viagem, desisti por omissão.
Vendi-me - renúncia - e os grilos que cantam baixinho estão lá.
Perturbante zumbido. Nisto, forma-se a sensação de que estou gasto. É todo este som sem mim onde deveria estar todo um conjunto de notas a resolver as tensões e a restituir harmonia...
Desci a mim,mas voltei a ficar calado na escuridão feita de antecipações que é a mensagem por mandar, que é o número por marcar, a suspensão indefinida.
Alguém me solta desta rede?
Pedro 23:42
Da mesma noite que o post anterior:
Mas sim, conta-me histórias. Conta-me histórias, que o tempo é aqui...
O passo é quente e a neve funda. E o silêncio dos cumes é belo pois é para lá dele que está esse canto absoluto, essa paisagem autêntica, nova, esse sonho translúcido, melodia que preenche e que não sei transcrever, que não sei vazar.
Conta-me histórias dessas altitudes...
que eu escorro a neve intrometida nas botas para poder escalar mais umas rochas, para poder ouvir mais de perto, histórias fantásticas, mais e mais perto.
Pedro 23:41
Domingo, Janeiro 06, 2008
Estendo brevemente a mão e pesquiso o ar. Ligeirezas pelas quais me vou dispersando, este dia que gradualmente é a passagem por itens, quase que querendo sintetizar e reduzir a vida... Ao lado, talvez, de maiores desafios - um vislumbre da largura do palco, e procuro agora distrair-me no quarto da maquilhagem. Recordo o que significa fraqueza: não é medo, pois esse é inevitável e ingrediente; nem é ficar aquém, pois que só podemos dar passos, sem garantias de declive e de firmeza que as do solo onde os dermos. Fraqueza é quedar-me recostado na cadeira inconsciente, tricotando esboços de espectáculos, e nunca seus actos de inteireza, repetindo visualizações, mnemónicas de espaços fotografados há muito, querendo cingir-lhes o sentido de presença, repercutir a suficiência que lhes incute a percepção direccionada, coagida pelo hábito, discretamente evitando a sugestão de fins outros onde se pressente o desconhecido, o perigo do desconhecido. Nessas alturas sim, se perde o comando, se perde a personagem, se minimiza inadvertidamente o explorador - e é o arame farpado o cobertor em torno das grandes colinas caiadas de gelo reluzente que há, em nós, por desafiar. São elas mesmas quem reflecte a artificial desatenção e quem, como todas as colinas, lá longe mas de uma imponência incontornávelmente próxima, nos faz sentir, por mais que desviando o olhar, qual a proporção real de ficar. Mostram-nos como é falsa, fútil até, a vida confortável no vale dos caminhos trilhados e dos parques arquitectados. A extensão da cordilheira mostra-nos a imensidão do ser, e é tempo de o relembrar.
Soe o relâmpago! É tempo de afundar as mãos no barro. É tempo de lhe arrancar todos os moldes, com todas as garras, e com todo o direito. Sermos de novo a música, sermos de novo o filme... Mas cantemo-la então! Representemo-lo!
E assim finde épico este apelo ao princípio.
Pedro 22:41
Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
Sonhos que os teus dedos tecem...
E quando perguntares de que sou feito, que deverei responder? Talvez que sou um sonho refeito sem de o quê saber. Talvez que pelo mar contrafeito seja um marujo sem ter mais que a alma, fustigada ao parapeito dessa vista a perder que é o oceano, o teu leito.
Talvez que de entre as ondas e a espuma emerja, Neptuno, a Verdade; imponha-se a quilha à bruma desfazendo gotas ansiedade pela qual navega sem estrelas. Ruma, sonhador sem rumo - saudade de artes profundas e belas, em suma. Estranhas distâncias que a idade acresce à paisagem que esfuma,
ao céu de divinas texturas... Me abandonam porém ao escrevê-la as suas espirais, as tonturas. Olho p'ra o alto - conhecê-la é sentir suas áureas partituras percorrer os ouvidos de vê-la, difundir que as telas são duras para agarrar as tintas dela - que a Arte renasça em gravuras.
Que nestes confins, nos rochedos morras em mim, eremita. Que as forças dela galguem medos, as forças que emana, bonita como o musgo que cobre os penedos, como a vida que a chuva suscita por solos ásperos enfim ledos após do temporal a visita.
...Sonhos que tecem seus dedos...
por novelo tendo o que trago em ambições do passado, aquele que me orientava, o mago de cuja performance aliado um desejo, não dormir o lago, romper as marés que batem contra o enfado. Almejar mais que eu, estando pago o Paraíso e a Pertença. Dourado, bebo, urgente trago,
o sol que poisa os dias em que o pintaram forças minhas. Laranjas tons estes dias a recolorir forças minhas.
Pedro 21:56
Domingo, Dezembro 30, 2007
Já me comovo de há dois anos atrás. Recordo-me de passear livremente por Lisboa, principalmente nas zonas comerciais, esperando pelos momentos. Tudo era diferente. Estava mais amplamente só, e no entanto tendencialmente mais próximo do que me rodeava. Soube encontrar-me nas esquinas, descobrir afecto por esta cidade despreocupada. Está em nós, a qualidade da percepção. In the eye of the beholder. A cidade era, sim, movimentada, sob o fino sol que dourava o Chiado. Mas era-lo apenas porque as pessoas andavam, não que tivessem pressa no sentido real da palavra. Tudo pertencia à sua era. Cabia-me imergir nesse cenário. Recolhia os seus tons dominantes, sem horário. As marés interiores existiam essencialmente molhando os pés do resto, e deixando um pouco de espuma e emoções pela paisagem (assim o filtra a saudade, fantasista). Por vezes impressionista, dava-me ainda à materialização de laivos próprios e, de certa forma, de sempre. Ainda que de alma renovando-se, era em parte a infância quem me acariciava ao de leve, memórias e emoções pueris, em sua simplicidade.
Fui um discípulo nesta rota mundana de purificação, por contraditório que tal soe. Não o sou hoje. As altercações são mais intensas, absolutas até. A fase escala, embora não precipitadamente, para um estágio antigo de excesso e de fracasso. Por demais me adapto, escorregando do posto de observação em que a identidade era, resguardadamente. Por demais sinto o tombo pesar-me na espinha dorsal. Quer dizer...
Tem dias.
Talvez decida voltar a vincar a espiritualidade. Talvez volte a empunhar o escudo, junto com o gládio. De qualquer forma, tal pouco importa agora e aqui. Ontem, ontem sim, perpassavam múltiplas anotações pela minha mente, que incluiam também estas recentes lembranças. Ontem passou, como passaram estes dias. É verdadeiramente no passado que reside este hoje, que apenas recupero, sumáriamente, restauração evidente.
Pedro 18:45
Deflagra a temporada pelas reflexões.
São colinas perigosas, estas. Rasgam-nos a pele da mente se as tentamos atravessar, incautos.
A sensação que impera é que me esqueço de metas e de mim algures lá atrás enquanto sangro pela paisagem.
Espinhoso percurso, a cafeína.
Pedro 02:16
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
Desabafos silenciosos...
Porque exigem tanto de mim? Porque me indesejam? Me não comprometo com a fria realidade, mas o aquecedor é falso - deixo de estar.
Dói-me o sítio. Dói-me a repetição desta palavra eterna, mas ecoa, ecoa... e ecoa.
Hoje transeunte banal; Hoje, mágoa social que perpassa lá ao fundo, cada vez mais nesta sombra que não é escura... apenas incolor, apenas paralela, apenas.
Como sempre, a estrada não se partiu em duas, não houve bifurcação; Apenas se projectou uma miragem de cimento onde era o terreno inóspito e a dureza de uma pátria surda e exterior, acolhedora somente à sua maneira.
Não à minha. Ou pelo menos não para comigo.
Quero que se foda essa tua opinião. Quero que se foda o estereotipo em que recaio, e quero que te fodas com ele. Já que não me dão o mundo, não me espremam outra vez os sentimentos,
essas vossas vozes redutoras de quem não sabe na verdade o que é ser ninguém, o que é não poder sofrer verdadeiramente por se não ser ninguém, por não ter que a frágil mente por estimar. Viver sim, mas com que sabor, em que reconhecida paisagem (em que eles?) que me permita não estar aqui a cavar mais este fosso...
Pedro 22:26
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Pondero o sono. Faço esforços por me arrastar nesta folha de papel, cursor exaltado de obrigação para com a carência, martelado em diante por dedos sem dimensão. Paralelamente reescreve a mente uma página de simpatia, traduzindo pouco à letra os momentos conjuntos entre dois, capturando selectivamente a essência das frases de passado no processo. Pequeno escape à solidão, arquitectado com base em mera aproximação que não foi assumida com a abertura plena dos sentidos - comunicação - e portanto que o não foi verdadeiramente. Aos olhos do par (restritamente, apenas), simpatia e até predisposição não são bastantes quando se não complementa, com a presença espontâneamente pessoal e involuntariamente (não por escape-compulsão, pretensa resposta a requisitos) descritiva, a demonstração da legitimidade de uma expressão mais íntima enquanto informal e, de certa forma, comum. De volta à mística mundana que destrói (exponencia as possibilidades, muito delas derrotas percebidas), volto a refinar a minha perdição.
Anuncio a dôr como quem brada ao exército o sinal de investida, vale abíssico abaixo, os canhões do estabelecido mundo armado escorraçando o grosso das forças. Desfeitos sons de guerra na fronteira da auto-estima...
...Fogo de artíficio horrível e humano. Ainda assim, seus sons (dramatismo) me propagam, recordação cadavérica esmagada num livro árido qualquer.
Pedro 22:48
E hoje, ao entrar numa noite disfuncional, possuidor daquela ânsia característica dos tempos de juventude irresolúvel, denoto como se perdem as tendências, abafadas pela noção de minhas limitações, pelo peso carregado do exagero, exagero esse ora de voz, ora de silêncio, de demonstrar condicionamento.
Sobretudo, atordoa-me hoje o nervo miudinho que está patente na mera presença, e se me degenera portanto numa acumulação de pequenas pontadas de frustração, de faíscas da consciência do que seria expectável por contraste ao que é dedutível no crescendo abstracto da insuficiência minha.
Foi assim o dia, mais coisa menos coisa.
Pedro 21:55
Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
E aqui estou, novamente, encostado a este desespero passivo de folha. Desentendido de realidades, incapaz de mim, esfuma-se de novo a tocha tímida que prometia resguardar-se centalhas reveladoras.
Brindo a estas janelas todas semicerradas, fuligem do tempo impôndo-se aquém da lareira, desbotando-se a visão e o oxigénio. Espectadores, o coma imperfeito.
- A Primavera?... - Desperta-me a náusea esta voz trémula e imersa que apela à estação abstracta. No apeadeiro do Jogo, a tocha é o comboio que vem e vai a vapores. Chega a instalar-se o enxofre nesta mecânica que chia, embaciadas.
É de entre a normalidade que visitara que sou demente, por fim. Espreito o pátio e o jardim e os brinquedos idílicos visitados pela chuva, esqueléticos e inadequados.
Não esquecer nunca a dôr antiga. Não esquecer nunca! Não perder nunca o que me distingue e me eleva a esse Abismo de almas, sofrendo pelo corrimão contrastante, dolorosa Serenidade.
E extingo-me, morna incandescência. Enquanto aumenta o carvão, as palavras.
Transfiro-me destrutivamente.
Pedro 22:34
Domingo, Setembro 02, 2007
Perseguição
São pessoas a virem falar comigo, a imperar empíricas, a me relembrar da imobilidade no colete de forças, a me reportar a um cortejo em que sou qual Embaixador delas, de mim nelas, de sua política implícita. Conduzo a missiva na charrete protocolar, súbdito da aparência estatutária, o Alguém.
Escapatória
Provoco os deuses, eliminando arestas da Grande Teia infinitamente geométrica. Esbracejo em seu profundo suporte, projectando-me incertamente qual criança no trampolim, as regras - sim, mas do Desconhecido - tomando a forma de saltos aproximadamente aleatórios. A mim, ó Cafeína, existência sagrada ecoando, retecendo vibrações pela inexistência última e, por entre travos amargos que a espuma adocica, ignorada. Alongo o braço excessivo, querendo extrair elementos a este abíssico subconsciente.
Encruzilhada
Na selva do nefasto rugem promessas próximas, agitando o coração de medo impaciente, temendo pela vida entregue ao verdejar do imprevisível, rodeando a presença inactiva espelhando os troncos físicos (ramificação estática). Não há diligência nas mensagens. O compasso da selva é de uma cadência louca, petrificando a instrumentalização e o ego. Por ele, arrastam-se trechos sem tom ou direcção, rinocerontes solitários sem plano, enfurecendo-se devastadores perante a majestade indómita que os não acolhe, esbarrando contra as árvores seculares a sua indecisão emotiva, impotência da besta em firmar seu ensejo, em afirmar seus chifres. Dói a passividade frenética, o contraste íntimo de predador e presa, ambos um só envolto em frondoso, deixando apenas entrever o vôo dos pássaros que, aéreos, tudo verificam, pontos livres em trajecto pelo céu limpo.
Recaptura
Gradualmente a fera esquecera-se na rotina da jaula. O desfecho é continuadamente trágico, como só pode ser, na literatura ou na vida - ínumeras hipóteses em aberto, clareiras perdidas à sombra da Hora, mortes antecipadas até do remorso, alastramento inequívoco do Assim. Os efeitos desvanecem-se, e o negro dos olhos é cada vez mais completo, encerra cada vez mais os enigmas que outrora invocava, traços de brilho desperto no papel amarelecendo-se, sedados pelo tempo e pela desistência. A virtude é só quem se era, num backstage anexo ao anfiteatro onde se entabulavam sonhos inconclusos e por isso se cancelava o espectáculo. O sono apropriara-se do corpo frustrado, a ansiedade esfriando-se amargura e ulterior anulação, e dormia-o agora perante todos, ressurgindo a dura estabilidade da rede em que atentavam os esforços idos, agora irresolúvelmente esmiuçados pela espera, Grande Aranha da alma. A busca pela psicose redentora entornou-se pelo indefinível, e o isolamento, ainda que manchado, ditou a pessoa, autenticidade prescrita. Restam só miniaturas à ruína que é o rasto em decomposição, rosto ligeiro do passado.
Síntese do remanescente
I O céu é de dia. Larva, já és borboleta! - Côres flutuando.
II Um camponês lavra. Também as vespas cansadas semeiam seus êxtases.
III Vida, ressoando sua essência sazonal - o chilrear dos pássaros...
IV Terrenos inférteis. Fúria humana ao vento. Sempre, a grande colina.
V Brisa e terramoto. Canteiros suaves e fortes murchando igualmente.
VI Toupeira, tu foste contemporânea da dôr. É noite. P'rá toca!
VII A metamorfose qual sonho findou. Escurece. Quais são dela as côres?
Pedro 22:30
Ruptura
Estou onde não me recordo - tenho o sangue quente, a zanga é material, e sinto-me outro. Toda a minha vida é, em seu pleno e altivo direito, e a tensão apenas me reporta à noção que repousava de que o mundo é agudo na sua pouca maleabilidade, repleto pois de frustrações dolorosas, de acontecimentos fazendo questão de trazer até mim o predestinado conflito de posições, suas indesejáveis intervenções em meus modos, seja por crítica ou por exigência implícitas e dedutíveis dela no contexto em que são. Aquém da idade, aquém da passagem, hoje é o ser e ele doer-me.
Pedro 00:24
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
Desemboco.
Pelo preâmbulo, grande cais ao mar que fustiga, antecipo, a mão ansiosa pousada sobre a testa franzindo-se, uma galera vindoura, por distinguir da nebulosa distância azul. Cintilam mais forte os reflexos de quaisquer feixes de luz, doirados, incontornáveis. A visão, atordoada pela insuficiência de sombra, desprotegida à palpitação inebria o ser e a estética, infernal qual electricidade estática mapeada no ecrã interior onde se procurava a concentração. Medidas as forças, o tempo arrasta consigo o pulso sonhador, rebate a ilusão e afasta a personalidade.
Proa por vir, quando serás a miragem redentora, harmonia de tons na tela que pintarei por fim, os dias meus e nossos? Aporta na enseada do meu espírito, que embarcarei pleno e artístico cumpridor da maré irradiada pela verdadeira côr de mim. Até lá, mergulho a cada sétima onda num amor oceânico, sua ilustração incerta e fugaz.
Pedro 21:55
Terça-feira, Agosto 14, 2007
Desmantelamos o movimento sob a alçada dos dias. Ultrapassamo-nos, e eis que a paisagem se desfoca, eis que somos desalinho agarrados a um passado que nos não pertence; chama-se estabelecimento, precursor desfalecido pelo Cemitério do Tudo, e nós, seus cúmplices, revisitamos meramente, a virtude transmudada em erro, excepção ao vazio pessoal, meramente, ao invés de própria na pragmática da regeneração real e entre outros. Tela invertida, pois vista à memória espelhada, só mais uma acepção dos conceitos de mim deturpada pela emoção, antecipando-se o resguardo que de tais modos se disfarça.
Outro ensaio, complexidades derivadas da simplificação de nos perdermos aos dias vagos... Não aceitação.
Pedro 23:29
Sábado, Agosto 11, 2007
Denoto uma urgência. Brusca, como a ponta de um lápis imprime o seu cinzento. Empunhando a arma de carvão, ainda incandescente, o imperador do que ardeu. Extensão lânguida, à janela trilhada pelo sentimento sem fim, vivendo a decrepitude induzida pelo quente caos - entardece.
Que das cinzas florescam os nenúfares! dita o desespero, raiva destroçada por personificar. Sereis o candeeiro ténue harmonizado com a melancolia, sossego a reatar o rastilho da criação. Fervilho menos. Exproprio a dôr e a ânsia, revolvendo refúgios escassos, vocábulos dispersos, a falsa vastidão de nenhures.
Escassos trechos de amizade perpetuam-se, repetindo, na imaginação da inquietude, enquanto me desencontro de vós, enquanto me procuro enternecer de esboços. Um, almejo a renovação, velha fénix encostada numa esquina esperando em silêncio. Uma metáfora indestrinçável, esta realidade.
Escôo as últimas gotas rubras para a taça de que sorvo o conceito de antídoto.
Pedro 16:11
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
Do lado da contra-cultura, tudo é uma luta involuntária. E perco. E perco...
Destrono-me de essência, desatarrachadamente. Quais os objectivos? Em tempos, solucionei o tempo resguardando a mente para a prática, reservando o fracasso para então. Mas entretanto, deixei que germinassem novas ninhadas de bichinhos para corroer as horas aguçadas, e por vezes contagiá-las com doenças culturais, essa praga tão complicada e múltipla quanto as vidas...
Custa tanto acarinhar o positivismo, quando o que se sabe são papéis que o vendaval agride, e quando o firmamento é inimpugnável às não-energias.
O motor faz vrummm! São cenários de guerra, pé no acelerador, persigam o pó! Lancinantes velocidades inconfessas revolvem o planalto assolado, e perdura a insignificância das partículas e um bando de náufragos tossindo o desembarque, a maré de rarefacção poluta abstraíndo irreversível o trilho e a vegetação minha ou nossa.
Falhos, os passos. Andar e tropeçar, ou quedar-me pelas vertigens? Dolorosa a missão, cravos enraizando-se nas polainas, dilacerando... pés esvaindo-se em incertezas vermelhas que gritam à nossa sensibilidade, evitamento civilizacional, camuflado, desequilíbrio pungente apregoado pela carpintaria de todos, das escolas, falsidade, incurável amnésia, o grupo sexuado e moderno, apologia de conduta por papéis facilitadores da impessoalidade personificada.
Já ninguém sabe comunicar com as flores.
Pedro 23:53
Quinta-feira, Agosto 02, 2007
São vozes da decadência, trinando noite dentro melodias fúteis do sonho antecipado, rebaixado à mísera condição de trauteio amargo. Não te suplanto, ó pasmo de gente que queres ser um. São lâminas enferrujadas, pedaços de metal impiedoso trinchando a pele tingida de sangue, procurando afogar o suor, ruborizar a noite de alva escuridão, em vão, pois ela mesma, a tela onde se projecta a cirurgia, a escama de bisturi carcomida pelas traças de sentimento, de anos dolorosos, ela mesma é o reverso de um dia, névoa-cegueira, atordoada pela luminosidade absoluta, clarões de tudo, permitindo nada como veículos que entopem a estrada de fim incerto, como uma armadura de bronze, dura e seca. Canto metálico que se ergue de um lamacento leito, conjectura orgânica de chuva, afogando-se no pântano da desesperança. Longa é a distância, e a noite densa.
Pedro 23:04
Domingo, Julho 15, 2007
Tenho saudades minhas. Tenho saudades de quando não trazia este peso, sempre, esta massa latente a exigir de mim naquilo que tento ou que estou, estas cortinas maciças não mais que entreabertas. Dói-me esse passado. Doem-me os nervos. Dói-me tudo. Rompeu-se o cordão umbilical que me ligava à alegria. Aquelas vibrações sorridentes, aquela disposição permanente para a vida, perante a vida, tudo isso trago amolgado num frasco difícil, antigo. Já foi assim. Deixou de ser. Anos e anos passaram; Rastejei, ansiei, vislumbrei, assisti, resisti, existi.
E daí?
E agora??
?...
...e agora?...
A questão que me coloco é esta: Onde quedar-me a viver (mas a viver de facto)? Com quem mais a acompanhar-me, numa nova excursão, em novas redescobertas? Sem a vergonha e raiva, más companheiras desde a adolescência, frequentemente esmorecidas em pesar e evitamento, tudo isso por não me soar seguro, por não me sentir livre e assim deixar de o estar, por me julgar a falhar enquanto ser capaz, solto e social - por existir todo esse julgamento pré-concebido instaurado nas atmosferas, aos poucos impregnadas onde haja restantes.
Onde e com quem - só isso.
Pedro 01:29
Domingo, Julho 08, 2007
Caí, e fiquei a olhar. Tentando pontuar, a procissão de obedientes detentores do paradigma que definiram sem cuidados. No molde onde se inseriram, formada é a lógica de separação do que deve, com base no modo, no quem protocolar. Dobro-me, e choro. É um choro quase bonito, vergado sobre os álbuns, todo o espólio através do baço plástico. O desuso acolhe-me, feto que tem lugar, de vagas memórias complacente. Um metafísico fim de tarde, despedindo-se. Volto a concentrar-me na atmosfera, e reconheço a gente que está a caminhar ao meu lado, espalhada como um perfume impreciso, nos corredores suburbanos (pois deslocações). O perfume que emana é a simplícia inferência de um método, uma absorta fixação pelo enfático, e o desconhecimento que há nisso. Transeunte adverso, inalo espaçadamente, soluçando ainda. Cedo me corroboro de um desterro da presença, por entre angústias e fonemas, sempre pouco e além.
Haverá esperança?
Pedro 20:07
Segunda-feira, Junho 25, 2007
...estética de algum Oriente... (A tendência.) ...fantasia-neblina de mental alcance...
Será que me ultrapassei?
O peão observa cabisbaixo o harém infinito que o rodeia, cavaleiros indómitos na planície irregular até à praceta próxima distante. Um por todos (e todos por um), bradam - berram, e ao meu ouvido... Por onde, para onde reverter o passo, instância-Humanidade? O que feres é o que és?
Surely not... You're just so lost in probability... Perdida em dialecto, esqueces a linguagem, bebé agarrado à metáfora palpável, cúmulo antecipado da ilógica que axiomatizaram primeiro. Adequas-te pois à oferta, procurando. Defines senso sem reflectir...
Contra-senso! Insurreição libertina! Vos invoco, conceitos reveladores. Providenciais vozes sussurrando, cada vez mais alto, conexas pontes para margens, hemisférios de humildade e de dilúvio... Rasgo folhas com a voracidade de um mamífero virtual.
Assim me ordeno, ilustre propagação-entrusamento, esboço de cataclismo de nada.
Pedro 21:14
Sábado, Junho 02, 2007
Devaneei. Por entre as pequenas memórias, de capacidades esmorecidas, fiz da vizinhança etérea um recosto ensonado. Os meus suspiros deitam-se na cama de se apagarem as luzes, e espera-se por um desconhecimento misericordioso. É o remorso do inexpresso, obscurecido; a distância intransponível de um passo que sofre a metáfora que é o amputamento, repetidas vezes, na estilística da antemanhã que veio tingir de breu o céu solarengo. E é enfim o cansaço. O cansaço de convergir mal por protocolos, de fender à mundana superfície, de soar sem autoria. Perante o que é alma e beleza, mais tarde ou mais cedo, o recluso se esbarra contra as grades que precedem o tangencial, as meta-barreiras geradas pela imagem de si mesmo, a recursividade do impacto de as deixar transparecer. Doem fracções desprezíveis neste cansaço, ele sim grande. E em particular, dóis-me, exponencial do que afunilo face à tua presença, da minha massa toda, em quantidade, olhar após olhar, dia após dia, complexidade após complexidade. Dóis-me na altura certa, em que, perfeitamente ciente, faço o errado porém, e deixo afastar-se a rédea, contemplando abstractamente o meu momento irresolúvel. Dóis-me e dóis-me estúpidamente toda a minha estupidez espelhada em dôr. E doer-me-ás novamente, assim o sei, meu Amor... Nenúfar púrpura espalmado em mim. Palavras ilegítimas, bem o sei, explorador que de tanto interior se adensar pelo trilho, ainda por palmilhar, se refere agora idílico a uma verde clareira que nem sabe se o espera para lá do arvoredo. Resignado, o corpo mental cansa-se cabisbaixo no ginásio das derrotas, e retira-se para mais uma noite de tréguas.
Pedro 01:30
Domingo, Maio 13, 2007
Quando não se esteve nem foi que não com um cérebro fértil, acertando os parâmetros e as artes ansioso como um coração, esperava-se pelo batimento do compasso, revendo próximo o ideal conducente à aceitação própria e derivada de haver definição, seja ela as consequências necessárias.
Foi preciso lidar com as derrotas que um cérebro demasiado atento media, réguas negativas esgotando a energia dos traços. Geometrias de ser recalcadas desenharam-se e foi preciso dar passos atrás até à caverna do ínfimo, estática à sombra das forças.
Da caverna se iluminaram dedos imaginativos, desenhando nas suas paredes as memórias de antepassados, memórias baças e ásperas e extremamente incompletas, mas que eram eles mesmos pintando e ignorando sintaxe, toda essa esmagadora sintaxe acumulada.
Por fim, inócuo por desvio, se caminhou para o percurso de à luz do dia observar, mas sem cérebro - com o passeio, como que sob a tutela de um mestre Caeiro, simplícia libertação. Belo princípio de um círculo que afinal traça a lembrança de ele já ter sido completo, de já ter sido um sorriso. E quando o seu largo perímetro se emancipa suas vertentes à geometria, cumpre a órbita a sua rota, menos anos-luz para a meta, a felicidade em mim.
Já não sofrerei o que já sofri, auto-imune. Entanto, sofro agora uma outra forma de passar, perdidas que estão as quimeras junto com a dôr. Cansam à alma, veterana aleijada na guerra, os prefácios do livro de ser, revivê-los, ainda em semelhante circunstância, afinal. É caimbrã na caminhada reconhecer a lógica do mundo, diatónica e bipolar, no espaço como no tempo, e principalmente nessa mesma métrica que relembra as minhas mesmas cedências, por disparidade, e agora até de fôlego por desabituação. É difícil não findar reverenciando, parcialmente, a mecânica do costume, quando eles mais se acercam e exigem, sem saber que o fazem - mesmo até sem o fazer, antagonismo que se verifica.
É preciso aceitar o etéreo ranking em que o alheio, mentalidades, vê amíude os pequenos gestos e suas razões pequenas, e até as pessoas que os tentam, extrapolando visceralmente a sua dimensão própria. É preciso aceitá-lo, e não percebê-lo. Renunciar à noção do mesmo, mas não sem antes admiti-la. No âmbito das presenças sempre que se quer, é o retorno. Mas é preciso marcá-lo primeiro com os joelhos erguidos da lama invisível de quedar passivo, aos critérios excessivamente estruturados da estimativa social excessiva do que se é e se pode, para se poder pensar ser, para poder agir ser.
Pedro 03:04
A temporada decorre, e nós com ela. Tempo fluvial que nos arrasta montanha abaixo... pela semana determinada, a determinação é mera cúmplice do que é e do que deve, caminhos de cabras calcorreando-os balindo alguma natureza por esquinas formais, rocha, pedra pontualmente de apoio, o meu blog hoje um outro exemplo disso enquanto a mera síntese disso, parando eu para pentear o desmazelo que é esquecer-me com as mãos enquanto fogem as palavras, que não vocábulos, verdade e só, pelos transbordos ligeiros das margens que se humedecem assim, assistindo mormente. Assim imagino o que flui pelo insípido passado - passante - que afinal está mais seco que molhado, vestígio enlameado onde o rio prossegui. Pouco é o meu leito, mesmo quando chove. Quais mãos de bebé, carícia que se perde. Salpicos na terra já antiga, orgânica indiferente. Ó, triste química, mundo, gente a trovoar em meu peito o seu mesmo exterior e enxofre. (Irrespirável.) Vos lamento com todos os olhos, desentendimento no lapso planeado e cumprido de fazer só porque é um acto o andar - só porque é um trilho. Discórdia íntima - ó triste totalidade, genérico - de ser convosco, ao vosso lado, e ceder, ceder-me, desejo simples e aberto, ao resguardo cerrado da auto-estima - eu endereçado o fútil zero - inviável, e o resguardo ainda de me perder pelas horas deterioradas que me envolvem como um lençol indesejado apertando-me calor a torno e fazendo-me sentir o meu suor à sufocante medida que mergulho nele, asfixiante resposta qualquer, etiqueta e momento. Ó, é o retorno, a pequena ilusão, mil em uma, a pausa de ao experimentar - ritmo, réplica, cumulativamente exaurindo - me não poder experimentar, me não conseguir... E ei-lo, o desfecho trágico com a subtileza do que é secundário na vida, justamente. Previsível, dir-se-ia... Pois, que entretanto sou eu.
Pedro 01:31
Sexta-feira, Abril 27, 2007
De onde vêm estas linhas? O que as gera? Quem sou eu?
Não, não são traços desbotados, salpicos motorizados de dentro do depósito, gasolina dos dias de percursos... Não. A sede é diferente. Para mim, arte não é sentir; é sentir-me - basta a verdade como qualidade, quer-se o propósito sendo um comigo, a pele remendada de nos construirmos por sobre a ferida a arder, latejantes.
O sonho sou eu, é a promessa que fiz em anos de arder, carne viva, infeliz. Arte é querer ser côr, e recuperá-la apesar do torpôr de não saber está-la, de não ser ninguém, de nunca o ter sido de em escassez além no mundo sofrido que é todos a rôdos, presenças sem fim, um grande salão de alegrias sem mim, informal infantário de diplomacias onde não há espaço p'ra simples grafias de querer fazer laços com a liberdade - Ser eu, sim, sim! Eu, dentro da cidade onde não há espaço, pois tudo é concreto, para um meu regaço, sem ter que ter tecto; Eu, fonte rara em termos de jorrar, tecido frágil e pronto a rasgar deixando escorrer as gotas de sangue, sangue silente pela pele doente... de pouco respeito que o acalente e, porque não, de amôr que me trate. (Amôr, amôr... esse velho forreta que da ilusão vai sendo alfaiate disfarçando mal que não está escarlate, rosa que murcha no tempo do jarro.)
Conservo em cristal essa esperança, e espreito sempre que não embacia. Tudo o que busco e revolvo nas horas é mero e singelo porém. É o sorriso íntimo de discursar ser, a respiração de agradecer com a essência vossa pluralidade. É a vida que é esponja embebida em vós, amizade que é o me descobrirem, o me encontrarem, o me aceitarem, ambição-cicatrizes. Querer dispersar-me, e apenas. Ser, para lá da ostensividade de mecanizar o acto na abordagem, de ferir a pele, raspando-a, do outro qual espátula, incisiva sem dó. Ser, sem primária lei e indiferença que não o superior entendimento, comunhão, o pilar de uma Acrópole humanista, bela, onde as pessoas não têm nome, e sim identidade, onde as pessoas não têm idade, e sim o presente, onde as pessoas não têm sexo, e sim corpos, onde as pessoas não têm moda, e sim ideal, onde as pessoas não são consideradas inferiores, pois há a noção íntima de julgar à superfície ser superficial, onde as pessoas não são tratadas inferiormente, pois há a noção íntima do sofrimento infligido infligir sofrimento, lá, onde as pessoas são felizes, parte activa da felicidade umas das outras na sua forma de estar, na sua forma de apreciar os momentos, nas suas formas, sublimes e expressas.
Gente cristalizada, transparente pintando as flôres que é na tela impalpável do cosmos - Quero ser um de vós, lindas lendas, dócil utopia. E bem sei que és real, minha poesia... Fascínio que vislumbro entre as pálpebras pesadas - Lua que durmo estas noites - acordarei por ti, à aurora. Um dia.
Pedro 01:24
Quarta-feira, Abril 11, 2007
Podemos ser vistos como planetas. Rodando, concêntricos, tudo em nós ganha um fulgor luminoso quando a volta se completa. É o da compreensão intrínseca ao ser. Num universo largo, nossa viagem obscurece-se facilmente entre outros grandes rochedos derivando. É necessário recuar no espaço para que o tempo nos esclareça, conjugando zonas de espaço que são memórias da jornada antiga de sempre. Vivemos, metades esquecidas, recíprocamente. Simples, a poesia é a curto prazo o sentimento de cada uma. Complexa, a vida - a curvatura, erodindo-se árida pela algidez nocturna, perdendo-se indefinidamente.
Pedro 18:54
Segunda-feira, Abril 09, 2007
Era a referência quem fornecia os pesos e medidas, na filosofia que sucede à assimilação. Presa a um fascínio, dissimulado. É vida a arte, é vida o pensamento, vida lutando nas malhas do que foi. O tempo é tecedura. Nossa consciência, visão apocalíptica da mais horrível redenção. Não há controlo, apenas o acto de refrear. Não controlamos, apenas esmorecemos, pois que sem passagem a não sentimos. Fechamos os olhos, pressentimos menos... Tudo esmorecendo-se... Pobre o homem que crê, que ele descrê. Incapaz... - A nebulosa verdade que os céus detêm. Ser criador é não estar à altura. Ó grande pirâmide!... Sepulcro!... Enorme antítese insolúvel!...
Pedro 00:42
Quinta-feira, Abril 05, 2007
O peso das palavras volta a impôr-se nesta falsa suficiência, ele como tantos outros. Nisto resguardo a estética dos pequenos acertos e desapareço. Socorro, que não me vejo a imagem no espelho do que estou, do que está! Resgatem-me o trecho náufrago da turbulenta, viciosa noite... O quem que te soa é já um alguém. Ora feito o apelo, cumprida a cedência, vergada a arquitectura; d'ora me prossigo, insignificante às indulgências menores. Deverá assim ser, e bastar?... Por ora... Bocejo... Lá longe, a hora passa... E o nada, que é tudo... Bocejo.
Pedro 22:53
Domingo, Abril 01, 2007
Um âmbito social me preenche hoje a indecisão. As horas passam de um outro à vontade. Alguma certeza se acumula nos sentidos, algo mais conhecedores do propósito diurno, e a noite reside para lá dos olhos vossos. A negrura fere menos, é mais duradoiro o chão. É assim sempre que me revejo em momentos acompanhados, sempre que constato a contagem, e os trechos de essência são suficientes.
Sabes a ânsia que tolhe a calma silente de um pano de fundo, que cala o diálogo com trejeitos de verbo sem frase? É a de não ser interessante, de temer o vazio, de evitar a recursividade inerente junto às apreciações necessariamente negativas numa complexada perspectiva. É a tremura de não ter uma base de expressões persistente, um conjunto rotineiro de falas e ênfases para cada fase exterior da presença, cada estímulo mundano, cada sentimento que lógicamente se impusesse à situação. Esse baço horror compulsivo de haver uma ordem maior, um culto de personalidades agrilhoante em exigências, agressivo em julgamentos, averso à concepção e ao acto de experimentar, averso portanto àquilo onde, potencialmente, me traduzo. Esse meu retrato exagerado de uma humanidade mais imediatista e hierárquica do que talvez seja, menos positiva e acolhedora do que talvez possa ser. É ele que vislumbro, certos dias, com pena, que fora arrependimento se culpa houvera, entre os farrapos de cortinas que ele por vezes me faz ir correndo.
Mas quando a luz bate, frontal, nas faces dos passageiros reais, reflectindo a eterna Novidade em seus traços carnais e simbólicos, reanima-se a alma e a beleza. E quando ambas se dão consonantes, e as notas ecoar se permitem, reencarno a viagem que o revérbero doira, entanto escasso. E o comboio trina e galga carris de distância.
Pedro 20:52
Sexta-feira, Março 23, 2007
Raspando o meu perímetro, ferindo-me os sons e a resistência, crispação férrea, não fenece a repercussão cíclica da tua garra. Meus pensamentos são interjeições arremessadas contra a fundura dos murmúrios, chão abissal. Como uma fera castrada, a maniota vergando-lhe o impulso irado, és a chama extinguindo-se no amplexo funéreo dos meus planos de pessoa. Sim, és o pneumococo ardendo consoante expiro.
Desenraízado da cidadela, polarizei, sem polimatia que não com a pretensão, líbido dos conceitos perdendo a carga. Mais que a massa, pesa-me a terra desertando os meus confins, espalhando-se sob a poalha característica do dia de abatimento. A silhueta do tronco é o substantivo cuja etimologia é incerta, solilóquio nas acústicas hécticas pelas quais recordam e pintalgam os zumbidos algum soçobro inquieto.
És a cruzada constante e o círculo, e eu as centelhas de bruxa que falhou a mágica de flanquear, descabelado sem fruto. Oh, ábditos músculos doendo pela floresta, seus tantos verdes tão verdes, tão externos... tão intrinsecamente externos, tão mais externos que eu...
............. frrrrt frrrrrrrrrrt (A noção disso arranhando, silvedos.)
Pedro 23:54
Domingo, Março 18, 2007
O definido dos contextos apazigua, ao enquadrá-las, as diversas pinceladas metafísicas que ele sabe e/ou descobre, autor, consciência e exercício fundindo-se. Serve de covil improvisado para as feras desordenadas do passado, que rasgam e dilaceram a planície durante o processo de síntese faminta. Covil, mas não abrigo, pois perdura a chuva confusa e real na urbe diurna, precipitando-se por sobre os charcos e encharcando os quadros difíceis. Surrealizou-se a promessa, e a ambição desfaz-se nesse ateliêr pobre de contorno, cuja difusa miséria se abate e repercute nos artistas assim privados de escolha, do métier. Da míngua e estéril impaciência se soergue um vigilante, húmido. Pelas esquinas, caminha e aguarda qualquer desenlace, qualquer traço de alma passível de ser desembocadura dessa fluvial tempestade, perdida que está, escoada que está a palette de viver, arrastada pela sarjeta indiferente a cores, a temas e ao cumprimento nele divino.
Pedro 15:44
Hoje, entretanto, eclipsei-me à circunstância vazia. Espero por um regresso teu, ó imponderável manhã da interacção respeitosa, que me faça regressar para reocupar o intérmino labirinto de abrir-me, respirar-me e sublimar a minha busca por uma paz maior, suprema. Rendido do resto, de joelhos para o pórtico que dá para a rua mundana que conduz aos verdes jardins, volto costas ao altar e observo como é breu o ontem, como é esquecimento o saber. Um cansaço absoluto desce sobre mim e fecha-se em meu torno, como uma mão cujo braço está prestes a perder as forças e assim o exprime. Preconizo apenas, sonhador mínimo, o amor e o carinho independentes de tudo que, com a maior das simplicidades, as almas passageiras ofertem à minha habitual orfandade.
Pedro 01:12
Sábado, Março 17, 2007
Revolvo o meu desequilíbrio uma nova vez e mal reparo como, das sombras de ondas que espumo com a caminhada cambaleante, fumega discreta a essência do ontem. O intoxicante odor a cinza adverte-me, sugestionando a erosão e até a perda, e sei os momentos como uma sina. Onde estou, que torneei a esquina de algo e do demasiado vago? Onde estou, que se me metaboliza a palavra pela rua desértica em que secam as vestes, os estendais de ninguém?
Da cultura, céu escrito ou colocação, entornada pela providência e raridade, embebo o filho abastardado num esboço de perspectivar entendimentos. Reverto as transformações e entrego-me, fiel por uma escassa eternidade à solene procissão de alma que é a precisão da paciência que reveste, numa esperança de recuperar uma outra, mais sincera e interior... Mas uma rajada de aspereza sublinha o gesto perdido, o peso do livro por ler, e as suas capas de nunca, encerrando o conjunto a ilusão de enquanto eu me permiti fingi-la. Foi emanando, do gesto de folhear, a côr alva e sólida das páginas, em lugar da transparência do conhecimento.
Sopro a mentira da lágrima. Restam por baixo as sensações esporádicas, reactivas. É da circunstância que emanamos, não tanto do método ou costume. A flôr recolhida aprecia o seu centro, nocturna, e aguarda a carícia de um novo astro que a permita sorrir a serenidade do perfil, mesmo entre o todo categórico e uníssono de apreciações diatónicas do que é.
Pedro 21:48
Como cisnes fluindo, passeando por sobre a coloração esbatendo-se recortada pelas sombras das árvores de fim de tarde, as frases derivantes na vaga impaciência que as velhas margens fitam, os seus verdes cansados de sempre. Uma ou outra ardilosa inspiração transparente, patas que se agitam no salpicado instante de ameaçar o golpe de asa, e até a inquietação é por fim airosa na maneira como se dissipa, concêntricas perturbações fugazes à quietude iniludível da superfície, apartadas pelo temeroso abraço díspar da impossibilidade turva da coesão. As rãs coaxam à passagem, recebem a sonolência da noite impondo-se ao seu desespero formal. Subjacentes à paisagem, os ruídos de fundo são-no cada vez mais, e é essa a verdade que emerge dos últimos raios de sol translúcidos, desmistificando a profundeza e os nenúfares. Ainda, uma conforme jangada permite recolher esses pedaços, como quem colecciona recortes de jornal para os estampar numa tela difusa e ritualista, memórias compulsivas e fugidias, membros saudosos de um mero corpo.
Pedro 00:49
Segunda-feira, Março 05, 2007
Vestígios de som, lembranças na noite Os ecos nocturnos da arte relembram que sofro e que sou, relembram quanto existo e dou à escura selva de almejar-te. Em gestos eternos a sorte atiça o galope, e a guarida sua dista del' tão sofrida o mesmo que a vida da morte. Na bruma, pela voz envolta (carrocel de minh'alma louca) me entrego à intérmina volta de te querer mais cá e boca a beijar o querer ter-te solta, tontura após ânsia... a voz rouca...
Pedro 02:43
Sexta-feira, Março 02, 2007
Eternamente, no limiar da espiral me provoco e à vertigem de repetir as alturas. Oscilo, e caem de mim as folhas que taparão, eixo abaixo, o centro da terra. A desorientação entranha-se nos ares que inalo, árvore abandonada. Podada a conquista do tempo, multiplica-se cada segundo uma míriade de invasões, rasto arenoso de tempestade, e a floresta vista de cima tinge-se confusa de limalha de rocha. O vôo é um músculo violentado pela asa, um abraço maior que o seu diâmetro. Famílias inteiras são laços quebrados, projectadas para o longe antes sequer de constituídas. Perde-se aos poucos a pertinência das frases, e os sentidos ressentidos não mais se enamoram do afim, escondidas as flores almadas no canteiro visual, seu disfarce múltiplo murchando, varanda que definha por ser arquitectura antes da casa. Escorre tinta velha, a frântica erosão rasgando-a.
Assim se despedaça o ambicioso apogeu aéreo, Ícaro após Natureza (incompleta, clareiras).
Pedro 20:44
Quinta-feira, Março 01, 2007
A vós:
Queríeis ver-me, produto, na leitura... De ter do mundo uma centalha de magia a acender-se pela chama desse dia são ambições, vosso interesse ou a ternura.
São mitos do que sois, traje ou costura, hábitos vossos de vestir ou de tecer, imagens que às cores quereis rever, abjecta a escuridão e amargura.
Mas deste fraseado não se avista que a dôr exposta feia e verdade cuspindo pela estética prevista!
Do côro irracional que há p'la cidade falso artista social? Antes autista... Minha é a voz sem personalidade!
Pedro 02:15
Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
Escava-se um nicho. As águas convulsionam-se, humedecem o espaço. Lesmas e outros seres do subsolo vêm espreitar. Está reaberta a exposição no museu milenar, rios antes das nascentes; e as horas estão de visita.
É mais um dia de internamento.
Pedro 23:13
Sábado, Fevereiro 10, 2007
Dois fragmentos do Círculo da Recuperação:
Fertilidade
Entrego-me ao vento. Onde estás, energia suprema? Peço-te que me ergas deste chão; revolve-me, sublima-me, semeia-me pela sociedade. Abate-me esta desterrada sensação do que ficou por cumprir.
Encantamento plural
Sou mais que alguém. Sou a vossa mãe. Sois o meu ventre rasgado de continuarem, de dôr contente e de amôr simples e natural.
Pedro 00:20
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
O desdém é uma pinça com que num cirúrgico rompante de brutalidade se arrancam as pétalas, que desabrochavam, uma a uma. Sombria, a gestação torna-se sonho, onde se dá à luz uma jangada e se premeia o passo com o calçado de pisar novamente e pela primeira vez. O verniz substitui os vestígios de cor que entremeiam as páginas de um livro calado, consciência borrada de romance por um lago. Suas águas paradas, tingidas ao de leve por uma brisa imperceptível, são a seiva a escorrer melosa pelo caule hirto ao vento, vegetação na memória de crescer. Um esforço alegra-se de sorrir a embarcação, com o recém-nascido dentro, ao encontro do marítimo azul, da paisagem geral de mundo e de belo. Experiências, a sensação de ser mãe está versada para adiante, para o horizonte de reminiscências de viagem. A pessoa contenta-se de algo em detrimento de si.
Pedro 23:21
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Das últimas duas semanas:
Ergo-me aqui, um hoje alto, futurista. Deste antevôo, derroto a vertigem vazia. As gaivotas surgem, como que proclamando, e a vitória é delas o bater das asas. Desafio a amurada. Sorvo-a até ao fim. O fundo da chávena são grãos de amor, e as gaivotas mergulham, debicando. Esta reciclagem é a higiene do sonho. Purificaram o rio. As fábricas tiveram greves. Os despojos da mentira foram coados primeiro. A mágoa não cabe no balde, afoga-se pelo poço. A água sabe a cristalina, o seixo a medicina. Há uma enorme pureza na ilusão colectiva.
Porém, a massagem é duas - o espelho rachou de real, e é-o por fim realmente. Numa delas, a mão que não está está aberta, e no seu centro a dádiva dos sentidos; na outra, a mesma, há só nada, um punho fechado cujos tendões dormem a vida estendida. O passageiro estremece o comboio no sobressalto de si. A ponte está para trás e a travessia ruiu. Junto à bagagem ninguém lhe deita a mão. O impulso desiste antes de um cadeado. A chave da confiança aguarda perdida num bolso, mas os dedos têm sono de saber em qual deles. Rasgou-se-lhes o sorriso no arame farpado. Saltaram a cerca e fugiram, de pontas e dôr a abanar. Brincaram às cicatrizes cá fora, num pátio que não era um jardim, tão pouco uma selva, e sim uma espécie de mistério pantanoso.
Ao pegajoso passado que tanto exaspero brado hoje um simples hurra, estaca zero, apoiado na alma calma e ciente, expectante apenas vagarosamente. A plenitude de sentir está ali, à minha espera. Sei-o das rãs que chapinham nos charcos que por esta torpe paisagem passam barcos capazes de atravessá-la e à quimera. A um golpe de leme dá-se a guinada da contemplação perante a alvorada. As antigas braçadas tristes e inúteis iluminam-se douradas, aladas, quase úteis formas de ser, de estar e de abraçar nestas palavras, sons dos pensamentos, a minha própria forma de observar o que exterior me apazigua sentimentos.
E até que alguém me interrompa num silêncio desigual, a prolífica ilusão de traçar vida virtual será um vago sorriso, emoção vaga mas real; até que me empurrem de ameias, do môrno calor, até que a areia ceda às ondas, à espuma de dôr, beberei tragos altivos de paz com gotas de Amôr.
Pedro 01:50
Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
Vão vendo estas minhas páginas passadas, pretendo actualizá-las mais vezes nos próximos tempos. D'anteontem:
Esvai-se-me a palavra perante a verdade da folha branca. Estou-me a sentir mal no meio desta gente toda. Sua paz é seus ritos urbanos, e a confiança simples de ser.
Assenta em mim também uma paz triste, com que olho a passagem geral. Vejo não só a distância de mim para com todos, mas sobretudo o quão distante estou de ela mesma. É como se um espectro meu se houvesse despegado de mim, e soubesse de antemão a vida do fundo do tapete rolante que actualmente me leva. Como se o estímulo de haver gente em redor, a breve oportunidade de entabular em interacções promissoramente espontâneas, ainda que fugazes, se diluisse numa excepcionalmente recuada maré, hoje não por acção da Lua ou do Medo, mas dada a claridade com que vi para lá dela, dada a nitidez da provável insignificância de qualquer troca de palavras que me venha à imaginação, qualquer aproximação ao entendimento que efectivamente consiga, e dada a transparência do desalinho maior por trás disso.
Observo como rendido e submisso me perco mais do mundo para me poder encontrar a mim, a sós. À medida que saram as metáforas, dou comigo objectivamente mais distinto, mais estranho a eles, e com menos disposição para mentiras e para verdades. Coagulo em silêncio.
Pedro 00:14
Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Chegado aqui, o remo é ilúcido. Conturbada pela correnteza, a quilha de murmúrios resvala por fim nos areais. A crista trazida é a mística desfeita, um rombo de dispersão frugal. Lamacentos, os desígnios são agora imposições já nada camufladas, percurso entediante de bote até uma costa. Imponente, a física do barco é as linhas esbatidas ao longe, infraestrutura sem prédio. Tal construção abandonada faz lembrar a incapacidade, destruídos (incompletos) a um mal menor, insignificante. Já a significação dorme estendida às memórias rubras que anoitecem, restando só o incompleto da queimadura, o peso invísivel de as cargas se afundarem. Ciclo empoleirado na gaiola total, a gaivota da passagem anuncia-se de novo, aérea, superior. Algumas das suas penas bóiam serenas (fatídicas) no charco de estar.
Fui hoje algum mistério na Arte, mas não Ela, mas não Mais. A intriga das linhas potenciou alguma visão, algum chamamento devidamente tributado (medições alheias), mas pouco enfrentei o proveito, pouco atravessei o remoinho. Os nós dados assentaram consigo a corda, foram lacra pronta em envelopes de unção, sacramento da dissertação como tal. A insuficiência decalcou pouca a tangibilidade do novo, salão de espelhos a coordenar o concêntrico dos caminhos, cartas prescritas (pois citações) atiradas ao mar-reflexo, sua extensão algo passiva e limites.
Natural, sento-me numa escada à beira-mar, humana e de pedra, e adormeço enconstado aos degraus, que vagos sobem e descem ao ritmo distante da maré próxima.
Pedro 00:19
Terça-feira, Janeiro 09, 2007
Perseguidos pela não-Arte, os fotões circunscritos clareiam-se aguerridos de precipitação. Baralha-se o gesto sistémico, confuso por entre os naipes da fricção e do ouvido. Clareira intermitente, o espaço é também observação, eco, e surdina, principalmente surdina, transiente reduto com uma noção patética. Misto de solene (holofote no tecto de imaginação) com temível e silente (pedra e entulho do fundamental pilar amontoado), a demasia local, preâmbulo em recuperações recorrentes, imensamente intencionais, de haver entre as capas. Em contra-partida, os carris libertam-se da guinada por projecto baço, antigo e rasteiro, nada que a hora dos terramotos não abale científica. Curvas, as tragédias estudam o artifício romanceado de se serem, ruído na conversa-carruagem, fixo trilho alternado da pouca inventividade. Cede porém o flagelo do conformismo, sempre, à alusão camuflada de pombo-correio, à simpatia do concurso enquanto desfecho, e a sinceridade destina à Mulher todas as Mulheres a mensagem impossível de um sorriso. A Verdade aguarda que, não turvas de periferia, as águas da realidade reflictam a leitura respeitante, flutuando nela. Ondulações, a legislação harmoniza-se paciente num decreto convergente e derradeiro.
Pedro 02:34
Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
Não sou que um discípulo tímido de Mim.
Pedro 19:04
Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
Pelas áleas do espaço e pelas áleas do tempo, caminho para amanhã numa procura do hoje. Perco-me na rota e perco-me no descaminho. Sou um altar à quimera na paciência do sítio. Dou-me ao circundante como me dou a ninguém. A oferta desaparece junto à casualidade. Despeço-me de tudo, e despeço-me de todos. Ecoa todo o silêncio onde o ruído não é comigo.
Pedro 04:58
Despejo-me para a comida, hoje rebordo prenhe de fomes. A distensão tacteia o sal do cajú, ânsia na pele, aquela que é, no cérebro, desocupação. De encontro à mão estendida, o fundo do prato, a tela impenetrável escorrendo as tintas do inicial, o pincel num coma que se aprofundou. Em cada vez mais electricidade, o parto submerso na tisana de sempre dá-se efervescente pelo abismo, mas só a verbalização do espelho inciente (turvo por reflexos) é as folhas aromáticas a boiar suadas. A banalidade da impressão digital afugenta o monoteísmo do vôo, traçado no intermitente que lembra agora a nuvem, disperso esboço de viagem. Refulgem, por sob a ponta física da aproximação abstracta e intuída, as anulações em branco total, que alguém inferirá húmido ou fino. Durmo o mundo em mil gestos, sonambulismo recortado às artísticas veias do azul-céu, conjuntura prescrita de intenção, e ainda assim tangente à óptica, intrigas esculpidas no fractal de poros. Flébil tesoura, estendo a estampa na farsa primaveril. A punctura, agulha sozinha, é a noção de se ser discípulo da rotação. No centro do horizonte, realidade vária, vértebras são espalhadas por um tornado, leitos os terrenos dispostos em distância presencial. Sem ortopedia, a vontade é absorta - rito, dôr, e sequência (outra vez a hipótese).
Pedro 04:25
Domingo, Dezembro 17, 2006
As coisas à solta. Um horror incerto, esbatido, pelas certezas, pelos dogmas, pelos outros. Ao não ser o míudo, procurar garantias? Alimentando-se de coisas que vão fazendo predizer as seguintes. Mas não, claro que não... Ser o volante, o guia. Explorar sem explorar, ser sem querer ser, sem ter de procurar ser. Mas o que é feito?
Sei lá o que é feito. Sei lá de que sou feito. Não sei bem o que estou a escrever. E sobretudo, já não sei como é que passou tanto tempo... Desde que fui. Desde que passei a ser fracções, quando fui.
Acima de tudo, a simplicidade dos laços passou-me a pesar como uma coisa disforme. Em deficiência, vezes houve em que esganei as mãos por me esquecer da transparência táctil do tecido. Outras, doía-me a ponta da agulha pressentida, ao enrijecer a pele, membrana defensiva e estéril, embebida em vagos cremes de identidade perdida, emprestada às sucatas de Ninguém-Alguém. Contra o novelo fatal, contra a dôr pungente da rotura, a agressão total que assumia [a insignificância | o excesso de nada | a própria fragilidade] expostas, contra a sarjeta que era tudo, e contra a mentira que eu sentia ser tudo, um adiamento do rebaixamento, uma absoluta dôr de mim, uma em descrença esmigalhada pessoa, com forças para procurar, para ir tirar um curso, para chegar lá e ter um pulso, desde o primeiro dia, um pulso cerrando os nervos, tendões vampirescos de presença, a energia que é as cinzas, "o que não mata, torna-nos mais fortes", mas doía, doía sempre, o limite da voz, o limite da segurança, era o limite da cidade, a falésia do espírito, a dôr do caminho. Aproximação a qualquer coisa, as brasas lá dentro, a fuga por reinvenção, rotina, postura. O pé ante pé das pequenas palavras trocadas, tangente à dôr, a meio evitamento. Mas nas horas da morte, no vazio, na solidão, mais tarde ou mais cedo, o chamamento do Novo e do Comércio de almas abriram uma e outra brechas, rasgaram o papel machê do presente, e destapada, a situação foi voltar ao mais íntimo nível, e a esse mesmo, confrontar a distância, chocar com ela. E neste ciclo se repetiram novas crenças, perante a progressiva concepção das novas envolventes. E neste ciclo se reformaram mais operários da essência, até que o lar ditou uma desistência por assumir, um reconfigurado palácio de nenhures, uma rotina pintalgada de hábitos-ócios por cima do vazio. Até que um dia, das reticências de emoção e sonho, o esporádico tiroteio das amizades (periféricos amores, conceitos enlameados próximos) tornou-se bombardeio, disparidades anularam-se em espiral de alma, e as novas rotas, na paz fria e simples das manhãs, do sol, da rua, essas as vagas redentoras enquanto tais.
E nada disto basta como biografia, nada disto é mais que abstractas veias do que se conseguiu ou se pôde ser, ou ir sendo.
Pedro 17:34
De 27 de Outubro:
Esgoto-me. O sol é um capricho. Arde a impotência sem tempo. Que a sombra obscurece a memória e o nós. Fere a chama escura. A reza escritura apagamento.
Pedro 17:31
Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Hoje, quedo-me triste como um píncaro. Cansado, maquinalmente. Os meus bocadinhos de diferença esquecida, de sensações e consistência diluída num haver gente e mundo, transtornos invísiveis na fragilidade com que estilhaço e perco a conjectura paralela, esses pedaços de crosta que me doem na pele ao irem caindo, desfazendo-se liberdades vãs pelo tornado fora, mortes prévias sem cemitério...
A dureza da impotência, a dôr da simplicidade, a fome de não ter fome, de não engolir as mentiras todas, de não me engolir escassez. A aspereza de tudo isto vomitar o seu significado, em todo o externo, para o fora-fim. Dejecto de fragilidade.
E depois, há o ninguém (nem remoto) em que recaia isto com franqueza, em que recaia o eco de uma mensagem talhada, não há um verosímil sequer que me corte as veias deste palpitar suicida que é o quarto sem dormir.
Resta uma conclusão sem palato deste remoer-me frugal que inconcluso resta.
Pedro 03:09
De finais de Setembro:
Um palácio circunstancial e hoje. Paredes decoradas de lembranças anímicas. Corredores sangrentos de bombeando anémicos o labirinto. Um átrio de varandas viradas para o interior. Uma fonte ao centro, que chora o tempo a escorrer. O burburinho da oração a diluir-se nele, mentiroso ritual humedecendo-se. A sanidade forçada da relva sintética. Lá no alto, o sol consciente emudece-se de desígnio, e a liberdade desmorona-se neste intervalo edificado que aparta ruas e movimentos.
Pedro 03:08
De 29 de Agosto:
O ar, de necessidade carregado, torna-se a pressão de deuses indefinidos, talvez fáceis.
A ferramenta substitui o objectivo, tendo por componente funcional veicular acessos.
As hipóteses percebidas legislam a formação do fluxo de energias em si inteligentes.
Por inconstantes emoções esvoaçado o céu desaba, feito de quimeras que já foram outras.
As coisas nascem o que têem sido, transferidas cargas do querer que é o condicionamento.
A meia meta se repete a vida, produto passeio por terrenos alguns, pouco férteis.
Pedro 03:06
Terça-feira, Setembro 26, 2006
O vício-sabores vem falar comigo. É escusado pintar o céu: a queda sem precipício, antagonismo impávido e, por fim, triste. As migalhas-reflexões não saciam o congénito existir ali, que se esquece de desígnios ou de entidade, concretizadas numa poda-fome que foi os momentos abruptos de continuação-tronco. A última análise é a esperança esquecida com o barco na margem oposta à travessia, enebulado rio-visão de lembrança azul.
Pedro 01:02
Quinta-feira, Setembro 07, 2006
Não consigo calcetar a esplanada do supérfluo. As pedras que há são o tropeçar nelas. Não consigo calcorrear a escada do exagero, e o degrau que se segue é o desespero. Não consigo contornar este sinuoso fútil, acalento do mesquinho, dor de intromissão. Monumento antigo, hábito imposto, és o meu castigo, ruga no meu rosto... Erro acumulado, banalidade militar, és construção num estrado em suspenso, falta de ar. O provérbio social, irrequieto estéril. Toda esta transcrição de certezas erradas, esta prontidão oca, toda esta escola da voz alta, um nojo de cerco. Quando a realidade dos pensamentos se imiscui sonoridade, alguém me arranca a ponta da língua. A saliva dobra-se seca, o periclitante estabiliza-se hirto. Encostada a uma triste amurada, a arte espreita a paisagem por conquistar. O tempo imprime-se opaco.
Pedro 21:45
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
E vão uns traços algo banais de o serem, algo salientes em exageros relativos. Vagos traços de possibilidade hipotética.
Dia 18:
Tenho no centro de mim a resposta. E que resposta... Chama-se prazer, derivado da paz. Hoje, acarinho-me enquanto duro. Ça, c'est l'aujourd'hui.
Filosofias conscientes, visões duras sentidas na pele, as coisas que acontecem, tudo à parte. Eu sou o querer ter-te ao meu lado, minha pessoa abstracta por vir, meu Amor.
E para lá deste amor embriagante, sem causa nem destino? Este amor absoluto que tanto cega? Um silêncio, hoje tímido, hoje verdadeiramente inaudível... mas sim, um silêncio, e sobretudo uma voz calada; uma construção em suspenso.
Dia 19:
Todo este grande manicómio, todo este grande hospício alberga-me a incerteza indecisa.
Tenho de voltar a tocar, isso é certo. A única ilusão que vale a pena as vezes necessárias. Já na realidade, é tentar - É ir tentando, quando for caso disso, quando não houver premeditações que a façam passar a ser uma outra tentativa, uma de cumprimento.
Dia 22:
Este contraponto que prevalece antes de seja o que for, que se substitui ao futuro e corrói os inícios, desmorona as pontes, enfurece o vazio, despromove os preenchimentos...
Mais vale é não pensar nisso.
Agora:
E isso custa, especialmente quando há uma dinâmica social dos contentes instalada. Mas talvez eu seja fraco, ou enfraquecido, vá. Lá simples sou, em vários pontos de vista aprendizagens empíricas. De resto, sei que tenho potenciais determinados. Resta verificar na prática as medidas disto e daquilo, e balancear a coisa.
*
Pedro 00:52
Sexta-feira, Agosto 11, 2006
Tantas vezes, que me deixo sair de cena, abortar a segurança, a desobstruída vontade de entendimento, precisamente quando sinto ter algo para dizer, quando sinto ser o momento de avançar. Um espírito que se dissipa no assombro da realidade, contrariado a curto prazo.
É só este, o traço irreflectido que vos trago hoje.
Pedro 22:40
Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Da mesma forma que há por aí tantas vidas em rodopio e sentimento, há por aí tantos grupos de amigos. Há algo de óbvio e natural na sua forma de lidar com o mundo, que passa por terem todos tido amigos com quem alimentar os traços básicos da sua maneira de estar na vida, com quem adquirir a noção íntima de segurança na posição, no trato, para poder dar-se a uma gestão inconsciente do seu trilho de vontades e hábitos praticamente próprios, sem sensação de novidade nem de perigo demasiado subjacentes.
Mas terá que ser sempre esta a história de uma pessoa normal? O que me leva a pensar... E se nós formássemos um grupo de inimigos? Queres ser meu inimigo?
Ora este sou eu: nasci num dia, e vivo num determinado sector da sociedade. Agora já me podes odiar - comecemos! Vamos tomar um café discretamente envenenado. Vamos jogar à pedrada. Vamos falar de insulto e difamação. Yuhu.
Não sei lá muito bem se isto cabe aqui no meu blog, é que... "Ah, mas tu tens um blog." Sim, parece-me óbvio. Vago, mas um blog. "O teu blog.. mas tu, quem és?... Um ser vivo suponho..." Sim, parece-me óbvio... Vaga, mas uma vida.
"Estou a ver." Pois. Gostaste desta repetição de estrutura na resposta, do reforço (que é o padrão) da incompletude do conceito inserido, e do acréscimo em dramatismo (que é a pompa do inesperado) pelo crescendo de gravidade dessa incompletude, portanto. Ou pelo menos, sentiste que tal sublinhou o dito. "Pois sublinhou." Pois.
...
Se tivesse mesmo gente na minha cabeça com quem elaborar, dialogar! Como dizia o Sr. Álvaro de Campos, "Se ao menos endoidecesse deveras!"
Pedro 02:29
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
De volta à banalidade,
no mau sentido da palavra.
Fragmentário me despeço.
Pedro 23:55
Enfim, não sei porque faço estes posts mastigados, pois do que fica explícito, eu próprio tenho de fazer um esforço para extrair os significados que queria dar aos símbolos... Se o consigo ao de leve, é mais só porque me lembro... Digo isto porque esta foi mais uma vez em que tal é atroz. O problema é quando faço a passagem entre significados, quando introduzo novos elementos que vêem no seguimento do propósito semântico já exposto, mas que se não estiver suficientemente estabelecido (e raramente o está) torna ainda mais vago o entendimento deles, e ainda mais vaga a coerência da sua correlação. Interrogo-me se alguma vez alguém consegue contornar totalmente as interpretações erradas? Espero pois que não se ponham a encontrar ideias perigosamente diferentes das minhas nos meus posts. Mensagens subliminares, ou isso... Por favor não vão invadir a Espanha com uma fisga de atirar pastéis, e um penico na cabeça para proteger dos touros. Não afoguem os vossos quarto e sexto filhos em água potável e voem até ao maior deserto do Sudão para oferecer os seus pulmões a dois birmaneses que lá foram vender autocolantes do seu clube de voleibol para coleccionar, mas que se perderam do safari dos clientes após uma tempestade de areia, sendo que o tornozelo do primo de um deles tinha sido acidentalmente pisado por um elefante quando era tratador de um zoo algures na América Central. Espero ter-me feito entender, que isto às vezes pode haver mal-entendidos, cuja possibilidade me passa ao lado quando escrevo, mas que às vezes mais tarde dou por ela.
Pedro 02:44
Fazer coisas e despachá-las incompletas. Falhar a estratégia do mundo. É dormir que quero? Nem isso - acho.
Certezas, muito menos... o requinte não passa de as coisas vistas através do véu-nós. Esquece quem queres ser pois o não queres ser. Estás a pegar em fogo-fátuos, mas o amor de verdade é cego. O amor de mentira é forte, mas esvanece-se. Assim que a mão deixa de ser mão, sente-se a queimadura do tempo passado a segurar. Assim se agarra na percepção.
Esquecer as tensões, as posturas, essa falta de objectividade no desejo da vida ao tratar o gesto-voz por objecto, ao morder o engodo da situação. Mas por trás da situação há uma outra, por trás da mesma ainda outra, e por aí fora, até que os engodos são outros e as máscaras de tradição caíram uma a uma.
Mas e depois? ... Depois, fecha-se este capítulo habitual, em conivência com o que foi dito, de certa forma por determinar.
E dói, o facto de também não ter dito nada.
Pedro 02:24
Sábado, Agosto 05, 2006
Ecos de Deus
I Viagem universal
Alguém perdido num firmamento vê o eclipse do requinte. A cósmica luz cujo sustento é a partícula que se sente
atravessar os espaços negros, as cintilantes auras esbatidas, essa luz de vôos íntegros que torneia as várias coloridas
faces da matéria, de isto a lira, à velocidade da luz se apaga. Escurece, iluminando a mentira. É a vida o que o vácuo esmaga.
II A côr da dôr
A dor é réplicas do porvir degeneradas, impressionismo, pintalgadas telas do sentir, representando o malabarismo
de existir. Azul a mágoa, a púrpura raiva a tingir: pedras atiradas à lagoa de estar à beira do fingir.
III Ecos de Deus
Deus espreita, na mão a ânfora, e bebe uma poção sem esperança. Divino é só o que vem lá de fora. Solene é só a brisa que amansa.
Se tudo apodrece, que apodreça também o requinte.
O silêncio é uma lira morta. O ouvido, a consciência calejada.
Que o ar rasgue e desfolhe isto.
Pedro 22:39
E os relógios pulsam a pouco e pouco. Não estou aqui a fazer nada; estou a adiar o provável adiamento seguinte.
Tudo se consome, tudo se gasta, e na corrida de sempre, continuo parado.
A minha maior saliência é todo este estar parado, rocha de aridez e erosão sem causa; a erosão de ela mesma não ter uma causa.
Tudo é mormente o momento de agora, e uma estilística caverna de vício sem química. E nem sequer tenho um grande sulfato que escrever.
Pequenez sem pena ou nada. A tinta é falta de evitamento-liberdade. Esborracha-se, no ecrã impávido e implacável. A cabeça só se soergue num patamar antigo, de quando em quando, para saber que não está à vista.
Cobrindo o pátio-novidade, um gigante mata-borrão parado. E diluo-me continuação, entre aspas.
Sem.
Pedro 21:29
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Sentado em casa, a perder horas, a paciência é a metáfora que se fecha e tranca na chegada que ainda dura, imensa, lânguida.
O não ser blindada faz-me lembrar uma flor com menos muitas pétalas, ao descascar uma distância de menos uma calma.
A pessoa e a carne capturadas amplificam-se selectivamente por sob a matéria moderna que lhes faz sombra. A hora esquece-se de mim.
Abandonada pelo pulsar, a solidez é uma lâmina inútil e nela, vaga, espreita a imagem outra do desperdício, hóspede num compartimento.
Quase encerrado aos que vêm, mesmo que de um país inteiro, alberga a ferrugem das chaves, definido, e quase a estima com a arquitectura acumulada.
É realidade, o nome que figura na placa que não é dianteira. Embrião da indiferença, o único contra-dialecto.
Pedro 00:12
Segunda-feira, Julho 24, 2006
Aí ficaram dois pequenos contornos esquecidos. Inspeccionem também as minhas partes alheias, transcrive mais algumas.
Pedro 02:48
De dia 7:
A nós, privilegiados num ápice, como nos sabe a pouco o português. Como nos é poeira o dialecto.
Odeio alguém. Já não sei quem. Os meus sentimentos são cacos sem rótulo antigo nem inscrição.
Este poema é a mesma coisa, um conjunto de fragmentos do pensamento partido, rescaldo.
Fica apenas a escrita empilhada de quem não tem mais nada para fazer, e a noção patente de ela ter um sentido,
um sentido distante, sem as forças para impôr a ordem à confusão, que talvez seja o agora face às horas acumuladas.
Pedro 02:47
De dia 6:
Perpasso. Pelas áleas da separação atenta, almejo o veículo situação. Mas não sei como endereçar o momento, na réplica da correspondência a que me alio. Fervilho sem assinatura na caixa postal do anonimato, mal preparado para a viagem frigideira.
Pedro 02:46
Quinta-feira, Junho 29, 2006
Abro os braços ao ar vazio, indagantes, um como que grande provedor da demência. Aspiro largo como alguém. Detenho-me num sorriso desafiante, enquanto o tempo sonorífero me invade a estética.
Recolho-me numa larga cadeira de estar, e retraio os lábios num outro sorriso nostálgico e aborrecido. Chego aqui com a minha ponta humedecida, que se me depena escrita.
Contorno os charcos de mente, atravessando-os. Sou um enorme míudo aos pontapés na lama da noite, do alto do meu Vesúvio Lua. Detenho o súbito da insónia. A coroa de louros tempera a ribanceira abaixo de uma penosa idolatria chapinhada. E ambas fervem discretas...
O paragráfico do relógio é só mais um apetrecho. Visto-me de uns pés descalços, e sonho a rua e os pátios do alcance. Passam por mim as dobras vermelhas de uma margem aos poucos fluida, e procuro atravessar aos tropeções sem espalhafato.
A calma, a calma... Uma pirueta de alheio sem dança. Uma confluência dípolo de passado com futuro. O marco de uma estrada nele apoiada, nele repousante de extensão. A senha híbrida da refeição de bocados, uma pausa entrelaçada por lianas. Um urro distante e psicológico de selva surdina.
E desenrola-se... E ao frondoso se torna... E sublimiza-se a poeira melosa como um pequeno-almoço da apoteótica reflexão-dia de contrários. O premente pulso-próximo, alforreca a dar à praia, espuma de um efervescente espaçado e solene. Mas borbulha, rotineiramente...
Para quê? Retine a dormida. Exageros sem módico. O mole simples? O estável nulo? Para quê!
Pedro 10:10
Quarta-feira, Junho 21, 2006
De dia 13 (madrugada):
Estarei cheio de vitalidade? Sei lá. Mas cheio de, é uma expressão detentora de bastante, senão na verdade, então na carga de expressão e de hábito que acarreta. Mini-coisas mini-pensadas, assim. Sinto qualquer coisa esquisita, uma simplicidade no enleio teatral das emoções ligeiras fortes, aquele ímpeto quase jovial, dirigido para nenhures, numa transparente aura de imaginativo primeiro. Como se alguém colasse mais uma pastilha elástica em torno do elo menos frágil que baloiça, místico ainda. Realço apenas, de caneta marcadora a carregar o lápis vago, o muito lado por que andei, a quase oposta instabilidade outra, aquela que não esta, dual sem fronteiras, equivalente a um certo nível, na pausa do desgarrado invísivel. E falo de ter andado, porque isto é uma espécie de retorno, esta minha nova casa de intransigência da mente de firme tendência para o estúpido. Desleixes da dor que se finge adormecida? Um gongo que soa inconcreto a cada esquina, minuto, pressuposto, guião social. Característica disto: a sensação imensa de dispersão quando me arrasto. A sensação de excesso e de desnecessário quando me procuro calmo dizer sem imediato. O meio faz-se capa, o "não um" puxa idênticas quantidades, e as cotovias cantam algures, sem terem nada a ver com tudo. Porque o som pensa que manda.
Pedro 03:46
Domingo, Junho 11, 2006
O abstracto som da inconclusividade, arrepiante, traz consigo como que
Pedro 01:50
Sábado, Maio 27, 2006
E às tantas, ao olharmos para fora, vemos coisas cá dentro a retorcer-se, a aspirar o sopro tão esperado de rememoração com que esboça um sorriso-emoção, repegam-se as pequenas pás-desejos com que se procura revolver a eternidade numa imagética de vigas-passagens dos edifícios sinfónicos, que são as várias recordações metafísicas em aliança afinada e peculiarmente aliança.
As palavras são disso o melhor exemplo: escrevem a garra que procura não deixar o andamento-eu expirar em sequência, o mestre-de-obras que grita intransigente na presença do fim do turno, enquanto os trabalhadores viram costas intangíveis.
E é isto. O caminho retrilhou-se sob um pé de obsessão mais firme. Em tudo, a mesma intemporalidade, a mesma propensão à chama, e, tendo a vida por desilusão impotente, a mesma susceptibilidade maciça nos reflexos de privação.
Pedro 03:21
Segunda-feira, Maio 15, 2006
Actualizei, por aqui e por aqui.
Pedro 01:22
Domingo, Maio 07, 2006
As coisas são tantas vezes tensas e implacáveis. Sofro em tudo a austeridade. Os míudos em redor brincam às atitudes rápidas, certeiras e completamente ocas. Como lobos, exploram a ausência de moderação, renegam a compreensão do que lhes é diferente, e em tudo o que lhes não é estímulo à visão social pré-fabricada das interacções em voz alta e precipitada, o seu edíficio emancipado, vêem a ovelha a dilacerar num surto rápido, deixando para trás o trilho sem espaço para remorsos. No banco da frente, o ar carregado transpira migalhas de memórias contraproducentes, uma conjugação de esforços antigos levianamente inutilizados. O vazio absorve essa mesma atmosfera e nutre-se bloqueio policial, colete de forças, ou qualquer outra imagem igualmente expressiva para o internamento da liberdade.
Após o passeio de autocarro, extenua-se o ar condicionado, sacode-se aos poucos a electricidade estática dos membros entorpecidos, e disseca-se a dôr para que o vento a dissipe nas entranhas, ao passo progressivamente cântico, prenúncio de sanidade enquanto simples.
Um quadro móvel de sentimentos e imobilidades que existem, e que por isso devem figurar.
Pedro 23:29
Domingo, Abril 23, 2006
uma espécie de comoção húmida o terreno charco lodo da vida antiga o pouco espaço de um mergulho correnteza a falta de acção contrapostas pontualidades longas sem alma conspurcação reactiva o súbito céu, por entre o nublado que se rompe em choro um sumário de tema perdido, uma noite sem tema a apenas meia dor dos farrapos embebidos em clorofórmio uma noite ébria de vazio a apenas meia dor dos farrapos secos de emoção a meia dor de já só poder ser meia a dor da lembrança ser na verdade o esquecimento a reinvenção que dita o difuso espectro entre neurónios e tilinta nas suas arestas desafinadas perdido que está o sentido, a emoção da verdade sem capas, sons ou brilhos mentirosos... e tilintam palavras entidade abaixo perdida que está a identidade, o sorriso do indefinível não ter personalidade trejeito mania... anda mesmo chato de se repegar o objecto no chão andante escada rolante da derrota caída, recaída
Pedro 00:00
Sexta-feira, Abril 14, 2006
E procurava viajar pela aproximação conceptual daquilo cuja consistência me era estrangeira. Depois, às vezes, deixava-me arrastar pelo vento em pretensão a tornado. A submissa verdade em suspenso baloiçava, de um ramo antigo e débil. Quanto mais se definia, pelo primor do hábito e da adaptação involuntária pensada, o modelo usurpava-se do objecto e desfocava-o ao dar-lhe uma resolução. A natureza misticamente morta do passado do futuro espreitava pelas frestas da janela fotográfica e soprava, de esquecida, a brisa recém-dissolvida da claridade fresca invisível. A reflexividade do imperceptível, antónimo de imprecisão, fazia-se sentir póstuma e analíticamente (ao não se fazer sentir, como é evidente). O mistério ocultava-se deixando de o ser, para que mais tarde pudesse regressar em força, com os braços pendentes, brandos e desfolhados após a força da tempestade. Um cérebro, reaproveitado corpo de reflexão recriativa, refinar-se-á contraste enquanto mente dramática de lembranças do comando disseminado posterior pela funcionalidade impaciente, sobejando na beira do prato de alma a própria, prato de propriedade no sentido possessivo da palavra, pela liberdade, fim de míngua. Mas enquanto isso, só a antevisão entrincheirada povoará uma espécie de guerra sem oponentes, conjunto de repetições de ruídos que perderam os tiros por disparar, confusos por isso, disfarces por isso.
Pedro 23:26
Sábado, Abril 08, 2006
E eis que, a súbito, caem panos sobre panos sobre panos, cada um de várias cores distintas das anteriores, formando padrões de confusão garrida e junta qual pilar não lato, fundamento da estética, flores para os meus ouvidos em embalos líricos de nervo esvaído, fio de aço polido da sua rigidez vibrante, braço de violino transformado em mão de alma acariciante, sonata de inconsistência absorta, mas sonata espasmo de ignorância vaga e indecisamente prazentosa em pós-explosões de paz, fulminante multicolor, torrente doce e indiscreta de lânguidas línguas de mãe hiena, perpetrando o animal em ferida de apaziguamento, a carne em beijo de antídoto metaquímico destilado do positivo no sentimento. O que antes não fazia mal, com a intenção sôfrega, agora, em instantes ilesos, não faz mal, ao fazer toda a indiferença. O mundo são arbítrios da ilógica, e nós seus plebeus de floresta vária.
Pedro 00:40
Sexta-feira, Abril 07, 2006
Estou, há um bocado, despegado de mim. Irrita-me tanto, desespera-me tanto, ver emprestadas ao esquecimento todas as possíveis descobertas que houvera vindo a consolidar. Mas a paciência é aborrecida, de tão improdutiva que é esta minha parede de tremura. E de repente, do som de sonar mas reduzido de impacto, pelo que irritantemente insignificante na sua tortura, mergulha uma susceptibilidade interior, uma como que lágrima antiga que se acende por dentro do não existir já, nem nunca, e remexe de húmido o imenso despojo pastoso, sem contudo acordar o torpor de mim em si imerso sono. Complicadamente me prossigo inclinação corporal na beira de uma mesa gigante e suja de restos de um almoço aflito de esmigalhadamente inconcluso, não bastante, mas igualmente imenso. A nódoa disseca-se suja e complicada, para que eu ressurja pouco mais que nada. Todo o compreender serve para descompreender, ao que se finge por hábitos, o enraizado do óbvio próximo por se arrancar para longe o fulcral.
Pedro 23:53
O veto da sensação (desta madrugada)
Sentir - sempre a condenação de quem espera, em todos os traços de momento. Lodos que empenam a chama de dragão...
Pois tudo é aquele excesso em que me ingresso, esforço de monotonia em que torço as pernas ilusórias. Não meço
a distância do arremesso - a meio fica, com o seu valor; do divino já nada em calor. É o teu destino, ardente motor, arrefeceres-te freio...
Pedro 20:40
Fuga vertical (27.03)
O meu subtil é o disfarce com que o mundo no vão da escada assiste ao desfile.
É assim vago que vou subindo sem fundo num topo onde nada existe, nada afago.
Feita do resto, a altura de que é oriundo este mecânico despiste, fim de incesto.
Sem qualquer queda, o irmão exangue do mundo que vão e terreno persiste labareda.
Pedro 20:32
Quarta-feira, Abril 05, 2006
Pois eis - outra vez - o tal expectante cheio de orações óbvias, gramaticais numa cadeira de cama com a imaginação activa, social. Eles batem à porta, vagabundos do espírito reforçados de ténue por causa do carrossel, animalesco turbilhão plástico eu cheio de orações em surdina. A medida certa foi um charco, os meus pés a pisá-lo; isto, os penitentes chuviscos em miniatura, as minhas pernas a escorrê-los sentadas. Não esclareci a medida certa da liquidez métrica da anti-métrica, perdeu-se algo no espaço-entretanto, e o eu buscá-lo é uma corrida apertada mas vaga e falsa de emoção, pelo que não faz mal. Já passei. Este é o meu pó, à minha procura, tossindo crónicamente a realidade de que não existo, por uns tempos. Assim, existo umas pernas hirtas de cadeirão e escorrego na casca de letras da sopa de banana vitamina, pretensa a vital mas vago e falso vitral.
Pedro 14:48
Segunda-feira, Abril 03, 2006
Não consigo chorar. Os meus olhos, árida raiva, um deserto a ferver. Cubro o mundo de dôr num bunker meu, só meu, e refugio-me de vós todos, formas encobertas, passantes, bizarras; dos capuzes sem feitiçaria com que visto as vossas cabeças em forma de capuz com que passam ainda. O meu refúgio é não conseguir chorar. Tento pôr os olhos em palavras, mas engano-me, toldado. O meu refúgio é doer absurdamente nos olhos pretos a recordação de saber chorar, e é um refúgio que me tolda o ser, e há também quem lhe chame morte, antecipadamente.
Pedro 23:03
bbbbbzzzzzzzzzz zzzzzz bbbzzzzzzzzzzz bbbzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz bbzzzzzz bbbbbbzzzzzzzzzzzzzzz (sons de moscardos)
Pedro 19:05
Sexta-feira, Março 31, 2006
Nada mais é. De mim, esta deconstrução que urge, mas que é ela própria uma obra despedaçada. Quando a mente recorre apressada a passados e ligeiras, súbitas recordações que foram, como que justificando a acção seguinte apenas pelo facto de ter existido outra anterior, sei que se impõe um freio no cavalo da necessidade de me sentir seguro. Quando todo o nexo é o frémito e um conjunto disperso de pontadas de sensação por todo o longo da memória, é a altura de fazer prevalecer não o sono atabalhoado e portanto insónico, mas o sono leve e controlado como uma brisa que progressivamente retarda as cataratas de sangue veia abaixo, náusea acima; faz erodir-se o excesso de inutilidade composta, amontoada. Depois, debastando um a um os elos, atravessam-se-me outras recordações mais profundas e íntimas, isto é, sem que correspondam a nada em especial, pura imagem de um espaço em que o estado de alma são as coordenadas, puro lado de lá do espelho, lado de lá da metáfora abstracta. São os primeiros sinais, conquanto ainda órgãos do antigo (mas que sou, microscópicamente, enquanto humano, senão um último conjunto de analogias ínfimas e indestrinçáveis em cordas bambas de reutilização?), de um fluxo de identidade mais calmo, um sangue mais regato. Há sítios inclusive, conquanto simples de físicos, em que se ultrapassa com facilidade o factor representação e se admira a reciprocidade latente entre a descoberta-leitura e a lembrança a descoberto, tanto mais quão mais evocativo estiver o meu olho-intérprete. É no póstumo dessas mesmas revelações que se revela, açambarcada de pouco, a sua afinal estrutura pontual e facilmente contável, pouco mais que um pouco de quantidade. E sobressaio, afinal, uma mera contagem de hábitos recorrentes, relacionados mais com o acaso que com a minha escolha, e de que tão pouco sobressai, figuras de um presépio sem Natal nem religião, uma cerâmica pintada de negro, o negro do ínfimo existencial que é a qualquer escala. Capture-se porém, em mais uma fotografia de pouca dura, enquanto cores acinzentadas de efémero, o flash de espírito que as recuperações reflectem na montanha do caos em que o vale único é os olhos fechados.
Apesar de toda a minha raiva, ainda sou só uma ratazana na caixa. Depois, alguém irá dizer - o que está perdido nunca pode ser salvo.
Pedro 23:53
Domingo, Março 26, 2006
Após ateada de tantos incêndios, a paisagem de cinzas simples amontoa-se complicada de soprar, carbonizado que resta o instinto pulmão.
Pedro 01:11
Sábado, Março 25, 2006
A mola
Na efemeridade da tentativa que o deixa de ser, a minha alma é a lasciva mola do descrer.
Um absurdo momento sem côr toma conta de mim. Projecto todo o meu rancor contra este fim.
Silencioso, o seu estrondo preenche-me de vazio. O tal efémero que não sondo recolho, após o pavio.
Fragmentado, na eterna gaiola a vida é a única sorte. Esta mola não é bem uma mola; é uma espécie de morte.
Pedro 01:07
Segunda-feira, Março 20, 2006
Mas vou acreditando, às réstias, sem pensar nisso. Seja num eu mais compensado na alma, mais imperturbável no verbo, menos traído e menos traidor no estar. Seja num tu que não sei quem é, de braços abertos e ouvidos metafísicos e amorosos de compreensão. Seja em dias mais plenos de algo, de expressão, de feedback, de autenticidade no bom, e mais plenos de liberdade, sentida e consumanda. Sei que tudo isso existe, sob alguma forma. O fundo de um poço fundo, voltei a deixá-lo há algumas milhas. E as suas piores vertigens são principalmente memórias, vazias dada a sua precisão. Agora, alterna-se escaladas sem aspereza com algum escorregadio (vestígios inseguros de humidade nas paredes do poço), nem sempre do mais ligeiro. Deste panorama por conotar, inspira-me a sua existência para a vaga arte que é o dia. Ainda que se arredonde nula, existe, e eu com ela. Não sou uma minha criação, nem uma minha estrutura, mas existo. E vou existindo, e o principal vai sendo não me afastar do principal, não me deixar repartir, não me procurar contentar com fracções e mímicas suficientemente passivas e descomprometedoras de mim, por abominar cenários subconscientes e perigosos de crítica e menosprezo, de implícita hostilidade; não me subverter a qualquer hábito ou falso objectivo, diário ou momentâneo, demasiadamente imposto, que me vede a liberdade em geral, que permanentemente me tolde a clareza de sentimento, o nascimento de escolhas verdadeiras. Mas chega de blá blá. Transcenda-se o papel-ecrã, em pretensão de hipóteses. Cumpra-se aquele que de algures, onde mora, vai vivendo. (E que fique para outro dia, após o contra-relógio, a constatação final de não ter conseguido.)
Pedro 01:08
Domingo, Março 19, 2006
Tudo custa desistências, quando tudo é nada. Tudo é contra-corrente.
Toda esta água brota do recato.
E as afluências do riacho submergem a vida e empurram-na para um mar de destroços, de estagnação.
À margem de tudo isto, o conhecimento.
Tudo é ignorância. Tudo esquece tudo, quando tudo é nada.
Pedro 21:05
Em palavras pequenas, reflecte-se melhor, não a verdade em si, mas pelo menos a leviandade com que se aborda o universo, a insignificância do que está escrito. Ah, raça humana! Ah, homem! Tão grande de variações absolutas no ao longo de. Tão mínimo de autonomia no afinal de contas. Tão mínimo de ti...
Mas o que é que eu quero? Sei lá, quero lá saber...
Pedro 20:40
Aqui, sozinho em casa de novo.
Esta música, fronteira.
Sem mim, textos de alfândega sozinha.
O sorriso dócil do tempo, as carícias do presente.
As palavras que ficam sem mim e sem significado, sob um tecto.
O significado delas já se soube qual é, e não o é, e não só por isso.
O antigamente também já não é o antigamente.
Nem tédio, nem certezas, nem o grave cansaço. Só um leve cansaço sozinho.
O tecto sobrepõe-se ao presente, nem dócil nem carrancudo.
Só cansado, mas quando nos cai em cima, não passa de um tecto leve.
A antiga vontade é uma casa, e as dores antigas já nem antigas são quando a vontade já só o é.
Neste condomínio citadino, alguns tremores de terra colectam a renda.
Mas o tecto são fendas ao de leve, sem cansaço.
Os outros habitantes são as máscaras da minha imaginação à janela.
A falta de imaginação sopra ao de leve na divisão espelhada da consciência, onde acontece um sofá.
Tudo isto à parte não sei, não sei.
Talvez o soubera. Provavelmente. Não sei.
Pedro 20:20
Domingo, Março 12, 2006
E então os fluidos vêm, agarrar-nos na nossa imaterialidade e, aos poucos, arrancar-nos das órbitas de um corpo-olhar, branda mas não suavemente, como quem arranca um penso dolorosamente antigo sem a força da indiferença. Da tona desse sítio líquido vemos a contrastante cegueira imersa em realidade; escoa-se-nos a presença sobre o chão por baixo, agora feito de vertigens vagas, indissolúveis neste eclipse de mar, nesta ausência cósmica de astros. Somos então o seu reflexo, um brilho espectral e invisível, jorrando o negro intenso do vazio, o sangue escuro da física obsoleta. Bóiando em queda, o ofegante dos pulmões afoga-se, a mágoa sonolenta esbate-se em fundos, e o coração dispersa-se neste etéreo buraco das lógicas cerebrais e emocionais. Só a corrente turva nos comanda, de múltiplas direcções contrapostas, e de um sentido impenetrável, meramente perturbada por esporádicos espasmos-geisers, reminiscências neuróticas da lei da gravidade. Nesta toca de compostos sem química, o mundo não cabe e, como ele, o tédio ou a pessoa são concretismos do lado de lá de uma varanda de alma sob a qual desce um baço abstracto, o vidro embaciado de nulidade pela respiração do indefinível.
Pedro 17:08
Quarta-feira, Março 08, 2006
De domingo (madrugada):
1. Estou debaixo da minha manta de cores mornas. 2. Tento que a minha manta se me agarre aos pés, pelo chão friorento. 3. Tento-me agarrar ao teclado e ser a manta em seu torno, mas não consigo assentar os pés. 4. Finco-me, hirto como os meus pés frios, e debruço-me sobre a luz do monitor. 5. Envolvo o teclado de noite, enquanto procuro as teclas para me aquecer. 6. Os meus pés tremem, friorentos pelo chão. 7. Em espiral de inércia, contorno o teclado enquanto o monitor arrefece. 8. Ironizo-me manta de inércia sem teclado. 9. Faço tenções de me ironizar no teclado, cobrindo assim a noite irónica. 10. Ironizo-me repórter, face a um monitor que emite frio, de tão parado. 11. Os meus pés fincam-se num chão não envolto em manta. 12. Arrefeço de fora para dentro, coberto de um teclado, e sou o reflexo de um monitor. 13. Envolvo a manta com a minha inquietude de teclas por premir no escuro. 14. Quase adormeço no calor da manta estática. 15. Quase que sonhando, recordo-me de mim, morna manta de tão frio. 16. Cozinho a escrita em lume brando com uma manta de objectividade. 17. Quase que desperto, escrevo a comunicação no teclado da cozinha. 18. Monitorizo a lanterna com que ilumino as teclas, atento. 19. O monitor nocturno fita-me desafiante. 20. O frio dos pés recorda-me também de mim, arrefecendo a manta de sonho pontas de dedos acima. 21. Observo a escuridão da manta de propósitos, e o monitor fita-me desafiante. 22. O brilho da lanterna fraca e intermitente recorda-me de mim, e as teclas primem-me um desabafo. 23. Ilumino, fraco e intermitente, o monitor frio. 24. Tremo de clareza nocturna face ao brilho das teclas. 25. Escureço o monitor enquanto sou uma luz de teclado, quase real. 26. A manta virtual embrulha-me os pés no chão real. 27. Presenteio-me com a visão enquanto me esqueço de um monitor de luz real. 28. Vejo através de mantas do passado. 29. O frio dos meus dedos visionários recorda-me de mim, e a minha manta de luz escurece-se. 30. Choro as minhas quantidades, fragmentadas sob uma manta de desinteresse solitário. 31. As minhas lágrimas são, na verdade, as teclas vãs e a cor baça da minha manta. 32. Choro o chôro, o verdadeiro, esmagado por debaixo de uns pés gelados. 33. Compilo-me, quase envolto em lágrimas frias, numa manta de numeração insuficiente. 34. Recolho o teclado, desligo o monitor e apago-me na noite.
Pedro 11:52
Domingo, Março 05, 2006
Paris de outrora... Tuas belas cidades desmoronadas por pincéis prontamente belos, redentoramente belos. Teus contrapontos citadinos de êxtase indiscreto. Fizeste-te arte, e o desespero desorientado de cada único habitante em côr, a acesa fogueira do papel de seus diários. Em gritos-chispas foste a salvação e a perdição, incensos de atracção, chamariz do alastrar incontrolável. Fervilhando por toda a extensão cósmica desse país universal, amálgama de geografias com braços que se afogavam sobrehumanos, em lagos de chamas divinas e expectantes. Foste a fornalha gigante da verdade, deste-nos a imagem garrida e indiscreta da expressão, e sublimaste-te a flor que se descarna das pétalas, em excessos, e atravessa os campos da mais abstracta realidade, já una e murcha em sua haste-dispersão, em vôos extensamente tu aos destroços, réstias de esquissos supra-pinturas, polinizando uniformidades de requinte consumado, requintadamente uniformes, quaisquer particularidades que desde então representaste. Infiltrada por teu redor-tu, fizeste-o os resultados ampla e invariavelmente únicos e equivalentes, nos moldes mais livremente maduros e mágicamente sábios em que te foste experimentando barro, plasticina, plástica, vária, total, nula. Fruto das raízes que tu, solo etéreo afora, plantaste milhentas, em fulgores-novidades-sementes, ostentas a tua queda com a indiferença de quem viveu séculos, e abordas a lei gravidade secular atravessando mais que todas as altitudes e climas, em rasgos levianamente delas embebidos, fatídicos e supremos de conhecimento. És os traços subtis e avassaladores que a tua Dualidade gerou em ti, Coisas afora e História adentro. ...memorial-Paris de hoje.
Pedro 01:59
Quinta-feira, Março 02, 2006
Dois reversos de medalha, uma mesma idiossincracia.
Aborígenes em estepes desérticas reerguem-se de comunidade, vivem na paz do desejo adorador de uma mente-amor.
São povos multifacetados e estéticas de faceta impossível e ausente, primária de aspecto, complexa no sentimento insurrecto.
As planícies, de novo gente, premeiam-se de novo gente.
Vamos viver o zénite. Sim. Vamos zénite. Escada zénite. Só zénite. Zénite. Zzzz
É esta a essência da falta de filosofia. Os pulmões de uma arte afogada. O amor global, não carnal, em espinhos de zénite. Deuses e rosas, deixem passar.
Zénite.
Pedro 14:54
Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
Num dia de sono e de debilidade do ar lento e pesado, trago-vos uma mera lufada. Não queremos ar que seja fresco à força, mas sim como uma extensão da naturalidade do respirar. Assim, bafejo-vos dois novos blogs de hálito a passado, pertinente por factual e impertinente por desactual, vaporizando assim as narinas da memória, bem como as da curiosidade, mais vaga ou menos. Mais perfumado ou menos (frequentemente odores algo preemptórios de ingredientes sem receita, dada a lassidão pontual de um por vezes carácter desprendido e iniciático), tal serve por um lado para desmembrar a hostilidade de um esquecimento colete de forças, por outro, para a curta figuração no teatro quotidiano, em máscara de Carnaval a tapar o impreciso da plateia.
Ultrapassando porém, sacudindo-os, os enleios intercalados de si, estradas-excursões expressivas, resumo num ponto partido em dois (por divinização da separação das águas, para além do sentido que efectivamente se flutua geral, seja ele o senso comum) o hoje ponto, recta de antes, e são-no, aos retalhos, a prosaicidade descritiva em lógicas com tendencial explicitude (esta) e o embebimento experimental da lógica supra-algébrica e humana, em tendencialmente poética aquisição de tradições expressivas, decadentistas em frequência (est'outra).
Exposta então a matéria-prima, as suas raízes temporalmente materiais, e as suas raízes orgânicamente razões. Deposta?
A vossa vez.
Pedro 22:58
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
(tudo isto que postei abaixo é da semana passada. (who gives a fuck))
Pedro 23:11
Meio andamento
Caminho-me, teço-me mapa, betoneira de alaridos salpicos; estudo-me tecidos geográficos, viro-me capa,
escrevo-me berro andante, sufrágio cimento de ares agora mixórdia de pares ideia-acção; leio-me amante
de páginas rasgos soltos, beijo-me história inscrita na construção lenda infinita, deito-me livros revoltos.
Tropeço-me cama de excesso alicerce pontuado reticente; duvido-me teatro estridente, romance, edifício, possesso.
Sinaleiro, páro-me planos, faço-me escala indefinida, conjuro-me viagem esquecida, fecho-me obra, caídos panos.
Pedro 23:07
Sítio barulhento
Não permitirei que a intensidade me dobre e me force a entrada, por ser ela, de fútil, indesejada, de fútil e de algo que me é saudade.
Não recordo ao certo, nem entendo ao certo, mas nisso sou humano e fútil. É mais profundo o engano de que falo, ou assim penso. Ofendo
a minha sinceridade ao fazê-lo? Tratar-se-á apenas de ter dos nervos medo, de algum preconceito que não cedo, de alguma falsa integridade o zelo?
Não sei; a luta continua, e o cansaço com ela. Cada vez menos certo, o raciocínio - cada vez menos me acerto. Contudo, saberei esperar, conter o passo,
pois se não mo permitir, estarei perdido, quer dizer, não é bem esse o termo, mas acostumar-me a ouvi-lo, ter-mo imposto, ao som que me não faz sentido,
não poderá ser bom. Mas será melhor este disperso punho cheio de arranques em falso, engasgados em ruído-estanques? Não sei; não o sei já, já só um ror
de incertas notas musicais me traçam o rascunho de alma em que figuram as cores a preto e branco que seguram o silêncio dos pensamentos, que se amassam
num empapado baço. Assim me encobre a dúvida, e enquanto sou esta roupa doem-me o estômago e a língua, sem polpa para digerir ou saborear - torno-me pobre.
Pedro 23:06
Fragmentos... É quem sou agora mesmo. Vrummm vrummmm... Coisas! Eu digo coisas! Mas o tempo e os autocarros continuam. Chegado aqui, destruo-me de não ter escrito, fixado, emoldurado, tornado memorável aquele tudo que já não é, e que não foi. No fundo a tristeza é de não ser, independentemente de um tempo verbal contextual. Desejos simples? Calmas construídas? Projecções complexas? Brincadeiras? De qual das passagens sinto a falta? Mas que dia atribulado! Talvez de todas um pouco. Ora, e eu é que sei? Mal dei por isso, mas foi um dia de variedade considerável. E alguma produção. Mas, enfim, esta última... ficou sentada lá, no autocarro. E lá seguirá, orfã, olhada com indiferença curiosa até à paragem depois da última. Enfim, seguirei nesta outra carreira até breve.
Pedro 22:58
Soneto a duas cores
Vergonha que me silencias, és o silvo que me chicoteia a poesia. Calças-me a meia de chumbo, e tudo o que crias
é um tombo pesado, sem arte. Tento andar mas não consigo - o meu lombo está de castigo. E nisto o meu coração se parte.
Oh, quando tudo o que eu tentava era sonhar em alta voz... Mas a vergonha profunda cava
em mim este abismo atroz. Para o pintar de verde e rosa, o que eu não dava... É que eram essas as cores com que sonhava.
Pedro 22:56
Momento poético
Que eu, da silenciosa saliência que é o lago deste dia possa dizer "Enchi-a com o sangue da poesia"
Espraiando-me, banho-me nela, embora sem veia, e rebolo-me e tenho-me duna, embora sem areia.
E que eu sulque este palpitar antes do tédio, e demarque as rochas em torno deste lugar: os canhões antes do desembarque.
Pedro 22:55
Calma, que vens pela manhã dentro infiltrar-te na minha circulação, corredores fora, sê o caminhar nesta poltrona em que me sento, torna-me o estontear das ilusões, sorridente, faz-me sentir que esqueci todo o restante, remete-me o incompatível para um outro momento.
Que o meu susceptível seja apenas face ao vento, à brisa suave que chega lá de fora, filtrado o despentear que incomoda ao longo do ruído que alerta, tudo isso, os narizes estampados na porta enquanto eu sopro calmaria cá dentro.
E que este aroma a nada seja a respiração, bem fundo, que esta luz de sombrinha clareie o tom de pele suave, e que as conversas que não tive coexistam neste ininterrupto burburinho, ténue canto, a música dos recantos espaçosos. Que eu me alheie perfume, claridade e harmonia.
Pedro 22:47
Pequenas grandes violências
Sátiras desumanas de boca em boca viajam, pela sociedade em redor. Carregam-se as armas, pressa louca, dispara-se assassinando o amor.
Desmoronam-se as lajes abstractas que piso, afundam-se os verbos, partem-se substantivos, pelas actas prescritas rompem-se os advérbios.
Pedro 22:44
O plácido da luz teve a contra-indicação de me dissipar da certeza no fraseio. Assim, sento-me e espero na cadeira em deslocação, assimptótico ao dia.
Choro dissabores com o meu riso. Choro dissabores e enterneço-me deles. Fito a passadeira do Nunca e atravesso-me tinta, nela branca. É esta a minha fronteira. Procuro a mãe da posição nos vultos frontais. A comunicação são os motores que roncam de lado.
Oh, triste e terna biografia de um caderno em eterna iniciação. Este Inverno outona-me as folhas de uma alma entreaberta, ideias vazantes. Vem, vem com a tua projecção, lembrança artificial que me sugas dimensão. Abre as tuas páginas para que eu me imiscua linhas e ressurja, às travessias de cá para lá pautadas, contornados ócios, palavras quadriculadas. Não, mas não me vires com as tuas páginas de arrastada ventania. Não me vivas já; quero primeiro trautear-te de mim. Em calor ou insistência...
Adoração platónica à veia tectónica dos nossos solos, em físicas musicais. Fúria corpórea de uma alma sangrenta. Todos ouvem o conclusivo provérbio qualquer na tradição do oratório, embuídos de grandificação e da disciplina da grandificação, em seguranças. Arranca-me deste sofá, garra jovial, enquanto te esboço. Visão que me perfumas as narinas de alma.
A minha mensagem é uma de repulsa... as notas da aragem... corrente de ar avulsa... o trigo da criação, a metade que faltava ao intelectual pão que o seu pôdre ostentava.
Vamos todos rimar e ecoar estéticas. Por um megafone qualquer, admirar estéticas. Podar arbustos no jardim citadino. Pode ser de aversão, pode ser de civilização, desde que à tesourada. É o mote dos teóricos da crítica.
Oh, mas eu enclausuro-os no exterior de um banco de jardim sem jardim. Sejamos, pois, os nossos bancos de jardim, e deitemo-nos neles com dores por todas as costas orgulhosas. Sejamos palco e bancada do espetáculo de emoções em saco de compras sem saco. Sejamos o incenso, pois então, o fumegar, o saboroso mastigar da matéria em combustão, e o aroma que fica.
Isto não é nada divertido... Nada divertido!... Ah, devo ir à neve, de encontro a avalanches, ah! Ah, as avalanches! Revolvam-me enquanto derreto. Rebordo-me por interiores afora em decorações montanha abaixo, e chego a um cume de aspiração vertiginosa, atentados à escala do sublime. Ergo alto o punhal impreciso e esfaqueio os revisitados e ultrapassados simbolismos vagamente pessoais e misteriosamente em português. Entro na loja e peço o produto abstracto, indefinido na medida de um vendedor de peito rasgado. Oh, pandemia dos sentidos, minimal compressa de genes intencionais quase mutantes.
Neste céu verde de tão folhas, choro insolente, gota de nuvem por arrancar.
Há dias em que, a fazer coisas que não nós, somos o discípulo que ouve o velho sábio a pensar sob a forma de um rasto de avião pouco cá. Depois, velho cruzamento de antevisões, cai dos céus a mentira feita pardal. Oh, previsão de extremismos ligeiramente egoísta, que és, afinal, em brevidade de exaltação. Oh, ser eu não este bucolismo fútil de paisagens existenciais.
Escorrego véus de realidade, inexisto a toda a força. Sou as peles de camurça que não visto. Mas que esteja na declamação o ganho, economias imateriais em ascensão, zénites. Escadas intermitentes a subir de luz rolante, iluminando-me através das cidades. Estilhaços de tsunami por um mar mucoso a pouca maré. Roupa que seca num estendal de partilha.
O meu único Deus é o livre arbítrio. E mesmo esse, só nos intervalos do Destino.
Pedro 22:36
Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
Prós estudantes de Cronologia: feito dia 2 de Janeiro (partes 1, 2, 3, 6), dia 2 de Fevereiro (parte 5) e dias 7 e 30 de Janeiro, 2 e 7 de Fevereiro (parte 4).
Cruzeiro humano
I Repentino vento
Por Deus - agora vejo (e como!) a realidade obscura desta sociedade de disfarce e de desejo
permanentes. Não pestanejo, tal a límpida claridade com que esta dorida atrocidade seu impacto emana. Velejo
nestes mares revoltos de multidão desprovida de compreensão, soltos
das amarras os nós. Mais valia reprimida, esta visão... Parto veloz.
II Mar de gente
Lá longe, no alto mar, uma miríade de gente nada em turbilhão. Que susto! Querem chegar à costa, a todo o custo.
As braçadas que dão são uma tríade de esforço, de vontade e de corrente. Isto num rio provocaria uma enchente.
Uns elegantes, outros mais rebeldes na forma como o braço encontra a água, e mais diversidade ainda nos debaldes
percursos à marítima superfície. Como ninguém sabe a direcção, nadam à toa. Uns quantos apostam numa, até à calvície;
outros vão mudando, com medo do fracasso; outros nadam frenéticos, aos círculos doentios; outros ainda deixam-se boiar, de cansaço.
Há ainda os que, nos barcos em madeira, vão ao sabor do vento, em lentos rodopios, pois lhes parece indiferente a maneira
como se avança - sendo uma questão de sorte, que diferença fará ir para Sul ou para Norte? O dilema é só o de esbracejar mais ou menos.
Assim, recostam-se nas barcas solitárias sem fé nem alento, autênticos párias dos que lhes roçam o casco, sejam hostis ou amenos.
III Mergulho primeiro
Posto isto, mergulhei, aventureiro, qual cinzas sopradas de um cinzeiro.
Lá, depressa encontrei o balanço das ondas azuladas aquém do nevoeiro.
Lá encontrei também a inquietação, não soube nadar bem, fui um inapto ganso.
Não pude mais regressar, ditou o vento. O barco velejou-se, num afastar. O vento soprou-me um não.
Fiquei a sós com o mar, e as pessoas passaram, sem dar por mim, a nadar. Dei por mim em isolamento.
IV Gente do mar
Boiei em desfazamento, chapinhando à tona da água, até me virem arrancar a rima. Braços, corpos, forças às dezenas tomaram-me por obstáculo fútil e o verso fez-se supérfluo, subaquático e adjacente.
Esbracejos, dores e soluços sucederam-se em sobrevivência. Fora de um meio ambiente, adensei-me selva de estragos e emoções profundas. Turbulentas, as energias camufladas, em impacto, esvaíam-se sem braço pela correnteza.
Em encontros incessantes de alto-mar, o meu corpo atordoado pelo marasmo servia para propulsionar os peregrinos em multidão e fervor de natação. Muitos, possantes e sedentos de avanço no vasto mar atlético. Grande vaga humana em pleno rebentamento.
Outros, em ligeira emersão, deixavam-se arrastar sem grande esforço, condicionados pelo mundo que eram todos, abstinentes de medir mares e vizinhos, sujeitando-se a nadar em vaga prancha de um surf social e cativante sempre que em comunhão nela se erguiam.
Afastei-me de uns a nado convulso, de outros dei continuidade ao afastar-me. Seguiam todos numa migração sem rumo que eu me dediquei em esforço a evitar. Reflexos de um pouco confortável oceano. Estremeci o frio, espaireci a pausa, e de noite brilhei a lua calada.
Esporádicos encontros doridos continuaram mar adentro, passageiros, transportando consigo a escotilha de ver o baço por um navio inútil. A pouco leme, as órbitas sucederam-se em reconhecimento astral diurno feito de guinadas pouco mundanas.
De dia, a troços, fui inventando margens. Aos poucos, o chapinhar transformou-se e aprendeu o desvio a meia-distância. Também a visão se acostumou e reconheceu, entre membros ocupados, contornos distintos, por vezes semelhantes, que não os de peixes brutos de cardume.
Combatente sem escudo, remédio ou antídoto, intoxiquei-me mortiço pelas águas, em viagem, aproximando-me dos postos de desafios escondidos e tendo por bagagem a pronta ausência ao mais pequeno salpico da água de outrém, deixando-me para trás em longas quilometragens de fôlego a recuperar.
Nesse passeio contornado, inundei-me de compreensão às camadas do que via, ao que me engasguei de pulmão seco, com a trémula consciência do meu ser face à segura consistência dos compostos líquidos, alheios e vizinhos. Passei a desviar-me do meu próprio nado.
Contudo, tentei que não se afogasse a luta. Motivado por estar vivo, fui boiando, por vezes nadando. Porém não mais a direcção se me avizinhou em companhia, e passaram-se várias batalhas inconclusas em que não fiz parte de um sentido que durasse. Assim me dei às ondas - não me dando à gente do mar.
V Solitário mar ou Rising de(e)cay
Suave e terna voz invísivel que me embala insuficiente de um mastro. Pouco plausível, o navio sem quilha, assente
no mar que se aterra poluição no sorvido naufrágio da graça que brinca vaga, na imaginação. Navego em carícia pela massa
disforme deste cruzeiro maciço, apalpando a dor terna e suave da súplica, implícito e castiço sentimento de maré em enclave.
Todo este mar de imprecisa posição, sem mapas, é a inexistente praça de uma cidade à beira-mar sem razão, fundada e afundada em desgraça.
E os mapas que não há em incrível redemoinho desenham um descrente caminho no topo de um pouco crível mastro. Trepo, decadência ascendente.
VI Mergulho último
Senti crescer uma forte caimbrã. Senti-me fundo num mar em câmara lenta. Afoguei-me lento num mar sem fundo. Doí-me. Chamei vão pela mamã.
Pedro 10:41
Domingo, Fevereiro 05, 2006
Post-brinquedo feito de estilhaço.
O desnorte... A recapitulação. No ontem de hoje, a paisagem surreal de um autocarro.
Céus! Sê solene, solene como o vento. Não, mas embirra, embirra-te. Vá...
És a desgraça. Justaposto, és o fragmento de quem estava ali.
Queres ser cola, coitado, queres ser cola. Esfrega, esfrega-te bem. E cai ao chão e parte-te sem ninguém ver.
Absorve o elixir imperceptível. Impossível. Não te bebas, não te sorvas, não faças barulhinhos de palhinha no fim do molhado.
Mas quem? Mas quem??? Quem ?! e onde ?! anda ?! aos ésses ?! de estrada pouca...
Adjectivos, tempo e ciclo de sanidade. Um quase-batido de gelado confundido.
Venha o próximo...
Ensaios de apelo em feminino aleatório:
Catarina! Catarina, vem cá, vem ao cá de amígdala esguia. Surge do silêncio e silencia a dor em cantos tão suaves quanto os de dois fantasmas agradáveis recíprocamente torneados. A azáfama, credo, a azáfama, parafernália, a eliminação sorrateira de divindades, tudo isto é pó. Vem Catarina, e sopra embora o pó.
Cátia, anda até aqui. Balbucia-me ao ouvido a inveja, a mal contida. Chora a lágrima do impasse, e consola-me em desabafo o ombro amigo. Sê redescoberta e faz aventura da tímida sorridente.
etc.
Pedro 06:03
Sábado, Fevereiro 04, 2006
Já de chave sonolenta, finda a arte de extroversão oculta, encerro não um mistério destacado, não um lânguido do ininterrupto, não um retorcido limiar de tédios de um lado e uma semi-automática luta do outro; apenas a citação visual da memória de um mês manuscrito, em frase descritiva e plena o suficiente.
Pus-vos aqui, enquanto a tempestade real não se promete, mais uns outrora rascunhos, bastantes. Para o aventureiro que decifra e absorve, interessado em se dar ao prévio, aí tem a recompensa em estirpe passada. Para os outros, continuem a aparecer que há-de também aparecer aqui mais qualquer coisa... Para o predominante Ninguém, muito desprezo para si também.
Pedro 03:36
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Explosões... furto-me de mim, canibal, quase, qual Adolfo, cá estou a pingar as bermudas de um hoje nú, em actos completamente irreflectidos. Daqui a nada estarei já saturado de não ter já a concentração para mensagens que hoje não tive. Dei-me a imediatizações e às suas imediações. Procurei ser o acaso de onde algo surge sem sentido, para me ir lendo e continuando sem sentido. Para quê? Para nada. Como consequência natural e plena de ter hesitado, disparei os cartuchos que se esvaziaram, não de balas propriamente, mas de tiros. Conceito interessante, mas, enfim, pouco relaxante... Digo eu. Quer dizer... é mais sei lá que outra coisa. Rolei a cabeça para ali para algures para o costume para o para. Baila o baile bailarino e repete, repete, repete, repete disforme, sem dar por isso, cláusula do habitual, o costume, para para para para. Contínuo, chego ao fim do post do costume. Continuo em contínuo e continuo em comboio sem passageiros nem carruagem, nem céu, nem fumo, nem engrenagem, nem nada com rodas. No paradigma do paradoxo, da comparação a um conceito frouxo e redutor, esmigalhado em relação ao conceito original, a ambiguidade do costume, de sempre o paradigma, sempre o sempre, e sempre a eternidade de uma pontualidade, e sempre o fim do pavio assinalado, o contínuo. Mas para quê... Que importa. As alternativas, não, nem vamos voltar lá. Sei que não as quero, mesmo que as procure, e se o refiro, é porque quero alternativas. Ora essa... Já chega em parte. Sem querer que isto soe, sem me querer soar, procuro-me assoar destas frases engripadas na justaposição do costume. Novos costumes, novos tédios, emergem decerto ao incerto longe aqui à frente e faço-me mais, mais e mais um eu com novas realidades a mal ser eu, em bermas angulares de inclinação regressiva e fugitiva ao mesmo tempo. Pressiono-me e descomprimo-me, em jogos duais sem unidade numa recuperação de línguas escondidas por baixo do lodo sem saliva e salivo-as com micróbios e doençazinhas saudáveis doentias. Tanto faz, reformulo, recompacto, não páro - fiz um pacto com o contínuo das erupções assoladoras de cidades fantasma de disposição das estradas e dos espectros. Agressivo rompante de contrários suaves, enleados uns dos outros em azia interpretativa, e alguma estrutura completamente imaginária num céu estranhíssimo, de cores de fora do arco-íris, de ruídos para lá dos ruídos, até mesmo daqueles que só os cães ouvem, e no entanto audíveis e visíveis, a olhos que palpitam e sabem fitar transversais e diagonais em tabuleiros redondos de xadrez redondo ou de um jogo assimétrico, ou qualquer recombinação do conceito um com o conceito dois, mas em sintonia com um sentido que não existe para lá de um céu tão vago quão imberbe, pois está longe do mundo dos pelos ou das árvores ou dos cotovelos, é completamente desprovido de identidade que caiba numa cartografia artística, psicológica ou autista. É solene só passado muitos minutos, e só num durante imesurável sem tempo para a velocidade da luz nos trazer brilho do céu, mas com tempo para a adoração perpassar em vibrações do tecido do espaço em que somos e em que também é esse céu que não se percebe nem se atribui a nada, a nada, a mesmo nada... Está ali, tão sem distância nem proximidade nem união, oposição ou amálgama de sistemas métricos... Está ali, e ali vai ficar, infiltrado num sempre dos extremos pontuais do tempo milimétrico repartido. E eu, que não percebi muito bem sobre o que é que escrevi, apesar de ter percebido que estava a escrever sobre alguma coisa, mas que me vou branquear qual nuvem para outras maneiras, mais ou menos.
Pedro 00:24
O sopro frio do vento moído é o movimento sem gente, consentido, de sabedoria e desgraça ao mesmo tempo que me invade numa literatura sem tempo.
Que dor, que cólicas, que tristeza. Que dor, que cólicas, que tristeza. Que dor, que cólicas, que tristeza. Esvaio-me aos pingos para aqui e espero por ti que em mim não és nem poderias ser, sem me conhecer ou sequer existir.
Raios, diabo, caramba. Quem sou? Este ar que se desaba... é o vento gélido dum moinho soprado até mim em vontades estagnado.
Círculos, piruetas e uma atmosfera absurda e asceta de sofrida sem motivo, de quê, ou ilusão. Regurgito palavras e numa esfera sem gente, consentida, invado-as repentino sem motivo vão.
E tu, onde estás? Que é de ti......
Escusas de te ir embora, lá porque não existes...
Onde estás? MAS ONDE ESTÁS??????
Pedro 00:22
Domingo, Janeiro 29, 2006
Berma azeda
Tudo o que é bom sabe a morte, todo o possível é nulo quando não se tem suporte, quando se está num casulo.
Não sei mais o que vos diga, não vos quero dizer mais, quero contrariar a fadiga em mil estrebuchos fatais.
Quero à berma de sofrer cambalear sem equilíbrio para tentar esquecer que fingir não é estar ébrio.
Tudo quer ser sorte, mas quando se morde, o sabor foi para Norte. O meu espelho é um fiorde.
Pedro 04:46
Terça-feira, Janeiro 24, 2006
Dois em um I Dualidade
E agarro-te as crinas de amor equídeo. E solto-te o dorso de vontade curva. E abraço-te o galope de rédea turva. E sorrio a tua boca de arfar canídeo.
E entoas-me os olhos em embalo cantante. E diluis-me o cérebro em carícia melódica. E afagas-me a dor em torrente espasmódica. E sorris o meu ouvido em ardor falante.
E persigo-te a coxa pela viela acima. E encurralo-te a língua no fundo do beco. E esgano-te os seios no crime que disseco. E espio o teu sufoco pelo ventre que me mima.
E arrependes-me o amargo em rios de beijos. E invejas-me a doçura em aperto embebido. E estonteias-me o sexo em prazer derretido. E ecoas o meu clímax em catarata de desejos.
II Unicidade
Velejamos juntos nos altos mares dos nossos líquidos corporais, despertando graças aos seus sais, desmaiados pelo ofegante dos ares.
Dormimos por ignorar tudo o mais que não os sonhos puros. Os azares, as desavenças vão para outros lares; ficamos unidos por cordões umbilicais.
Acordamos por deixarmos para trás, sob os pretextos dos desejos carnais, os insaciáveis meandros sociais que nos consomem. Em paixão assaz
os desprezamos. A sós, somos totais. Com pudor, renegamos esse capataz; fodemos contra a inadequação incapaz. Fundimo-nos num só. Dois é demais.
III Omni-falsidade
De repente, qual óvulo abortado, cessou a união, e de um pulo foi para seu lado cada um, em aversão.
É que lemos nas entrelinhas da Natureza consumada que estava cheia de espinhas. A sociedade odiada
entranhou-se em nós, e ao receber a sua mensagem subliminar, digerimos que não se pode romper um tão implantado invólucro de azar.
Ao tentar transcender o comunicativo, o impulso que nos movia já não era o banal ímpeto lascivo; era o de ser quem se deveria,
segundo ela; obedecermos aos seus caprichos, sua métrica.
Pedro 05:07
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
E quando a inspiração são quadros clássicos de figuras sem moldura num âmbito exterior, revivem-se infâncias emocionais e memórias às migalhas, em esperança de destroçar o historial afastado e queimar o rastilho do decorrer faminto. Em tom político, solicito intervenções, em agnóstica adequação à circunstância, diminutamente revitalizada num corpo imaginário. O cérebro circunscreve-se de conflituosos cenários de reposição de uma estátua indefinida de corroída por ácidos de realidade. Pelo meio, está-se ainda à espera de desencontros antigos, espera-se pelo concerto final de Smashing Pumpkins a que não se foi, espera-se pelo concerto final de Faith No More a que não se foi, ou até pelo concerto final de Morphine, a que se foi em insuficiência ignorante. A filosofia do derradeiro dá lugar a uma derradeira asfixia de filosofias, num abraço preemptório ao sufoco invísivel, já expirado. A morte esquecida ao canto da tela, em moribundos quadros à vida. O fardo expressivo engolido por uma colecção de instantes e impulsos afixados num muro confuso e de Berlim. Separa-se o sonho do separatismo, e salta-se para uma face pouco gravítica desse rosto da evolução, e aguarda-se que a sua evacuação deixe de ser um quase. Artifícios da arte, única salvação possível, conquanto, enfim... impossível. Enfim...
Pedro 01:34
Sábado, Janeiro 21, 2006
Entretanto, e distendendo um pouco o contínuo do tempo, em afastamento, revejo-me menos sóbrio de vontades, menos aglutinado de globalização espiritual. Refiro-me às últimas poucas semanas, em que larguei o corrimão do sítio recente e deslizei um pouco mais por ziguezagues da vontade e da palavra em verbalização hipotética, o anunciamento futurista da necessidade. Reidentifiquei objectos, qual detective num jardim que sua a crime ao sol. Reidentifiquei imediatizações, arrastos de mentalidade e incertezas pendentes subjugadas a uma voz de zaragata inaudível em aspiração a fraterna. Hesitei também, o que me leva a acautelar a prenúncia de desenfreada descida de ski em gélido íngreme. Aqui, uma prova concreta, no misto mistificado de pertinência com sensação de pertinência. Mas, claro, todo este crescente agitar evolucionista é mero sinónimo do mais vago ondular que o precede, em semânticas de materialização.
Pedro 19:35
Uma pessoa mínima cresce de interrogação. O que quer saber ao certo? Incertezas? Quer saber memórias esmagadoras que a tragam de volta, na sua dimensão original, imperturbável e extinta. Quer luzir e reluzir na noite iluminada de escuridão.
Quer isso tudo. É velho e sabido. Velha é também a inconclusividade para lá do primeiro passo. Regenere-se pois, quiméricamente, a idade perdida, em passos físicos e reais.
Uma calçada torta, e o andamento de uma leve palavra, e o nervo espreitante agachado. A ressalva interna do vazio dissipador, e o pensamento dividido entre o que quer que fosse e vagos impulsos, quais guilhotinas contraídas. Há aqui uma bifurcação: ora se subverte a mentira, ora se subverte o natural. Em geral, prossegue-se, de pensamento controlado, abstraído e são.
Continua-se, e os pilares assentam, balanceando de moles. Dão-se umas trepadelas verbais e gestuais. Algures na caminhada, alguém que não existe os chama de moles. Ignora-se ainda. Ainda na caminhada, alguém que existe reage de certa e determinada maneira. Antes da bifurcação, é dada continuidade à pureza até um certo ponto, por firmar. Tem-se o cuidado de não sentir a reacção antes de a observar, em circunstâncias que não sejam especialmente agrestes, ou especialmente preconcebidas de um fracasso inconsciente.
É nessa altura que há o ricochete de multiplicidade. Quando do esboço e da construção sobressai, em angariamento obreiro, um espaçamento extra e arriscado. De súbito, em três tempos, a continuidade transforma-se num sobressalto invísivel, a construção transforma-se em continuidade exteriorizada de vigas rectílineas e o momento é um e acaba. Fundada em hipótese, a pessoa perpassa, estranhando por vezes, ou, embalada pelos seus anos divertidos, repisa os sonhos em resposta prematura, que por isso não o é, ou, embalada pelos seus anos aborrecidos, segue em frente após denotar (sem denotar) um enfim normalizado, como o de quem remete um envelope para a caixa postal da falta de expectativa por razões de nexo. Fundida em hipótese, a lâmpada imaginativa renega o escuro e mantém os fusíveis ateados, após o curto circuito. Em caso de gravidade com impacto, deixa-se arrefecer o exaustor primeiro.
Redesperta-se para outro prosseguir, ora sonolento, ora de intermitente, ora de luz possante de certezas por instantes.
De regresso ao fim de página, vindo do meio da rua, o homenzinho encontrou as respostas às perguntas de cabeçalho? Não. Perdeu-se num passeio qualquer. Passeou-se em outras respostas quaisquer, mas regressou para casa no ponto de viragem.
Pedro 07:09
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
Vindo de lá, do país das pessoas gigantes. Pulos imperiais pela anarquia do pensamento vivência. Arcaicas fachadas de subconsciente cíume. Anoraks em chuva desigual imperdoável. Vindo de lá, de lado nenhum, em partes reais a descoberto. Os gritos vindos da desembocadura para onde vão mudos. Espirro de agitação nas ossadas hipóteses, uma leitura segunda. A escrita da reflexão borracha. O lápis esqueleto em sociedade. O perigo da esquina afia, e o carvão tatuado. A onda gigante lavagem, por entre gordura espessa acumulada. A saúde em mar internado. Bóias capacetes. Meia-ideia vertigem rombo no casco, em processo pirâmide. Cor confusa de difusão arco-íris. Aritmética cosmética em quadros. Jaulas e animais mágoas. Impotências divididas entre partos petroleiros e abortos derrames. Um filho de lá no mundo cá sem mundo mundo.
Pedro 03:27
Terça-feira, Janeiro 17, 2006
Hoje as palavras soam-me de um vazio berrante. A música, essa, grita lá de fora a sua caseira essência viajante, e é tudo. Mais nada se significa, as palavras berrantes são vazias.
Hoje, reclino-me e oiço a música omnisciente em recantos do lar ignorante. Aqui, onde nada mora.
Pedro 00:14
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006
E agora, estou no ressequir do vício, e espero que a pulsação vital da alma abrande, para de mais sonhos me enlear. Estou no culminar do princípio da noite, que se funde com o nascer do sol nesta linha de texto. Pouco iluminado, escrevo e sou chato, sou forçado e sou indiferente a tudo isso, enquanto coço as horas barbeadas pela lâmina do crime. Agrido os sons sem gaguejar, fervo as ideias sem me escaldar, destruo-me, sem me ser mais que a temperatura ambiente. Enquanto me anicho, frio de tão morno, submeto a lua à pontualidade inconsequente do meu brilho sombrio e vazio. Escrevo e espero, e espero. Aos pinotes num cavalinho de embalo de madeira, sublimo o rompante sem sensação, após me adornar do vago colar reluzente na inversão conceptual costumeira e nocturna. Beijo-me, e ao colar, em carícias quase sevícias para com o substrato diluído em pré-películas invariávelmente escuras. Para não variar, babo-me solvente e degenero no ventre umbilical da mãe apática, sorrindo de impressionismo. Sobre o ausente, regenero pós e tusso-os, doentios entes fraternos da impureza. Faço-me morte enquanto a noite se desprende das malhas vivas de consistência empatogénica. Destituo-me da batuta e a orquestra cala-se em chinfrim desarticulado, marioneta das separações entre segredos interiores mas subjacentes, pela harmonia. Em eco de atrito, a aceitação do estridente deita por terra a paisagem de verde, ao que claramente acorro com o fechar das cortinas e olhares. Morro, duna dorsal, em planície de areia montanhosa.
Pedro 07:24
Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
Hoje, mais sonhos, a juntar aos de ontem. É sempre bonita, a materialização etérea do que, norma diurna, são meros apeteceres de imediato engavetados, nas raras vezes em que sequer se dá por eles. Hoje sonhei com mistos de um filme que houvera visto há algum tempo (aquele da Bovarinha, do Manuel d'Oliveira... devem estar a ver qual é, sim, porque somos todos muito entendidos em matéria de cinema português, veneramo-los, aliás deveras.), (e que bela, divina actriz, aquela Leonor Silveira), e com uma viagem de carro, envolto de gente antiga e sem apreço pela minha presença. Mas naturalmente é no pormenor impossível de recriar que está a riqueza por contar. A verosimilidade do decorrer, mesmo nos seus espasmos de ficção pura ou peripsicótica, e ainda mais, a verosimilidade da entranhada comunicação em bermas de conflito. Tudo isto dá aos sonhos uma textura de vida densa de tricotar. Como todos sabem, de resto... Ontem, sonhei com algo mais. Um andar no Chiado, e da janela, uma outra pessoa antiga, em vias de abismal desespero na estrada abaixo, disperso na intensidade da escassez de esgares, e em comunhão com os seus ouvidos surdos e suicidas, em discussão apagada mas acesa com alguém que pretensamente se lhe dirige, saturando-a em acréscimo. Arranco-a por uns momentos da travessia, e desco, e subimos, e descemos, e pelo meio, uma também interacção em insuficiência, contudo esta à partida, e por natureza, sem negatividade, sob um signo de alguma amizade, apenas poluída pelo desenrolar dos nervos, pela tomada de consciência do vago no entendimento, da dispersão das mensagens, e até mesmo do seu processo de criação em mim. Revejo, em aflitiva impotência, a medida dos momentos em transbordo de névoa que não consigo esclarecer. E ao mesmo tempo a vontade de não ser a sobrecarga da cabeça em implosão alheia, a vontade extrema de até poder fazer algo por isso... e a tendencial antítese disto, que é o momento resultante, e a chuva de antecipações de uma presença escusada e a mais. Mas tudo regulado pelo realizador sonho, de forma a não cair em demasia de exageros. Interessante.
Pedro 18:01
Invasão e libertação (varre-se o espaço potencial)
A intensidade que abarca e navega embora é pesada como uma arca quando chega a hora
de a fechar ou abrir. Pesa como o eclodir de antecipações feitas de limitações,
que apertam, revolvem e desencaixam a postura - súbitas vêm e as costas rebaixam.
Do reinventar da forma, o evento torna-se apagado, pão sem fôrma, sem festim. Torna-se
a tremer o desengano, a drenar a paciência do caule do gordo ano. Assim se planta a demência.
Incontidos, os nervosos piscares de olhos e de reflexos pavorosos são dos pães os môlhos
únicos e bolorentos, os vagos adventos do acentuado na frase. São da ânsia mais uma fase.
Agito-me e cuspo-me. Refuto com nojo a paranóia e dispo-me de complexo. Alojo
novo parque com lugar para as viaturas da poesia por criar nos livros de capas duras.
Pedro 04:36
Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
Ena pá. Hoje e agora estou contente por não sei quê, não sei quem. Sinto uma presença aqui mesmo atrás de mim, a acariciar-me as costas com o seu bafo quente e nostálgico. Mais invisível que irreal, esta saudade transcrita em imaginação vívida e aconchegante, tanto que a sinto pairar no mesmo sobre que a minha aura. A sensação física, tão intrínseca e, portanto, psicológica... Um completo baralho de emoções e de descartados desassossegos. Em prenúncia do sono, mas sem o banal da luz e cabeça apagadas. A parte boa de todas as partes do todo, espalhando-se quais bactérias de apego afagando o sangue sem difuso dos momentos, o aglomerado de uma manhã independente do sol que a noite esconde ainda, algures. Tão distante quanto a efemeridade disto tudo, tão futuramente imponente quanto a longevidade disto tudo. Uma vaga pena do inevitável. Mas curta, para não interromper todo este evitar, de um raro dócil, tão raro quão absoluto, dissolvendo todos os antagonismos no fluxo viral desta doença sublime. O rancor adoeceu na noite fria. E enquanto o corpo dá sinais de substancial, avizinho-me da próxima divisão, mais sonolenta e ilegível. Esvaio-me enquanto perdura algum fantástico, de mim para lá de mim, mas sempre em mim. Que bom, ser um mundo e a camada de ozono de um mundo enquanto dura. Que bom, ser vítima da Biologia de carne, osso, e supra-real. Que bom, um bom completamente desarticulado, não fora o retiro implícito, em amálgama solene e sumarenta, das geometrias. Deformo-me em bom e rebolo-me. Pontapeio piões sem tontura, embrião na cama. Volteio-me sonhador. Não páro nem prossigo, enquanto o meu espanto reconhece que, aqui, valho a pena. Indescritível valho a pena. Apesar.. apesar... apesar de..... apesar de nada. Neste aqui sem apesar, valho a pena.
Pedro 05:29
Domingo, Janeiro 08, 2006
Hoje não estou para sentimentalismos perdidos de antemão no exacerbado da frase. Não estou numa de carregar os momentos de um fardo poético ou estilístico. Não estou para me contrabandear em negócios a milhas da China silente. Por isso, em tom pouco surpreendentemente antagónico (sou-me previsível), não vou postar.
:P
Pedro 23:43
Atalhos
Na estrada do falso, em implantes de adoração, um novo cadafalso. Como o voo de um faisão, os amantes
perseguem-se altivos e cruéis nos seus despiques lascivos, em quartos empíricos de hotéis.
Passa para o impulso a convulsão da mente, do coração para o pulso a força carente em sagrada união.
Pouco matrimonial, a identidade dos humanos é a parelha sazonal que une, em planos de sonoridade,
o timbre à boca, a voz à língua, em metáfora rouca, quase louca, de apagar, por fora, a míngua.
Em escala preliminar, a imagética soluciona toda a surdina do pensar quando equaciona os berros do olhar.
Porém, na falácia de observarem bem, no patamar do activo, da experiência, focam-se no trancar da divisão além,
e cerram a paisagem que existira, por dimensionar, em inútil embalagem. De um atalho o tomar é adiar a ira.
Pedro 00:32
Sábado, Janeiro 07, 2006
Talvez
Estou sempre em mudança a caminho de acolá. Não sei porque dança a minha mente, maná
de esoterismos milhentos. Procuro mentiras fáceis, talvez. Procuro pôr acentos, de vez, nas horas a mais,
talvez. Não procuro nada, e isso aflige-me. Talvez. Talvez pão, talvez empada, talvez, talvez, talvez...
Por fermentar desta incerteza, o centeio da minha vivência, e talvez, quem sabe, a beleza de um sabor meu em conivência
com a demanda que acarreto. Mas talvez, quem sabe, seja este mesmo fervilhar no espeto o fermento que o poema almeja -
talvez, quem sabe, o português da minha voz quando interrogada. talvez, talvez, talvez... Calo-me farto da encruzilhada.
Pedro 05:33
Em obscenidade satírica, crivado de necessidade pelo olhar perfeito de uma lâmpada pouco forte, artefacto suave da iluminação obesa, martirizo-me em vigilâncias de olhares imperfeitos numa mente-viela escurecida, em desígnio ilustrativo. Sou-me, imagem, na acepção do que me seria, imagem, e danço em papel virtual, solene, à escuta de passos abafados, tímido de concretas sonoridades durante as variações do monótono. Pinto-me manchas coloridas e sardentas, personificadas no papel impessoal da noite serena, de uma obscenidade amena, como quem viola tântrico as roupas desbotadas de pudor na sexualidade da obra, mescla orgíaca e mestiça de olhares rompantes e belos. Visões do mérito na hora dão forma etérea ao etéreo interior da hora interna ao relógio que pulsa sangue e esboça visivelmente individual a dissolução do palpitar na irrigação invisível. Brindo-me em sonho passante sem treva, e esclareço os sentidos sob débil iluminação. Leio-me a outra face da moeda inconstante e sorrio no seu reflexo enquanto não cai, ressacada. Suspiro as redondezas em tom de liberdade e destruo citadinas fortalezas sem ser preciso fazer nada. Obedeço-me sem ordem num papel em flor em campos perfumados de mim. Estóicas conquistas da paz. Penduro-me aqui. Perduro-me.
Pedro 05:03
Fito um muro. Reflicto nas poesias fartas e absortas na vontade de se estar absorto. Durmo de concentração e solene esvaio-me em simplicidade, dorida ao de leve. Aclareiam-se-me as emoções de um aferrolhar estonteante enquanto me busco quimérico em falta de memórias. Dois, três, talvez quatro sinais do prévio reluzem pouco distintos, e o meu cérebro é possuído por uma luz que asfixia a cor do neurónio. Pinto-me baço na noite corrida, o nada em corrimento. Agarro-me torto ao corrimão mole e tento rasgar o meu papel de habitante domiciliário com mãos histéricas. No oxigénio um palpitar demasiado. Se assento, desconsolo. Além do mais, mas de tudo o menos, uma obrigação distante na mesa anexa. Mas se, no decurso de ultimamente, já deixei esvoaçante esta outra, preponderante búsilis de humidade seca... Fiz mal. Forçaram-me a cabeça na abertura mínima sem espaço, de ideias tornadas tempo estéril e de rituais disciplinares em dias torpes e submissos. Obrigaram-me a uma anestesia falsa, enquanto a estrutura se recompunha básica e vincada por ruína em cima do ex-Pedro. Saltearam-me o banco de poupanças assaltantes e próprias. Numa bifurcação que se calhar nem existe, interrogo-me talvez estúpido qual das vertentes do espelho indefinido me garante. Tudo a traços ajoelhados em borrão. Que dor de vazio, que dor de passado, que dor de dor...
Pedro 02:10
Ontem, de madrugada:
Calma implosão
Moreno selvático com brio ao espelho de luz parcial e brilhante,
faço-me forte numa calma sem sono. Descalço as etnias da sensação e escorrego brusco.
Afundo a palma da altivez na minha mão cega e berro sem Deus.
Em Odisseia sem Graal obtuso abarco a lividez de viagem e assumo-o, tornado forte.
Obtuso tornado natural num revolver de ânsias meridionais e inteiras.
Ameaça franca do revólver imaginário, em crimes no papel menos liso e coretos de raiva.
Aspiro bocal o terreno platónico numa espera ciclónica de cobertor e a nocturna proximidade do fim adiado.
Pedro 01:15
Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Ontem, de madrugada:
Vaivém de desejo
Lá estou eu, sempre a querer, como se eu não me chegasse...
A igreja quer burburinhos: rezas, súplicas, meninos a chorar... por isso lhe tocam os sinos.
O ovo quer pintainhos. Se a galinha o vemos a chocar, é porque ele precisa muito de rachar.
O jardim quer abelhinhas a voar. Musical, deixa-se florir de cores cantantes para o ar ouvir.
Basta, basta! Tudo leva a crer que com o desejo tudo tem um enlace.
O que me leva então, plantas minhas, a vos regar com sumos de cansaço? Que árvore frondosa e invísivel tem um laço
com este meu voo tão surdo aos galinheiros que se chilreiam destinos para onde quer que eu vá, polinizando em mim o nascimento de um "Bah"?
Na gema da aflição, busco isqueiros que religiosos me alumiem o prédio cuja construção tilinte contra o tédio.
Mas, nas suas paredes, leio a frase: "lá estou eu, sempre a querer"...
Pedro 01:10
Sábado, Dezembro 31, 2005
Aqui está um novo blog. Novinho em folha, como perceberão. Serve para proteger este de uma forma e de um conteúdo demasiado maçudo, por vezes a seco, sem no entanto dele privar os potenciais interessados (e corajosos, dada a caligrafia). Enjoy (not).
Para quem gostar mais dos produtos caseiros do costume, abaixo deixei-vos três posts que eu tinha ali, mas que tenho tido essencialmente preguiça de postar ultimamente.
Bom e por fim... "Até uma próxima ocasião, estimado leitor! Volte sempre!"
Pedro 03:10
De uma mera associação de timbres simpáticos no contexto simultâneo a uma explosão subalterna da mudança de energias, igualmente estática, transmitindo a sensação de prazer semiorgânico, de formas acentuadamente claras e inamovíveis, mas de uma textura sensorial misteriosamente agridoce, assim se constrói um momento natural, efémero, de densidade eterna.
Pedro 00:56
Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
De dia 26, à tarde:
Porquê escrever sofisticado se somos todos máquinas antigas e ultrapassadas? Contentemo-nos com menosprezar o nosso sentido crítico e iludir a ilusão de estarmos perto de um absoluto indefinível. Se confinados à expressão, queremos substitui-la por aproximações expressivas à realidade. Deixemo-nos disso. Absolvamo-nos de uma tentação inútil e cedamos à tentação inicial, banal mas intrinsecamente resplandescente de um brilho comum que alivia.
Mas porque carga de água estou a escrever em verso?? ... ... Porque carga de água estou a escrever?
Pedro 18:05
Da madrugada de dia 19:
black fucking metal
the obsolete turns to vomit night sprays over my head the darkest, strangest, foreign sounds of recapitulation overly sensible too much for one's mist and sweetness
words can be, simply
they need not cry intention just pointless drama
who understands life better than the dead? surely not you, boys and girls who seek reaffirmation in social grandeur.
open your wounds and dive into them
remember nothing - remember yourself
be, without always lone, always the same ill structure pointing towards the unsolvable
other heads could change my world but i cannot change the other heads
oh, fuck it
Pedro 18:03
Da tarde de dia 18:
Quero sair daqui mas não quero sair daqui. Apaziguem-me, fodasse. Quer dizer...
Mas quem são vocês?!??
Tenho de sair daqui depressa. Depressa, depressa. Depressa, depressa, depressa! DEPRESSA,
antes que me assolem a alma prisões perpétuas. Saber esperar é ir ao encontro da fuga, por vezes. Ficar num parado que esconde a maior das azáfamas sem finalidade é o gerador de todo um desconexo no gesticular cognitivo.
Mas enfim, isto da irrequietude é uma velha história e é o menos. A facilidade com que me privo desta é mínima, comparada com a dificuldade em esquivar-me às opressivas investidas da imaginação e recriação de um alheio destrutivo e inflexível.
Por isso, devo evitar estabelecer que evito. Evitar os escapes que não as palavras, por mais difíceis ou vagas, verdadeiras. Saber portanto esperar, mas nunca por nada em especial, que não a oportunidade de deixar de esperar.
Discernir o apropriado nas condutas possíveis, enfim, teoretizações pouco úteis num fim-de-tarde crescente. Já pouco de arte... E não vejam revelações propriamente ditas, onde estão apenas explícitos alguns passos a dar neste ponto do caminho para alcançar uma espécie de coexistência com as ditas, ao nível da simbiose de pontualidades.
Saiba-se esperar, pois este significado para já são letras de ócio.
Pedro 17:56
Penso que, se eu o tivesse querido, poderia vir a ser um poeta. Da mesma forma que já pude vir a ser guitarrista. E seria um bom poeta, e seria um bom guitarrista. Não tenho sombra de dúvidas. Leia-se orgulho, leia-se especulação optimista, de qualquer forma o facto é que não me imagino nem uma coisa nem outra. Transporte-se isto para o resto, e não me imagino. De qualquer forma, não é importante que nos imaginemos, não são importantes as ambições. É importante, isso sim, encontrar a medida certa de certas coisas. Actualmente, a minha é a de improvisar alguns versos de maturidade dúbia, esboçar passos incertos em estradas de pedra ou madeira, ou um qualquer material inorgânico, olhar o mundo e as pessoas sempre que possível, em vaga simbiose saudável, a meia-distância. A medida certa, actualmente, não é a medida cheia. É o mais que consegui enchê-la. Não espero mais do mundo que um espaço. De mim, espero não vazar de arte e de emoções demasiado cedo. É uma espera orientada ao momento, isto enquanto, nas carruagens, os fiscais da limitação se atrasam. Uns físicos, outros sociais, uns que extenuam, outros que hostilizam passivamente, por descrédito e marginalização. Leituras fáceis, escritas difíceis, um papel convulso, ora múltiplo, ora nulo.
Tenho escrito algumas reflexões, nas horas em que algo obriga ao desabafo ou à descompressão do vácuo. Mas não me vou pôr a atafulhar o blog com um chorrilho de realidade abstraída e pessoal, demasiado para manter o interesse. Recapitular metas pessoais será mais um exercício de sanidade que um post, penso. Talvez abra um blog com uma compilação de alguns devaneios intra-psique, com alguns exercícios de retórica localizada, em tema. Mas aqui não... não quero perder os leitores que não tenho! :D Embora me preocupe que isto possa ser filtragem de posts, coisa que eu nunca fiz. Não quero mesmo entrar por aí. Sempre mantive isto como uma resposta espontânea e heterogénea à escrita. No entanto, mesmo pôndo as referidas filosofias eremíticas à parte, já deixei ali 3 cenas por postar. Raios, cuidado com o zelo de pseudo-integridades. Esses caminhos são o princípio do fim. Tou farto de saber isso.
Ora essa... estes dilemas... mas alguém quer saber disto pra alguma coisa?!
Pedro 01:25
Nunca mais chega o horizonte. Estático e pesado como um rinoceronte, encaro a paisagem impaciente. O pensamento dormente extingue-se às manadas de migrações algemadas. Sinto o tempo em deslocação absorto, e a inspiração é a de um morto. Por fim, dá-se um transbordo sob a forma de sangue no bordo das esporas. Um frémito galopante, e tudo é bonito durante este espasmo de instante. Em redor, as caras passam em turbilhão sem amor. A alegria (e tudo) perde de ser a razão. Sobra dor.
Sobra também, ímpar, o horizonte.
Pedro 00:41
Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Incógnita
Quem és tu, imaginação na bruma que se adensa insólita, incómoda e imprescindível,
sob a forma de qualquer uma que os meus segredos cita com o seu olhar intangível?
Quem és tu? Uma mulher? Um impulso? Uma miragem? O pó das memórias? Emoção?
Não sei. Mas queria saber, agarrar-te o pulso, ver-te paisagem, contar-te mil histórias com a mão.
Pedro 17:35
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Semi-canto
Na cúpula dos Pensamentos nova metáfora vazia ecoa e subsidia a ilusão de que não há tormentos.
Sereno então os Sentimentos. Por fim a alma canta, esvai-se a dor de garganta, esvaem-se até os tormentos.
Porém, como todos os Momentos, também este se esgota. Fica a meio som a nota
da música principiada. A acústica é constipada, aqui na cúpula dos Tormentos.
Pedro 01:27
Domingo, Dezembro 18, 2005
Redescoberta convicta
Fiz mais uma descoberta - aquilo que eu já sabia nesta tarde aberta a reflexões e à maresia
de quando se abandona as vagas de delinquência dos impulsos à tona de viver em intermitência
num mundo por colorir para lá do imaginativo cavaleiro até cair dado o freio lascivo
que impede de viver galopante na planície de ventos a arrefecer a espiritual imúndicie
de quando somos externos ao nosso próprio calor e aos nossos passos internos com medo do sangue da dor.
Descobri, uma vez mais, e sempre mais que nos outroras, que a convicção são pardais que tentam cantar contra as horas.
Pedro 18:05
Escudo contra a despersonificação
Do alto do fosso existencial fitas-me com uma lupa invertida e gritas com o teu silêncio a indiferença.
O modo das coisas morre em ti antes sequer de te alcançar, à distância.
Visões góticas perpassam pela noite escura de ausência sombria e germinam calos no andar.
Polvilhas-me com o pó das emoções por fulminar e sufoco o pistoleiro num veludo fino grosso.
Ando, ando, ando, circulo em rotundas desencaminhadas numa espiral inútil.
Tudo porque, do alto do fosso existencial, vês um mapa desfocado que te ludibria a transparência
e te impede de ver o amalgamar das fronteiras, ao invés de linhas finas e vazias.
Pedro 17:25
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Tenho voltado a tomar a decisão de sentir, em antevisões de mágoa a sacudir a minha débil existência por decidir.
Em transparência, atravesso a mão do futuro a agarrar-me com o seu Não e alcanço, desaparecido, a desilusão.
Ressurge, imposta em desmotivação, nova vontade de envolver o velho manto em realidade, desnudando a coxa ferida de ansiedade
que me impele manco ao retrocesso até à divisão selada, onde ingresso numa outra encruzilhada, sempre em excesso.
Pedro 00:44
Domingo, Dezembro 11, 2005
Um dos momentos mais fortes da história do cinema... Diálogo que se desenrola entre Conan e o seu companheiro de viagem e de destino.
(Um sorriso de nostalgia infantil invade o guerreiro.)
Conan: "I remember days like this when my father took me into the forest. We ate wild blueberries. More than twenty years ago. I was just a boy of four or five. The leaves were so dark and green then! The grass smelled sweet with the spring wind."
(Curta pausa. Retoma as suas lembranças, agora angustiadas.)
"Almost twenty years of pitiless combat! No rest! No sleep like other men!" (Esvai-se o tom de fúria.) "Ahh... and yet the spring wind blows, Subotai. Have you ever felt such a wind?"
Subotai: "They blow where I live too... in the North of every mans heart."
Conan: "It's never too late Subotai..."
Subotai: "No. It would only lead me back here another day... in even worse company!"
(Pausa fatídica.)
Conan: "For us, there is no spring. Just the wind that smells fresh before the storm..."
Pedro 02:36
Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
"o caminho da sanidade", percorrem eles, frases com voz e medida. vestem-se sonhos de inverno e abusa-se deles. nos corredores estreitos amplifica-se o volume, alarga-se a passagem. escuras ruas pintadas nascem sob os pés sem sonho. pontapeiam-se os lugares mais comuns num futebol amigável à distância. esclarecem-se esperas mentirosas, imensas e presentes. dormita-se por baixo numa divisão comprimida sem cantinho. chega-se a casa, e fez-se isto e aquilo, e rectifica-se a moldura, e diz-se "ah, eu sou isto, faço certas coisas para satisfazer o meu lado assado, mas sem esquecer aquele coiso importante. então não é?"
as esculturas no pedestal caído de nascença.
Pedro 01:37
Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Preciso de palpitar em tom irreflectido, as pálpebras por levantar em sinal de descrença.
Preciso de realidades. Explorar-me via alguéns, especialmente hoje, pelo menos enquanto escape.
Nunca estive a falar de sexo. Isso paga-se sem complexo, e faz-se sem preconceito. O que me dava mesmo jeito
eram componentes expressivas das que entre pessoas se avivam, principais e libertadoras de mensagens invísiveis.
De resto, está um nevoeiro para além disto, e tapadas estão as medidas do importante, para além disto.
É natural. O dia nunca é global. A perspectiva só cabe num dia, fica restrita ao banal.
Sei só que não se trata de nada demasiado simples, nem demasiado complicado, mas sim de uma intangibilidade
irritantemente sempre ao alcance. Mas destas irreflexões pouco se tira, principalmente com cabeças pessoais e intransmissíveis, que só são aquilo que são.
Disto se tira talvez, em clave de fórmulas, a insistência em ineficácias, se assim se quiser, ou então
o pergaminho amarelecido pela prosaicidade que cabe em papéis, mas não em existências, defensivas portanto, justificações.
Nada disto é verdade. Se a quiserem aceitar, a única verdade é a falta de algo conjugada com uma leve insónia dispersa em papel vagamente confirmado.
Pedro 03:49
noite com bolor
o naufrágio cerebral de palavras sempre iguais os momentos desiludidos a corrida de barreiras o sono doente rancor hiperdepressivo
pequenos momentos diferentes e tudo teria sido diferente a partir do abstinente culpado
mas não faz mal espera-se recicla-se
Pedro 02:54
Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Hoje é (diziam eles na televisão) uma data "especial". Informem-se ou deduzam o porquê, pois serviu também de mote para este texto:
Ausência de dedicatória
Dorme descansado, pois não te encobrirei com um manto devoto de aborrecido reconhecimento. Não renunciarei à autonomia deste meu acto de escrita, idêntica a todas as outras autonomias que tanto prezo. Continuarei a escrever serenamente e tu continuarás a dormir, não no falso túmulo palaciano de lembrança documentada, à janela de um distinto segundo andar, nem no túmulo de madeira dura, banalmente, num indistinto Mosteiro importante. Estarás em lugar nenhum, evidentemente, e eu estarei aqui, neste lugar que não é propriamente nenhum, mas que facilmente passa por tal; daqui me dobro sobre a tecnologia numa ocasião marcada pelo acaso relativamente raro, para te pedir que, de todos esses sítios onde tu não estás, te recolhas por meio instante, o suficiente para que retornes ao patamar inferior da escadaria de um só sentido e albergues fictício este desalojado sentimento de fraternidade entre uma pessoa que não sabe escrever e uma outra, esta de nome, que se escreveu e se soube como nenhuma outra. Sossega, pois como te digo, não te despertarei de onde não podes acordar para te imolar com tortuosas cópias de estruturas adulteradas em parvoíce fanática de quem nunca fui nem compreendi, nem pretendi compreender ou ser. Só estendi os braços, do alto de um túmulo palaciano de verdade documentada pela Física, se a aceitarmos como a linha fina que arranca impiedosamente o conceito de realidade às subtis garras do abstracto, e assim o demarca do seu simétrico, para deste sítio que é tudo menos um Mosteiro em termos de alma, acenar a uma pessoa como as demais, passageiro, e a seguir aconchegar o cobertor que me demarca as pernas deste rigor de quando se acerca Dezembro pouco sorrateiramente. O mesmo Dezembro que me aparta da pessoa que foste, como todas as outras, e que decidiu deixar à parte uma falsa identidade, pois está escrita, para advertida ou inadvertidamente inspirares não a escrita, mas a noção inviolável e palaciana de que, para lá da realidade difusa e abstracta está um lugar nenhum de pessoas avassaladoramente iguais a todas as outras. Concretos em mil e um sonhos, pretenciosos em mil e uma opiniões, somos todos o homem que, do alto do seu palácio tumular, vê passar um barco sob o fumo do Tejo para se pintar em hipotéticas palavras, argumentos, murros, pontapés, acções, desilusões e pensamentos apenas, passando fluvialmente sob o fumo de um cigarro, sob o ponto de vista de outra pessoa qualquer que pode nem existir fora da nossa cabeça. Não podem sobrar dúvidas após estes anos de existências, historiadores, sociólogos, entertainers e de namoros em parques, que tirando esta construção de amores, personalidades, e histórias de vida, nada sobra. Seremos pois todos, como tu terás sido, ou como pelo menos te atribuo teres sido (mas é o suficiente para o seres neste dia falso, em que é quase Dezembro) - uma Mensagem por passar. Acredito pois piamente que não receberias a minha Mensagem incontornável, pelo que me privo de aborrecida gratidão ou de uma dedicatória inútil, e, na medida do possível, de estranhas conversas metafísicas e cadavéricas. Continuarás sossegado no teu sono de prosa vazia, que preenche hoje a poesia desassossegada de um outrora inqualificável, e eu sossegarei parcialmente esta minha Mensagem, que não está na ponta dos dedos, nem no coração, nem em qualquer outra parte que não as tocas onde se aninham as confusas vontades, os sempre actuais intervalos dos intervalos, enquanto te imagino a sorrires, categórico, face a qualquer incutida grandiosidade inconsciente, que somente merecerias num mundo em que, em vez da Física, existisse a grandiosidade como forma de distinção. Sorririas pragmático, sarcástico talvez, e mergulharias noutros devaneios atípicos até passar o próximo Esteves. Não o farás, e provavelmente nem o farias... a não ser aqui, referencialmente. Hmmmm Vou mudar de opinião, bruscamente. Afinal fá-lo-ás, neste actualmente. Não tu, que dormes em vácuo, mas o outro tu, o único - o imaginário de milhares de pessoas como tantas outras.
Pedro 03:56
Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Boas.
Hoje idióticamente banal.
Desperspectivado.
O sempre que volta e renega o efectivo.
E em redor, meandros de gente que se escreve e requinta igual, com convicção comportamental instantânea, destruindo ameaças de inadvertida realidade e denegrindo as cores dos casebres alheios e espíritos independentes.
E sorrisos que se fecham, por túneis de ecos assustados. Condecorações de abstinência verbalizada em faces comuns, desfiguradas e invísiveis no mundo contrário por imaginar. Clara e apressada incompreensão fulgurante, asmática no refutar da doença.
Por tradições redescobertas farsas, nado em contra-corrente evitando redimir-me de religiões livres, em verdade. Evitando vangloriar por força de agregados, evitando empalhar a presença, evitando recair no terramoto mentiroso.
Sem empunhar parâmetros de condição quantitativa, referi-os após mais um desenlace. A partilha pontual, com a ressalva de o ser. Sem presságios nem intuitos de Lei.
Ainda, algum receio, alguma lágrima, pelo que rompe, pelo que escorre, pelo que a Natureza não se inibe de vetar. O sangue nas veias por envenenar dócil. O desterro de ideias, tragédias periódicas na transpiração de células a pouco desporto.
O multicolor a cinzento.
Contracção determinante e afónica de noções de mal denso, com a ligeireza que esperneia em torno do abraço indesejável.
Chamem-se-lhe nomes grandes.. Pompeia, demência, inspiração lunar..
O chamamento - a arma do povo cantante.
E mais restos. E mais réstias - ou ainda me vão culpar de sexismo.
Ena. Até humor escolar já aqui faço. :D Qualquer dia, letras de mariah carey, e todo um universo pintado.
Agora claro, há que acabar com isto, em desarmonia, em tons de bah. Tem de ser. Vão-se foder se repudiam aquilo que não sabem. Vão-se foder se não querem saber de mais uma página bolorenta, de mais uma crónica de escura arte diluída em decepção, de enganadoras montras de aversão se vistas como tal - vão-se foder se não estão dispostos ao Erro.
Vão-se foder, e fiquem bem.
Eu vou fazer o que prometi. Tapar esta garrafa destilada de leitores quase palpáveis, incómodamente quase. Varrer um soalho incómodamente pegajoso de pervasividade feminina. Repetir o sono que amansa os muros. Roncar inconsciência até ao mais sagrado décibel. Entoar valas de incontinência enquanto trincheirados se preparam os lugares-comuns. E aos poucos, ganham terreno...
Qualquer dia serei vencido, e então cederei. Trabalharei dobrado para eles, viverei e conviverei como eles, serei um deles. Mas continuo a lutar e a lutar. Em escassez de armas, de forças, de alternativas capazes. Tenho-me a mim, e à liberdade de lutar. Anos a fio.
Enquanto se desenham pinturas rupestres em posts de pulsantes exageros caricaturas, soa a velha máxima, por ínfima que seja - a esperança é a última a morrer.
Pedro 04:29
Domingo, Novembro 06, 2005
A magia de um acorde solto crepuscular encerra todo o drama metamórfico da humanidade. Toda a concepção imesurável é sugerida, toda a definição está polvilhada de um acompanhamento ébrio, mais fino que o do ar, e conducente da extensão global, caótica, profana, sensível, promissora, sedutora, um vácuo magnético fundido com o encurtar das distâncias. O mote é simples, como uma válvula, e os pensamentos nascem precipitados, numa escadaria sem topo. Trepam-se degraus sem unicidade, mal conexos, pouco ou nada sólidos, em imensidão. Constroem-se algumas palavras que fragmentam a hipotética longínqua frase em vidro. Entretém-se camadas de carnaval com máscaras de rotatividade incontornável. Abana-se o leque da fornalha universal e sopram-se reparos à cascata implosiva. Desvanecem-se os objectivos quaisquer num impressionismo em dominó aleatório. Faz-se. Arrastos convulsos. Zombies. Berros ocos, distâncias surdas, fonemas loucos. bzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzzbzbzbz
Pedro 03:01
Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Todos convictos de qualquer. Sem mínimo. Gota na testa, pensante, a escorrer. Luzes turbulentas. Um semáforo triste. Turbilhão de vozes serenas de imposição rompante. Fragmentar ineficácia e estilhaços. Vidros de sangue pulsante. Morno dia decai. Decair de mãos pouco dadas. Significados transformados em ausências. Pisa-se forçosamente. E repisa-se.
Os mais indistintos momentos podem transformar-se em cantinhos de páginas a lamber sem fôlego.
Pedro 00:11
Sábado, Outubro 22, 2005
O peso da conotação esmagadora dos tempos idos, desaparecidos num recôndito suspiro de pouco alívio. O peso da conotação suada de quando a toda a energia se esgotou o empurrar as muralhas do castelo invisível, para de desidratadas ideias e convicções se reter a exaustão num desistente tornado de paralisia. O peso da conotação mórbida dos passos mudos, ocos, desistentes, pelos fantasmagóricos corredores. Passos pesados de morte sem conotação.
Pedro 15:23
Acordo no lar casulo e recupero o torpe narcisismo típico da larva. Deixo um rasto de grude pegajosa pelos instantes percorridos enquanto me arrasto circularmente pelos seus confins vazios. Nutro-me de ligeiros aconchegos, de temperatura, de harmonia, de semi-sonhos. Transcrevo-me desalojado de divisão exterior esquecida e cubro a percepção com esta mole carícia finita de ócio vendado. Evito a divisão interior esquecida e infinita.
Acordo no lar casulo enquanto evito acordar.
Pedro 15:22
Módulos de satisfação redespertam módulos de insatisfação, descomprime-se o almirante do barco sem mar, vira-se a página para se reler um branco interrogação, e as feridas tremem, perante a vontade de abrir e fugir ao caos de ambiguidades. Senta-se sempre a crítica, na cadeira que nos esquecemos de arrumar. Vem sempre o vento bafejante de carícias cortantes de gélidas. Na garrafa, a mensagem perdida. Dissipada. Tinta invisível em mares sem almirante em suficiência. Grandes arpoadas de Natureza quinam sem determinismo. Ondulação.
Calmaria. Um ontem que é hoje, na visita ao contemplar. O brinquedinho infantil de neve e vidro, que alguém parou de agitar. Escala-se o abismo sem pressa, e recupera-se um esconderijo escuro. Cláusulas de expressão nocturna redefinem o tratado da paciência. Mãos dadas com o ar, sem procurar tactear. Expressionismo apaziguado. Por quanto tempo?
As buscas animalescas lá fora, na vegetação selvagem, em rodopio de passados-presentes. Um pião de confronto. E todo este tempo perdido, sou eu.
Pedro 01:41
E a facilidade com que por aí se pega em formatos pré-concebidos, socialmente ergonómicos, de design manchado pelo estereótipo tradicional e conclusivamente limitado. Assolam-se terras, planetas inteiros, de uma doença leve mas condicionante, uma constipação da visão além-corpos e métodos rotineiros. Despromove-se a reflexão numa dança que guia os passos solitários, esquecidos das asas metafísicas. Despromove-se a riqueza em todo o seu infinito reluzente, e sucedem-se gritos de guerra, gargantas sem rumo, colunas estereofónicas sem vontade própria.
Obedece-se. Uns aos outros.
Apetece-me fechar os olhos com pálpebras de verdade e injectar várias doses de mim mesmo. E ouvir para lá desta cacofonia. E sonhar para lá deste pesadelo. E viver para lá desta morte.
Pedro 01:16
Domingo, Outubro 09, 2005
Cuidado com:
Aquele procurar incessante, com olhos de um condor de fome desértica emparedado pela planície. Aquele chupar diário da mesma fruta, alvejando as brechas do caroço enorme. Aquele agarrar à corda que queima enquanto não se evita, apenas abranda, a descida pelo abismo. Aquele suspirar um insuficiente "enfim", de quem reencontrou, atrás do sofá, uma pecinha do puzzle. Aquele viciar nas pausas dos esforços, enquanto se compilam fragmentos de fadiga.
Pedro 22:10
Sábado, Outubro 08, 2005
Visita a memórias do genérico.
Muitas letras perfeitas em torno, orbitais novelas de um mundo escondido nos outrém. As teias de uma rede vital apaixonante, tão mentirosa áspera quão estupidamente graciosa avassaladora, uma rede sem ausência, só buracos de espreitar. Buraquinhos funis de lavagem à alma sem piedade, fuzis execuções do castrante, em bang bang's não surdina.
É só uma vontade de poder ser chato no enquanto. Permitir-me o ímpeto mundano real, em medidas poucas, na progressão pouco estrita. A fase de Renascimento, desde pequenas a grandes minúcias comportamentos opções.
O âmbito dos durantes, muitos bah's, virar o disco. Um sono tortuoso a pingar as pautas. O aborrecimento na mensagem aborrecida de opostos. A brisa a reler-me incómoda.
Já não sei há quanto tempo milenar virei as páginas por escrever.
Pedro 17:14
Enquanto. Desdobram-se as vertentes múltiplas unas, poucas de tamanho. Precisa-se a informação inqualificável, em estéticas. Mapeia-se de mundos para mundos, na função apenas. Pavoneiam-se fragmentos da arte nunca. Quando a agitação subtrai o nexo. Frémitos infiltrados num controle necessário. Estabilidade de prelúdios, abstraídos de ritmos coisas gritos. Labaredas pendentes no infernal próximo. Uma cidade em chamas por pisar, o momento eterno sufocado, passo a passo, fuga a fuga, o olhar atento do contínuo no jardim despovoado, um limite de raízes. O limite.
Pedro 16:01
A exploração da banalidade. Infernos sem esforço. Gatos pingados cinzas. Gota queimada e felina, sórdida sem patamares - só mistério a nú e quente.
Apaguem a vela que dói.. Murmurem patamares de ilusão fácil. Escale-se a nem por isso subida com meias de desterro degredo. Derrame-se um suor sem queixa.
Construam-se artimanhas, por um Algo superior sem existência, física ou outra. Descredibilizemos o sentido. Amemos frígidos. Raspemos as lascas ceras escamas peles.
Banalizemos a exploração. Esforcemo-nos infernalmente. Caiamos lá do alto, em fila americana. O abismo estético sem pára-quedas. Um caixão final com entradas de ar.
A piada sem sarcasmo. A foda sem orgasmo. A vida sem marasmo. Uma morte enquanto pasmo.
Pedro 00:27
Relembrar. Olhar saciar em volta sôfrega. Puxar a perspectiva com um guindaste fracasso impaciência. Opção sempre esquecida imponderada. Esquecer. (tentar)
Devia experimentar engolir umas vertigens. Seriamente planar refeito sorriso auto-alimento. Escondam as vossas, redondezas... :) No típico pormenor organizado ou não de lavatório, à mão óbvia.
Refaçamos um mundo vago, interrompido, suíço esburacado vómito.
Degenerativos sem neuro-fantástico du monde, unissons-nous.
A Revolução, ao virar da esquina portal...
...se ela chegar entrementes, cancela-se o relógio e quiçá se mude de estado.
Pedro 00:25
Quinta-feira, Outubro 06, 2005
A fenda que se abriu no ocupado espaço vazio, projectando filmes sem metragem.
Benvindos.
Pedro 23:12
Domingo, Outubro 02, 2005
Lá fora a guerra sem cessar, fogo morteiro ferida grave. Cá dentro, uma janela aberta em sentido único. Aguardo o vácuo em vácuo pouco ideal. De ideias transformadas em impulsos, gota a gota. Torneira que escorre em ideias. Desertos numa miragem canalização.
Lá fora a paz agressão contraste mágoa indolor. Cá dentro, uma janela aberta em sentido único. A produção extensiva em cadeados encadeados. Voz letreiro virgem de nota timbre voz. Palmilhado pé pela areia a fervilhar. Escorre a queimadura sem sangue.
Lá fora a imóvel confusão expectante, despachos risos brutos tristes. Cá dentro, uma janela aberta em sentido único. Um céu pintura na terra a olho. Uma orientação no véu repulsa narcisismo extremismo. Um Islão de alma húmida encharcada. Escorre um ego constipado.
Lá fora o vento. O mar, o fogo. A insignificância escondida. Cá dentro, uma janela aberta em sentido único. O ar respiração proeminente elementar insignificante. Os lugares-comuns afogados ardentes. Escorrem noções estéreis de imaginação. Sem-abrigos num sexo lençol cobertor.
Lá fora, tudo nada insignificante. Cá dentro, uma janela aberta em sentido insignificante. Amainar insignificante, resfolegar insignificante, animar insignificante, deprimir insignificante, por fora insignificante por dentro. Escorre insignificante.
Lá fora por dentro por fora, tintas órgãos tintas, tendas corpos tendas, vidas mortes vidas. Cá dentro, uma janela aberta em sentido fechado.
Pedro 16:37
E impedir que os atalhos se tomem, quando se está a varrer as ruas da cidade fantasma que nasce do aborto passeio em pés tortos tropeçados. As fragilidades, bonitas malditas. Eu digo para além do meu além, mas nunca chego ao aqui.
Que aborrecimento de posts, mas querem o quê? Deixem-me foda-se, ninguém vos convidou. Deixem-me.
Revisitado casebre paranóico, céu de palha, madeira em vez de janela, mas sempre uma escassa memória aos traços miligramas poeira, um sempre cada vez mais perfeito. Dissertar instantâneo. Antevisão de um passado vindouro, revisão da metafísica, anos-luz ciclicamente. Atrás dos traços um papel por entre. Superfície pigmentada lisa e atrás. Raros eternos bons.
Não esquecer, não esquecer de rasgar o ar à volta e deslizar no papel por baixo escorrega bom charco mãe protectora de protecção risco feixe ácido corroente poluente.
Não esquecer, esquecer, esquecer, esquecer. Não esquecer, esquecer esquecer. Esquecer esquecer esquecer.
Não evitar. Evitar evitar evitar. O sagrado sacral desproporcionado aglomerado em mentiras de superficíes ao contrário.
Cá em baixo, a lua avessa. A finalidade sem. O brilho não.
A escuridão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão
Pedro 00:54
Sexta-feira, Setembro 30, 2005
O meu surrealismo ocupa-se de não me realizar. Ocupo-me de negação. Estendo-me na prancha de tubarões afiados, e olho um sol escuro por dentro. Inaudível, impalpável. Intudo.
Falo de dias gerais, outra vez.
Porquê falar todas as vezes em particular de dias? Porque eles não falam de mim. Reciprocidade sazonalmente soalheira e sempre falsa, de escuridão.. Este falar é escuridão porque não é falar. O outro é escuridão por nunca ser.
Mas agora com uma distância tumular pacífica. Um mundo dentro do transparente por fora, cintilante universal. Aromático vazio nariz. Um entupido muito mais desengasgado inestático estético. Profetas cegos, divinos como a Lei manda. Regimento por redigir, encarnado morto, cá. Claro.
Escuridão pacífica oceânica elementar a olho nú. O desfoque do enfoque escuro, sublime vaga neutra nula desazulada contemporânea intemporal escuridão.
Aquilo que está por conter. Criança num parto mudo pardo por rebentar. Adocicado espesso amargo sem chocolate. O vice da conversa, o verso, a alma, sangue. Sangue. Sangue. Sangue. Transparente. Sempre, tudo, e até inclusive.
Por causa das flores que não murcham nem desabrocham, e ficam a olhar no canto de uma janela, transparente, duma estufa regelada de inadequação.
Tudo meramente escuridão pragmático. Quase escuridão sorridente. Uma escuridão sempre quase.
Quase. Tactear sem ver a escuridão. Quase. Ver sem tactear a escuridão. Quase. Escuridão. Escuridão. Reflexo de escuridão no espelho escuro sem tema.
Uma folha escura sem página de escuridão.
Possuída quase. Possuam-me quase. Quase aqui, na escuridão.
Pedro 00:25
Domingo, Setembro 11, 2005
Um patamar insólito abre-me a visão. Avalanche de portas. Um colchão: Palavras, palavras, suspiros, escapes gelatinosos, e palavras, palavras. Atrás de palavras, palavras. A colherada, enquanto tremem felizes. Cintilantes no céu da boca do Inferno. Do infernal... Geografias, para fora, xô xô, chicotada. Queremos nhac nhac. Preferimos todos ficar, fora de um "aqui". Permanhecer pela alvorada nocturna invisível poeirenta. Pó de ouro. Algemas de ovo.
dedicado a Abade Fatia, um Pioneiro do impúdico equívoco sem margem de erro, um Mestre
Pedro 02:29
Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Merda. Tudo errado. Não devia estar aqui, neste sítio. Nesta pausa, entrecortada pelos premeios da álgebra comunicativa sem equação.
Merda. Tudo errado. Não me devia deixar ir para este sítio nenhum a descoberto. Deixar fugir a roupa nua e metafórica.
Enfim. Vai-se estando. Deixem-me aqui, neste sítio. Nesta pausa reciclada.
À espera de seja o que for, revivendo a espera anterior.
Imediatamente!
Pedro 01:51
Ensaio sem subaquático
Preciso outra vez de vinhos sem mente. De banhos, tormentos, do mergulho dormente neste mar que tu lês.
Piscina que se sente sem água - este mês a conta é de duzentos euros. Seca, como vês. Mas segue-se em frente.
Pedro 00:42
Terça-feira, Agosto 30, 2005
Things are just like that. And it's no use to move forward, please stay. Some fremit indulges us to cry the voices of quietness. Time to stay free. Pay no fee to the man in the borderline between lands of escape and nodding down. Believe and stay. Free you stay. Believe. Always stay free. Believe. Always stay. Free belief.
Pedro 23:41
Faz-me vibrar. Faz-me crescer. Faz-me apagar. Faz-me doer. Faz-me agitar. Faz-me sofrer. Faz-me fazer. Faz-me... Sim, faz-me. Desintegro-me numa falsa integridade sem objectivo. Faz-me morrer. Espero-me numa palpitação sem objectivo. Faz-me explodir. Sublinho-me espera sem objectivo. Faz-me adoecer. Desiludo-me de esperança sem objectivo. Faz-me morrer. Marco-me gado num abate sem objectivo. Faz-me morrer. Morro numa hesitação irreflectida da vida sem objectivo. Faz-me morrer três, quatro, ipselon vezes. Três, quatro, ipselon vezes sem objectivo. Foca-me na cadavérica objectiva sem objectivo. Faz-me apodrecer. Faz-me renegar, vivo ou morto sem objectivo. Término cadáver passante. Luz da sombra da lua. Ilumino-me. Tudo menos tudo. Faz-me ver cegar. Faz-me ouvir ensurdecer. Faz-me sem objectivo. Faz-me ressoar, ressoar, ressoar, agarrar com força tudo menos tudo. Auricular desejo. Tremores a ressoar, a ressoar, a ressoar, sem objectivo, a ressoar. A ressoar. Faz-me. Faz-me. Faz-me. Faz-me. Existo, Eu Existo, deus, Eu Existo. Espuma pastosa. Desejo engasgado em bocas de convulsão. Sórdida, atroz, funesta, espuma. Ali, ali. Faz-me espalhar-me. Ali, ali, blblblblbl. Faz-me doer-me, massacrar-me, existir-me, grrrrrrrrrrrrr, rosna amor comigo, rosna comigo feridas, sem objectivo rosnar. Agarrem-me sopro de êxtase mau. Atmosfera regelada unívoca. Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzz. Faz-me zzzzzzzzzzz. Faz-me zzzzzz. Faz-me zzzz. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z. F a z.
Pedro 23:16
Sexta-feira, Agosto 12, 2005
O confronto reprimido demarca o atravessar da fronteira. As vozes afiam-se, o crime cá dentro. A dor na luz, no passo e na posição fomenta mais confronto, agora sem um alguém implicado. A voz transforma-se numa bomba relógio de fragmentação de crença. Auto-confiança afundada num pesado silêncio oceânico. Se ao menos a demência fosse cega e real.. sê-lo-ia cegamente... A arte é real, mas preciso de o ouvir da boca do empírico, sem traições. E saber o que vem a seguir a cada momento de arte, não cortar o guião à tesourada silenciosa, só a parte que diz 'esgotante'. A arte pode até ser vazia, desde que se regenere num contínuo. Não é? Eu cá penso isso. É bom sabê-lo, gentes leitoras? Já sei, vou criar um blog. Vou continuar a fazer coisas que já fiz, parando o relógio na ânsia de o fazer andar. A minha visão envolve vários frames de relógio por minuto, obsessão? Qual quê.. Essa agora, sem ironia, a sério. Ironia? Qual quê.. Cheiro os vários eu's crónicos, um a um, tentando-me lembrar do perfume sem cheiro. Nada. Às vezes treme-se mais, no frio da liberdade tão aqui mas tão ali. Outras respira-se menos asmáticamente. O céu abre-se em dois ou mais, e vinte e três mundos são eu. Nenhum é meu. Mas exploro, aproveito o enquanto da fresta. Os céus não se abrem assim sem mais nem menos. Prostitutas finas da criatividade. Alguém que diga que sim? Alguém que diga que não... Alguém que o diga, alguém que diga respeito, alguém que tenha palavra. Sabedoria o suficiente, para não me saber. Sabe a pouco ao ego, enquanto brincam aos sociólogos obstinados, e por isso pouco sociólogos. Mas sociais, na sua delinquência da república ciêntifica, chove-lhes nos espíritos. E a chuva tolda, enquanto molda. Chuva de coisas, de gestos, do típico do atípico, e portanto coisas. Assim os molha a chuva. Um boneco de barro, perfeito ou não, será sempre de barro. Que chova ácida. Introspecção forçada na sistemática do dia. As vantagens.. quando o forem. Enfim. O sabido boceja, cansado de si. Em alternativa, este blog meu: http://espectro-de-gente.blogspot.com
Pedro 03:05
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
A busca ondulada, o rompante confiante e algum sabor. Obrigado, mente. Mini-construções fazem o eu-dia. Apreciação sem caos pretencioso. Linhas desalinhadas para bem. Assentemos pois sem pressa-disparate. O suave. Mãos sem pulso, braços sem ombro. O respirar como coordenação. O permitir do amanhã. Vamos sem ir. Vejamos sem olhar. Sem artimanhas, no consoante da concepção. Até um logo.
Pedro 06:32
Sábado, Julho 30, 2005
Minimalista, a estética do mundo envolve-me num não-abraço. Aperta-me com o seu cinto de castidade mínimo. Revolve-me, num rodopio feito de tonturas. Oferece-me o vazio, em troca de desejos esvaídos no rio do pó da alma. Alguém sopra para o pó, e o vazio adensa-se, imaterial. Vento a passar no vazio, deslocações vazias no espaço da frustração invisível. Frustrações que passam como o vento, sem cortejo. Pequenas picadas de abelha, espigões inocentes mas afiados. Um irrequieto por sob uma língua saudosa, engolido em seco. Mudez. O único sabor, a repetição, a mesma. A novidade refugia-se atrás dos espinhos viris de um roseiral murcho. Os espasmos de poesia, falsas mensagens na garrafa. Deprimente, o constatar do deprimente. A perturbadora estética de um suicídio abstracto, incompreensível. Perturbantes razões desnecessárias. A vontade de ninguém, a relva sem espinhos, de um verde enjoado. Longe na frase sem recursos estilísticos, de sonoridade afónica. A procura da deriva num mar estático de sonhos a seco. A inconclusividade do céu de nuvens indiferentes. Um parque sem infantilidade, de diversões com frio. Uma chama de calor extinto. A morte. A morte, a morte, a morte, a morte.
Cada vez mais, a morte. Caíndo a pique, a morte.
Pedro 20:07
Quarta-feira, Julho 27, 2005
Sabor a jazz
Sabor a jazz melancólico invade o serão e o quarto, neste quarto de hora. Dispersão.
Sabor a jazz, diabólico, estica os minutos, com o grude que ilude os meus eternos lutos.
Sabor a jazz pré-digerido entope-me o organismo, e regurgito o velho mito de que eu já nunca cismo.
Sabor a jazz. Bem definido, quase perfeito, o sem alento do ritmo lento de que é feito.
Sabor a jazz, redundante, na noite já sem sabor de tão mascada. Serve de nada, o paladar. Dissabor.
Sabor a jazz. Esgotante, de tão real mas inerte. Pouca a sorte, na meia-morte daqui. Vazio nos oferte
o sabor a jazz. Pesada a escala da monotonia, cujo compasso veste um laço: a desolação da harmonia.
De desilusões pejada, permita-me a vida saborear a dor que traz todo este jazz. Cismo que nela me hei-de contentar.
Pedro 02:06
Estou farto do seco em tudo. Do stress secante, em tudo.. Farto, do stress que está em mim, e que eu procuro evitar, desviando-me. De tudo. É um stress, o desviar-me de tudo. É uma seca, quando encontro um desvio e o sigo sem stresses. E pelo meio? Uma identidade mal-parida, não tanto por encontrar, como por perder, por soltar.. Ando e respiro e ando, vejo, "olha, ando!", apago parte da sensação de apagado. Como o vento que sopra o pó de cima do baú de séculos e revela parte. Que haverá lá dentro? Pó? A madeira aparenta ser de qualidade. À sua maneira, como todas as madeiras, como todas as árvores. Páro o cérebro, respiro e ando. Vejo, uma loja de animais. "Como não tenho asas, posso voar!" Só os elefantes não cabem em gaiolas, por isso são extintos. Um pouco de raiva contra a humanidade nunca matou. Páro o cérebro, ando. Não vejo grande coisa. Para onde estou a ir? Páro. Páro o cérebro, respiro, ando. Um pequeno bah. Já não digo nada há tanto tempo. De que me serve o respirar, andar, respirar? Estou aqui, no stress de não ter stresses. No silêncio à mesma, essa ameaça de gaiola. Páro o cérebro, ando. Vou ver se falo a alguém, então. Mas não vislumbro nenhuma rua por onde meter, nenhuma alma por conversar. De que me serve esta caminhada em frente, anti-desvios? Não será comportamento desviante? Não. Páro o cérebro, respiro, ando. Piso a rua. A única rua. Seja qual das ruas for, é a possível, a única. Respiro. Ando. Vou. Com ir, sem ir, não importa. O importante são os pontos nos i's. Vejo. Um muro. Qual é a moral disto? Não sei, mas o muro tem coisas imorais escritas. Numa escala de sorrisos, tem 0. Mas não por imorais o serem, bolas, não estou assim tão velho. Apenas pela clássica falta de inovação. Vejo um restaurante chinês, agora sim, um 0.8. Porque faz lembrar as últimas de Alberto João Jardim. Um 1 ambulante. No outro dia vi um 1.5. Em letras bem gordas, lia-se "NOTÁRIO: Pedro Rodrigues", à entrada de uns escritórios. Pensei no belo que seria, se alguém colasse um bocado de papel branco meticulosamente por sobre o N. E no dia seguinte, a maior parte dos colegas e restante gente do prédio não evitaria a gargalhada, mais ou menos discreta. E talvez até o próprio reagisse com uma indignação descontroladamente despropositada. Páro as memórias. Respiro. É que isto não é um passeio. Não ando. Bocejo. Fecho o post.
Pedro 00:05
Terça-feira, Julho 26, 2005
Tudo é um bom mote
Tudo é um bom mote para se querer poesia. Basta escolher do lote de coisas de um dia
e pedir uma emprestada à realidade. Bebê-la fria, bem gelada, a verdade
líquida. O estômago sem motes sorverá o gélido âmago do qual recriará
uma fotocópia fútil e escura. Pouco terá de útil a candura
com que o fará, ou a sólida dureza do detalhe, da boa análise, na mesa
as cartas. Pois tudo se ultima para depois, no fim da rima,
se voltar à estaca zero, ao dia sem poema. E, forte ou fraca, sobre alecrim ou alfazema,
a rima passada foi, o verso vazio é. Passou sem dizer "Oi", pé ante pé ante pé.
Tudo é um bom mote quando há falta de poesia. Nada é um bom bote quando está seca a ria.
Pedro 22:54
Da madrugada passada.. (por isso, obviamente actual):
Na métrica do desencaixe
Por vezes, querer sem disso esperar obter mais que a vontade implícita. Pois há-de
alguém compreender o dito em sigilo? Por vezes, esquecer torna-se o asilo
possível. Pois há-de servir a insistência no que não foi (saudade, ainda assim)? Dormência,
por vezes, semi-doença que se instala. Pois há-de a mente reflectir, quando sempre mente no agir? Um passeio no parque
o bálsamo, por vezes. Pois há-de haver remédio para evitar o tédio duma prisão? Por vezes,
tranquilidade nasce do vento, do mar, da paz que um olhar traz, se na calma absorto. Apraz,
por fim, respirar. Sopra a inspiração ao de leve, a cada passo, novo andar. Oh, pra quê bocejar? Mas junto à entrada
duma nova divisão, o inconstante é sempre porteiro, e não obstante a força de ser, frescura das criações, inventa e impõe novas limitações.
Pedro 22:52
De 3 de Abril, ainda bastante actual:
Nada retorna. Células que se esvaem, e ainda uma mínima réstia de expectante. A sombra de um gajo sombrio por cima da montanha, cuja escalada invertida faz estremecer. Não se vêem caras, não se vêem mundos. Vê-se o mínimo, e alguns tudos pelo meio.. Ilusão. Rasgo de confiança por uns intervalos afora até ao amanhã, que pode ser hoje, dia em que é inútil, porque sempre foi inútil. Dia sem tempo. Ficam os lugares comuns, para que não percam o comum que neles há, outro tanto de inútil. As miragens que passaram. No desespero sabia-se a recta das coisas, com dor. No lume brando, era questão de procurar, sabendo os estados de espírito. Lidar pontualmente, mesmo com a visão desfocada de outrém, perfeitamente sabida e nem sequer um desafio. A visão que vão questionar, como sempre. Mas hoje acabou. Retrocedo para o ninguém, pescador sem o dar conta da próxima pequena ilusão que o queira ser, para nela me aperceber novamente do perpétuo que não quero. E nela redespertar a semi-fúria de estar mal vivo, e me lembrar de mim mesmo, e se sobrar espaço, confiar no eu dos futuros breves, esmagar de leve a antecipação do indesejável. Mas sem exageros, a noção, sempre. Noção invísivel, mas pura. Não é o mais fácil nem o mais difícil. É como se acorda. Se me pudesses um dia entrar na cabeça e ver o que eu vejo. E sentir... Ias perceber tão bem, ias ver o quanto te enganas.
Pedro 21:21
Terça-feira, Junho 14, 2005
Um génio, hoje, aqui. Hoje, acordei génio, aqui, de novo à beira de um alpendre na construção menos construtiva da estrada. Sou de novo um génio, não porque saiba bem ser génio, e não porque saiba mal. A genialidade não se questiona, apenas se finge questionar, é uma sua característica. Acordei génio. Não que dormisse, contudo, só o génio é que dormia. Como todos sabem, ser génio implica qualquer coisa. Toda a gente sabe estas coisas, as "coisas que toda a gente sabe", o que é idiota, pois a genialidade não é um pote de barro numa montra. O que as pessoas sabem, é que há uma montra. Os mais consumistas vão às compras, os outros apenas olham, por vezes. Talvez seja das horas que passam, sem identidade própria. Talvez o analista distante o saiba, de óculos que reflectem as coisas, mal as vendo. Ele sabê-lo-á com a simplicidade de quem não quer saber, até porque não existe, faz apenas parte da minha genialidade. Fruto das horas? Hoje ordenho-me génio, para que amanhã o leite se esqueça num frigorífico qualquer. Hoje brinco sem magia às palavras mágicas da televisão, ou das televisões, para com isto demorar um pouco. A genialidade será mais que isto? Claro que não. Sinto-me o modelo de génio, que não sei definir ou comparar, por nunca ter lido demasiado. Sinto-me, aqui, claro, pois de facto, estou ali. Mas as horas, as horas impelem a segurar esta coleira do cão-génio, a empacotar mais um modo de ver uma coisa indefinível, e que podia bem ter permanecido como tal, uma projecção sem astros. Mas assim dá-me trabalho inútil, como todos os trabalhos dignos desse nome. É aliás o conceito de trabalho: inutilidade aplicada. Mas não aquele inútil a crú, mas sim o outro, o inútil entrecortado pelo som das teclas. O inútil som das teclas, a empacotar esta ténue mentira. Para que o pouco que teve de verdadeiro, que foi um pequeno instante, talvez nulo, se anule. Que seja algo, pois. Reconfortemo-nos no conceito de nulidade, pois esse é um conceito, e tem portanto conforto. Ou teve. Distendem-se ex-bocados de pensamentos sucedâneos, perdendo-se a falsa genialidade de uma linha bem traçada, em prole da falsa genialidade das curvas aparentemente geniais. Olhem só para mim. Um géniooo. Chamarei a isto colina, e vocês vergarão por um bocado as vossas costas erectas de vida, e subirão um pouco. Chamem-lhe demência. Qual demência? Hoje chama-se genialidade, também um mero nome, de resto. É giro, vir aqui dizer coisas, e tentar agarrar-me a uma audácia que mais não é que o analista de óculos, um personagem desenhado com pouca tinta. Como qualquer bom génio o desenharia. Bah. A luz bate agora através da janela da esquerda. É genial, como ela se predispõe a atravessar janelas de vidro, transmutando-se, só porque estão no mesmo lado que ela, para depois brilhar um pouco. É incrível, a forma como a luz atravessa vidros e brilha. É bom brincar aos moldes, com potes de barro, que não são a genialidade. Porque o barro, dura. E por instantes, não tenho de ter medo de me partir. Porque o barro só parte uma vez solidificado. E uma vez bem distinto da mão. Não que as horas tenham desaparecido. Eu conto umas mil. É. E impingir-vos uma mentira vagamente acreditada por mim, é pouco caixinha de surpresas. É mais gramofone, uma distracção com séculos, das que chiam enquanto tocam um disco quase sem distracção. Muito inútil, bolas, muito inútil. Bolas, muito inútil, bolas. Bolas, bolinhas, caem do céu. Haverá um estádio de futebol por perto? Mas sem aplausos? Duvido muito. Porquê usar estas palavras? Moldes. Porquê fingir que constato coisas acerca da minha forma de agir no papel? "Moldes". BAH! Uma puta. Uma puta, sem sexo, e sem falta de sexo. Com falta de aspirina. O sexo é uma coisa que está por aí, e é indiferente em linhas de genialidade, isto é, em mais horas de inércia, em que só aquele disfarce sem motivação de expressar as próprias mentiras como se fossem verdades foi simples o suficiente. Apelos, existem, vários até. Mas a maior parte são mentiras, ou passam a ser, quando se passa do apelo para o concreto implícito que ilude. Se é que ilude, pois não chega a iludir. Chega só a parecer que vai iludir, e portanto resta a ilusão apregoada pela inércia. Porque os verdadeiros apelos, precisam de espaço, e não querem deixar as mentiras sem pensamento instalar-se. São uns egoístas que não querem perder-se na concretização de uns outros egoístas. E fica ali, aquele apelo vago, gordo, a esfregar as mãos em câmara lenta, enquanto se tenta fingir que está tudo bem como está e como não está. Mas é necessário. Estas linhas é que não são necessárias. Mas há os outros todos que as querem ler, e eu lá lhes fiz a vontade. Sou pelo menos simpático, em oferecer o facto de não poder oferecer nada. Para além de umas linhas sem nada. Para além de uns nadas sem nada. Quais outros? Que fique patente que não me referia a alguém. Continuo nos moldes. Na genialidade. Longe de mim esperar alguma coisa de alguns outros verdadeiros. Pelo menos agora, que estou nos moldes. Nos moldes não há gente. Só um fingir que há autovalorização pela arte. E uma monotonia que não pára. Os outros são outros, não são esperanças. O que há é uma réstia de vontade de olhares sem indiferença, não tanto por questões de ego, essas então onde já vão? O passado são andorinhas que nunca voaram para lá do passado. Mais, isso sim, por questões de liberdade, de eliminar o absurdo que é a constante sensação de inadaptado, e que me remete ao silêncio em alturas de fazer barulho. Mas existem alturas de fazer barulho? Bom, existe o querer fazer barulho, e onde ele for um com o agora, é uma dessas alturas. Oh, isso é óbvio. Não gosto de dizer o que me é óbvio. Parece que tapo os olhos, que cedo a explicar algo que me está claro, à ilusão de me materializar num explicador, e não num "whatever's beyond this wall". Mas hoje sou um génio da colina, e daqui vejo tudo. Daqui vejo quem sou, quem não sou, e quem me estou para tornar, em linhas do papel, uma personalidade impressa e destacável, como os autocolantes dos pacotes de batata frita, com uns miligramas de sal (ilusão, claro.. especiarias só no mercado). Genial. Sou genial. É engraçado ver tudo, pois ao menos ganha forma uma visão, na poeira que é a leitura aborrecida da escrita, do acto da escrita e das vontades envolvidas no acto da escrita. É engraçado... Deixa de o ser... E volta a ser, e vive-se no volta e meia, estímulozito de grandiosidade na introspecção, de completude, de ver tão bem definidos os contornos. Esquece-se uma pessoa até, do resto. Qual resto? Pois. Mas sou génio, como uma sandes no prato descontextualizado, mas cada vez menos sandes e mais produto alimentar, e o absurdo do prato não interessa nada. De repente não sei para onde me virar. Este texto entra no âmbito do insuficiente, bom, já lá estava. O insuficiente deixa de ser suficiente, é essa a frase. Farto de um abstracto sempre igual, voltar às horas? Mas agora estava perto de qualquer coisa, nomeadamente de estar próximo de qualquer coisa. Estava perto de fazer algum sentido, ou pelo menos de ter feito. As miragens... E agora falar em oásis... E meter uns adjectivos para me sentir mais eu, mais perto de transmitir a emoção de estar num oásis.. E constatar a repetição de quimeras minímas, e transmitir que estou farto, e palavras encadeadas num abraço a mim mesmo, fictício claro, mas que se foda. Morra o Dantas, que é também como o analista de óculos. Pois sou um génio. É importante ser-se génio. Eu sou importante, já viram? Tenho a importância do que de facto sucedeu. Mas sucedeu alguma coisa? Estava quase a esquecer-me que não. Mas era um quase muito vago.. Pelo menos isto fica bem, voltar a afirmar o controlo da situação. Ahahah. Rio-me de tudo. Estarei a achar graça, ou começo a rasgar a cortina que ainda me separava das mentiras insuficientes que preenchem a insuficiência do insuficiente que estava nas outras mentiras, mas que pretendiam ser consistentes com a mentira que sou eu próprio? Sei lá. Isto se calhar precisa é de uns tiros, de uns cavalos, e de umas naves espaciais. Não porque essas ideias me digam alguma coisa contudo. Mas o génio precisa de papéis não feitos exclusivamente de repetição. Vamos mudar para as mentiras misogéneas, que eu nem sei bem o que quer dizer, mas é mesmo aí que estou a querer chegar. Agora sim, é mentir a torto e a direito. Mas não. Agora com isto ganhei aversão, da verdadeira. Isto é nojento. Mas leve-se à letra, sim. Façam de mim um falso génio no fingir que estou a fingir que sou génio, em vez do eu que não está escrito. Nem aqui nem em lado nenhum. Leve-se à letra toda esta treta. Vivam os génios, e já agora vivam as lâmpadas também.
Pedro 08:29
Quinta-feira, Maio 26, 2005
Arpegiam-se desejos, o acompanhamento uma falsa crença em mim, até que a própria falsidade acredite, e no ciclo da vida se extinga.
. . .
Não sei outra vez de que falo,
não sei outra vez.
Pedro 22:30
Quarta-feira, Abril 27, 2005
reflexão do irrealismo como os milhares o que precede é inexistente numa concepção sem existência mas só aí e o que vem a seguir sabe o que o precede, mesmo sem sabedoria está-lhe nos traços. há traços lindos no planeta. traços que revelam esta mesma consciência de que nada há a revelar. sensações reais de palpabilidade do irreal e outras faíscas milenares esbatidas no fumo da fogueira da aprendizagem, desaprendizagem de afeições solenes e outros mitos mas que hoje me apeteceu relembrar sinónimos sempre reais, mesmo que apagados numa memória branqueada vinhas do momentâneo, dêem fruto sem sumo, nem após
Pedro 02:30
Sábado, Abril 16, 2005
It feels so fucking pointless again. Yet I shall wait for the small moments that are not enough. O mar amaina um pouco, quando sem pensamento se põem os olhos no horizonte. Bah para tudo o resto. Life in jail.. so fucking pointless.
Pedro 18:37
Domingo, Fevereiro 20, 2005
Duas e tal da manhã. Algum descanso, mood de bocejo.. Ora já que não se faz nada, vamos lá olhar pra trás, hoje sem lirismos-complicações.
Tudo é uma prisão, quando se nasce, ou renasce, prisioneiro. E se se fica farto, está-se farto. Estas linhas são uma prisão. Porque não espelham, nada espelha, só reflecte para cima de mim o que nem sequer existe.
Pá, tens que ser tu mesmo. É só partir umas grades. Yap.
Epa não é pêra doce mesmo. As pessoas são muito comportamentais.
Se às vezes posso dizer isto ou fazer aquilo, sei que para muitos isso quer logo dizer qualquer coisa, ou pelo menos, assim que qualquer sinal de insegurança esteja presente.
E há pessoas apressadas, em inquirir tudo, e descortinar tudo. E apressadas em formar conclusões irrevogáveis.
Estar à vontade é poder não ser aquilo que está formado na cabeça dos outros que eu sou. Poder cagar, poder estar calado quando e quanto me apetece, e dizer as coisas sem que estejam a ser encaixadas numa fórmula que diz quem é que eu sou em função disso. E é isso que me custa um pouco.
Não é uma questão de timing, de dizer coisas, nem de estar calado. É uma questão de tal não ter significado à partida. E é também uma questão de não ver toda a gente com pressa, a verem se tal confere ou não com aquilo que é de esperar do mundo, se encaixa nos protocolos certos, se lhes agrada o suficiente. Isto baseado em frases ou acções, coisas tão distantes da "verdade", do eu da mente pá..
Como é que possível fds, ter-se uma ideia tão simples da humanidade? Já viram a grossura dos livros de psicologia? Será por acaso? Para escoar as sobras da fábrica de papel? Dass nº 2.
Parecem dilemas de tótó, não parecem? Mas se calhar não são assim tão importantes para mim. E estão a sair tão a seco, porque sei 1001 coisas que podem estar a pensar. Todas elas erradas, ou então nem todas, fds. Estar-me-ei aqui a defender de algo? Se calhar estou. Tb não sei ao certo.
Mas pá, sei que estou farto de cortar caminhos no subconsciente.. por causa dessas coisas.. sei que tenho só é que dizer e pronto. Pá, mas sei que vou continuar a cortar caminhos várias vezes. Fds, eu não descobri nada disto agora.. É é tudo muito relativo.. demasiado para ter uma solução simples.
Certo é que, importante ou não, custa um pouco a dizer. Custa, acho que mais pela quantidade de tudo que já pensei em associação com isto, pela quantidade de cenas que já tirei disto tudo, conclusões e quê.. É isso que eu sinto negligenciado, quando ao dizer as coisas elas parecem não condizer comigo por saber que dá para estarem a pensar cenas sobre o que eu estou a pensar, sobre a minha identidade. Estarem a pensar coisas, conscientemente ou não.. e sentir-me reduzido por causa disso. Sentir que passei mais uma vez a imagem errada. Perder o à vontade à pala disso porque de repente há dois (ou mais) eus.. o verdadeiro e o(s) falso(s). E sentir-me por causa disso sem valor, mesmo quando sei que ficou mt por dizer, ou por passar, ou por fazer entender. É também como se essas coisas que eu não disse, as constatasse inúteis..
Por outro lado, eu sei qual é a verdade. E é aí que me tenho de agarrar. Posso não sabê-la expressamente sempre, e não preciso de o fazer. Não posso martirizar-me com "epa agora com este equívoco, com este ter-me expressado mal, não fiz passar a verdade certa, e não a consigo ter presente para dizer a coisa que mais se lhe parece". Nop, eu sei qual ela é, não preciso nem devo fazer esforços por ela..
Sei que já estou a adensar, e isso poderia ser sinal de estar a envolver-me demasiado nesta artificialidade de tar a escrever. Mas as cenas simples para mim soa-me sempre um bocado estúpido, não tanto a minha voz, mas a minha voz nos outros. Por causa do que já disse, por soarem sempre a erradas. Erradas face àquilo que eu realmente penso, e que eu realmente era (estou a ser) quando escrevi isto. E que eu realmente sou. Os mal entendidos, sempre os mal entendidos.
Eu já falo destas merdas e de mim nos meus posts desde sempre, se repararem bem.
Sei que para me soltar, preciso de não estar rodeado dessas pequenas merdas fragilizantes, leituras inválidas, tarem a tirar de mim coisas óbvias e redutoras. (E a maior parte das vezes não estão. É tudo complexo.)
Quando às vezes faço uma coisa parva qualquer, nem me importo de ser parvo. Desde que o esteja a ser. É muito simples e com isso posso eu bem. Tenho consciência das cenas.
Só os complexos é que me fodem. Só isso.
Tou a escrever com cansaço já, este tema puxa um bocado por mim.
Fiquem bem, inté [] *
Pedro 03:59
distensões.txt 06-02-2005, 6.04 matina
partir
ir onde não fui? não. saber esperar? em parte, mas não no sentido de espera.
perder a noção de erro? pois, saber o erro sem insistir em ter noção, em ter noções.
alçapões.
o escuro não importa, mas o tactear comporta uma hesitação da palma da mão que se expande, que se agita, treme, treme, qual parkinson subindo pelas partículas todas, pegando-se umas às outras falta de preservativos no minúsculo do ser
conclusão, é o nascer de embaraços embaraçosos, pois nem o foram antes de supostos, é o enfrentar aquilo que não era para ter sido, o aborto espontâneo a falta de crâneo em redor da mente
no abstracto
ou não. são posturas, que passam, que corroem, e as horas que destroem são mais que as horas-placentas que remendam o casco do eventual explorador vasco que exista por explorar mas não se trata de filosofar isso é óbvio dentro do paradigma, dificil é dissecar, imediatizar, subornar o controlo do guarda em excesso atirar-lhe armas de arremesso
cuidado, porque os tiros voltam para trás se conhecermos o conceito de ricochete
apague-se a noção de conceito, o conceito de noção e estenda-se a mão sem saber mais do que a força de ombro
... tudo muito bonito. nada de novo. ora avançando, ...
em particular, fugir às demoras mas sem fuga ou sem consciencialização de fuga pelo menos. há bastante para ser dito mas quando não há não haja sem raiva, e sem obsessão
mas há algo mais neste jogo pressinto ..
sinto ..
chego a um ponto em que apagar é perder é preciso inserir as coins pinbolizar mais mas caramba há um medo forte de que isto tudo pareça um pinball
quando eu estou por cima, afinal.
grunf então devia estar a estar por cima ou a treinar o equilíbrio do lado de cima, ou a furar os tectos do lado de baixo sem passar por carpinteiro pois eu sou mais por cima mas só quando lá estiver
até lá, o comportamental por vezes está longe, qual maçã no galho alto e não estou a saltar estou só a coisar, por vezes e são coisas muito diferentes. coisar é uma espécie de coito interrompido no comportamental do eu, neste caso. saltar seria, se eu fosse o salto, e não me lembro de costumar ser saltos
nem de usar saltos altos
mas alguém quer saber? nem por isso.
então apenas, não saibam se não o querem ou saibam, mas saibam o errado em saber. ou não saibam. hmm só que nem toda a gente me é indiferente, nessa óptica. mas vá, amanhã há pinball com saúde, de preferência
sem perder a razão do sem mas sem ganhar também
Pedro 03:51
where.txt 06-02-2005, 5.29 matina
where am i the fuck? where the fun fuck is the where where could be it, thus waiting for never today sometime tomorrow, maybe.
travelling, dispatch chá chá chá, mar where the sea is there are no roses just sea and sea, and sea, you see?? just sea, see? or can't you see? i only see the lack of light and shadow and both, because the world is made of pairs, disturbingly dissident in the discipline of straightness hatred, emotions, chaos, fire, bored out of hell bored into the smell of putrefaction of soul of dispatching the hole, the body as a whole, the whole body of light. no absence of presence, just dissident feelings of chaos, magma, fusion of sad disorders.
shitty words, shitty non-words.
shitty worlds ruína sem passado, um pouco só, mas olha aí a desolação, pois não, avariado rádio sem travão, um despiste na fonética da céptica liberdade. e mais um, e outro.
há o manter-se a meio gás, e há a fuga de gás que escorre pelas janelas para uma cidade sem plantas, oxigénio que não sabe de onde aparecer para se oxigenar qual água sobre ferida, palavras, hoje, cada vez menos semântica, sempre, e sempre traços de fronteiras conhecidas. olá senhor da alfândega, e vá-se foder, sim? farto desse bigode postiço, dessas tranças à lá aranhiço, não o quero mais constatar, mas, mas
mas?
Pedro 03:48
Nas malhas da rede.txt 30-1-2005, 5.05 matina
Vergar o limiar da criatividade criteriosa recriação do passo passo para ali pulo para aqui junto à distância verdades ou mentiras muita farinha em forma de palavras forma para um bolo que tem sabor a vazio e que mordo por favor ao sistema incolor da dor sem dor por nada na razão sem razão do nada abstracto, abstracto, abstracto, abstracto, abstracto. hoje caí no erro de pensar que se abrisse esta janela do note pad ia ter alguma coisa para dizer aonde quem como, porquê, essas merdas, ninguém quer saber disso pois, é mais que sabido né, é, refrasear frases fraseadas pelo sistema as redes e as malhas das redes e parvoíce quando tudo está certo menos o estar errado mesmo que esteja certo à parte de estar errado três pontinhos inhos pequeninhos a voz quando não existe põe-se a falar sem falar blé nhé sumo tropical num sem-fim de gelo sem fim tropical no nome, mais que isso é lá com as pessoas que definem o significado dos trópicos e seus derivados hoje é repetido e fraco-neutro sem neutrão no sentido do átomo-eu e pouco o faz mas quanto mais o faz a serra de monsarraz? o formulaico é hoje para brincar com os dedos, a sério acreditarem ou foderem se desligo a cena nao desmotivo já que nao motivo motivo não houve a sequência é nula para lá do conceito não é preciso dizer mais
Pedro 03:40
Quarta-feira, Novembro 17, 2004
As andorinhas voam equidistantes por razões de simetria sem razão.
A frase razoavelmente incompleta.
O estigma das labaredas, um intervalo na dor, para que se veja, para que se sinta, e para que arda a indiferença física do todo-carbonizando.
Uma vez em lata, a sardinha é o nunca ter sido.
O queixume extingue-se num rastilho de martírio censurado, um flagelo sem crasso por questões de vocabulário mental.
Esporádicas asserções do seja como for, algumas por acontecer, mas debaixo da língua, o sabor a repetição mascarado de predador.
Uma voz quebrada pela continuidade de quando dá voz ao simples..
Complexado pela polifonia de um simples sem harmónicas.
Uma distância não fixa, mas para lá da cartografia.
Fim aos enredos sem história, universais em geografias sem mapa.
Destroços mal varridos, para que estale um novo princípio-fim.
Pedro 02:02
Domingo, Novembro 14, 2004
O facto é que algures pelo meio, houve paz.
Uma paz em conformidade. Quase contínua em larga escala. Uma cabeça com cabeça.
Parece-me que o caminho pendente da guerra é irremediávelmente sinónimo de derrota. É derrotista também, daí esta frase. Mas constatá-lo é sinónimo de derrota.
Brinque-se pois aos crescidos da argila estética, numa tela de simples sobre uniformismo, vestido o uniforme da arte-arbusto. Selvática, essa tal de natureza. Vamos estar encaixados mas com um olhar arrogante para com as plantas.
Pois as tintas são a palavra-labareda na chama da pseudo-simbiose sorridente, e a tela a falsa consciência, mas verdadeira, pois natural. Elos portanto que só existem supostos, mas que unem até na desunião, isto claro, a um grau de focagem suficientemente desfocado. E desde que se saiba supor.
Os elevadores no prédio sobem e descem, mas sempre na vertical. É essa a guerra deles. Mentiram-lhes os cabos e as roldanas. Mas para eles, verdade ou mentira, a mentira não importa. Há uma guerra para travar.
O pior disto tudo, é o fervilhar das partículas. Atestadas de guerra. Pequenos explosivos que obedecem a sopros sem guerra.
A paz ali fora, à margem da fuga eterna. À espera de si mesma. Mas a paciência é um desconsolo disfarçado, não há botão de pausa.. a guerra, os explosivos, os desvios, os não-desvios, principalmente estes..
Hoje, nos últimos hojes, nos próximos hojes, espera-se em sinusóide de paciência sem paz.
Pedro 21:10
Perseguições
Dói-me o sangue
de alguém,
paralítico.
Não corre,
não morre o mítico
em alguém.
Há também
uma floresta
sem luzes de festa,
com feras
virtuais.
São meras
mentiras
existenciais,
que miras,
nada a mais.
As feras são lentas
a encurralar-me nas vertigens
que me lembram as fuligens
de chaminés do desespero
sem fumo, semi-tormentas
que assumo placentas
de um novo que espero.
E voltar a subir?
Na hora em que os passos
são sinónimo de cair.
Descendentes compassos
de espera. A crença
não existe, só traços
de uma regurgitada desavença
nos estômagos da ilusão,
gástricas fábricas doentias
que produzem falhas no chão,
desequilíbrios. Sem acção.
As mãos da verdade ficam frias.
Os olhos das feras, e lá por trás
os olhos de alguém.
Pedro 14:04
Domingo, Outubro 31, 2004
Então e agora?.. Pergunta muito repetida, e ei-la uma outra vez. Pergunta que esteve para sair e que não saiu. Sai agora, quando por repetição se erodiu o absurdo inerente, o complexo do de antemão código penal vigente, no Estado da transacção de meias-verdades, mas sólidas.
As pessoas sabem lá do que falam, as pessoas sabem lá ao que se referem. Mas falam, e referem, e pensam no imediato. E fazem-no guiadas pela voz de um uníssono-miragem, em conivência com a vassalagem pelo ego prestada.
Somos todos iguais. A mesma merda. Metam isto na cabeça, e tudo vai perder aquele véu de falsidade transparente.
O teatro só morre de vez quando não houver actores. Não basta fechar os olhos, pois que de representação não padece a arena.
E já não sei se estou a fazer sentido, no mau-contacto dos fusíveis da alma-verdade.
Fique a dúvida, mas de luz apagada.
Pedro 21:17
Sexta-feira, Outubro 15, 2004
ehytg'43 tg yj54'j9 tw' 'yhgu54' uh54uyhgki4wytg090 0 ki43t o0rito9g4p'yige'shg03 it40354'6t 543 yt45y9490
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t 3yhg0 4t3 0430t0t00400t0t04t4000t4'0t40'
Então e: morte morte morte, sangue sangue sangue?
e já agora estrelas luz, luar, céu brilho blablablablablablabla é isso tudo.
O importante é tentar ser rebelde e partir as coisas. Claro. Que óbvio. Que sim. e´tg er tg
43tg ´«
543t 540 «y 54y h
3 'ytg 3ytg4w5 4w 54 t54
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yt 54' ytg45 yg654'yho65'eyuh65oeyho65euo 450w« 6t546t 3«'«5 ro40'5t y540 yh0«4 w' 5yt'54 v'4564 ' 54yiog654'uho65w«uho«65yh 65yh «
Líxivia aqui em doses do caralhão grande.
Vomitar vomitar vomitar vomitar, morrer. Vomitar.
gHGEr 34h 3
Sim, tanto ódio, ui. E imaginem agora a ouvir Bach ou Chopin. E a partir tudo! Mesmo à descontrolo sem nada e sem a haver com.gkreher+
hhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Porque é a música do partir tudo em todos os sentidos. E talvez faça sentido.
Mas só para quem pensa que percebeu.
bis, bis. Outra vez: gjhpejrhop eatg 43'yug 43' tjga w«ti2~~«2t5~«2t«32~5r9 AQ«3OTG'
«RFG5R0O«4'TR 0F43'T 043 T543 43
T F
´543YG 54Y54
YHG54 54 PYG54EYTGA4EQ
T #IO0T43~'
pLAYStatION num BloG perto de si
amor amor amor amor amor amor
fraldas
uma homogeneidade de homónimos heterogéneos.
Já tou a picuinhar! E partir tudo? bahhhhhh
ctéria!
Na artéria!
Bem, perdi a vez. És tu, vá.
Já podes.
E vais fazer, e pronto. Vamos todos em fila nas direcções opostas. Mas sem exageros. Só de faltas de.
Toma o joystick.
Pedro 01:21
Quarta-feira, Outubro 13, 2004
Umas repentinas pequenas coisas para dizer em pequeno:
o dia sem neutro, mas tambem sem resolução de definitivo. Umas pequenas ideias pensadas em pequeno. O desconcerto do concerto de primeiros andamentos, asfixiados sem neutro, mas tambem sem resolução de definitivo. A repetição vagueia nas sombras. Uh. Muros que se erguem sem mais construção que o acto de erguer.
Erguido. O algo pode. Segundo andamento. Reminiscências do ordenado, da ordem de desordens sem importância nesse aspecto, com elos. Esquecida a incerteza dada como certa, agora as pequenas certezas incertas em que se gere, com cuidado para não exagerar nas telas-monitores, pequenos gestos para gesticular em pequeno.
Insignificante. Mas com razões.
Outros vão fixando noções verbalizadas do concreto sem verbo, mas nao forçosamente menos assímptotas.
Alguma confusão e por fim algumas coisas para dizer sem presença, cascos para remendar, a superficie-onda a parecer aflitivamente menos distante numa calmaria aflitiva. As gargantas de uma tripulação zombie sedentas demais.
João Bosco e o formato quase forçado dentro do diferente por somatório, mas pretensão não me parece.
Bastante confusão. Nota geral, de momento. O produto externo do interno do externo, com o externo, interno produto de vontades com existências sem dúvida.
Algures ainda, um rosto. Em lista de espera sem espera verdadeira, numa espécie de infelizmente esborratado pela falta de verdade em tudo enquanto parte. De um eu sem mim, mas nao é sem mim que me encontro em sítios sem desilusão no bom sentido, ou médio. Nem se pode perceber bem. Mas é para lá destas palavras, e para trás ao mesmo tempo, pois sou um eu sem mim, mas esta conclusão é rodeada de falsos olhares descréditos, ou mesmo expectantes de uma repetição, independentemente de primeira, segunda, ou etc, que lhe anexe a razão.
Nao sei se me faço entender. Por outro lado, sim, não. Mas por outro lado sim, deste lado, mas só nos intervalos da confusão e ainda do resto assexuado no tempo. A confusão sao duas, distintas. A formatada, e a carregada de oposição sem opositor.
Compositor do sono e do ali. Com repentinas pequenas coisas para dizer em pequeno, tentar nao esquecer. Ou tentar esquecer. Nao sei o que deve e o que não deve, só que nao acontece num plano de pessoa enquadrada num quadrado qualquer, que pode até ser outra forma. Frases de medida nula, mesmo que não, e pode até ser que seja indiferente. Uma diferença de medida nula.
E após os ligeiros alívios e recargas (olhem um), o tal esquisso de dia-a-dia com traças, mas pouco traçado e que perdura aos bocados, volta e meia. Sempre que pode o que não pode, aparece aqui. Mas isto é para não pensar como em mais do que uma coisa para pensar, daquelas que preenchem os de repentes de alívios e recargas referidas, mas que morrem por aí. Um pensamento tem o seu tempo de vida, com ou sem traças, e pode morrer muito doente, ou são e indolor.
Em termos do hoje, pensar demasiado nisso seria forcar um ridículo engasgante. De asfixia pura e impura. De destruição celular e fotocelular.
Vou então compor. E recompor. E essas coisas que aparecem nos fins.
Pedro 05:22
Terça-feira, Outubro 05, 2004
Algo que está perdido, pelo meio do costumeiro, algo que nunca esteve ganho, pois claro. Pelo meio do costumeiro, uma sensação de derrota, hoje leve. O desvio do cansaço sem sensação. Um cansaço do sem nexo da prévia, por vezes emaranhado bolorento, por vezes mera pasta grudenta.
Falando em sensações, uma ténue chama brilha numa vela impossível, mas que verte a sua cera em gotículas amigavelmente corrosivas. E eu sempre perdido em termos de espaço-tempo, labiríntica física do pensamento. Surgem esboços de incertezas para preencher o vazio de certezas, e apagam os desenhos que nao se pintam.
É portanto ridículo falar nestes termos. Mas vou fingir que não faz mal.
Na horizontal, minimamente equilibrada.
Pedro 02:34
Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Porque nos recantos que se estimam refúgios, toma forma a forma.
Os clichés pairando num céu pouco descoberto e o simplesmente, perdido entre o sol e as nuvens.
Que sim.
Na escuridão, o espaço priva-se de brilho, a esparsa sensação dispersa num uniforme uniforme de mudez.
Vozes que ecoam caladas, vazias excepto de ecos, do ponto de vista de quem ouve.
Desterro falso e inutil constatação, o seguinte segue-se sempre, cega-se sempre.
Demência inútil em circularidade pouco adiabática numa cidade diabética de guloseimas sem sabor.
Pedro 03:03
Segunda-feira, Agosto 16, 2004
Das cinzas emerge Conan, enegrecido pelo óbvio negrume exceptuando o olhar vencedor, distinto da vitória contudo, uma mera fatalidade recheada de força injectada sem dó pelas agulhas do Nada-combustão.
Melhor que nada.
Ou mau como tudo?
O fio que sabe que tem de passar pelo buraco da agulha, ou a luz que passa pelas frestas disponíveis e pronto. A chama pré-extintor, ou a fogueira agradável de Inverno. Labirinto sem saída, mas já agora liberta-se-lo de umas paredes.
Vidas, ou semelhante.
Pedro 14:32
Terça-feira, Maio 11, 2004
Não achas?..
Tendência minimalista, é que eu não sei, :|
Escondam-se, escondam-se vem aí o metropolitano das coisas, etc.
Frases perdidas, refrões a meia voz, mas não penses que sim.
Ah, e a súbita vontade de rir do isso. Pela parvoíce? Pelo que não te disse?..
Radiografia à mente, é isso que eu queria/precisava, objectivo de vida? Só a menos de um resto. Preencher, fazer de conta que zero?
Açúcar ou limonada?
Qual? E tu? (o chamado círculo do post, se não foi visto, se foi repita-se, em letras gordas, ao contrário de umas outras)
Cântico incógnito por trás, influências exteriores ao interior de exteriores, mas interior ao exterior dos interiores de minha pertença, algum sol, já que vamos nessa onda, onda.. praia? Olha, não, mas era bem, num talvez. Nunca no Gerês, mas rima. E isto nem é a título de hehe, mas está. Então e você, caro ouvinte, caro seguinte, de uma fila qualquer, neo-fragmentos, acha que vai dar valor, ao sem-valor? Eu não acho, porque sou mentiroso, ou acho porque sou venenoso numas veias que não sei bem de quem são, mas acho que nenhuma. Ou meias.. Yin Yang por exemplo, mas isso são imagens tão pouco descritivas, se é que sim. São para estabelecer pontes, em primeiro lugar, com o ego, em segundo lugar com o consciente, semi, sem nenhuma ordem. Yin-Yang? Círculos, porque a vida é um ciclo? O porquê outra ponte? O açúcar é doce. Ponte? Hmm Estou a estabelecer paralelismos suicidas de conteúdos..
Recta final parece-me. Apetece-me? O quê? Pois, o problema agora é esse.. Encontremos de novo o espontâneo da decisão, com ou sem cérebro, aí numa esquina turtuosa, que nem uma viela, abusos de notação, hee, afogue-se o espírito em não-líquidos indescritíveis. Na dimensão do dito, leia-se. Estou a fugir das meias.. Encontra-se um todo substituto e sempre detentor de parcial, ou nulo. Não..
Cai mais uma ponte.
A nós o esplendor da Engenharia da não-Engenharia intrínseca à Engenharia..
Seja o que/como for, tem de ser complicado mas simples. Com muitas pontes, mas nenhum rio. E vice-versa, mas que conversa, hee, rima-driven, oceano de metano num planeta sem química, e vice-versa, hee
Dói-me a cabeça, e daí até não, será que ir atrás da visão desfocada, fotografia tremida, tempo de exposição elevado, aprendizagens, não destrói o dito do não-dito? Ritmo. Existe arritmia? Batida-driven, irregular regular. Meaning? Sim, mas excesso de assumpção, então não, naa, olha que não. Então?
A pergunta presunta, a resposta chouriço-imposta, para terminar sem ou com.
Pedro 12:40
Terça-feira, Abril 06, 2004
?
Pedro 13:17
Segunda-feira, Março 29, 2004
Sandes com Planta, um copo de leite. O conforto desconfortante de um domingo, a altas horas. Algumas palavras, frutos do silêncio, e névoas-recordações de pessoas que falam comigo por imagem, sem dizer nada. Dizem muito, contudo. Dizem que de vez em quando nos cruzámos, e que de vez em quando nos inteirámos de existências exteriores. Passo dois, interacção, com mais ou menos 'inter'.
A leveza do passageiro, com a sua percentagem de melanco-rotineira ordem das coisas.
Os que percorriam os corredores estreitos mas compridos, oh, nunca mais acabam? Encontro alívio no passado implicado.. Mas figuras marcantes, e momentos dos tais. Os malucos de agora, e os menos malucos, corredores menos estreitos, e agora não interessa o tamanho.. Pouco interessa de facto, só pontualmente se finge. Uns sorrisos momentaneamente dispersantes de restante, umas brisas de bem-estar auto-justificado, e pouco mais. Ainda pequenas ambições grandes, com suspiros pós-sonho. Coisas.
Será para isto que se aprende a aprendizagem? Sanguinária reflexão sem sangue, consanguínea da putrefacção? Ou refinado baú de ouro, jóias, estética consciente de inconsciência? E dou por mim no erro do porquê.
Respostas sem fórmula é inimigo na tecelagem do caótico simples que somos.
Então porquê que as procuro?
Pedro 02:31
Sábado, Março 13, 2004
Epílogo: Passou-se mais tempo.
É, as cenas arrastaram-se mais uns centímetros. As mangas têem saudades dos trunfos e eu também. Ter mangas sem trunfos é uma chatice, mas a qualquer momento eles hão-de aparecer de onde nunca sairam. A colectânea de misticismo monga à la Paulo Coelho porque sempre esperou à venda nas bancas. Mas o que é facto é que não há trunfos nas mangas. Que fazer?..
Hmm sumo de manga?
é hé hé
.
Prólogo: Vai-se passar mais tempo.
Pedro 01:19
Terça-feira, Março 09, 2004
só anúncios, dass
placares aqui, ali e ainda pequenos chavões entremeados
aproveitar buracos de processamento, gerir, gerir
duas vertentes: o grupo de gente que faz e que é no fundo obrigada mesmo quando não, instinto de sobrevivência, e a outra vertente - larga escala, necessidades atendidas, no quando do lucro claro
e coiso e tal
moldes de pessoas, pessoas-bolos, pessoas-fôrmas, meio sim meio não
o suposto artificial não deixa de ser natural, mas isso já toda a gente sabe
o problema, caros, é a tendência..
o problema é o espírito que, descrente, se agarra a si, enrosca rebola reverte, mas sempre no si dos outros.. uma espécie de si bemol
luz, tudo o que ilumina cega
fechem os olhos por um bocado
e entretanto as cortinas de pano sem transparente já vêm, às tiras
já nem sei bem o que é a palavra global
e a visão, nocturna, diurna, no casebre-máscara da ausência
ser sistemático faz parte do sistema
o defeito está na mente?
o defeito é intrínseco. boa.
pimpimpim defeito pimpampimpompum
zagzagzag
perceberam?
espero que sim, apesar de não existir essência antes da dita
portanto espero que não
caos contido, caos sentido, caos consentido, caos com Tide
é que, "lava mais branco" :)
pequena vaga no mar de anúncios
vaga sem vagar, por favor, mais devagar,
já não há mesmo vagar
mas estou-me a marimbar
:|
sobremesa, sobre a mesa, sob o tecto e o olhar indiscreto
de quem se diz perdiz do céu de vidas, passos rasgados,
interrompidos,
contínuos na sua interrupção, mas inconscientes, contentes,
o dia-a-dia faz a opinião
vida sim, inteligência não, ah, biologia, que mania
que tens, essa de ter manias.
yep. o ponto é aquele.
that's my point
e pelo meio as palavras pegaram no volante do veículo das palavras
seremos mais que engrenagens sem meta?
vai uma pergunta obsoleta?
oh bolas já foi
eu também já fui. isto hoje ficou esquisito
não de denso, como às vezes, mas de esquisito
é. esquisito é a palavra.
correu bem ou mal?
olha, esquece.
Pedro 21:54
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Volta sempre tudo para trás, o significado é um nome que se dá aos devaneios 'inner-psique' que fazem lembrar cadeiras de baloiço.
Estas palavras também não querem dizer nada, nem eu.
Tudo de tal modo irrelevante, no âmbito da formalização.
É que julgamos mesmo que por descobrir uma veia do sistema irrigador das ideias e do pseudo-intelectualismo, esta desagua.. e num jacto-geiser buscamos o fim da veia.. mas todo o sistema é circular, que óbvio não é? Mas então para quê?
"Pratiquem-me eutanásia" --> o paciente-Razão na clínica do Fútil.
"Isto faz-me lembrar Zen.."
"Mas Zen não é uma recordação.. Nem sequer é 'recordável'."
"O que é o Zen?"
Simplesmente, párem.
Desenquadram-se com tanto enquadramento.
Que importa o Zen, o Papa os Bispos e a dona Religião?
Não importa. Nada.
"Outra vez?" --> Expectante analista, com barba, senso comum e senhor doutor da performance masturbatória e criteriosa dos 'inner selfs' - Mas sem crítica. Elogio seria, se fosse útil sê-lo.
Fim de repetição. Fiquem atentos à próxima, porque novamente não terá interesse.
O perpétuo não morre por causa do Ímplicito que um alguém ninguém lá pôs.. Digo eu.
"Épá..." Se calhar o melhor é ficar calado.
Pedro 22:35
Quinta-feira, Setembro 04, 2003
As almas são meros atrelados de um sólido disforme que rumina vontades e angústias sobre si mesmo, arrastando-se para superfícies untadas de bem-estar, temperatura e consciência. Uma pastosa forma de banhar as ânsias, afogar as razões. Pasta essa, derivada dos outros sólidos, aglomerados num pretenso acordo implícito de amizade, amor, e outros adjectivos fúteis, garantindo a sobrevivência de egos-hélices responsáveis pela efusão interna. Personalidades mais não são que impulsos amadurecidos com os anos, folhas do caule que foi a infância, utilizadas para dissimular. Conversas, trocas de rastilhos, expectativa no ricochete. Satisfações via disfarces, um baile de máscaras em que se aprecia discretamente os esplendores de outrém.
Capturados na dança, sem terra firme sob o pé, até não haver mais braços.
Falsos castelos na areia, desmanchados quando se muda de praia.
À formulação dependente de contexto condenada espécie humana.
Pedro 01:33
Domingo, Agosto 31, 2003
..por aqui também não, para onde? paredes e mais paredes..
Estou-me a sentir encurralado. Numa liberdade sem graça. Posso fazer tudo ou não fazer nada, mas e o que se segue? Ali antes do próximo esquisso de distracção, cá estarei rodeado de paredes. E agora sinto-me agrilhoado, completamente imobilizado. Mas não estou sequer a reagir, parece que caguei sem reflectir, instintivamente, mas que força será esta?
Não importa. Nada importa.
Quero ficar aqui sentado e quieto sem vontade própria, quero não querer. Só me apetece chorar, mas nem sequer estou triste, menos ainda desesperado. Estou só assim. Sentado e quieto. Zero gramas de vida.
Mas que cena mais deprimente que eu escrevi, eu sei. Mas não importa..
Pedro 18:13
Terça-feira, Julho 08, 2003
Uma ferida antiga reaberta, redescoberta.
A melancolia depressiva plena de rancor sem direcção jorra pela crosta fora e esbate-se no árido deserto de vida, e crispa as dunas que sopro e revolvo, e enrolo-me nelas debatendo-me por um oásis que não está dentro delas, mas sim para lá. Sim, vejo-lo, mas agora a areia tapa-me os olhos, concavidades da Estátua-Sem-Pedestal, e esfrego-os e esbracejo porque sim, porque o manda a Cruz-Perdição da sinuosa sina, malfadado fado (de luto fardado fardo), foda fodente. Renego a Bandeira-Identidade, cuspo, conspurco, um futuro inexistente nos futuros escritos do Futuro, a consciência disso, logo mais rancor. Mais azedume. Mais... mais... e mais, e mais, mais mais mais mais asmdimaimais miamsimam ifs amimaimsia msmia imgfanregv paj04au93r'%$68t%$T%%R&T=I RFOGO$EOTGKOSTRHBtr
Sim toma lixo, sangrento, sim, estúpido, sim, não quero saber, fodam-se.
Hoje sou básico e quero-lo ser. E todos seremos básicos. E tudo será melhor porque seremos básicos. E à face disto, onde estão os discursos, as pseudo-importâncias, o apego, a paixão? Morra o Dantas. O cabrão do Dantas, o filho da puta do Dantas, esse caralhete mal fodidete do Dantas, e é tudo. "Vêem? Falta de.." Engole os teus argumentos/frascos de conserva. Eu NÃO estou a discutir. Eu não quero discutir. Quero que morras, amarrado, submerso, preso a uma cadeira, com a cabeça de fora para respirares, e com uma piranha a devorar-te aos bocadinhos. Aos cubos, e não migalhas de ti. E a moral-escudo que pavoneias recursivamente também.
Embora não tenha saído do mesmo sítio, numa verdade que me é mais verdadeira faço explodir tudo em redor com um estrondo tal que todos os tímpanos de habitantes terrestres se transformam em torneiras.
Uma síntese de 'imaginação/nuvem de ácaros' pestilenta.
Pedro 22:23
Sábado, Junho 28, 2003
Fiz aqui uma pequena rusga mata-segundos e arranjei dois ou três ex-tópicos blogáveis, source is #demencia:
'a mentalidade das coisas é uma que não perdoa ao garçon se este não tiver trocos na caixa do protocolo :D'
'dissabores do envelope-desejo'
'O crepuscular oscilando a que estamos sujeitos em toda a extensão do tempo do verbo'
'(@davanita) o sexo é o ópio do povo social'
'O solene culto do Nós. Sempre.'
Pedro 18:41
Poderia começar este post dizendo (apenas?) que sim, poderia enveredar pelo Tudo da acepção insólita e deprimente que imagino em sonhos que qualificam a fina película do real, com uma certeza ingénua e rompante, detergente da mancha-trepadeira nociva para a razão, túmulo do perpétuo ruminar-ensejo da Visão, míopes ad-hoc, sim, e depois, ouvir luzes, ver barulhos, refutando-lo qual agente reflexo, sem plano esquemático, sem esquema rimático, nos versos do hoje e do ontem, degradando o Momento para uma eternidade finita, poderia até nem sequer o começar, não o escrever. Evitá-lo. Ir até ali, fazer aquilo assim e assado, num gasto entretenimento daqueles tais, ou..
"Evitar-me? Não o farás! Precisas de mim, tal como eu de ti."
Conclusão precipitada. Sou senhor dos meus "ais" e dos meus "uis", posso inclusive apagar-te quando me der na real gana. Escrevo-te agora, de rajada, e escrevo-te mais logo, aos poucos. Ou não te escrevo. É tudo plausível.
"Sabes do que eu estou a falar. Essa obsessão crescente, a olhos vistos, que te arrasta para um inevitável sem que pressintas a corrente antes de vislumbrar a foz. Aquela lei da física, sabes, a velha história.. Velocidades constantes, o passeares-te dentro do Boeing hipersónico,.."
Escusas de continuar. Sim, ele é isso tudo. Eu, um imberbe jornaleiro aos encontrões na avenida da não-liberdade psicoemocional. O pára-sol a voar ao longo da costa, enrolando-se em si mesmo, enquanto o despreocupado dono eventualmente se afoga ao largo da Caparica.
"Pois.. Reconhece-lo portanto. Eu sou necessário."
Não da forma como o colocas. Mas sim, vais ser um post. Porque me apetece.
"Porque precisas."
Entende como quiseres. Eu farei o que eu quiser.
"Claro, claro.. Que previsibilidade. O menino quer-se agarrar à sua pretensa puberdade e enaltece-se ao estágio da decisão. Protegendo-se de uma ameaça que está em si mesmo. O míssil só explode na matéria, nas muralhas, nas paredes."
Estamos portanto em busca de pontos fracos? E que guerra é tua?
"A mesma que a tua.. A dos olhares aos quais queres atribuir almas-juízes. Cujo único desígnio é avaliar-te. Despir-te, e enumerar-te as fragilidades, os fracassos espirituais, os ossos sem cálcio. A escassez de desmembramento."
E no entanto, sou eu a sua fonte.. Elas estão alojadas em mim, e em mais lado nenhum.
"Como de resto, tudo o resto que para ti é algo. O raciocínio actua ao nível do parasita."
Estou tão surpreendido.
"Eu sei."
......
Menti. Desco agora do palco do circo. Não houve novidade no desenlace prévio. Só deixei a tinta escorrer, e fomentei-me um pouco. Por um momento estive confuso, confesso. Por falta de clareza, as betoneiras a funcionar e.... as outras, as que tremem, :\ Findas as obras, reposta a certeza de que há um Outro inexistente. Porque nada nem ninguém me lê fora do âmbito do parasita empírico, e sob o qual exerço o controlo derradeiro. Custa-me por vezes, sede de falso poder, mas sei descer do pedestal de ilusionista, feito de nuvens, e revolver em busca do Não solvente de interrogações melodramáticas e redundantes.
Sim, este blog é só lixo por varrer, substituto da expressão íntima e palpável, apóstolo da oração-cisterna. E contudo, neste bocado de aura existencial, foi. Era isso que buscava: descortinar-me com verdadeiro puxão de cortinas, rasgar um pouco, independentemente dos olhares secretos, que se ceguem todos, spit on them, puá.
"E no entanto, estarei aqui, para a posteridade."
Pois estás.
"É a tal força que te impele."
Pois é. Estou de novo súbdito do apelo exibicionista. Mas, não vamos recomeçar. Parece-me que é uma questão de parar relógios. Abrandar os ponteiros, e usar a borracha no lápis dos impulsos distorcidos.
"Talvez.."
E no entanto, vou-te manter.
"Eu sei."
Não sabes. Vou-te manter, porque de nada me serve apagar. A indiferença não conduz à prova de si. Conduz à indiferença. Há bocado, foi o que foi, esvaí-me, flui, alevianei. Pronto. Vou-te agora postar, resultado.
"Porque argumentas então?"
.....
Estou farto!
Mas que tens tu com isso, afinal de contas?
....................
Pedro 00:55
Sábado, Abril 19, 2003
Ou talvez nada.
Próxima paragem - conformismo e sono. Ergo-me e prossigo.
A vida nunca esperou por mim, porque hei-de esperar pela vida?
Por agora, sonha-se e chega. Bed time!
Pedro 04:04
Sexta-feira, Abril 18, 2003
É tudo um grande comboio numa paisagem de estados de alma.
Ontem, padres da liberdade e do simplesmente impingiam-me que a Salvação estava no isolamento. É capaz. Na minha condição de ateu a tempo inteiro, rejeito. Deixar que as estrelas brilhem? E quando elas nos fitam penetrantes, corrosivas, focos de distância e holofotes da insignificância, porque não reflectir o ténue? E beber do brilho, embriagarmo-nos com tudo (não só com álcool)..
O uniformismo é uma hipótese, não todas. Espiritualismo sim, mas o resto também. Impotência, pequenez, e outros romantismos fúteis, são traços do auto-retrato, fugir da condição humana seria razoável?
Sinceramente, não sei, mas também interessa-me afinal de contas, ou não sou eu um mero atrelado do que tem de ser, com sacos de farinha e aveia e coisas para empapar e fazer receitas de um livro imutável e atirá-las ao solo, aos animaizinhos cohabitantes da inutilidade suprema da cruzada do sustento físico e psicológico, do amor-próprio idiota, sentença de morte à auto-crítica e à auto-competição, do refinamento de toda a engrenagem que nos permite a evolução, o progresso, análise mais e mais profunda, sem vertigens de um abismo que tem de ser caído, metro a metro, e embater com o máximo de violência, mas sem sangue nem miolos a voar, não, só com afinação ininterrupta dos passos no solo arriscado de vicissitudes mil. Inconformado, eu? Ahah, não, ligado. Como o sol ali fora a agredir-me e ao meu cantinho escuro (heh). Mas vá, tanto faz.
Gimme a break..
E um segundo dia de férias, submerso numa estaticidade crescente. E repetida. Assassina um pouco o pretexto destas, não fora a conotação ser ela própria um alívio. O que é meio estúpido. Especialmente tendo em conta que nunca mais pus os pés nas aulas.
IRC ligado, hmm por acaso agora até não, o som, este sim, e já agora deixa cá ver se os tais.. Alexis, yep era isso, o quarteto dos três elementos. E aproveito e atiro com uma lista de nomes-jazz, semi-lacuna em quantidade para o que me apetece, e cuja procura vou pondo o kazaa a processar, e..
e...
Dei-me a uma pausa, bilha de oxigénio, major tom to ground control, i can hear you ground control, tou-t'ouvir, e pronto! Pretty much empty now, undressed and skinless, void man in a void world.
Não se encontra nada dos Alexis :(
Talvez mais pela calada..
Pedro 17:56
- bocejo -
Espantoso. Como a multicolor multidão de dias converge para este mesmo início, não restringido a nenhum tempo, nenhum espaço, zero, só à transição do comando, do sub para o consciente.
E como nunca me tinha apercebido tão bem.. por mais óbvio que fosse, não mencionado, por mais natural, não insignificante.
E, tal como este parágrafo que acabei de escrever, paralelo e autónomo do texto que o precede e segue, em nada a mão no barro, apenas. Mas necessário.
Findo isto, o dia abate-se sem estrondo. A meia vontade de ser, de estar na vida, mas completamente difusa e atrapalhada, glóbulos-balões de consistência sem alfinetes, o chá matinal, ah que bem que sabe, é congruente na medida certa. Não tem o sólido, faz pensar que fura a fila para as veias e dá fluidez ao sangue-rampa do activo e reactivo.
Bom, começo de férias, uma ou outra volta à pista, tudo igual. Também, era de esperar. Uma leve brisa de monotonia e o tempero do clima pré-verão. Alguns loops mais, e dou por mim precisamente aqui, nesta linha, onde vocês (ey, tu aí!) estão a chegar agora, empurro o cursor com bocados de côdea mental semi-mastigada. Alguns backspaces. Falta pontaria para o definitivo..
Enfim, está na altura de ter 1 blog. Acho que de vez em quando me vai saber bem, chegar aqui e zás,...
e por ora está desembrulhado. Aguardem, que mais exposições de pequenos nadas-tudos-algos virão, conforme ditar a lei que me impulsiona o súbito.
e ir assim sendo os quadros de mim..
Pedro 00:28
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