///o meu cantinho EsCuUUuUurO......///

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Mais distensões de mim:

Outros que tais:

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

E no entanto, há as que teimam em ferir os olhos e a alma como um sol perigosamente próximo. Um exemplo. E faça-se erguer o volume à altura de as suas chamas.

Pedro 22:02

E, se tivesse que explicar
algo acerca de mim,
se houvesse algo, alguma vez,
que tivesse que ser explicado
aqui, ou noutro lugar
em que o desafio serve de estímulo
temporário
à ilusão
de agir,
em poucas palavras
tentaria dizer
as muitas palavras
que se iriam formar
em torno das palavras
que o não sabem dizer.

Sucinta e fugaz melodia,
aquela de tantas músicas
sempre diferente e a mesma,
uma que convida a acompanhar
o acompanhamento que é essa melodia
no seu convidar-nos a acompanhar,
aquele som que tinge de atenção
o coração que era latente
no vago latejar do seu tempo,
nuvem fria sob o sol quente,
sim, essa melodia que sopra
e destapa a nudez, o sentir,
faz lembrar aquele casamento
da ideia de ser - não poder -
com o misto de querer com tentar
- e sofrer - .

Sons na mente, solene projecto;
como qualquer melodia, mente.
Um trajecto perene,
o ocaso.
O cérebro,
um corredor de distâncias
veloz na partida
e rápido a cansar-se.
E assim castelo
se sucedeu a castelo
num reino de cartas
sem remetente,
que é o nicho do sonho,
o sonho de um nicho,
sonhos e nichos,
confusos,
difusos,
desusos.

Me abstenho de novo de ver
- abro os olhos -
e a noite é pálida como uma criança,
e o dia é tórrido como sempre foi,
e andar cansa como qualquer dança
à melodia que cessa e avança
pela orquestra de não haver tema,
pelo horizonte de aqui
e os traços rasgados de ali,
longe como os nervos estão perto,
um longe asfixiante,
cortante,
como a navalha
que estralhaça o mapa.
- "Poisa lá a mala...
É hora de desistir outra vez."
O desertar à missão
que é o deserto,
sempre perto

e a languidez arenosa
de perceber que das notas,
que do requinte do trecho
se espalha ao vento a beleza,
ficando só um tinir oco
que é informação
vestindo uma túnica
proporcional
e seca.

Do mistério da miragem,
da complexidade do novo,
a mera ortogonalidade
e um sabor a sangue,
pouco.


Pedro 21:53

Sábado, Agosto 29, 2009

an inner trial
liberation of the presence
does but provide frail contents
and the colors dissipate
torn photograph
thin arms stretching their hunger
from within the bars within
...love's sentence...
the heartbeat, pounding
the rhythm of yearning
aging rhythms of life
sound and anxiety
oh, suspiration
the lesser smile of acceptance
flapping doves high above
grace over the turmoil
when the meaning fades
factories shutdown for the night
clouds are shades in the night sky
pollution disperses slightly
the eyes sleep
soul bathing in a puddle
swamp of the persona
remainder of coffees
and unsure will


Pedro 00:35

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Retorno à grandeza;
reviver a grandeza;
ter algo em que firmar um encosto à turbulência do presente.
As glórias já sonhadas,
do ontem um hoje.
Acreditar ou desacreditar?
Dilemas do dia, dilemas da noite.
O tempo que passa no peito.
Tacteando o subconsciente,
à consciência penando,
dorme-se de viver,
sofre-se de dormir;
não sei se ceda à luta,
se trave outra,
ou se ceda, simplesmente.
Morre-se lentamente
neste templo inacabado
em que almejava adorar a uma entidade indefinida,
e em cuja indefinição uma vez mais
perdi a imagem, perdi a visão.
Por recurso último, as tais obras antigas,
estátuas de estética
e de pedra.
Ó, alma hoje galeria,
que gládio é esse
que empunhais tão deserta
e só?
Firme dessa conquista,
como se disso dependesse a tua própria memória,
o teu próprio ser,
e como se houvesse alguém, dessa maneira,
que te visse ou sentisse roçá-lo,
acutilante como uma lâmina.
Marcos na estrada,
até que esta acabe
ou o burro se canse.


Pedro 22:28

Quinta-feira, Julho 02, 2009

E em renovado tributo a uma obra de arte ímpar na história do cinema, deixo uma versão preliminar da parte final do script que em nada compromete a sua grandeza épica, pecando apenas provavelmente, na visão de Milius, por ser demasiado explícito face à cadência que ele ambicionara - uma de silêncio a reforçar o contorno estético de um conteúdo profundo e que servisse de mote à reflexão e à introspecção.

---

Holding his father’s broken sword, moving up in a swift arc and down, chopping into Thulsa Doom’s neck and shoulder...

Doom sinks to his knees.

«You would kill your -- father??»

He withdraws the blade and wheels it down with another mighty chop -- and another.

Each blow shakes the crowd and drives them back.

He pulls back the head of Thulsa Doom and the body falls back, sliding down the stairs. He stands full on, looking down on the thousands of lights, the head in one hand, his father’s broken sword in the other. Silence.

Conan (voice over) : «He was right -- the answer was not in the blade but in the man... If my father was the light of day -- Thulsa Doom was my night...»

He sits on the steps and watches as the lines form myriad patterns of light far below him.

Conan (voice over) : «They were his children and now they are like so many orphans... but like myself -- they are free.»


Pedro 22:42

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Há como que duas margens: atravessando a ponte, enredamos por sequências de imagens que como lianas fazem baloiçar. A oscilação de ser, uma vida mental de pesquisa e diluição. Onde um grande peso desce e esmaga a noção de realidade, subvertendo os mais recentes planos por articular. Enquanto houver fantasia, enquanto houver sons e côres, a alma recatada subsiste e obedece. Servo temporário do apelo escondido à sombra da imaginação, o caçador furtivo habita a ilha deserta que há no outro lado de um rio.


Pedro 14:06

Palette e mistura

Glória vã na fé,
vã fé na descrença,
sabor a desavença,
açúcar no café,

palmilho incerteza
sem saber o porquê
do poema que se lê
debruçado na mesa

que tem pernas em vê;
inspiração que retorna
sem que haja para o quê;

sem que haja para um onde,
abstracção que se entorna
no mistério que ela esconde.

---

Tinto e desafio

De absurda direcção
escreve-se hoje o caminho;
da côr do copo de vinho
tinge-se o coração.

Tudo aquilo que falta
o Adamastor se soergue;
do mar imenso o icebergue,
um frio de alma que assalta

e em silêncio se exalta
co' o marujo sem rumo;
e o mar azul sobressalta

à luz trémula da vida
a viagem sem aprumo
e o barco de côr garrida.

---

Tempestade e bonança

Do azul perpétuo
os mares revoltos;
cabelos soltos
na peça em que actuo.

A sede é de Roma,
e disto e daquilo,
o viscoso do Nilo,
de Veneza o aroma,

paisagens que a mente
desenha a côr quente
no cenário que traça.

Quando a tarde passa
deixa a brisa, rente
ao corpo em alma ausente.

---

Ser e não-ser

Um desvio pela maresia;
de Norte ou Sul insciente,
é de novo intermitente
a estrada, que embacia.

Nuvens e soalho,
ponto e contraponto,
ora esperto, ora tonto,
cartas de um baralho -

renasce a antiga cruzada,
a pessoa em morna dança
numa certa encruzilhada

que jamais é consumada;
consciência que se entrança
em seu torno, sem ser nada.

---

Somatório

Após sobrevoar vestígios de maré, poisa no parapeito da alma a noção matemática de que há beleza na solução mais sucinta e simples possível. E nisto a equação ondulada que rege as formas faz também sorrir, levemente, as vibrações implícitas. Como uma flauta que trina persuasora uma melodia nocturna, à qual recaio em fascínio. Contemplo, silente como uma fórmula.


Pedro 01:18

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Revisitando sonhos antigos e o espaço de sempre para os perder, sorrindo levemente a mágoa esse embalo. Estas ruas cinzentas e desertas mais não que a casa de campo, e o meu estar nelas a rede presa à árvore só. Emoção reciclada, outra palavra para poesia, estação transitória em que o som esbatido da dôr é já de um simples triste, estrada pontilhada de folhas amarelas. A velha melancolia, instalando-se na mente como a brisa se encosta ao corpo quente, aligeirando o cinzento dessa estrada e arrefecendo essa página da viagem. Sem saber por onde atalhar, coberto de existencialismos fora de época num hoje em que a norma é a de existir, procura-se dispersar a passadas a consciência, mãe severa do sofrimento. Esbate-se o brilho das pedras duras, o deambular por entre elas servindo de confirmação da passagem. Os dias e a complicação cosem-se e descosem-se, sem porém que se dê por remendado aquele último buraco por onde vem escoando a esperança. Alma que falha em se sintetizar corpo; significado falho; desnorte. Onde eram laivos de sonho, é na emoção um grande ponto de interrogação. Neste lapso de reflexão jaz hoje parte da verdade, onde amanhã o entusiasmo traçará, ainda que brevemente, novo percurso híbrido e inconstante de medo e de vida. Mas pagando a factura, nos nervos, no coração, nos sonhos interrompidos, daquelas largas forças que em rigor não possuía, e a que no entanto apelava persistentemente, delas preenchendo o carácter, tentando iludir a realidade, tentando iludir a solidão. Essa avassaladora solidão, a qual quão mais profundamente se tenta ignorar, mais nos agride quando vem à superfície, como um enorme recipiente cheio de ar que se tentasse submergir.

Arde a floresta e suas côres. Um nenúfar poisa sobre o reflexo impressionista disso tudo, beleza diluída no turvo fluxo do que passa. 

Pedro 22:24

Quarta-feira, Março 25, 2009

The purity of senses
but impurity of feelings
arises cathartic.

Amidst the lesser activity
in which self is detachment
a sudden window through time 
opens up for this fresh breeze...

Staring at me, 
the hours, the days kept inside
all these months, all these years...
And there I am,
as all that nothing,
once something;
a sense of surrounding 
and the sense of abandonment
of that surrounding,
for something deeper 
and closer
to the knowledge 
of pain 
and its survival,
that new dawn
after that last curve 
of that last hill,
the imaterial place,
a strong undefined memory
that knows its truth,
that knows its reasons,
and that carries on,
as beautiful as the aesthetics
which lie beyond philosophy,
beyond the shelf that is home
in its social, strained sense.

The disguise wore off those nights,
mostly nights,
in which darkness was appeased
slowly as the moon shone
higher and higher,
the bright enigma of bleeding youth,
grains of sand...

Then, I was.
Today... when am I?
Which road am I on?

Recollection of scattered pieces
failing to form a mirror -
- the only reflection here.

And so one pretends that he's digging,
and forgets that to dig
is to drop off 
one's tools
and return,
and awake...
...free,
so to say.

(Although a shadow shall pass by
and something shall be lost
in translation...)

Pedro 23:18

Quinta-feira, Março 19, 2009

Com tijolos se calceta a estrada da solidão.
- Trechos de perdição... -
- Frestas na emoção... -

Quem me dita a sua vã glória,
quem dela se vangloria
desta vez?

A nobreza morta não esconde o vermelho do sangue.
O pegajoso vermelho do sangue...
repisado pelo incauto caminhante,
para quem os tijolos são tijolos
até tropeçar neles.

Dói-me a voz do estar,
fala esquecida de uma já clássica peça
cujos panos caem à hora prevista.

O palco é coração agora quieto
onde vibra apenas essa mesma dôr quieta
de ele estar quieto.

Segura o nome da tragédia
a consciência furtiva,
calceteira
e cada vez mais
uma personagem mais
neste teatro e percepção
em que a lágrima se desinibe
contida,
em que o céu se pinta
côr cinzenta
(e não cinzento),
nódoa no quadro 
de pesados tijolos vermelhos

e alguns vultos incertos a passar,
surdos como qualquer sombra
ou som de passos em surdina.

Foi como foi.
O odôr a musgo
pintado a vermelho
num papel sem cheiro
e a vida a revelar
fotográfica
a vida por revelar

e os panos a cair
deste meta-teatro
doendo ainda.

E dói tanto,
tanto
...
tanto
...

E resta esta fútil tristeza
com a qual não sei bem o que fazer.
E de repente não sei de novo onde me enfiar,
sucessão sem tempo de linhas sem retribuição,
não-amôr espalmado e gordo
sem a paz das linhas
que definem o manuscrito

ou ao menos alguma novidade,
um pouco de ilusão sem noção de ilusão,
que me não recorde do dualismo real-abstracto.
Isto enquanto se prolonga já
uma menor ligação aos sentidos
desta noção de temática
menos e menos presente.

Das sombras se faz a vicissitude...
...e algures um fim de beco
côr de panos.


Pedro 00:15

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Entrei no hospital. Disse: "Fui atropelado." Internei-me em busca da liberdade. Quão estropiada se torna a missão de quem se nega à condução... O trânsito incontornável da capital dói como um embate frontal. Verificar a chapa... a dura periferia de tudo, o olhar apavorado que as mãos bem abertas não conseguem suster... O protocolo seguido pelas enfermeiras torna-se ele mesmo mecânico. Tudo é labirinto, beco, paredes. A paciência do ânimo fica-se por mais esta esquina. O corropio é um pavio que corrói (não só etimológicamente). Por onde me esgueirar com esta dôr? Para onde, se todos são lá no meio uns dos outros? Qual o ritual que abstraia da rotina, e que não seja vã à luz do espaço sem iluminação? 

Sociedade, dizem eles. Acredito. Sinto-me descabido. Um estereotipo qualquer aprisiona-me a alma desprendida do corpo, do ali da vida. Entre o mim e o nós há um meio passo, sempre um meio passo. Enfim... vou atravessando passadeiras, mecânicamente, enquanto respiro a poluição que não parece poder dissipar-se. Há uma grande ferida na atmosfera. Socorro-me do calôr que ela escorre, enquanto ponho de lado a esperança. O doutor passa-me umas receitas impessoais. Cai a noite como os panos intensamente mortos de uma peça. Espero, artificialmente.


Pedro 16:26

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Havia aqui algo mais... 

Lembro-me de procurar a alma embrenhado em teias de jogo e de mentira. Anos idos... e velas a toda a haste. Fui conquistando pequenos nadas, que regalaram a visão nocturna do comandante. Alonguei o mapa, rompi com a terra firme, almejei com o vento, sem parar. As horas mortas à ondulação fustigavam-me. Foi-se manobrando... cada vez mais alto o mar, no espaço e no tempo, até que enfim aportava na distracção. Quimeras cada vez mais indefinidas...

E agora? Agora, uma rotura terceira, desta feita com o que lavrara e deslavara a sós. Uma nova vida igualmente fragmentária, igualmente de pedaços. E o fardo da mudança, e o fardo do desnorte. E um fado incerto... permeado de sussurros... sussurra a criança "Pssst estou aqui."; sussurra o artista "E eu? Serrais-me os pulsos quando cerrais o olhar! Reles mortal..."; geme o músico, sem abrigo. Sem palavras. Sempre novos refúgios, escuros qual esquecimento. A côr fica no agora (na ilusão). Finge aquecimento.

Tudo é massa, tudo é mão, e aquele desconforto reconfortante que enjoa enquanto não chega a chuva. A chuva de ser sem intermediários. A chuva de não requerer. A chuva - acontecer.

E entretanto? Há sempre tempo para atear um archote uma outra vez. Pôr fogo a Roma, de quando em quando... cumprir o papel de querer cumprir o papel. Porque ainda não ardeu.

Ainda não morri. Ardo em mim.


Pedro 00:42

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

vicissitudes do ser...
não queria que isto se transformasse nisso.
refraseando
e incutindo a dialéctica
que o sono permite,
vivamos pois,
ainda que na sombra,
ainda que na cave,
na habitação projectada
que mais não é.

contemplo sereno
do alto do baralho de cartas,
desmontado,
como é insurreição da estima o projecto,
como é depressão a confiança no projecto,
como é dura limalha o lápis com que projecto,
desejoso e aspirante
até à hora da dimensão,
apenas.

rasgão no papel,
e outro, e outro,
aonde é que isto pára,
não há fim.
não há força para lamber o dedo,
não há dedo para ir buscar a força,
só um corrimão que baloiça
à beira da desilusão
e de onde fitamos a áspera sensação
de amarrotados esboços,
de decalcar voltas e voltas,
vincos de projecto,
vincos em mim
de não conseguir sentir
o vento fresco e direito da planície,
o resultado,
o próprio.

E tudo isto para plantar uma árvore...
Não vejo o princípio à floresta.
Não vejo o fim à floresta.
O emaranhado é.
Tolda.
Molda
a percepção
de um caminho.
É difícil avançar pelas silvas,
os pés descalços, enrugada a vontade...
Não vejo o fim.
Não vejo...
(está escuro.
apaguem esta inércia.
apaguem a frustração.)

Enfim...
Meio aceso o candeeiro...
Temperando a noite, o amor...
Sobra lá dentro o amor
a uma luz pouco óbvia.


Pedro 01:35

Sábado, Agosto 23, 2008

the lost feeling
melancholy
yearning for life in dead words

silence it
refrain from it

what else is there to ignite?

ashes fall slowly
sparkles won't lighten
darkness embeds absence

absence of someone
absence of me

the song screams its chorus
but i can't fall in love
can't fall in love with life again

chords fade out
words stop to pulse
heartbeat decays

tomorrow - a weak placebo
today, night lingers
a blurred night
a blurred self

foreign sadness
as if it ain't real
as if it ain't worth it

prolonged
unspoken
dizzyingly low

the whirling fatality
of passing by

(just)


Pedro 22:21

Sábado, Julho 05, 2008

Um, dois, um, dois.

Montanha de gente que galgo,
palpitante de solidão...
Parece que tudo se encaminha já para lado nenhum.
O tal despropósito geral das minhas capacidades.
A tal rudeza do objecto, limalha de engrenagem espalhando-se ao vento.
Inércia móvel.
Presenças desfalecidas - eclipse.
Na antemanhã da proposta, a entrega do subconsciente ao prenúncio agastante.
Terror de não haver como tornear o que foi e é labirinto.
Deserto espelhando o quente difuso dos grãos que é preciso arrastar a cada passo.
Oásis esfumando-se à distância que vai de ser a estar.

A mudança é triste.
Perde-se.
Difícil, difícil... tão difícil...
Adjectivos exauridos
e um desnível na energia.
A vontade invertida à falta de escoamento.
Grande piscina suspensa,
intramarés turbulentas
extraditadas de fora dela.
O riacho é um entretanto,
lapso na humidade
molhado de ervas,
sonhos, emoções...

Pessoa e silêncio.

Um ...

Pedro 18:09

Sexta-feira, Abril 18, 2008

Procuro qualquer inspiração alheia, e uso-a para me enveredar nos moldes de qualquer criatividade forjada.
Esqueço-me e lembro-me. Sou vago.
Quem é a naturalidade em mim? Reflexão perdida à sombra do silêncio ou do outro...
E o quarto ameaçadoramente igual.
Tenebrosamente iluminado pelo dia que desponta. Espreita-se e tudo é feito. Tudo está feito. Não há lugar à descoberta. Não há lugar... para quem sou?
Calça-se a bota, e terá que servir. Ainda que os pés se molhem nos dias do vendaval.
Caminhamos, plural forçado. Couro mal engraxado, pesando a realidade a cada passo mais.
Até já, mundo cruel.

Pedro 11:26

Domingo, Março 30, 2008

Por aqui nada.
A velha teia, e a respectiva fixação pela incerteza.
A tremer de estaticidade.
O coração vago e rancoroso.
Antemanhã em nulidade absorta...
O esquecimento de despontar com os sentidos,
e a consciência revoltando-se.
Derivei hoje progressivamente,
declinando o rumo,
a estrada afundando-me em todo o seu alcatrão.

Sensação de erro absoluto...
Mas afinal,
é só um outro dia.

Valha-nos a regeneração
enquanto não formos cinza.

Pedro 00:11

Sábado, Março 15, 2008

Os dissertantes
procuram ao caminhar
as altitudes
de escrever o vinho,
de procurar
embriagar
a incerteza de estar.

Ladram ao vento
os cães da planície
que poisa o mundo
e alisa ao fundo
da caminhada
o Sonho Apagado,
dissipação.

A côr das nuvens,
quando branca,
é a aura da montanha
que coroa
o espírito e desenha
a canoa
que dormita sem manha.

O seu adeus
é o sol posto,
os tons rubros
nostálgicamente.

Oh, linha do horizonte,
és o cais em que aporta
o silêncio de Tudo
e o som de Nada,
a quimera maíuscula
de que se vangloriam
contradizendo-se
os Neófitos...

Sorrio hoje
a tristeza íntima
dos nómadas,
alegre de passagem
na alvorada
que o Sol invoca
no coração cego
das horas.

Oh,
como choro
quieto
este país
estendido à verdade
das auroras
interiores,
este local em que sitio,
afinal,
a mentira da ocupação
que enfim adormeço
num ponto final.

Pedro 18:10

Maré de palavras,
as frases soltas,
nenhuma onda
encontra a quilha...

Pedaços de vida,
museu do eu,
para que tu vejas,
para que tu vejas...

A rotunda tem música
e eu tenho regras,
há que violar
a pauta
para que nasça
a flauta.

Alegrem-se,
árvores laterais,
que a viagem
é.

(Turbilhão)
(Paz e vento)
(Oriente)
(Ocidente)

Fina flor
que desponta
no asfalto...

Vruuuum.
Semeiam sonhos
os infantes
esquecidos,
abandonados
à beira da estrada.

Congeminam maravilhas
por essas mesmas milhas
de permeio.

O esturpor,
o freio
e o rigor
procuram revoltar-se...

Mas antes,
ecoa a fibra
que tudo liga
e era a aragem
que aqui deixa uns pós
reminiscente.


Pedro 17:47

Quarta-feira, Março 12, 2008

Tem vezes em que só me apetece desfazer da clausura, em que sinto uma necessidade asfixiante de desenterrar a pureza do esforço e da continuidade do esforço. Remeter de volta toda a discrição do consolo que é o hábito, pequenos impulsos meramente fáceis, simples esquissos de anestesia frustrada. Reorganizar a mente, a palavra, o sonho e a aproximação. Regressar. Reconquistar, dir-se-ia quase. Primeiro recolher, e por fim reagir novamente... São estas as palavras desta noite em que me custa o pasmo existencial e a inércia redundante, por contraste ao interior batimento do coração.

Pedro 00:33

Domingo, Março 09, 2008

Inspiro-me
nos teus olhos.

(tudo a desfocar-se...)

Um fascínio natural
soergue-se do medo
e suspira a memória,
dobrada a esquina lúcida.

Encontro a criança
impossível,
intangível
nos contos que foi
o sonho ido,
o sono vivido
em serena emoção.

Percebo o que é
o sublime.

Regresso a mim
de mim.

Aguardo
a tua presença
celestial
que desnudo
utópicamente
da distância triste
que é a minha luta
contra a minha mesma
distância...

a minha mesma distância,
repito,
algo irritadamente.

Tudo isto se passa ao de leve,
no poema
de fim-de-tarde,
o coração pulsando ao de leve
as tonalidades do pôr-de-sol
e o não querer deixá-las partir
noite e sombra fora...

...o cintilante verde dos teus olhos...
...encarnação viva da eternidade...
...para lá de limiares estéticos...
...o verde suave e absoluto dos teus olhos...
...e sobretudo,

tu contida neles.

Pedro 19:13

Sábado, Março 08, 2008

Perseguindo muralhas estéticas
mergulhavam na fossa comum
os alcoviteiros da Liberdade.

Tenho dôr para dar. A dôr da realidade,
vertida sussurrada
ao meu ouvido incrédulo,
teimosamente surdo ao eco do espelho.

Não ultimo a concepção. Sou ligeiro,
e custa-me verificar a diferença
sem a alma que sustenta,
sem os anos segurando a rede
de que pressinto o baloiçar
hipotético
por outra dimensão.

Abafado,
o canto ergue-se de poeira,
pueril
como mais esta madrugada -
e afinal, amanhece tarde
pois as nuvens, que foram água,
que seriam correnteza,
são hoje a ditadura da sombra
por onde espreitam os murmúrios,
por onde espreita a palavra.

A mim,
indiscretos amantes do consensualismo.
Dubito-vos mas sem punhal.
Não enxergo o punhal que vos rasga a saia
de rodar
colorida de sociedade,
imposto fluxo
de energias falsas,
razões sonoras, tão somente.

Critico assim migalhas
atiradas aos pombos,
fazendo referência
a algo mais definido
que se me escoa pela mão rugosa,
esburacada à seiva do Sonho.

Escorre-me alguém que me habitava
a aspiração.
Quem era?

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Pedro 14:40

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Excertos de arte não escondem a ruína.
Gloriosamente só. A palavra vem e finge articuladamente, nos espaços vagos que a isso a forçam. Facilitismos, até à hora da verdade.
"Vá, e agora?"
Não pago com o espírito. Sou silente.

Vou portanto às putas.

Aos poucos se polvilha assim a possibilidade, e a tão importante sensação de continuidade. Aos poucos se firma a escassez de recursos que a solidão traz e impõe ao esforço. Aos poucos é mais nítido e seco o quadro do dia-a-dia. Nele figura um rapaz de pincel na mão, estendido num sofá, sem técnica para dar forma aos edifícios, visíveis somente os rasos alicerces da imaginação.
Pago para que algum esboço de contornos anime a paisagem de escombros. Peço tinta emprestada à proximidade. E por vezes ela existe para que sobressaia novo estímulo na construção. E por vezes, é bela a pedra de memória que se ajunta às outras pelo quadro do que passa. Como em toda a interacção.

E momentos sucedem-se a momentos. Entorno pela escrita traços e côres que são já incontornáveis, ao longo dos meses e anos. Evoco assim, como que brindando, aquelas que se dispõem à demanda por Eros, as que se aliam ao artista em moldes de almejar, aquelas que lhes inspiram o imortal sentido de divindade de que é feito o esplendor.

Às putas!
(tchin tchin)

Pedro 21:02

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Enquanto Conan procede à cremação do corpo da sua amada, Subotai assiste, deixando rolar algumas lágrimas. Akiro, o mago, intriga-se então:

- "Why are you crying?"
- "He is Conan... Cimerian... He won't cry. So I cry for him."

Pedro 23:33

Trespassando a inspiração, lâminas acordadas. Severas de impulso... Assim é quando se desce a rampa da virtude, o âmago da multiplicidade, apertando junto ao peito tudo o que é insaciável.

Meus amores, florescei!... As tropas pilharão esta terra, cálidas, como o Sol Nascente que a assola. Mais que tudo, mais que a Morte, hoje é o Ser, a Invasão! Letras espreitando por papiros de paisagem, procurando despojar de si as tocas, agitando-se borbulhando por este paraíso fétido. Engodos do que é, forçai a passagem pela dureza física dos portais. Desentalai-vos do círculo, atentai contra a mediocricidade, toda e qualquer!! É nascer, rebentar as águas, e transbordar portentosos legados de ânsia guerreira no primeiro chôro de uma vida.

Somos nós, portadores da palpitação; desencadeamos o Apocalipse. Não há mais - é a vida, a vida, A VIDAAAAA. E bradaremos a vitória, com um urro.

Pedro 23:27

Os modernos e a popularidade (soneto sociológico)

Contemporâneos doutrinavam lantejoulas
onde antes era o clima, a aragem;
cepticismos decalcavam por argolas
o eco e o aroma da vantagem.

E a loucura intimidada profanáveis
exultando a malícia dessas vestes
de que os anjos caídos enfeitáveis,
luciferianas horas e agrestes.

O público discorre, sintomático;
obstando à luz visual sabor
uma batuta sem maestro - plateia.

Diploma de um sonho catedrático,
egocêntrico cego esplendor;
ferramenta e ego - ser sereia.


Pedro 21:53

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Tremo, no topo da corda... os pés enroscando-se ao se aperceberem da falta de aderência. Pequenos passos de urgência servem apenas para confirmar a desilusão. Não há pano de fundo. Esforço-me, mas só pontualmente tons de verde obscuro parecem distrair o vácuo cénico de seu absoluto. É nulidade de que me preencho, por esta grande corda pendente sobre o abismo. Não se vê quem pega nela do outro lado, mas dá a sensação que se esquece disso indiferente, quando ela abana à brusquidão delineada por movimentos conceptuais, numa física distante e outra. Insatisfatório ao longo da vertigem, o passo adquirindo sensações de queda, mais que preconizando. Diáriamente... os passos de ninguém..

Pedro 21:04

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

E chego a esta hora e estou disperso... Como um punhado de pássaros abalroado pelas águias da incursão. Visível, mas inconcluso, o vôo das palavras. Palpita o estanque do sangue nosso (meu). Para trás, a coesão. Prossegue para Norte o sopro do vento, segregando o tempo, nova moradia de quando há só um limitado acompanhamento, insatisfatório na migração - o dos pássaros fugazes esbatidos em pequenez.

Dou a mão à palmatória. Posso apenas sublinhar o conceito de crença - pois que é tudo. (Bem como o de exagero, que é vida.)

Pedro 22:09

Domingo, Janeiro 13, 2008

E este de agora, contrastando:


Abandonei o saco de viagem,
desisti por omissão.

Vendi-me - renúncia -
e os grilos que cantam baixinho
estão lá.

Perturbante zumbido.
Nisto, forma-se a sensação
de que estou gasto.
É todo este som sem mim
onde deveria estar
todo um conjunto de notas
a resolver as tensões
e a restituir harmonia...

Desci a mim,mas voltei a ficar calado
na escuridão feita de antecipações
que é a mensagem por mandar,
que é o número por marcar,
a suspensão indefinida.

Alguém me solta desta rede?

Pedro 23:42

Da mesma noite que o post anterior:


Mas sim, conta-me histórias.
Conta-me histórias, que o tempo é aqui...

O passo é quente e a neve funda.
E o silêncio dos cumes é belo
pois é para lá dele
que está esse canto absoluto,
essa paisagem autêntica, nova,
esse sonho translúcido,
melodia que preenche
e que não sei transcrever,
que não sei vazar.

Conta-me histórias dessas altitudes...

que eu escorro a neve intrometida nas botas
para poder escalar mais umas rochas,
para poder ouvir mais de perto,
histórias fantásticas,
mais e mais perto.

Pedro 23:41

Domingo, Janeiro 06, 2008

Estendo brevemente a mão e pesquiso o ar. Ligeirezas pelas quais me vou dispersando, este dia que gradualmente é a passagem por itens, quase que querendo sintetizar e reduzir a vida... Ao lado, talvez, de maiores desafios - um vislumbre da largura do palco, e procuro agora distrair-me no quarto da maquilhagem. Recordo o que significa fraqueza: não é medo, pois esse é inevitável e ingrediente; nem é ficar aquém, pois que só podemos dar passos, sem garantias de declive e de firmeza que as do solo onde os dermos. Fraqueza é quedar-me recostado na cadeira inconsciente, tricotando esboços de espectáculos, e nunca seus actos de inteireza, repetindo visualizações, mnemónicas de espaços fotografados há muito, querendo cingir-lhes o sentido de presença, repercutir a suficiência que lhes incute a percepção direccionada, coagida pelo hábito, discretamente evitando a sugestão de fins outros onde se pressente o desconhecido, o perigo do desconhecido. Nessas alturas sim, se perde o comando, se perde a personagem, se minimiza inadvertidamente o explorador - e é o arame farpado o cobertor em torno das grandes colinas caiadas de gelo reluzente que há, em nós, por desafiar. São elas mesmas quem reflecte a artificial desatenção e quem, como todas as colinas, lá longe mas de uma imponência incontornávelmente próxima, nos faz sentir, por mais que desviando o olhar, qual a proporção real de ficar. Mostram-nos como é falsa, fútil até, a vida confortável no vale dos caminhos trilhados e dos parques arquitectados. A extensão da cordilheira mostra-nos a imensidão do ser, e é tempo de o relembrar.

Soe o relâmpago! É tempo de afundar as mãos no barro. É tempo de lhe arrancar todos os moldes, com todas as garras, e com todo o direito. Sermos de novo a música, sermos de novo o filme... Mas cantemo-la então! Representemo-lo!

E assim finde épico este apelo ao princípio.

Pedro 22:41

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Sonhos que os teus dedos tecem...

E quando perguntares de que sou feito,
que deverei responder?
Talvez que sou um sonho refeito
sem de o quê saber.
Talvez que pelo mar contrafeito
seja um marujo sem ter
mais que a alma, fustigada ao parapeito
dessa vista a perder
que é o oceano, o teu leito.

Talvez que de entre as ondas e a espuma
emerja, Neptuno, a Verdade;
imponha-se a quilha à bruma
desfazendo gotas ansiedade
pela qual navega sem estrelas. Ruma,
sonhador sem rumo - saudade
de artes profundas e belas, em suma.
Estranhas distâncias que a idade
acresce à paisagem que esfuma,

ao céu de divinas texturas...
Me abandonam porém ao escrevê-la
as suas espirais, as tonturas.
Olho p'ra o alto - conhecê-la
é sentir suas áureas partituras
percorrer os ouvidos de vê-la,
difundir que as telas são duras
para agarrar as tintas dela -
que a Arte renasça em gravuras.

Que nestes confins, nos rochedos
morras em mim, eremita.
Que as forças dela galguem medos,
as forças que emana, bonita
como o musgo que cobre os penedos,
como a vida que a chuva suscita
por solos ásperos enfim ledos
após do temporal a visita.

...Sonhos que tecem seus dedos...

por novelo tendo o que trago
em ambições do passado,
aquele que me orientava, o mago
de cuja performance aliado
um desejo, não dormir o lago,
romper as marés que batem contra o enfado.
Almejar mais que eu, estando pago
o Paraíso e a Pertença. Dourado,
bebo, urgente trago,

o sol que poisa os dias
em que o pintaram forças minhas.
Laranjas tons estes dias
a recolorir forças minhas.

Pedro 21:56

Domingo, Dezembro 30, 2007

Já me comovo de há dois anos atrás. Recordo-me de passear livremente por Lisboa, principalmente nas zonas comerciais, esperando pelos momentos. Tudo era diferente. Estava mais amplamente só, e no entanto tendencialmente mais próximo do que me rodeava. Soube encontrar-me nas esquinas, descobrir afecto por esta cidade despreocupada. Está em nós, a qualidade da percepção. In the eye of the beholder. A cidade era, sim, movimentada, sob o fino sol que dourava o Chiado. Mas era-lo apenas porque as pessoas andavam, não que tivessem pressa no sentido real da palavra. Tudo pertencia à sua era. Cabia-me imergir nesse cenário. Recolhia os seus tons dominantes, sem horário. As marés interiores existiam essencialmente molhando os pés do resto, e deixando um pouco de espuma e emoções pela paisagem (assim o filtra a saudade, fantasista). Por vezes impressionista, dava-me ainda à materialização de laivos próprios e, de certa forma, de sempre. Ainda que de alma renovando-se, era em parte a infância quem me acariciava ao de leve, memórias e emoções pueris, em sua simplicidade.

Fui um discípulo nesta rota mundana de purificação, por contraditório que tal soe. Não o sou hoje. As altercações são mais intensas, absolutas até. A fase escala, embora não precipitadamente, para um estágio antigo de excesso e de fracasso. Por demais me adapto, escorregando do posto de observação em que a identidade era, resguardadamente. Por demais sinto o tombo pesar-me na espinha dorsal. Quer dizer...

Tem dias.

Talvez decida voltar a vincar a espiritualidade. Talvez volte a empunhar o escudo, junto com o gládio. De qualquer forma, tal pouco importa agora e aqui. Ontem, ontem sim, perpassavam múltiplas anotações pela minha mente, que incluiam também estas recentes lembranças. Ontem passou, como passaram estes dias. É verdadeiramente no passado que reside este hoje, que apenas recupero, sumáriamente, restauração evidente.

Pedro 18:45

Deflagra a temporada
pelas reflexões.

São colinas perigosas, estas.
Rasgam-nos a pele da mente
se as tentamos atravessar, incautos.

A sensação que impera
é que me esqueço de metas e de mim algures lá atrás
enquanto sangro pela paisagem.


Espinhoso percurso,
a cafeína.

Pedro 02:16

Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

Desabafos silenciosos...

Porque exigem tanto de mim?
Porque me indesejam?
Me não comprometo
com a fria realidade,
mas o aquecedor é falso -
deixo de estar.

Dói-me o sítio.
Dói-me a repetição
desta palavra eterna,
mas ecoa,
ecoa...
e ecoa.

Hoje transeunte banal;
Hoje, mágoa social
que perpassa lá ao fundo,
cada vez mais nesta sombra
que não é escura...
apenas incolor,
apenas paralela,
apenas.

Como sempre,
a estrada não se partiu em duas,
não houve bifurcação;
Apenas se projectou uma miragem
de cimento
onde era o terreno inóspito e a dureza
de uma pátria surda e exterior,
acolhedora somente à sua maneira.

Não à minha.
Ou pelo menos
não para comigo.

Quero que se foda essa tua opinião.
Quero que se foda o estereotipo
em que recaio,
e quero que te fodas com ele.
Já que não me dão o mundo,
não me espremam outra vez
os sentimentos,

essas vossas vozes redutoras
de quem não sabe na verdade
o que é ser ninguém,
o que é não poder sofrer verdadeiramente
por se não ser ninguém,
por não ter que a frágil mente por estimar.
Viver sim,
mas com que sabor,
em que reconhecida paisagem (em que eles?)
que me permita não estar aqui
a cavar mais este fosso...

Pedro 22:26

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Pondero o sono. Faço esforços por me arrastar nesta folha de papel, cursor exaltado de obrigação para com a carência, martelado em diante por dedos sem dimensão. Paralelamente reescreve a mente uma página de simpatia, traduzindo pouco à letra os momentos conjuntos entre dois, capturando selectivamente a essência das frases de passado no processo. Pequeno escape à solidão, arquitectado com base em mera aproximação que não foi assumida com a abertura plena dos sentidos - comunicação - e portanto que o não foi verdadeiramente. Aos olhos do par (restritamente, apenas), simpatia e até predisposição não são bastantes quando se não complementa, com a presença espontâneamente pessoal e involuntariamente (não por escape-compulsão, pretensa resposta a requisitos) descritiva, a demonstração da legitimidade de uma expressão mais íntima enquanto informal e, de certa forma, comum.
De volta à mística mundana que destrói (exponencia as possibilidades, muito delas derrotas percebidas), volto a refinar a minha perdição.

Anuncio a dôr como quem brada ao exército o sinal de investida, vale abíssico abaixo, os canhões do estabelecido mundo armado escorraçando o grosso das forças. Desfeitos sons de guerra na fronteira da auto-estima...

...Fogo de artíficio horrível e humano. Ainda assim, seus sons (dramatismo) me propagam, recordação cadavérica esmagada num livro árido qualquer.

Pedro 22:48

E hoje, ao entrar numa noite disfuncional, possuidor daquela ânsia característica dos tempos de juventude irresolúvel, denoto como se perdem as tendências, abafadas pela noção de minhas limitações, pelo peso carregado do exagero, exagero esse ora de voz, ora de silêncio, de demonstrar condicionamento.

Sobretudo, atordoa-me hoje o nervo miudinho que está patente na mera presença, e se me degenera portanto numa acumulação de pequenas pontadas de frustração, de faíscas da consciência do que seria expectável por contraste ao que é dedutível no crescendo abstracto da insuficiência minha.

Foi assim o dia, mais coisa menos coisa.

Pedro 21:55

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

E aqui estou, novamente, encostado a este desespero passivo de folha. Desentendido de realidades, incapaz de mim, esfuma-se de novo a tocha tímida que prometia resguardar-se centalhas reveladoras.

Brindo a estas janelas todas semicerradas, fuligem do tempo impôndo-se aquém da lareira, desbotando-se a visão e o oxigénio. Espectadores, o coma imperfeito.

- A Primavera?... - Desperta-me a náusea esta voz trémula e imersa que apela à estação abstracta. No apeadeiro do Jogo, a tocha é o comboio que vem e vai a vapores. Chega a instalar-se o enxofre nesta mecânica que chia, embaciadas.

É de entre a normalidade que visitara que sou demente, por fim. Espreito o pátio e o jardim e os brinquedos idílicos visitados pela chuva, esqueléticos e inadequados.

Não esquecer nunca a dôr antiga. Não esquecer nunca! Não perder nunca o que me distingue e me eleva a esse Abismo de almas, sofrendo pelo corrimão contrastante, dolorosa Serenidade.

E extingo-me, morna incandescência. Enquanto aumenta o carvão, as palavras.

Transfiro-me destrutivamente.

Pedro 22:34

Domingo, Setembro 02, 2007

Perseguição

São pessoas a virem falar comigo, a imperar empíricas, a me relembrar da imobilidade no colete de forças, a me reportar a um cortejo em que sou qual Embaixador delas, de mim nelas, de sua política implícita. Conduzo a missiva na charrete protocolar, súbdito da aparência estatutária, o Alguém.

Escapatória

Provoco os deuses, eliminando arestas da Grande Teia infinitamente geométrica. Esbracejo em seu profundo suporte, projectando-me incertamente qual criança no trampolim, as regras - sim, mas do Desconhecido - tomando a forma de saltos aproximadamente aleatórios. A mim, ó Cafeína, existência sagrada ecoando, retecendo vibrações pela inexistência última e, por entre travos amargos que a espuma adocica, ignorada. Alongo o braço excessivo, querendo extrair elementos a este abíssico subconsciente.

Encruzilhada

Na selva do nefasto rugem promessas próximas, agitando o coração de medo impaciente, temendo pela vida entregue ao verdejar do imprevisível, rodeando a presença inactiva espelhando os troncos físicos (ramificação estática). Não há diligência nas mensagens. O compasso da selva é de uma cadência louca, petrificando a instrumentalização e o ego. Por ele, arrastam-se trechos sem tom ou direcção, rinocerontes solitários sem plano, enfurecendo-se devastadores perante a majestade indómita que os não acolhe, esbarrando contra as árvores seculares a sua indecisão emotiva, impotência da besta em firmar seu ensejo, em afirmar seus chifres. Dói a passividade frenética, o contraste íntimo de predador e presa, ambos um só envolto em frondoso, deixando apenas entrever o vôo dos pássaros que, aéreos, tudo verificam, pontos livres em trajecto pelo céu limpo.

Recaptura

Gradualmente a fera esquecera-se na rotina da jaula. O desfecho é continuadamente trágico, como só pode ser, na literatura ou na vida - ínumeras hipóteses em aberto, clareiras perdidas à sombra da Hora, mortes antecipadas até do remorso, alastramento inequívoco do Assim. Os efeitos desvanecem-se, e o negro dos olhos é cada vez mais completo, encerra cada vez mais os enigmas que outrora invocava, traços de brilho desperto no papel amarelecendo-se, sedados pelo tempo e pela desistência. A virtude é só quem se era, num backstage anexo ao anfiteatro onde se entabulavam sonhos inconclusos e por isso se cancelava o espectáculo. O sono apropriara-se do corpo frustrado, a ansiedade esfriando-se amargura e ulterior anulação, e dormia-o agora perante todos, ressurgindo a dura estabilidade da rede em que atentavam os esforços idos, agora irresolúvelmente esmiuçados pela espera, Grande Aranha da alma. A busca pela psicose redentora entornou-se pelo indefinível, e o isolamento, ainda que manchado, ditou a pessoa, autenticidade prescrita. Restam só miniaturas à ruína que é o rasto em decomposição, rosto ligeiro do passado.

Síntese do remanescente

I
O céu é de dia.
Larva, já és borboleta! -
Côres flutuando.

II
Um camponês lavra.
Também as vespas cansadas
semeiam seus êxtases.

III
Vida, ressoando
sua essência sazonal -
o chilrear dos pássaros...

IV
Terrenos inférteis.
Fúria humana ao vento. Sempre,
a grande colina.

V
Brisa e terramoto.
Canteiros suaves e fortes
murchando igualmente.

VI
Toupeira, tu foste
contemporânea da dôr.
É noite. P'rá toca!

VII
A metamorfose
qual sonho findou. Escurece.
Quais são dela as côres?

Pedro 22:30

Ruptura

Estou onde não me recordo - tenho o sangue quente, a zanga é material, e sinto-me outro. Toda a minha vida é, em seu pleno e altivo direito, e a tensão apenas me reporta à noção que repousava de que o mundo é agudo na sua pouca maleabilidade, repleto pois de frustrações dolorosas, de acontecimentos fazendo questão de trazer até mim o predestinado conflito de posições, suas indesejáveis intervenções em meus modos, seja por crítica ou por exigência implícitas e dedutíveis dela no contexto em que são. Aquém da idade, aquém da passagem, hoje é o ser e ele doer-me.

Pedro 00:24

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Desemboco.

Pelo preâmbulo, grande cais ao mar que fustiga, antecipo, a mão ansiosa pousada sobre a testa franzindo-se, uma galera vindoura, por distinguir da nebulosa distância azul. Cintilam mais forte os reflexos de quaisquer feixes de luz, doirados, incontornáveis. A visão, atordoada pela insuficiência de sombra, desprotegida à palpitação inebria o ser e a estética, infernal qual electricidade estática mapeada no ecrã interior onde se procurava a concentração. Medidas as forças, o tempo arrasta consigo o pulso sonhador, rebate a ilusão e afasta a personalidade.

Proa por vir, quando serás a miragem redentora, harmonia de tons na tela que pintarei por fim, os dias meus e nossos? Aporta na enseada do meu espírito, que embarcarei pleno e artístico cumpridor da maré irradiada pela verdadeira côr de mim. Até lá, mergulho a cada sétima onda num amor oceânico, sua ilustração incerta e fugaz.

Pedro 21:55

Terça-feira, Agosto 14, 2007

Desmantelamos o movimento
sob a alçada dos dias.
Ultrapassamo-nos,
e eis que a paisagem se desfoca,
eis que somos desalinho
agarrados a um passado
que nos não pertence;
chama-se estabelecimento,
precursor desfalecido pelo Cemitério do Tudo,
e nós, seus cúmplices,
revisitamos meramente,
a virtude transmudada em erro,
excepção ao vazio pessoal, meramente,
ao invés de própria
na pragmática da regeneração real e entre outros.
Tela invertida,
pois vista à memória espelhada,
só mais uma acepção dos conceitos de mim
deturpada pela emoção,
antecipando-se o resguardo
que de tais modos se disfarça.

Outro ensaio,
complexidades derivadas da simplificação
de nos perdermos aos dias vagos...
Não aceitação.

Pedro 23:29

Sábado, Agosto 11, 2007

Denoto uma urgência.
Brusca,
como a ponta de um lápis imprime o seu cinzento.
Empunhando a arma de carvão,
ainda incandescente,
o imperador do que ardeu.
Extensão lânguida,
à janela
trilhada pelo sentimento sem fim,
vivendo a decrepitude
induzida pelo quente caos -
entardece.

Que das cinzas florescam os nenúfares!
dita o desespero,
raiva destroçada por personificar.
Sereis o candeeiro ténue
harmonizado com a melancolia,
sossego a reatar o rastilho da criação.
Fervilho menos.
Exproprio a dôr e a ânsia,
revolvendo refúgios escassos,
vocábulos dispersos,
a falsa vastidão de nenhures.

Escassos trechos de amizade
perpetuam-se, repetindo,
na imaginação da inquietude,
enquanto me desencontro de vós,
enquanto me procuro enternecer de esboços.
Um,
almejo a renovação,
velha fénix encostada numa esquina
esperando em silêncio.
Uma metáfora indestrinçável,
esta realidade.

Escôo as últimas gotas rubras
para a taça de que sorvo
o conceito de antídoto.

Pedro 16:11

Sexta-feira, Agosto 03, 2007

Do lado da contra-cultura,
tudo é uma luta
involuntária.
E perco. E perco...

Destrono-me de essência,
desatarrachadamente.
Quais os objectivos?
Em tempos, solucionei o tempo
resguardando a mente para a prática,
reservando o fracasso para então.
Mas entretanto, deixei que germinassem
novas ninhadas de bichinhos
para corroer as horas aguçadas,
e por vezes contagiá-las com doenças culturais,
essa praga tão complicada e múltipla quanto as vidas...

Custa tanto acarinhar o positivismo,
quando o que se sabe são papéis que o vendaval agride,
e quando o firmamento é inimpugnável às não-energias.

O motor faz vrummm!
São cenários de guerra,
pé no acelerador, persigam o pó!
Lancinantes velocidades
inconfessas
revolvem o planalto assolado,
e perdura a insignificância das partículas
e um bando de náufragos tossindo o desembarque,
a maré de rarefacção poluta
abstraíndo irreversível
o trilho e a vegetação
minha ou nossa.

Falhos,
os passos.
Andar e tropeçar,
ou quedar-me pelas vertigens?
Dolorosa a missão,
cravos enraizando-se nas polainas,
dilacerando...
pés esvaindo-se em incertezas vermelhas
que gritam à nossa sensibilidade,
evitamento civilizacional, camuflado,
desequilíbrio pungente
apregoado
pela carpintaria de todos,
das escolas, falsidade,
incurável amnésia,
o grupo sexuado e moderno,
apologia de conduta por papéis
facilitadores da impessoalidade personificada.

Já ninguém sabe comunicar com as flores.

Pedro 23:53

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

São vozes da decadência,
trinando noite dentro melodias fúteis
do sonho antecipado, rebaixado
à mísera condição de trauteio amargo.
Não te suplanto,
ó pasmo de gente que queres ser um.
São lâminas enferrujadas,
pedaços de metal impiedoso
trinchando a pele tingida de sangue,
procurando afogar o suor,
ruborizar a noite de alva escuridão,
em vão,
pois ela mesma,
a tela onde se projecta a cirurgia,
a escama de bisturi carcomida pelas traças
de sentimento, de anos dolorosos,
ela mesma é o reverso de um dia,
névoa-cegueira,
atordoada pela luminosidade absoluta,
clarões de tudo, permitindo nada
como veículos que entopem a estrada de fim incerto,
como uma armadura de bronze,
dura e seca.
Canto metálico que se ergue de um lamacento leito,
conjectura orgânica de chuva,
afogando-se no pântano da desesperança.
Longa é a distância, e a noite densa.

Pedro 23:04

Domingo, Julho 15, 2007

Tenho saudades minhas.
Tenho saudades de quando não trazia este peso, sempre, esta massa latente a exigir de mim naquilo que tento ou que estou, estas cortinas maciças não mais que entreabertas.
Dói-me esse passado. Doem-me os nervos. Dói-me tudo.
Rompeu-se o cordão umbilical que me ligava à alegria. Aquelas vibrações sorridentes, aquela disposição permanente para a vida, perante a vida, tudo isso trago amolgado num frasco difícil, antigo.
Já foi assim. Deixou de ser. Anos e anos passaram; Rastejei, ansiei, vislumbrei, assisti, resisti, existi.

E daí?

E agora??

?...

...e agora?...

A questão que me coloco é esta:
Onde quedar-me a viver (mas a viver de facto)?
Com quem mais a acompanhar-me, numa nova excursão, em novas redescobertas?
Sem a vergonha e raiva, más companheiras desde a adolescência, frequentemente esmorecidas em pesar e evitamento, tudo isso por não me soar seguro, por não me sentir livre e assim deixar de o estar, por me julgar a falhar enquanto ser capaz, solto e social - por existir todo esse julgamento pré-concebido instaurado nas atmosferas, aos poucos impregnadas onde haja restantes.

Onde e com quem - só isso.

Pedro 01:29

Domingo, Julho 08, 2007

Caí, e fiquei a olhar.
Tentando pontuar, a procissão de obedientes detentores do paradigma que definiram sem cuidados. No molde onde se inseriram, formada é a lógica de separação do que deve, com base no modo, no quem protocolar.
Dobro-me, e choro.
É um choro quase bonito, vergado sobre os álbuns, todo o espólio através do baço plástico. O desuso acolhe-me, feto que tem lugar, de vagas memórias complacente. Um metafísico fim de tarde, despedindo-se.
Volto a concentrar-me na atmosfera, e reconheço a gente que está a caminhar ao meu lado, espalhada como um perfume impreciso, nos corredores suburbanos (pois deslocações). O perfume que emana é a simplícia inferência de um método, uma absorta fixação pelo enfático, e o desconhecimento que há nisso.
Transeunte adverso, inalo espaçadamente, soluçando ainda. Cedo me corroboro de um desterro da presença, por entre angústias e fonemas, sempre pouco e além.

Haverá esperança?

Pedro 20:07

Segunda-feira, Junho 25, 2007

...estética de algum Oriente... (A tendência.) ...fantasia-neblina de mental alcance...

Será que me ultrapassei?

O peão observa cabisbaixo o harém infinito que o rodeia, cavaleiros indómitos na planície irregular até à praceta próxima distante. Um por todos (e todos por um), bradam - berram, e ao meu ouvido... Por onde, para onde reverter o passo, instância-Humanidade? O que feres é o que és?

Surely not... You're just so lost in probability... Perdida em dialecto, esqueces a linguagem, bebé agarrado à metáfora palpável, cúmulo antecipado da ilógica que axiomatizaram primeiro. Adequas-te pois à oferta, procurando. Defines senso sem reflectir...

Contra-senso! Insurreição libertina! Vos invoco, conceitos reveladores. Providenciais vozes sussurrando, cada vez mais alto, conexas pontes para margens, hemisférios de humildade e de dilúvio... Rasgo folhas com a voracidade de um mamífero virtual.

Assim me ordeno, ilustre propagação-entrusamento, esboço de cataclismo de nada.

Pedro 21:14

Sábado, Junho 02, 2007

Devaneei.
Por entre as pequenas memórias, de capacidades esmorecidas, fiz da vizinhança etérea um recosto ensonado.
Os meus suspiros deitam-se na cama de se apagarem as luzes, e espera-se por um desconhecimento misericordioso.
É o remorso do inexpresso, obscurecido; a distância intransponível de um passo que sofre a metáfora que é o amputamento, repetidas vezes, na estilística da antemanhã que veio tingir de breu o céu solarengo.
E é enfim o cansaço.
O cansaço de convergir mal por protocolos, de fender à mundana superfície, de soar sem autoria. Perante o que é alma e beleza, mais tarde ou mais cedo, o recluso se esbarra contra as grades que precedem o tangencial, as meta-barreiras geradas pela imagem de si mesmo, a recursividade do impacto de as deixar transparecer.
Doem fracções desprezíveis neste cansaço, ele sim grande.
E em particular, dóis-me, exponencial do que afunilo face à tua presença, da minha massa toda, em quantidade, olhar após olhar, dia após dia, complexidade após complexidade. Dóis-me na altura certa, em que, perfeitamente ciente, faço o errado porém, e deixo afastar-se a rédea, contemplando abstractamente o meu momento irresolúvel. Dóis-me e dóis-me estúpidamente toda a minha estupidez espelhada em dôr.
E doer-me-ás novamente, assim o sei, meu Amor... Nenúfar púrpura espalmado em mim.
Palavras ilegítimas, bem o sei, explorador que de tanto interior se adensar pelo trilho, ainda por palmilhar, se refere agora idílico a uma verde clareira que nem sabe se o espera para lá do arvoredo.
Resignado, o corpo mental cansa-se cabisbaixo no ginásio das derrotas, e retira-se para mais uma noite de tréguas.

Pedro 01:30

Domingo, Maio 13, 2007

Quando não se esteve nem foi
que não com um cérebro fértil,
acertando os parâmetros e as artes
ansioso como um coração,
esperava-se pelo batimento do compasso,
revendo próximo o ideal
conducente à aceitação própria
e derivada de haver definição,
seja ela as consequências necessárias.

Foi preciso lidar com as derrotas
que um cérebro demasiado atento
media, réguas negativas esgotando
a energia dos traços. Geometrias
de ser recalcadas desenharam-se
e foi preciso dar passos atrás
até à caverna do ínfimo,
estática à sombra das forças.

Da caverna se iluminaram
dedos imaginativos,
desenhando nas suas paredes
as memórias de antepassados,
memórias baças e ásperas
e extremamente incompletas,
mas que eram eles mesmos pintando
e ignorando sintaxe,
toda essa esmagadora sintaxe acumulada.

Por fim, inócuo por desvio,
se caminhou para o percurso
de à luz do dia observar,
mas sem cérebro - com o passeio,
como que sob a tutela de um mestre Caeiro,
simplícia libertação.
Belo princípio de um círculo
que afinal traça a lembrança
de ele já ter sido completo,
de já ter sido um sorriso.
E quando o seu largo perímetro
se emancipa suas vertentes
à geometria,
cumpre a órbita a sua rota,
menos anos-luz para a meta,
a felicidade em mim.

Já não sofrerei o que já sofri,
auto-imune.
Entanto, sofro agora
uma outra forma de passar,
perdidas que estão as quimeras
junto com a dôr.
Cansam à alma, veterana aleijada na guerra,
os prefácios do livro de ser,
revivê-los, ainda
em semelhante circunstância, afinal.
É caimbrã na caminhada
reconhecer a lógica do mundo,
diatónica e bipolar,
no espaço como no tempo,
e principalmente nessa mesma métrica
que relembra as minhas mesmas cedências,
por disparidade,
e agora até de fôlego
por desabituação.
É difícil não findar reverenciando,
parcialmente, a mecânica do costume,
quando eles mais se acercam e exigem,
sem saber que o fazem - mesmo até sem o fazer,
antagonismo que se verifica.

É preciso aceitar o etéreo ranking
em que o alheio, mentalidades, vê amíude
os pequenos gestos e suas razões pequenas,
e até as pessoas que os tentam,
extrapolando visceralmente a sua dimensão própria.
É preciso aceitá-lo, e não percebê-lo.
Renunciar à noção do mesmo,
mas não sem antes admiti-la.
No âmbito das presenças
sempre que se quer, é o retorno.
Mas é preciso marcá-lo primeiro
com os joelhos erguidos da lama
invisível de quedar passivo,
aos critérios excessivamente estruturados
da estimativa social excessiva
do que se é e se pode,
para se poder pensar ser,
para poder agir ser.

Pedro 03:04

A temporada decorre, e nós com ela.
Tempo fluvial que nos arrasta montanha abaixo...
pela semana determinada,
a determinação é mera cúmplice do que é
e do que deve,
caminhos de cabras calcorreando-os
balindo alguma natureza por esquinas formais,
rocha, pedra pontualmente de apoio,
o meu blog hoje um outro exemplo disso
enquanto a mera síntese disso,
parando eu para pentear o desmazelo
que é esquecer-me com as mãos
enquanto fogem as palavras,
que não vocábulos,
verdade e só,
pelos transbordos ligeiros das margens
que se humedecem assim,
assistindo mormente.
Assim imagino o que flui
pelo insípido passado - passante -
que afinal está mais seco que molhado,
vestígio enlameado onde o rio prossegui.
Pouco é o meu leito, mesmo quando chove.
Quais mãos de bebé, carícia que se perde.
Salpicos na terra já antiga,
orgânica indiferente.
Ó, triste química, mundo,
gente a trovoar em meu peito
o seu mesmo exterior
e enxofre.
(Irrespirável.)
Vos lamento com todos os olhos,
desentendimento
no lapso planeado e cumprido de fazer
só porque é um acto o andar -
só porque é um trilho.
Discórdia íntima
- ó triste totalidade, genérico -
de ser convosco, ao vosso lado,
e ceder,
ceder-me, desejo simples e aberto,
ao resguardo cerrado da auto-estima -
eu endereçado o fútil zero -
inviável, e o resguardo ainda
de me perder pelas horas
deterioradas
que me envolvem como um lençol indesejado
apertando-me calor a torno
e fazendo-me sentir o meu suor
à sufocante medida que mergulho nele,
asfixiante resposta qualquer,
etiqueta e momento.
Ó, é o retorno,
a pequena ilusão, mil em uma,
a pausa de ao experimentar
- ritmo, réplica,
cumulativamente exaurindo -
me não poder experimentar,
me não conseguir...
E ei-lo, o desfecho trágico
com a subtileza do que é secundário
na vida, justamente.
Previsível, dir-se-ia... Pois,
que entretanto sou eu.

Pedro 01:31

Sexta-feira, Abril 27, 2007

De onde vêm estas linhas?
O que as gera?
Quem sou eu?

Não, não são traços desbotados,
salpicos motorizados de dentro do depósito,
gasolina dos dias de percursos...
Não. A sede é diferente.
Para mim, arte não é sentir; é sentir-me -
basta a verdade como qualidade,
quer-se o propósito sendo um comigo,
a pele remendada de nos construirmos
por sobre a ferida a arder, latejantes.

O sonho sou eu, é a promessa que fiz
em anos de arder, carne viva, infeliz.
Arte é querer ser côr, e recuperá-la
apesar do torpôr de não saber está-la,
de não ser ninguém, de nunca o ter sido
de em escassez além no mundo sofrido
que é todos a rôdos, presenças sem fim,
um grande salão de alegrias sem mim,
informal infantário de diplomacias
onde não há espaço p'ra simples grafias
de querer fazer laços com a liberdade -
Ser eu, sim, sim! Eu, dentro da cidade
onde não há espaço, pois tudo é concreto,
para um meu regaço, sem ter que ter tecto;
Eu, fonte rara em termos de jorrar,
tecido frágil e pronto a rasgar
deixando escorrer as gotas de sangue,
sangue silente pela pele doente...
de pouco respeito que o acalente
e, porque não, de amôr que me trate.
(Amôr, amôr... esse velho forreta
que da ilusão vai sendo alfaiate
disfarçando mal que não está escarlate,
rosa que murcha no tempo do jarro.)

Conservo em cristal essa esperança,
e espreito sempre que não embacia.
Tudo o que busco e revolvo nas horas
é mero e singelo porém.
É o sorriso íntimo de discursar ser,
a respiração de agradecer
com a essência vossa pluralidade.
É a vida que é esponja embebida em vós,
amizade que é o me descobrirem,
o me encontrarem, o me aceitarem,
ambição-cicatrizes.
Querer dispersar-me, e apenas.
Ser, para lá da ostensividade
de mecanizar o acto na abordagem,
de ferir a pele, raspando-a, do outro
qual espátula, incisiva sem dó.
Ser, sem primária lei e indiferença
que não o superior entendimento, comunhão,
o pilar de uma Acrópole humanista, bela,
onde as pessoas não têm nome, e sim identidade,
onde as pessoas não têm idade, e sim o presente,
onde as pessoas não têm sexo, e sim corpos,
onde as pessoas não têm moda, e sim ideal,
onde as pessoas não são consideradas inferiores,
pois há a noção íntima de julgar à superfície ser superficial,
onde as pessoas não são tratadas inferiormente,
pois há a noção íntima do sofrimento infligido infligir sofrimento,
lá, onde as pessoas são felizes, parte activa da felicidade umas das outras
na sua forma de estar, na sua forma de apreciar os momentos,
nas suas formas, sublimes e expressas.

Gente cristalizada, transparente
pintando as flôres que é
na tela impalpável do cosmos -
Quero ser um de vós,
lindas lendas,
dócil utopia.
E bem sei que és real,
minha poesia...
Fascínio que vislumbro
entre as pálpebras pesadas -
Lua que durmo estas noites -
acordarei por ti, à aurora.
Um dia.

Pedro 01:24

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Podemos ser vistos como planetas. Rodando, concêntricos, tudo em nós ganha um fulgor luminoso quando a volta se completa. É o da compreensão intrínseca ao ser. Num universo largo, nossa viagem obscurece-se facilmente entre outros grandes rochedos derivando. É necessário recuar no espaço para que o tempo nos esclareça, conjugando zonas de espaço que são memórias da jornada antiga de sempre. Vivemos, metades esquecidas, recíprocamente. Simples, a poesia é a curto prazo o sentimento de cada uma. Complexa, a vida - a curvatura, erodindo-se árida pela algidez nocturna, perdendo-se indefinidamente.

Pedro 18:54

Segunda-feira, Abril 09, 2007

Era a referência quem fornecia os pesos e medidas,
na filosofia que sucede à assimilação.
Presa a um fascínio, dissimulado.
É vida a arte, é vida o pensamento,
vida lutando nas malhas do que foi.
O tempo é tecedura.
Nossa consciência, visão apocalíptica da mais horrível redenção.
Não há controlo, apenas o acto de refrear.
Não controlamos, apenas esmorecemos,
pois que sem passagem a não sentimos.
Fechamos os olhos, pressentimos menos...
Tudo esmorecendo-se...
Pobre o homem que crê, que ele descrê.
Incapaz... - A nebulosa verdade que os céus detêm.
Ser criador é não estar à altura.
Ó grande pirâmide!... Sepulcro!...
Enorme antítese insolúvel!...

Pedro 00:42

Quinta-feira, Abril 05, 2007

O peso das palavras volta a impôr-se nesta falsa suficiência, ele como tantos outros. Nisto resguardo a estética dos pequenos acertos e desapareço. Socorro, que não me vejo a imagem no espelho do que estou, do que está! Resgatem-me o trecho náufrago da turbulenta, viciosa noite... O quem que te soa é já um alguém.
Ora feito o apelo, cumprida a cedência, vergada a arquitectura; d'ora me prossigo, insignificante às indulgências menores. Deverá assim ser, e bastar?...
Por ora... Bocejo... Lá longe, a hora passa... E o nada, que é tudo... Bocejo.

Pedro 22:53

Domingo, Abril 01, 2007

Um âmbito social me preenche hoje a indecisão. As horas passam de um outro à vontade. Alguma certeza se acumula nos sentidos, algo mais conhecedores do propósito diurno, e a noite reside para lá dos olhos vossos. A negrura fere menos, é mais duradoiro o chão. É assim sempre que me revejo em momentos acompanhados, sempre que constato a contagem, e os trechos de essência são suficientes.

Sabes a ânsia que tolhe a calma silente de um pano de fundo, que cala o diálogo com trejeitos de verbo sem frase? É a de não ser interessante, de temer o vazio, de evitar a recursividade inerente junto às apreciações necessariamente negativas numa complexada perspectiva. É a tremura de não ter uma base de expressões persistente, um conjunto rotineiro de falas e ênfases para cada fase exterior da presença, cada estímulo mundano, cada sentimento que lógicamente se impusesse à situação. Esse baço horror compulsivo de haver uma ordem maior, um culto de personalidades agrilhoante em exigências, agressivo em julgamentos, averso à concepção e ao acto de experimentar, averso portanto àquilo onde, potencialmente, me traduzo. Esse meu retrato exagerado de uma humanidade mais imediatista e hierárquica do que talvez seja, menos positiva e acolhedora do que talvez possa ser. É ele que vislumbro, certos dias, com pena, que fora arrependimento se culpa houvera, entre os farrapos de cortinas que ele por vezes me faz ir correndo.

Mas quando a luz bate, frontal, nas faces dos passageiros reais, reflectindo a eterna Novidade em seus traços carnais e simbólicos, reanima-se a alma e a beleza. E quando ambas se dão consonantes, e as notas ecoar se permitem, reencarno a viagem que o revérbero doira, entanto escasso. E o comboio trina e galga carris de distância.

Pedro 20:52

Sexta-feira, Março 23, 2007

Raspando o meu perímetro, ferindo-me os sons e a resistência, crispação férrea, não fenece a repercussão cíclica da tua garra. Meus pensamentos são interjeições arremessadas contra a fundura dos murmúrios, chão abissal. Como uma fera castrada, a maniota vergando-lhe o impulso irado, és a chama extinguindo-se no amplexo funéreo dos meus planos de pessoa. Sim, és o pneumococo ardendo consoante expiro.

Desenraízado da cidadela, polarizei, sem polimatia que não com a pretensão, líbido dos conceitos perdendo a carga. Mais que a massa, pesa-me a terra desertando os meus confins, espalhando-se sob a poalha característica do dia de abatimento. A silhueta do tronco é o substantivo cuja etimologia é incerta, solilóquio nas acústicas hécticas pelas quais recordam e pintalgam os zumbidos algum soçobro inquieto.

És a cruzada constante e o círculo, e eu as centelhas de bruxa que falhou a mágica de flanquear, descabelado sem fruto. Oh, ábditos músculos doendo pela floresta, seus tantos verdes tão verdes, tão externos... tão intrinsecamente externos, tão mais externos que eu...

............. frrrrt frrrrrrrrrrt (A noção disso arranhando, silvedos.)

Pedro 23:54

Domingo, Março 18, 2007

O definido dos contextos apazigua, ao enquadrá-las, as diversas pinceladas metafísicas que ele sabe e/ou descobre, autor, consciência e exercício fundindo-se. Serve de covil improvisado para as feras desordenadas do passado, que rasgam e dilaceram a planície durante o processo de síntese faminta. Covil, mas não abrigo, pois perdura a chuva confusa e real na urbe diurna, precipitando-se por sobre os charcos e encharcando os quadros difíceis. Surrealizou-se a promessa, e a ambição desfaz-se nesse ateliêr pobre de contorno, cuja difusa miséria se abate e repercute nos artistas assim privados de escolha, do métier. Da míngua e estéril impaciência se soergue um vigilante, húmido. Pelas esquinas, caminha e aguarda qualquer desenlace, qualquer traço de alma passível de ser desembocadura dessa fluvial tempestade, perdida que está, escoada que está a palette de viver, arrastada pela sarjeta indiferente a cores, a temas e ao cumprimento nele divino.

Pedro 15:44

Hoje, entretanto, eclipsei-me à circunstância vazia. Espero por um regresso teu, ó imponderável manhã da interacção respeitosa, que me faça regressar para reocupar o intérmino labirinto de abrir-me, respirar-me e sublimar a minha busca por uma paz maior, suprema. Rendido do resto, de joelhos para o pórtico que dá para a rua mundana que conduz aos verdes jardins, volto costas ao altar e observo como é breu o ontem, como é esquecimento o saber. Um cansaço absoluto desce sobre mim e fecha-se em meu torno, como uma mão cujo braço está prestes a perder as forças e assim o exprime. Preconizo apenas, sonhador mínimo, o amor e o carinho independentes de tudo que, com a maior das simplicidades, as almas passageiras ofertem à minha habitual orfandade.

Pedro 01:12

Sábado, Março 17, 2007

Revolvo o meu desequilíbrio uma nova vez e mal reparo como, das sombras de ondas que espumo com a caminhada cambaleante, fumega discreta a essência do ontem. O intoxicante odor a cinza adverte-me, sugestionando a erosão e até a perda, e sei os momentos como uma sina. Onde estou, que torneei a esquina de algo e do demasiado vago? Onde estou, que se me metaboliza a palavra pela rua desértica em que secam as vestes, os estendais de ninguém?

Da cultura, céu escrito ou colocação, entornada pela providência e raridade, embebo o filho abastardado num esboço de perspectivar entendimentos. Reverto as transformações e entrego-me, fiel por uma escassa eternidade à solene procissão de alma que é a precisão da paciência que reveste, numa esperança de recuperar uma outra, mais sincera e interior... Mas uma rajada de aspereza sublinha o gesto perdido, o peso do livro por ler, e as suas capas de nunca, encerrando o conjunto a ilusão de enquanto eu me permiti fingi-la. Foi emanando, do gesto de folhear, a côr alva e sólida das páginas, em lugar da transparência do conhecimento.

Sopro a mentira da lágrima. Restam por baixo as sensações esporádicas, reactivas. É da circunstância que emanamos, não tanto do método ou costume. A flôr recolhida aprecia o seu centro, nocturna, e aguarda a carícia de um novo astro que a permita sorrir a serenidade do perfil, mesmo entre o todo categórico e uníssono de apreciações diatónicas do que é.

Pedro 21:48

Como cisnes fluindo, passeando por sobre a coloração esbatendo-se recortada pelas sombras das árvores de fim de tarde, as frases derivantes na vaga impaciência que as velhas margens fitam, os seus verdes cansados de sempre. Uma ou outra ardilosa inspiração transparente, patas que se agitam no salpicado instante de ameaçar o golpe de asa, e até a inquietação é por fim airosa na maneira como se dissipa, concêntricas perturbações fugazes à quietude iniludível da superfície, apartadas pelo temeroso abraço díspar da impossibilidade turva da coesão. As rãs coaxam à passagem, recebem a sonolência da noite impondo-se ao seu desespero formal. Subjacentes à paisagem, os ruídos de fundo são-no cada vez mais, e é essa a verdade que emerge dos últimos raios de sol translúcidos, desmistificando a profundeza e os nenúfares. Ainda, uma conforme jangada permite recolher esses pedaços, como quem colecciona recortes de jornal para os estampar numa tela difusa e ritualista, memórias compulsivas e fugidias, membros saudosos de um mero corpo.

Pedro 00:49

Segunda-feira, Março 05, 2007

Vestígios de som, lembranças na noite

Os ecos nocturnos da arte
relembram que sofro e que sou,
relembram quanto existo e dou
à escura selva de almejar-te.

Em gestos eternos a sorte
atiça o galope, e a guarida
sua dista del' tão sofrida
o mesmo que a vida da morte.

Na bruma, pela voz envolta
(carrocel de minh'alma louca)
me entrego à intérmina volta

de te querer mais cá e boca
a beijar o querer ter-te solta,
tontura após ânsia... a voz rouca...


Pedro 02:43

Sexta-feira, Março 02, 2007

Eternamente, no limiar da espiral me provoco e à vertigem de repetir as alturas. Oscilo, e caem de mim as folhas que taparão, eixo abaixo, o centro da terra. A desorientação entranha-se nos ares que inalo, árvore abandonada. Podada a conquista do tempo, multiplica-se cada segundo uma míriade de invasões, rasto arenoso de tempestade, e a floresta vista de cima tinge-se confusa de limalha de rocha. O vôo é um músculo violentado pela asa, um abraço maior que o seu diâmetro. Famílias inteiras são laços quebrados, projectadas para o longe antes sequer de constituídas. Perde-se aos poucos a pertinência das frases, e os sentidos ressentidos não mais se enamoram do afim, escondidas as flores almadas no canteiro visual, seu disfarce múltiplo murchando, varanda que definha por ser arquitectura antes da casa. Escorre tinta velha, a frântica erosão rasgando-a.

Assim se despedaça o ambicioso apogeu aéreo, Ícaro após Natureza (incompleta, clareiras).

Pedro 20:44

Quinta-feira, Março 01, 2007

A vós:

Queríeis ver-me, produto, na leitura...
De ter do mundo uma centalha de magia
a acender-se pela chama desse dia
são ambições, vosso interesse ou a ternura.

São mitos do que sois, traje ou costura,
hábitos vossos de vestir ou de tecer,
imagens que às cores quereis rever,
abjecta a escuridão e amargura.

Mas deste fraseado não se avista
que a dôr exposta feia e verdade
cuspindo pela estética prevista!

Do côro irracional que há p'la cidade
falso artista social? Antes autista...
Minha é a voz sem personalidade!

Pedro 02:15

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Escava-se um nicho.
As águas convulsionam-se, humedecem o espaço.
Lesmas e outros seres do subsolo vêm espreitar.
Está reaberta a exposição no museu milenar,
rios antes das nascentes;
e as horas estão de visita.

É mais um dia de internamento.

Pedro 23:13

Sábado, Fevereiro 10, 2007

Dois fragmentos do Círculo da Recuperação:

Fertilidade

Entrego-me ao vento.
Onde estás, energia suprema?
Peço-te que me ergas deste chão; revolve-me, sublima-me, semeia-me pela sociedade.
Abate-me esta desterrada sensação do que ficou por cumprir.

Encantamento plural

Sou mais que alguém. Sou a vossa mãe. Sois o meu ventre rasgado de continuarem, de dôr contente e de amôr simples e natural.

Pedro 00:20

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

O desdém é uma pinça com que num cirúrgico rompante de brutalidade se arrancam as pétalas, que desabrochavam, uma a uma. Sombria, a gestação torna-se sonho, onde se dá à luz uma jangada e se premeia o passo com o calçado de pisar novamente e pela primeira vez. O verniz substitui os vestígios de cor que entremeiam as páginas de um livro calado, consciência borrada de romance por um lago. Suas águas paradas, tingidas ao de leve por uma brisa imperceptível, são a seiva a escorrer melosa pelo caule hirto ao vento, vegetação na memória de crescer. Um esforço alegra-se de sorrir a embarcação, com o recém-nascido dentro, ao encontro do marítimo azul, da paisagem geral de mundo e de belo. Experiências, a sensação de ser mãe está versada para adiante, para o horizonte de reminiscências de viagem. A pessoa contenta-se de algo em detrimento de si.

Pedro 23:21

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Das últimas duas semanas:

Ergo-me aqui, um hoje alto, futurista.
Deste antevôo, derroto a vertigem vazia.
As gaivotas surgem, como que proclamando,
e a vitória é delas o bater das asas.
Desafio a amurada. Sorvo-a até ao fim.
O fundo da chávena são grãos de amor,
e as gaivotas mergulham, debicando.
Esta reciclagem é a higiene do sonho.
Purificaram o rio. As fábricas tiveram greves.
Os despojos da mentira foram coados primeiro.
A mágoa não cabe no balde, afoga-se pelo poço.
A água sabe a cristalina, o seixo a medicina.
Há uma enorme pureza na ilusão colectiva.

Porém, a massagem é duas -
o espelho rachou de real, e é-o por fim realmente.
Numa delas, a mão que não está está aberta,
e no seu centro a dádiva dos sentidos;
na outra, a mesma, há só nada, um punho fechado
cujos tendões dormem a vida estendida.
O passageiro estremece o comboio no sobressalto de si.
A ponte está para trás e a travessia ruiu.
Junto à bagagem ninguém lhe deita a mão.
O impulso desiste antes de um cadeado.
A chave da confiança aguarda perdida num bolso,
mas os dedos têm sono de saber em qual deles.
Rasgou-se-lhes o sorriso no arame farpado.
Saltaram a cerca e fugiram, de pontas e dôr a abanar.
Brincaram às cicatrizes cá fora, num pátio
que não era um jardim, tão pouco uma selva,
e sim uma espécie de mistério pantanoso.

Ao pegajoso passado que tanto exaspero
brado hoje um simples hurra, estaca zero,
apoiado na alma calma e ciente,
expectante apenas vagarosamente.
A plenitude de sentir está ali, à minha espera.
Sei-o das rãs que chapinham nos charcos
que por esta torpe paisagem passam barcos
capazes de atravessá-la e à quimera.
A um golpe de leme dá-se a guinada
da contemplação perante a alvorada.
As antigas braçadas tristes e inúteis
iluminam-se douradas, aladas, quase úteis
formas de ser, de estar e de abraçar
nestas palavras, sons dos pensamentos,
a minha própria forma de observar
o que exterior me apazigua sentimentos.

E até que alguém me interrompa num silêncio desigual,
a prolífica ilusão de traçar vida virtual
será um vago sorriso, emoção vaga mas real;
até que me empurrem de ameias, do môrno calor,
até que a areia ceda às ondas, à espuma de dôr,
beberei tragos altivos de paz com gotas de Amôr.

Pedro 01:50

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Vão vendo estas minhas páginas passadas, pretendo actualizá-las mais vezes nos próximos tempos. D'anteontem:

Esvai-se-me a palavra perante a verdade da folha branca. Estou-me a sentir mal no meio desta gente toda. Sua paz é seus ritos urbanos, e a confiança simples de ser.

Assenta em mim também uma paz triste, com que olho a passagem geral. Vejo não só a distância de mim para com todos, mas sobretudo o quão distante estou de ela mesma. É como se um espectro meu se houvesse despegado de mim, e soubesse de antemão a vida do fundo do tapete rolante que actualmente me leva. Como se o estímulo de haver gente em redor, a breve oportunidade de entabular em interacções promissoramente espontâneas, ainda que fugazes, se diluisse numa excepcionalmente recuada maré, hoje não por acção da Lua ou do Medo, mas dada a claridade com que vi para lá dela, dada a nitidez da provável insignificância de qualquer troca de palavras que me venha à imaginação, qualquer aproximação ao entendimento que efectivamente consiga, e dada a transparência do desalinho maior por trás disso.

Observo como rendido e submisso me perco mais do mundo para me poder encontrar a mim, a sós. À medida que saram as metáforas, dou comigo objectivamente mais distinto, mais estranho a eles, e com menos disposição para mentiras e para verdades. Coagulo em silêncio.

Pedro 00:14

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Chegado aqui, o remo é ilúcido. Conturbada pela correnteza, a quilha de murmúrios resvala por fim nos areais. A crista trazida é a mística desfeita, um rombo de dispersão frugal. Lamacentos, os desígnios são agora imposições já nada camufladas, percurso entediante de bote até uma costa. Imponente, a física do barco é as linhas esbatidas ao longe, infraestrutura sem prédio. Tal construção abandonada faz lembrar a incapacidade, destruídos (incompletos) a um mal menor, insignificante. Já a significação dorme estendida às memórias rubras que anoitecem, restando só o incompleto da queimadura, o peso invísivel de as cargas se afundarem. Ciclo empoleirado na gaiola total, a gaivota da passagem anuncia-se de novo, aérea, superior. Algumas das suas penas bóiam serenas (fatídicas) no charco de estar.

Fui hoje algum mistério na Arte, mas não Ela, mas não Mais. A intriga das linhas potenciou alguma visão, algum chamamento devidamente tributado (medições alheias), mas pouco enfrentei o proveito, pouco atravessei o remoinho. Os nós dados assentaram consigo a corda, foram lacra pronta em envelopes de unção, sacramento da dissertação como tal. A insuficiência decalcou pouca a tangibilidade do novo, salão de espelhos a coordenar o concêntrico dos caminhos, cartas prescritas (pois citações) atiradas ao mar-reflexo, sua extensão algo passiva e limites.

Natural, sento-me numa escada à beira-mar, humana e de pedra, e adormeço enconstado aos degraus, que vagos sobem e descem ao ritmo distante da maré próxima.

Pedro 00:19

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Perseguidos pela não-Arte, os fotões circunscritos clareiam-se aguerridos de precipitação. Baralha-se o gesto sistémico, confuso por entre os naipes da fricção e do ouvido. Clareira intermitente, o espaço é também observação, eco, e surdina, principalmente surdina, transiente reduto com uma noção patética. Misto de solene (holofote no tecto de imaginação) com temível e silente (pedra e entulho do fundamental pilar amontoado), a demasia local, preâmbulo em recuperações recorrentes, imensamente intencionais, de haver entre as capas. Em contra-partida, os carris libertam-se da guinada por projecto baço, antigo e rasteiro, nada que a hora dos terramotos não abale científica. Curvas, as tragédias estudam o artifício romanceado de se serem, ruído na conversa-carruagem, fixo trilho alternado da pouca inventividade. Cede porém o flagelo do conformismo, sempre, à alusão camuflada de pombo-correio, à simpatia do concurso enquanto desfecho, e a sinceridade destina à Mulher todas as Mulheres a mensagem impossível de um sorriso. A Verdade aguarda que, não turvas de periferia, as águas da realidade reflictam a leitura respeitante, flutuando nela. Ondulações, a legislação harmoniza-se paciente num decreto convergente e derradeiro.

Pedro 02:34

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Não sou que um discípulo tímido de Mim.

Pedro 19:04

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Pelas áleas do espaço e pelas áleas do tempo,
caminho para amanhã numa procura do hoje.
Perco-me na rota e perco-me no descaminho.
Sou um altar à quimera na paciência do sítio.
Dou-me ao circundante como me dou a ninguém.
A oferta desaparece junto à casualidade.
Despeço-me de tudo, e despeço-me de todos.
Ecoa todo o silêncio onde o ruído não é comigo.

Pedro 04:58

Despejo-me para a comida, hoje rebordo prenhe de fomes. A distensão tacteia o sal do cajú, ânsia na pele, aquela que é, no cérebro, desocupação. De encontro à mão estendida, o fundo do prato, a tela impenetrável escorrendo as tintas do inicial, o pincel num coma que se aprofundou. Em cada vez mais electricidade, o parto submerso na tisana de sempre dá-se efervescente pelo abismo, mas só a verbalização do espelho inciente (turvo por reflexos) é as folhas aromáticas a boiar suadas. A banalidade da impressão digital afugenta o monoteísmo do vôo, traçado no intermitente que lembra agora a nuvem, disperso esboço de viagem. Refulgem, por sob a ponta física da aproximação abstracta e intuída, as anulações em branco total, que alguém inferirá húmido ou fino. Durmo o mundo em mil gestos, sonambulismo recortado às artísticas veias do azul-céu, conjuntura prescrita de intenção, e ainda assim tangente à óptica, intrigas esculpidas no fractal de poros. Flébil tesoura, estendo a estampa na farsa primaveril. A punctura, agulha sozinha, é a noção de se ser discípulo da rotação. No centro do horizonte, realidade vária, vértebras são espalhadas por um tornado, leitos os terrenos dispostos em distância presencial. Sem ortopedia, a vontade é absorta - rito, dôr, e sequência (outra vez a hipótese).

Pedro 04:25

Domingo, Dezembro 17, 2006

As coisas à solta.
Um horror incerto, esbatido, pelas certezas, pelos dogmas, pelos outros.
Ao não ser o míudo, procurar garantias?
Alimentando-se de coisas que vão fazendo predizer as seguintes.
Mas não, claro que não...
Ser o volante, o guia. Explorar sem explorar, ser sem querer ser, sem ter de procurar ser.
Mas o que é feito?

Sei lá o que é feito.
Sei lá de que sou feito.
Não sei bem o que estou a escrever.
E sobretudo, já não sei como é que passou tanto tempo...
Desde que fui.
Desde que passei a ser fracções, quando fui.

Acima de tudo, a simplicidade dos laços passou-me a pesar como uma coisa disforme. Em deficiência, vezes houve em que esganei as mãos por me esquecer da transparência táctil do tecido. Outras, doía-me a ponta da agulha pressentida, ao enrijecer a pele, membrana defensiva e estéril, embebida em vagos cremes de identidade perdida, emprestada às sucatas de Ninguém-Alguém. Contra o novelo fatal, contra a dôr pungente da rotura, a agressão total que assumia [a insignificância | o excesso de nada | a própria fragilidade] expostas, contra a sarjeta que era tudo, e contra a mentira que eu sentia ser tudo, um adiamento do rebaixamento, uma absoluta dôr de mim, uma em descrença esmigalhada pessoa, com forças para procurar, para ir tirar um curso, para chegar lá e ter um pulso, desde o primeiro dia, um pulso cerrando os nervos, tendões vampirescos de presença, a energia que é as cinzas, "o que não mata, torna-nos mais fortes", mas doía, doía sempre, o limite da voz, o limite da segurança, era o limite da cidade, a falésia do espírito, a dôr do caminho. Aproximação a qualquer coisa, as brasas lá dentro, a fuga por reinvenção, rotina, postura. O pé ante pé das pequenas palavras trocadas, tangente à dôr, a meio evitamento. Mas nas horas da morte, no vazio, na solidão, mais tarde ou mais cedo, o chamamento do Novo e do Comércio de almas abriram uma e outra brechas, rasgaram o papel machê do presente, e destapada, a situação foi voltar ao mais íntimo nível, e a esse mesmo, confrontar a distância, chocar com ela. E neste ciclo se repetiram novas crenças, perante a progressiva concepção das novas envolventes. E neste ciclo se reformaram mais operários da essência, até que o lar ditou uma desistência por assumir, um reconfigurado palácio de nenhures, uma rotina pintalgada de hábitos-ócios por cima do vazio. Até que um dia, das reticências de emoção e sonho, o esporádico tiroteio das amizades (periféricos amores, conceitos enlameados próximos) tornou-se bombardeio, disparidades anularam-se em espiral de alma, e as novas rotas, na paz fria e simples das manhãs, do sol, da rua, essas as vagas redentoras enquanto tais.

E nada disto basta como biografia, nada disto é mais que abstractas veias do que se conseguiu ou se pôde ser, ou ir sendo.

Pedro 17:34

De 27 de Outubro:

Esgoto-me.
O sol é um capricho.
Arde a impotência sem tempo.
Que a sombra obscurece a memória e o nós.
Fere a chama escura.
A reza escritura apagamento.

Pedro 17:31

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Hoje, quedo-me triste como um píncaro. Cansado, maquinalmente. Os meus bocadinhos de diferença esquecida, de sensações e consistência diluída num haver gente e mundo, transtornos invísiveis na fragilidade com que estilhaço e perco a conjectura paralela, esses pedaços de crosta que me doem na pele ao irem caindo, desfazendo-se liberdades vãs pelo tornado fora, mortes prévias sem cemitério...

A dureza da impotência, a dôr da simplicidade, a fome de não ter fome, de não engolir as mentiras todas, de não me engolir escassez. A aspereza de tudo isto vomitar o seu significado, em todo o externo, para o fora-fim. Dejecto de fragilidade.

E depois, há o ninguém (nem remoto) em que recaia isto com franqueza, em que recaia o eco de uma mensagem talhada, não há um verosímil sequer que me corte as veias deste palpitar suicida que é o quarto sem dormir.

Resta uma conclusão sem palato deste remoer-me frugal que inconcluso resta.

Pedro 03:09

De finais de Setembro:

Um palácio circunstancial e hoje. Paredes decoradas de lembranças anímicas. Corredores sangrentos de bombeando anémicos o labirinto. Um átrio de varandas viradas para o interior. Uma fonte ao centro, que chora o tempo a escorrer. O burburinho da oração a diluir-se nele, mentiroso ritual humedecendo-se. A sanidade forçada da relva sintética. Lá no alto, o sol consciente emudece-se de desígnio, e a liberdade desmorona-se neste intervalo edificado que aparta ruas e movimentos.

Pedro 03:08

De 29 de Agosto:

O ar, de necessidade carregado,
torna-se a pressão de deuses
indefinidos, talvez fáceis.

A ferramenta substitui o objectivo,
tendo por componente funcional
veicular acessos.

As hipóteses percebidas legislam
a formação do fluxo de energias
em si inteligentes.

Por inconstantes emoções esvoaçado
o céu desaba, feito de quimeras
que já foram outras.

As coisas nascem o que têem sido,
transferidas cargas do querer
que é o condicionamento.

A meia meta se repete a vida,
produto passeio por terrenos
alguns, pouco férteis.

Pedro 03:06

Terça-feira, Setembro 26, 2006

O vício-sabores vem falar comigo. É escusado pintar o céu: a queda sem precipício, antagonismo impávido e, por fim, triste. As migalhas-reflexões não saciam o congénito existir ali, que se esquece de desígnios ou de entidade, concretizadas numa poda-fome que foi os momentos abruptos de continuação-tronco. A última análise é a esperança esquecida com o barco na margem oposta à travessia, enebulado rio-visão de lembrança azul.

Pedro 01:02

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Não consigo calcetar a esplanada do supérfluo. As pedras que há são o tropeçar nelas. Não consigo calcorrear a escada do exagero, e o degrau que se segue é o desespero. Não consigo contornar este sinuoso fútil, acalento do mesquinho, dor de intromissão. Monumento antigo, hábito imposto, és o meu castigo, ruga no meu rosto... Erro acumulado, banalidade militar, és construção num estrado em suspenso, falta de ar. O provérbio social, irrequieto estéril. Toda esta transcrição de certezas erradas, esta prontidão oca, toda esta escola da voz alta, um nojo de cerco. Quando a realidade dos pensamentos se imiscui sonoridade, alguém me arranca a ponta da língua. A saliva dobra-se seca, o periclitante estabiliza-se hirto. Encostada a uma triste amurada, a arte espreita a paisagem por conquistar. O tempo imprime-se opaco.

Pedro 21:45

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

E vão uns traços algo banais de o serem, algo salientes em exageros relativos. Vagos traços de possibilidade hipotética.

Dia 18:

Tenho no centro de mim a resposta.
E que resposta...
Chama-se prazer, derivado da paz.
Hoje, acarinho-me enquanto duro.
Ça, c'est l'aujourd'hui.

Filosofias conscientes,
visões duras sentidas na pele,
as coisas que acontecem,
tudo à parte.
Eu sou o querer ter-te ao meu lado,
minha pessoa abstracta por vir,
meu Amor.

E para lá deste amor embriagante,
sem causa nem destino?
Este amor absoluto que tanto cega?
Um silêncio, hoje tímido,
hoje verdadeiramente inaudível...
mas sim, um silêncio,
e sobretudo uma voz calada;
uma construção em suspenso.

Dia 19:

Todo este grande manicómio,
todo este grande hospício
alberga-me a incerteza indecisa.

Tenho de voltar a tocar,
isso é certo.
A única ilusão que vale a pena
as vezes necessárias.
Já na realidade, é tentar -
É ir tentando,
quando for caso disso,
quando não houver premeditações
que a façam passar a ser uma outra tentativa,
uma de cumprimento.

Dia 22:

Este contraponto que prevalece antes de seja o que for, que se substitui ao futuro e corrói os inícios, desmorona as pontes, enfurece o vazio, despromove os preenchimentos...

Mais vale é não pensar nisso.

Agora:

E isso custa, especialmente quando há uma dinâmica social dos contentes instalada. Mas talvez eu seja fraco, ou enfraquecido, vá. Lá simples sou, em vários pontos de vista aprendizagens empíricas. De resto, sei que tenho potenciais determinados. Resta verificar na prática as medidas disto e daquilo, e balancear a coisa.

*

Pedro 00:52

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Tantas vezes, que me deixo sair de cena, abortar a segurança, a desobstruída vontade de entendimento, precisamente quando sinto ter algo para dizer, quando sinto ser o momento de avançar.
Um espírito que se dissipa no assombro da realidade, contrariado a curto prazo.

É só este, o traço irreflectido que vos trago hoje.

Pedro 22:40

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

Da mesma forma que há por aí tantas vidas em rodopio e sentimento, há por aí tantos grupos de amigos. Há algo de óbvio e natural na sua forma de lidar com o mundo, que passa por terem todos tido amigos com quem alimentar os traços básicos da sua maneira de estar na vida, com quem adquirir a noção íntima de segurança na posição, no trato, para poder dar-se a uma gestão inconsciente do seu trilho de vontades e hábitos praticamente próprios, sem sensação de novidade nem de perigo demasiado subjacentes.

Mas terá que ser sempre esta a história de uma pessoa normal?
O que me leva a pensar... E se nós formássemos um grupo de inimigos?
Queres ser meu inimigo?

Ora este sou eu: nasci num dia, e vivo num determinado sector da sociedade.
Agora já me podes odiar - comecemos!
Vamos tomar um café discretamente envenenado. Vamos jogar à pedrada. Vamos falar de insulto e difamação. Yuhu.

Não sei lá muito bem se isto cabe aqui no meu blog, é que...
"Ah, mas tu tens um blog."
Sim, parece-me óbvio. Vago, mas um blog.
"O teu blog.. mas tu, quem és?... Um ser vivo suponho..."
Sim, parece-me óbvio... Vaga, mas uma vida.

"Estou a ver."
Pois. Gostaste desta repetição de estrutura na resposta, do reforço (que é o padrão) da incompletude do conceito inserido, e do acréscimo em dramatismo (que é a pompa do inesperado) pelo crescendo de gravidade dessa incompletude, portanto. Ou pelo menos, sentiste que tal sublinhou o dito.
"Pois sublinhou."
Pois.

...

Se tivesse mesmo gente na minha cabeça com quem elaborar, dialogar!
Como dizia o Sr. Álvaro de Campos, "Se ao menos endoidecesse deveras!"

Pedro 02:29

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

De volta
à
banalidade,

no mau sentido
da
palavra.

Fragmentário
me
despeço.

Pedro 23:55

Enfim, não sei porque faço estes posts mastigados, pois do que fica explícito, eu próprio tenho de fazer um esforço para extrair os significados que queria dar aos símbolos... Se o consigo ao de leve, é mais só porque me lembro... Digo isto porque esta foi mais uma vez em que tal é atroz. O problema é quando faço a passagem entre significados, quando introduzo novos elementos que vêem no seguimento do propósito semântico já exposto, mas que se não estiver suficientemente estabelecido (e raramente o está) torna ainda mais vago o entendimento deles, e ainda mais vaga a coerência da sua correlação. Interrogo-me se alguma vez alguém consegue contornar totalmente as interpretações erradas? Espero pois que não se ponham a encontrar ideias perigosamente diferentes das minhas nos meus posts.
Mensagens subliminares, ou isso... Por favor não vão invadir a Espanha com uma fisga de atirar pastéis, e um penico na cabeça para proteger dos touros. Não afoguem os vossos quarto e sexto filhos em água potável e voem até ao maior deserto do Sudão para oferecer os seus pulmões a dois birmaneses que lá foram vender autocolantes do seu clube de voleibol para coleccionar, mas que se perderam do safari dos clientes após uma tempestade de areia, sendo que o tornozelo do primo de um deles tinha sido acidentalmente pisado por um elefante quando era tratador de um zoo algures na América Central.
Espero ter-me feito entender, que isto às vezes pode haver mal-entendidos, cuja possibilidade me passa ao lado quando escrevo, mas que às vezes mais tarde dou por ela.

Pedro 02:44

Fazer coisas
e despachá-las incompletas.
Falhar a estratégia do mundo.
É dormir que quero?
Nem isso - acho.

Certezas, muito menos...
o requinte não passa de as coisas vistas através do véu-nós.
Esquece quem queres ser
pois o não queres ser.
Estás a pegar em fogo-fátuos,
mas o amor de verdade é cego.
O amor de mentira é forte,
mas esvanece-se.
Assim que a mão deixa de ser mão,
sente-se a queimadura do tempo passado a segurar.
Assim se agarra na percepção.

Esquecer as tensões, as posturas,
essa falta de objectividade no desejo da vida
ao tratar o gesto-voz por objecto,
ao morder o engodo da situação.
Mas por trás da situação há uma outra,
por trás da mesma ainda outra, e por aí fora,
até que os engodos são outros
e as máscaras de tradição caíram uma a uma.

Mas e depois?
...
Depois, fecha-se este capítulo habitual,
em conivência com o que foi dito,
de certa forma por determinar.

E dói,
o facto de também não ter dito nada.

Pedro 02:24

Sábado, Agosto 05, 2006

Ecos de Deus


I
Viagem universal

Alguém perdido num firmamento
vê o eclipse do requinte.
A cósmica luz cujo sustento
é a partícula que se sente

atravessar os espaços negros,
as cintilantes auras esbatidas,
essa luz de vôos íntegros
que torneia as várias coloridas

faces da matéria, de isto a lira,
à velocidade da luz se apaga.
Escurece, iluminando a mentira.
É a vida o que o vácuo esmaga.


II
A côr da dôr

A dor é réplicas do porvir
degeneradas, impressionismo,
pintalgadas telas do sentir,
representando o malabarismo

de existir. Azul a mágoa,
a púrpura raiva a tingir:
pedras atiradas à lagoa
de estar à beira do fingir.


III
Ecos de Deus

Deus espreita, na mão a ânfora,
e bebe uma poção sem esperança.
Divino é só o que vem lá de fora.
Solene é só a brisa que amansa.

Se tudo apodrece,
que apodreça também o requinte.

O silêncio é uma lira morta.
O ouvido, a consciência calejada.

Que o ar rasgue e desfolhe
isto.

Pedro 22:39

E os relógios pulsam a pouco e pouco.
Não estou aqui a fazer nada;
estou a adiar o provável adiamento seguinte.

Tudo se consome, tudo se gasta, e na corrida de sempre, continuo parado.

A minha maior saliência é todo este estar parado,
rocha de aridez e erosão sem causa;
a erosão de ela mesma não ter uma causa.

Tudo é mormente o momento de agora, e uma estilística caverna de vício sem química.
E nem sequer tenho um grande sulfato que escrever.

Pequenez sem pena ou nada.
A tinta é falta de evitamento-liberdade.
Esborracha-se,
no ecrã impávido e implacável.
A cabeça só se soergue num patamar antigo,
de quando em quando,
para saber que não está à vista.

Cobrindo o pátio-novidade, um gigante mata-borrão
parado.
E diluo-me continuação,
entre aspas.

Sem.

Pedro 21:29

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Sentado em casa, a perder horas,
a paciência é a metáfora
que se fecha e tranca
na chegada que ainda dura,
imensa, lânguida.

O não ser blindada
faz-me lembrar uma flor
com menos muitas pétalas,
ao descascar uma distância
de menos uma calma.

A pessoa e a carne capturadas
amplificam-se selectivamente
por sob a matéria moderna
que lhes faz sombra.
A hora esquece-se de mim.

Abandonada pelo pulsar,
a solidez é uma lâmina inútil
e nela, vaga, espreita
a imagem outra do desperdício,
hóspede num compartimento.

Quase encerrado aos que vêm,
mesmo que de um país inteiro,
alberga a ferrugem das chaves,
definido, e quase a estima
com a arquitectura acumulada.

É realidade,
o nome que figura
na placa que não é dianteira.
Embrião da indiferença,
o único contra-dialecto.

Pedro 00:12

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Aí ficaram dois pequenos contornos esquecidos. Inspeccionem também as minhas partes alheias, transcrive mais algumas.

Pedro 02:48

De dia 7:

A nós, privilegiados num ápice,
como nos sabe a pouco o português.
Como nos é poeira o dialecto.

Odeio alguém. Já não sei quem.
Os meus sentimentos são cacos
sem rótulo antigo nem inscrição.

Este poema é a mesma coisa,
um conjunto de fragmentos
do pensamento partido, rescaldo.

Fica apenas a escrita empilhada
de quem não tem mais nada para fazer,
e a noção patente de ela ter um sentido,

um sentido distante, sem as forças
para impôr a ordem à confusão,
que talvez seja o agora face às horas acumuladas.

Pedro 02:47

De dia 6:

Perpasso. Pelas áleas da separação atenta, almejo o veículo situação. Mas não sei como endereçar o momento, na réplica da correspondência a que me alio. Fervilho sem assinatura na caixa postal do anonimato, mal preparado para a viagem frigideira.

Pedro 02:46

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Abro os braços ao ar vazio, indagantes, um como que grande provedor da demência. Aspiro largo como alguém. Detenho-me num sorriso desafiante, enquanto o tempo sonorífero me invade a estética.

Recolho-me numa larga cadeira de estar, e retraio os lábios num outro sorriso nostálgico e aborrecido. Chego aqui com a minha ponta humedecida, que se me depena escrita.

Contorno os charcos de mente, atravessando-os. Sou um enorme míudo aos pontapés na lama da noite, do alto do meu Vesúvio Lua. Detenho o súbito da insónia. A coroa de louros tempera a ribanceira abaixo de uma penosa idolatria chapinhada. E ambas fervem discretas...

O paragráfico do relógio é só mais um apetrecho. Visto-me de uns pés descalços, e sonho a rua e os pátios do alcance. Passam por mim as dobras vermelhas de uma margem aos poucos fluida, e procuro atravessar aos tropeções sem espalhafato.

A calma, a calma... Uma pirueta de alheio sem dança. Uma confluência dípolo de passado com futuro. O marco de uma estrada nele apoiada, nele repousante de extensão. A senha híbrida da refeição de bocados, uma pausa entrelaçada por lianas. Um urro distante e psicológico de selva surdina.

E desenrola-se... E ao frondoso se torna... E sublimiza-se a poeira melosa como um pequeno-almoço da apoteótica reflexão-dia de contrários. O premente pulso-próximo, alforreca a dar à praia, espuma de um efervescente espaçado e solene. Mas borbulha, rotineiramente...

Para quê? Retine a dormida. Exageros sem módico. O mole simples? O estável nulo? Para quê!

Pedro 10:10

Quarta-feira, Junho 21, 2006

De dia 13 (madrugada):

Estarei cheio de vitalidade?
Sei lá.
Mas cheio de, é uma expressão detentora de bastante, senão na verdade, então na carga de expressão e de hábito que acarreta.
Mini-coisas mini-pensadas, assim.
Sinto qualquer coisa esquisita, uma simplicidade no enleio teatral das emoções ligeiras fortes, aquele ímpeto quase jovial, dirigido para nenhures, numa transparente aura de imaginativo primeiro.
Como se alguém colasse mais uma pastilha elástica em torno do elo menos frágil que baloiça, místico ainda.
Realço apenas, de caneta marcadora a carregar o lápis vago, o muito lado por que andei, a quase oposta instabilidade outra, aquela que não esta, dual sem fronteiras, equivalente a um certo nível, na pausa do desgarrado invísivel.
E falo de ter andado, porque isto é uma espécie de retorno, esta minha nova casa de intransigência da mente de firme tendência para o estúpido.
Desleixes da dor que se finge adormecida?
Um gongo que soa inconcreto a cada esquina, minuto, pressuposto, guião social.
Característica disto: a sensação imensa de dispersão quando me arrasto. A sensação de excesso e de desnecessário quando me procuro calmo dizer sem imediato.
O meio faz-se capa, o "não um" puxa idênticas quantidades, e as cotovias cantam algures, sem terem nada a ver com tudo.
Porque o som pensa que manda.

Pedro 03:46

Domingo, Junho 11, 2006

O abstracto som da inconclusividade, arrepiante, traz consigo como que

Pedro 01:50

Sábado, Maio 27, 2006

E às tantas, ao olharmos para fora, vemos coisas cá dentro a retorcer-se, a aspirar o sopro tão esperado de rememoração com que esboça um sorriso-emoção, repegam-se as pequenas pás-desejos com que se procura revolver a eternidade numa imagética de vigas-passagens dos edifícios sinfónicos, que são as várias recordações metafísicas em aliança afinada e peculiarmente aliança.

As palavras são disso o melhor exemplo: escrevem a garra que procura não deixar o andamento-eu expirar em sequência, o mestre-de-obras que grita intransigente na presença do fim do turno, enquanto os trabalhadores viram costas intangíveis.

E é isto. O caminho retrilhou-se sob um pé de obsessão mais firme. Em tudo, a mesma intemporalidade, a mesma propensão à chama, e, tendo a vida por desilusão impotente, a mesma susceptibilidade maciça nos reflexos de privação.

Pedro 03:21

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Actualizei, por aqui e por aqui.

Pedro 01:22

Domingo, Maio 07, 2006

As coisas são tantas vezes tensas e implacáveis. Sofro em tudo a austeridade. Os míudos em redor brincam às atitudes rápidas, certeiras e completamente ocas. Como lobos, exploram a ausência de moderação, renegam a compreensão do que lhes é diferente, e em tudo o que lhes não é estímulo à visão social pré-fabricada das interacções em voz alta e precipitada, o seu edíficio emancipado, vêem a ovelha a dilacerar num surto rápido, deixando para trás o trilho sem espaço para remorsos. No banco da frente, o ar carregado transpira migalhas de memórias contraproducentes, uma conjugação de esforços antigos levianamente inutilizados. O vazio absorve essa mesma atmosfera e nutre-se bloqueio policial, colete de forças, ou qualquer outra imagem igualmente expressiva para o internamento da liberdade.

Após o passeio de autocarro, extenua-se o ar condicionado, sacode-se aos poucos a electricidade estática dos membros entorpecidos, e disseca-se a dôr para que o vento a dissipe nas entranhas, ao passo progressivamente cântico, prenúncio de sanidade enquanto simples.

Um quadro móvel de sentimentos e imobilidades que existem, e que por isso devem figurar.

Pedro 23:29

Domingo, Abril 23, 2006

uma espécie de comoção húmida
o terreno charco lodo da vida antiga
o pouco espaço de um mergulho correnteza
a falta de acção
contrapostas pontualidades longas sem alma
conspurcação reactiva
o súbito céu, por entre o nublado que se rompe em choro
um sumário de tema perdido,
uma noite sem tema
a apenas meia dor dos farrapos embebidos em clorofórmio
uma noite ébria de vazio
a apenas meia dor dos farrapos secos de emoção
a meia dor de já só poder ser meia
a dor da lembrança ser na verdade o esquecimento
a reinvenção que dita o difuso espectro entre neurónios
e tilinta nas suas arestas desafinadas
perdido que está o sentido,
a emoção da verdade
sem capas, sons ou brilhos mentirosos...
e tilintam palavras entidade abaixo
perdida que está a identidade,
o sorriso do indefinível
não ter personalidade trejeito mania...
anda mesmo chato de se repegar
o objecto no chão andante
escada rolante da derrota
caída,
recaída

Pedro 00:00

Sexta-feira, Abril 14, 2006

E procurava viajar pela aproximação conceptual daquilo cuja consistência me era estrangeira.
Depois, às vezes, deixava-me arrastar pelo vento em pretensão a tornado.
A submissa verdade em suspenso baloiçava, de um ramo antigo e débil.
Quanto mais se definia, pelo primor do hábito e da adaptação involuntária pensada, o modelo usurpava-se do objecto e desfocava-o ao dar-lhe uma resolução.
A natureza misticamente morta do passado do futuro espreitava pelas frestas da janela fotográfica e soprava, de esquecida, a brisa recém-dissolvida da claridade fresca invisível.
A reflexividade do imperceptível, antónimo de imprecisão, fazia-se sentir póstuma e analíticamente (ao não se fazer sentir, como é evidente).
O mistério ocultava-se deixando de o ser, para que mais tarde pudesse regressar em força, com os braços pendentes, brandos e desfolhados após a força da tempestade.
Um cérebro, reaproveitado corpo de reflexão recriativa, refinar-se-á contraste enquanto mente dramática de lembranças do comando disseminado posterior pela funcionalidade impaciente, sobejando na beira do prato de alma a própria, prato de propriedade no sentido possessivo da palavra, pela liberdade, fim de míngua.
Mas enquanto isso, só a antevisão entrincheirada povoará uma espécie de guerra sem oponentes, conjunto de repetições de ruídos que perderam os tiros por disparar, confusos por isso, disfarces por isso.

Pedro 23:26

Sábado, Abril 08, 2006

E eis que, a súbito, caem panos sobre panos sobre panos, cada um de várias cores distintas das anteriores, formando padrões de confusão garrida e junta qual pilar não lato, fundamento da estética, flores para os meus ouvidos em embalos líricos de nervo esvaído, fio de aço polido da sua rigidez vibrante, braço de violino transformado em mão de alma acariciante, sonata de inconsistência absorta, mas sonata espasmo de ignorância vaga e indecisamente prazentosa em pós-explosões de paz, fulminante multicolor, torrente doce e indiscreta de lânguidas línguas de mãe hiena, perpetrando o animal em ferida de apaziguamento, a carne em beijo de antídoto metaquímico destilado do positivo no sentimento.
O que antes não fazia mal, com a intenção sôfrega, agora, em instantes ilesos, não faz mal, ao fazer toda a indiferença.
O mundo são arbítrios da ilógica, e nós seus plebeus de floresta vária.

Pedro 00:40

Sexta-feira, Abril 07, 2006

Estou, há um bocado, despegado de mim.
Irrita-me tanto, desespera-me tanto, ver emprestadas ao esquecimento todas as possíveis descobertas que houvera vindo a consolidar.
Mas a paciência é aborrecida, de tão improdutiva que é esta minha parede de tremura.
E de repente, do som de sonar mas reduzido de impacto, pelo que irritantemente insignificante na sua tortura, mergulha uma susceptibilidade interior, uma como que lágrima antiga que se acende por dentro do não existir já, nem nunca, e remexe de húmido o imenso despojo pastoso, sem contudo acordar o torpor de mim em si imerso sono.
Complicadamente me prossigo inclinação corporal na beira de uma mesa gigante e suja de restos de um almoço aflito de esmigalhadamente inconcluso, não bastante, mas igualmente imenso.
A nódoa disseca-se suja e complicada, para que eu ressurja pouco mais que nada.
Todo o compreender serve para descompreender, ao que se finge por hábitos, o enraizado do óbvio próximo por se arrancar para longe o fulcral.

Pedro 23:53

O veto da sensação (desta madrugada)

Sentir - sempre a condenação
de quem espera, em todos
os traços de momento. Lodos
que empenam a chama de dragão...

Pois tudo é aquele excesso
em que me ingresso, esforço
de monotonia em que torço
as pernas ilusórias. Não meço

a distância do arremesso - a meio
fica, com o seu valor; do divino
já nada em calor. É o teu destino,
ardente motor, arrefeceres-te freio...

Pedro 20:40

Fuga vertical (27.03)

O meu subtil
é o disfarce com que o mundo
no vão da escada assiste
ao desfile.

É assim vago
que vou subindo sem fundo
num topo onde nada existe,
nada afago.

Feita do resto,
a altura de que é oriundo
este mecânico despiste,
fim de incesto.

Sem qualquer queda,
o irmão exangue do mundo
que vão e terreno persiste
labareda.

Pedro 20:32

Quarta-feira, Abril 05, 2006

Pois eis - outra vez -
o tal expectante
cheio de orações óbvias,
gramaticais
numa cadeira de cama
com a imaginação activa,
social.
Eles batem à porta,
vagabundos do espírito
reforçados de ténue
por causa do carrossel,
animalesco turbilhão plástico
eu
cheio de orações em surdina.
A medida certa
foi um charco,
os meus pés a pisá-lo;
isto, os penitentes chuviscos
em miniatura,
as minhas pernas a escorrê-los
sentadas.
Não esclareci a medida certa
da liquidez
métrica
da anti-métrica,
perdeu-se algo no espaço-entretanto,
e o eu buscá-lo é uma corrida
apertada
mas vaga e falsa de emoção,
pelo que não faz mal.
Já passei. Este é o meu pó,
à minha procura,
tossindo crónicamente a realidade
de que não existo,
por uns tempos.
Assim, existo
umas pernas hirtas
de cadeirão
e escorrego na casca de letras
da sopa de banana
vitamina,
pretensa a vital
mas vago e falso
vitral.

Pedro 14:48

Segunda-feira, Abril 03, 2006

Não consigo chorar.
Os meus olhos, árida raiva,
um deserto a ferver.
Cubro o mundo de dôr
num bunker meu,
só meu,
e refugio-me de vós todos,
formas encobertas, passantes,
bizarras;
dos capuzes sem feitiçaria
com que visto
as vossas cabeças em forma de capuz
com que passam ainda.
O meu refúgio é não conseguir
chorar.
Tento pôr os olhos em palavras,
mas engano-me, toldado.
O meu refúgio é doer absurdamente
nos olhos pretos
a recordação de saber chorar,
e é um refúgio que me tolda o ser,
e há também quem lhe chame morte,
antecipadamente.

Pedro 23:03

bbbbbzzzzzzzzzz zzzzzz bbbzzzzzzzzzzz bbbzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzz zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz bbzzzzzz bbbbbbzzzzzzzzzzzzzzz (sons de moscardos)

Pedro 19:05

Sexta-feira, Março 31, 2006

Nada mais é.
De mim, esta deconstrução que urge, mas que é ela própria uma obra despedaçada.
Quando a mente recorre apressada a passados e ligeiras, súbitas recordações que foram, como que justificando a acção seguinte apenas pelo facto de ter existido outra anterior, sei que se impõe um freio no cavalo da necessidade de me sentir seguro. Quando todo o nexo é o frémito e um conjunto disperso de pontadas de sensação por todo o longo da memória, é a altura de fazer prevalecer não o sono atabalhoado e portanto insónico, mas o sono leve e controlado como uma brisa que progressivamente retarda as cataratas de sangue veia abaixo, náusea acima; faz erodir-se o excesso de inutilidade composta, amontoada.
Depois, debastando um a um os elos, atravessam-se-me outras recordações mais profundas e íntimas, isto é, sem que correspondam a nada em especial, pura imagem de um espaço em que o estado de alma são as coordenadas, puro lado de lá do espelho, lado de lá da metáfora abstracta. São os primeiros sinais, conquanto ainda órgãos do antigo (mas que sou, microscópicamente, enquanto humano, senão um último conjunto de analogias ínfimas e indestrinçáveis em cordas bambas de reutilização?), de um fluxo de identidade mais calmo, um sangue mais regato.
Há sítios inclusive, conquanto simples de físicos, em que se ultrapassa com facilidade o factor representação e se admira a reciprocidade latente entre a descoberta-leitura e a lembrança a descoberto, tanto mais quão mais evocativo estiver o meu olho-intérprete.
É no póstumo dessas mesmas revelações que se revela, açambarcada de pouco, a sua afinal estrutura pontual e facilmente contável, pouco mais que um pouco de quantidade. E sobressaio, afinal, uma mera contagem de hábitos recorrentes, relacionados mais com o acaso que com a minha escolha, e de que tão pouco sobressai, figuras de um presépio sem Natal nem religião, uma cerâmica pintada de negro, o negro do ínfimo existencial que é a qualquer escala.
Capture-se porém, em mais uma fotografia de pouca dura, enquanto cores acinzentadas de efémero, o flash de espírito que as recuperações reflectem na montanha do caos em que o vale único é os olhos fechados.

Apesar de toda a minha raiva, ainda sou só uma ratazana na caixa.
Depois, alguém irá dizer - o que está perdido nunca pode ser salvo.

Pedro 23:53

Domingo, Março 26, 2006

Após ateada de tantos incêndios, a paisagem de cinzas simples amontoa-se complicada de soprar, carbonizado que resta o instinto pulmão.

Pedro 01:11

Sábado, Março 25, 2006

A mola

Na efemeridade da tentativa
que o deixa de ser,
a minha alma é a lasciva
mola do descrer.

Um absurdo momento sem côr
toma conta de mim.
Projecto todo o meu rancor
contra este fim.

Silencioso, o seu estrondo
preenche-me de vazio.
O tal efémero que não sondo
recolho, após o pavio.

Fragmentado, na eterna gaiola
a vida é a única sorte.
Esta mola não é bem uma mola;
é uma espécie de morte.

Pedro 01:07

Segunda-feira, Março 20, 2006

Mas vou acreditando, às réstias, sem pensar nisso. Seja num eu mais compensado na alma, mais imperturbável no verbo, menos traído e menos traidor no estar. Seja num tu que não sei quem é, de braços abertos e ouvidos metafísicos e amorosos de compreensão. Seja em dias mais plenos de algo, de expressão, de feedback, de autenticidade no bom, e mais plenos de liberdade, sentida e consumanda.
Sei que tudo isso existe, sob alguma forma. O fundo de um poço fundo, voltei a deixá-lo há algumas milhas. E as suas piores vertigens são principalmente memórias, vazias dada a sua precisão. Agora, alterna-se escaladas sem aspereza com algum escorregadio (vestígios inseguros de humidade nas paredes do poço), nem sempre do mais ligeiro.
Deste panorama por conotar, inspira-me a sua existência para a vaga arte que é o dia. Ainda que se arredonde nula, existe, e eu com ela. Não sou uma minha criação, nem uma minha estrutura, mas existo. E vou existindo, e o principal vai sendo não me afastar do principal, não me deixar repartir, não me procurar contentar com fracções e mímicas suficientemente passivas e descomprometedoras de mim, por abominar cenários subconscientes e perigosos de crítica e menosprezo, de implícita hostilidade; não me subverter a qualquer hábito ou falso objectivo, diário ou momentâneo, demasiadamente imposto, que me vede a liberdade em geral, que permanentemente me tolde a clareza de sentimento, o nascimento de escolhas verdadeiras.
Mas chega de blá blá. Transcenda-se o papel-ecrã, em pretensão de hipóteses. Cumpra-se aquele que de algures, onde mora, vai vivendo.
(E que fique para outro dia, após o contra-relógio, a constatação final de não ter conseguido.)

Pedro 01:08

Domingo, Março 19, 2006

Tudo custa desistências,
quando tudo é nada.
Tudo é contra-corrente.

Toda esta água brota do recato.

E as afluências do riacho
submergem a vida
e empurram-na
para um mar de destroços,
de estagnação.

À margem de tudo isto, o conhecimento.

Tudo é ignorância.
Tudo esquece tudo,
quando tudo é nada.

Pedro 21:05

Em palavras pequenas, reflecte-se melhor, não a verdade em si, mas pelo menos a leviandade com que se aborda o universo, a insignificância do que está escrito.
Ah, raça humana! Ah, homem!
Tão grande de variações absolutas no ao longo de. Tão mínimo de autonomia no afinal de contas. Tão mínimo de ti...

Mas o que é que eu quero?
Sei lá, quero lá saber...

Pedro 20:40

Aqui,
sozinho em casa
de novo.

Esta música,
fronteira.

Sem mim,
textos de alfândega
sozinha.

O sorriso
dócil
do tempo,
as carícias
do presente.

As palavras que ficam
sem mim
e sem significado,
sob um tecto.

O significado delas
já se soube qual é,
e não o é,
e não só por isso.

O antigamente
também já não é
o antigamente.

Nem tédio, nem certezas,
nem o grave cansaço.
Só um leve cansaço sozinho.

O tecto sobrepõe-se
ao presente,
nem dócil nem carrancudo.

Só cansado,
mas quando nos cai em cima,
não passa de um tecto leve.

A antiga vontade
é uma casa,
e as dores antigas
já nem antigas são
quando a vontade já só o é.

Neste condomínio citadino,
alguns tremores de terra
colectam a renda.

Mas o tecto são fendas
ao de leve,
sem cansaço.

Os outros habitantes
são as máscaras
da minha imaginação à janela.

A falta de imaginação
sopra ao de leve
na divisão espelhada da consciência,
onde acontece um sofá.

Tudo isto à parte
não sei,
não sei.

Talvez
o soubera.
Provavelmente.
Não sei.

Pedro 20:20

Domingo, Março 12, 2006

E então os fluidos vêm, agarrar-nos na nossa imaterialidade e, aos poucos, arrancar-nos das órbitas de um corpo-olhar, branda mas não suavemente, como quem arranca um penso dolorosamente antigo sem a força da indiferença.
Da tona desse sítio líquido vemos a contrastante cegueira imersa em realidade; escoa-se-nos a presença sobre o chão por baixo, agora feito de vertigens vagas, indissolúveis neste eclipse de mar, nesta ausência cósmica de astros.
Somos então o seu reflexo, um brilho espectral e invisível, jorrando o negro intenso do vazio, o sangue escuro da física obsoleta.
Bóiando em queda, o ofegante dos pulmões afoga-se, a mágoa sonolenta esbate-se em fundos, e o coração dispersa-se neste etéreo buraco das lógicas cerebrais e emocionais.
Só a corrente turva nos comanda, de múltiplas direcções contrapostas, e de um sentido impenetrável, meramente perturbada por esporádicos espasmos-geisers, reminiscências neuróticas da lei da gravidade.
Nesta toca de compostos sem química, o mundo não cabe e, como ele, o tédio ou a pessoa são concretismos do lado de lá de uma varanda de alma sob a qual desce um baço abstracto, o vidro embaciado de nulidade pela respiração do indefinível.

Pedro 17:08

Quarta-feira, Março 08, 2006

De domingo (madrugada):

1. Estou debaixo da minha manta de cores mornas.
2. Tento que a minha manta se me agarre aos pés, pelo chão friorento.
3. Tento-me agarrar ao teclado e ser a manta em seu torno, mas não consigo assentar os pés.
4. Finco-me, hirto como os meus pés frios, e debruço-me sobre a luz do monitor.
5. Envolvo o teclado de noite, enquanto procuro as teclas para me aquecer.
6. Os meus pés tremem, friorentos pelo chão.
7. Em espiral de inércia, contorno o teclado enquanto o monitor arrefece.
8. Ironizo-me manta de inércia sem teclado.
9. Faço tenções de me ironizar no teclado, cobrindo assim a noite irónica.
10. Ironizo-me repórter, face a um monitor que emite frio, de tão parado.
11. Os meus pés fincam-se num chão não envolto em manta.
12. Arrefeço de fora para dentro, coberto de um teclado, e sou o reflexo de um monitor.
13. Envolvo a manta com a minha inquietude de teclas por premir no escuro.
14. Quase adormeço no calor da manta estática.
15. Quase que sonhando, recordo-me de mim, morna manta de tão frio.
16. Cozinho a escrita em lume brando com uma manta de objectividade.
17. Quase que desperto, escrevo a comunicação no teclado da cozinha.
18. Monitorizo a lanterna com que ilumino as teclas, atento.
19. O monitor nocturno fita-me desafiante.
20. O frio dos pés recorda-me também de mim, arrefecendo a manta de sonho pontas de dedos acima.
21. Observo a escuridão da manta de propósitos, e o monitor fita-me desafiante.
22. O brilho da lanterna fraca e intermitente recorda-me de mim, e as teclas primem-me um desabafo.
23. Ilumino, fraco e intermitente, o monitor frio.
24. Tremo de clareza nocturna face ao brilho das teclas.
25. Escureço o monitor enquanto sou uma luz de teclado, quase real.
26. A manta virtual embrulha-me os pés no chão real.
27. Presenteio-me com a visão enquanto me esqueço de um monitor de luz real.
28. Vejo através de mantas do passado.
29. O frio dos meus dedos visionários recorda-me de mim, e a minha manta de luz escurece-se.
30. Choro as minhas quantidades, fragmentadas sob uma manta de desinteresse solitário.
31. As minhas lágrimas são, na verdade, as teclas vãs e a cor baça da minha manta.
32. Choro o chôro, o verdadeiro, esmagado por debaixo de uns pés gelados.
33. Compilo-me, quase envolto em lágrimas frias, numa manta de numeração insuficiente.
34. Recolho o teclado, desligo o monitor e apago-me na noite.

Pedro 11:52

Domingo, Março 05, 2006

Paris de outrora...
Tuas belas cidades desmoronadas por pincéis prontamente belos, redentoramente belos. Teus contrapontos citadinos de êxtase indiscreto. Fizeste-te arte, e o desespero desorientado de cada único habitante em côr, a acesa fogueira do papel de seus diários. Em gritos-chispas foste a salvação e a perdição, incensos de atracção, chamariz do alastrar incontrolável. Fervilhando por toda a extensão cósmica desse país universal, amálgama de geografias com braços que se afogavam sobrehumanos, em lagos de chamas divinas e expectantes.
Foste a fornalha gigante da verdade, deste-nos a imagem garrida e indiscreta da expressão, e sublimaste-te a flor que se descarna das pétalas, em excessos, e atravessa os campos da mais abstracta realidade, já una e murcha em sua haste-dispersão, em vôos extensamente tu aos destroços, réstias de esquissos supra-pinturas, polinizando uniformidades de requinte consumado, requintadamente uniformes, quaisquer particularidades que desde então representaste.
Infiltrada por teu redor-tu, fizeste-o os resultados ampla e invariavelmente únicos e equivalentes, nos moldes mais livremente maduros e mágicamente sábios em que te foste experimentando barro, plasticina, plástica, vária, total, nula.
Fruto das raízes que tu, solo etéreo afora, plantaste milhentas, em fulgores-novidades-sementes, ostentas a tua queda com a indiferença de quem viveu séculos, e abordas a lei gravidade secular atravessando mais que todas as altitudes e climas, em rasgos levianamente delas embebidos, fatídicos e supremos de conhecimento.
És os traços subtis e avassaladores que a tua Dualidade gerou em ti, Coisas afora e História adentro.
...memorial-Paris de hoje.

Pedro 01:59

Quinta-feira, Março 02, 2006

Dois reversos de medalha,
uma mesma idiossincracia.

Aborígenes em estepes desérticas
reerguem-se de comunidade,
vivem na paz do desejo adorador
de uma mente-amor.

São povos multifacetados e estéticas
de faceta impossível e ausente,
primária de aspecto,
complexa no sentimento insurrecto.

As planícies, de novo gente,
premeiam-se de novo gente.

Vamos viver o zénite.
Sim. Vamos zénite.
Escada zénite.
Só zénite.
Zénite.
Zzzz

É esta a essência da falta de filosofia.
Os pulmões de uma arte afogada.
O amor global, não carnal,
em espinhos de zénite.
Deuses e rosas,
deixem passar.

Zénite.

Pedro 14:54

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Num dia de sono e de debilidade do ar lento e pesado, trago-vos uma mera lufada. Não queremos ar que seja fresco à força, mas sim como uma extensão da naturalidade do respirar. Assim, bafejo-vos dois novos blogs de hálito a passado, pertinente por factual e impertinente por desactual, vaporizando assim as narinas da memória, bem como as da curiosidade, mais vaga ou menos. Mais perfumado ou menos (frequentemente odores algo preemptórios de ingredientes sem receita, dada a lassidão pontual de um por vezes carácter desprendido e iniciático), tal serve por um lado para desmembrar a hostilidade de um esquecimento colete de forças, por outro, para a curta figuração no teatro quotidiano, em máscara de Carnaval a tapar o impreciso da plateia.

Ultrapassando porém, sacudindo-os, os enleios intercalados de si, estradas-excursões expressivas, resumo num ponto partido em dois (por divinização da separação das águas, para além do sentido que efectivamente se flutua geral, seja ele o senso comum) o hoje ponto, recta de antes, e são-no, aos retalhos, a prosaicidade descritiva em lógicas com tendencial explicitude (esta) e o embebimento experimental da lógica supra-algébrica e humana, em tendencialmente poética aquisição de tradições expressivas, decadentistas em frequência (est'outra).

Exposta então a matéria-prima, as suas raízes temporalmente materiais, e as suas raízes orgânicamente razões. Deposta?

A vossa vez.

Pedro 22:58

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

(tudo isto que postei abaixo é da semana passada. (who gives a fuck))

Pedro 23:11

Meio andamento


Caminho-me, teço-me mapa,
betoneira de alaridos
salpicos; estudo-me tecidos
geográficos, viro-me capa,

escrevo-me berro andante,
sufrágio cimento de ares
agora mixórdia de pares
ideia-acção; leio-me amante

de páginas rasgos soltos,
beijo-me história inscrita
na construção lenda infinita,
deito-me livros revoltos.

Tropeço-me cama de excesso
alicerce pontuado reticente;
duvido-me teatro estridente,
romance, edifício, possesso.

Sinaleiro, páro-me planos,
faço-me escala indefinida,
conjuro-me viagem esquecida,
fecho-me obra, caídos panos.

Pedro 23:07

Sítio barulhento


Não permitirei que a intensidade
me dobre e me force a entrada,
por ser ela, de fútil, indesejada,
de fútil e de algo que me é saudade.

Não recordo ao certo, nem entendo
ao certo, mas nisso sou humano
e fútil. É mais profundo o engano
de que falo, ou assim penso. Ofendo

a minha sinceridade ao fazê-lo?
Tratar-se-á apenas de ter dos nervos medo,
de algum preconceito que não cedo,
de alguma falsa integridade o zelo?

Não sei; a luta continua, e o cansaço
com ela. Cada vez menos certo,
o raciocínio - cada vez menos me acerto.
Contudo, saberei esperar, conter o passo,

pois se não mo permitir, estarei perdido,
quer dizer, não é bem esse o termo,
mas acostumar-me a ouvi-lo, ter-mo
imposto, ao som que me não faz sentido,

não poderá ser bom. Mas será melhor
este disperso punho cheio de arranques
em falso, engasgados em ruído-estanques?
Não sei; não o sei já, já só um ror

de incertas notas musicais me traçam
o rascunho de alma em que figuram
as cores a preto e branco que seguram
o silêncio dos pensamentos, que se amassam

num empapado baço. Assim me encobre
a dúvida, e enquanto sou esta roupa
doem-me o estômago e a língua, sem polpa
para digerir ou saborear - torno-me pobre.

Pedro 23:06

Fragmentos... É quem sou agora mesmo. Vrummm vrummmm... Coisas! Eu digo coisas! Mas o tempo e os autocarros continuam. Chegado aqui, destruo-me de não ter escrito, fixado, emoldurado, tornado memorável aquele tudo que já não é, e que não foi. No fundo a tristeza é de não ser, independentemente de um tempo verbal contextual. Desejos simples? Calmas construídas? Projecções complexas? Brincadeiras? De qual das passagens sinto a falta? Mas que dia atribulado! Talvez de todas um pouco. Ora, e eu é que sei? Mal dei por isso, mas foi um dia de variedade considerável. E alguma produção. Mas, enfim, esta última... ficou sentada lá, no autocarro. E lá seguirá, orfã, olhada com indiferença curiosa até à paragem depois da última. Enfim, seguirei nesta outra carreira até breve.

Pedro 22:58

Soneto a duas cores

Vergonha que me silencias,
és o silvo que me chicoteia
a poesia. Calças-me a meia
de chumbo, e tudo o que crias

é um tombo pesado, sem arte.
Tento andar mas não consigo -
o meu lombo está de castigo.
E nisto o meu coração se parte.

Oh, quando tudo o que eu tentava
era sonhar em alta voz...
Mas a vergonha profunda cava

em mim este abismo atroz.
Para o pintar de verde e rosa, o que eu não dava...
É que eram essas as cores com que sonhava.

Pedro 22:56

Momento poético

Que eu, da silenciosa saliência
que é o lago deste dia
possa dizer "Enchi-a
com o sangue da poesia"

Espraiando-me, banho-me
nela, embora sem veia,
e rebolo-me e tenho-me
duna, embora sem areia.

E que eu sulque este palpitar
antes do tédio, e demarque
as rochas em torno deste lugar:
os canhões antes do desembarque.

Pedro 22:55

Calma, que vens pela manhã dentro
infiltrar-te na minha circulação, corredores fora,
sê o caminhar nesta poltrona em que me sento,
torna-me o estontear das ilusões, sorridente,
faz-me sentir que esqueci todo o restante,
remete-me o incompatível para um outro momento.

Que o meu susceptível seja apenas face ao vento,
à brisa suave que chega lá de fora,
filtrado o despentear que incomoda
ao longo do ruído que alerta,
tudo isso, os narizes estampados na porta
enquanto eu sopro calmaria cá dentro.

E que este aroma a nada seja a respiração, bem fundo,
que esta luz de sombrinha clareie o tom de pele suave,
e que as conversas que não tive coexistam
neste ininterrupto burburinho, ténue canto,
a música dos recantos espaçosos.
Que eu me alheie perfume, claridade e harmonia.

Pedro 22:47

Pequenas grandes violências

Sátiras desumanas de boca em boca
viajam, pela sociedade em redor.
Carregam-se as armas, pressa louca,
dispara-se assassinando o amor.

Desmoronam-se as lajes abstractas
que piso, afundam-se os verbos,
partem-se substantivos, pelas actas
prescritas rompem-se os advérbios.

Pedro 22:44

O plácido da luz teve a contra-indicação de me dissipar da certeza no fraseio. Assim, sento-me e espero na cadeira em deslocação, assimptótico ao dia.

Choro dissabores com o meu riso. Choro dissabores e enterneço-me deles. Fito a passadeira do Nunca e atravesso-me tinta, nela branca. É esta a minha fronteira. Procuro a mãe da posição nos vultos frontais. A comunicação são os motores que roncam de lado.

Oh, triste e terna biografia de um caderno em eterna iniciação. Este Inverno outona-me as folhas de uma alma entreaberta, ideias vazantes. Vem, vem com a tua projecção, lembrança artificial que me sugas dimensão. Abre as tuas páginas para que eu me imiscua linhas e ressurja, às travessias de cá para lá pautadas, contornados ócios, palavras quadriculadas. Não, mas não me vires com as tuas páginas de arrastada ventania. Não me vivas já; quero primeiro trautear-te de mim. Em calor ou insistência...

Adoração platónica à veia tectónica dos nossos solos, em físicas musicais. Fúria corpórea de uma alma sangrenta. Todos ouvem o conclusivo provérbio qualquer na tradição do oratório, embuídos de grandificação e da disciplina da grandificação, em seguranças. Arranca-me deste sofá, garra jovial, enquanto te esboço. Visão que me perfumas as narinas de alma.

A minha mensagem é uma de repulsa...
as notas da aragem... corrente de ar avulsa...
o trigo da criação, a metade que faltava
ao intelectual pão que o seu pôdre ostentava.

Vamos todos rimar e ecoar estéticas. Por um megafone qualquer, admirar estéticas. Podar arbustos no jardim citadino. Pode ser de aversão, pode ser de civilização, desde que à tesourada. É o mote dos teóricos da crítica.

Oh, mas eu enclausuro-os no exterior de um banco de jardim sem jardim. Sejamos, pois, os nossos bancos de jardim, e deitemo-nos neles com dores por todas as costas orgulhosas. Sejamos palco e bancada do espetáculo de emoções em saco de compras sem saco. Sejamos o incenso, pois então, o fumegar, o saboroso mastigar da matéria em combustão, e o aroma que fica.

Isto não é nada divertido... Nada divertido!... Ah, devo ir à neve, de encontro a avalanches, ah! Ah, as avalanches! Revolvam-me enquanto derreto. Rebordo-me por interiores afora em decorações montanha abaixo, e chego a um cume de aspiração vertiginosa, atentados à escala do sublime. Ergo alto o punhal impreciso e esfaqueio os revisitados e ultrapassados simbolismos vagamente pessoais e misteriosamente em português. Entro na loja e peço o produto abstracto, indefinido na medida de um vendedor de peito rasgado. Oh, pandemia dos sentidos, minimal compressa de genes intencionais quase mutantes.

Neste céu verde de tão folhas, choro insolente, gota de nuvem por arrancar.

Há dias em que, a fazer coisas que não nós, somos o discípulo que ouve o velho sábio a pensar sob a forma de um rasto de avião pouco cá. Depois, velho cruzamento de antevisões, cai dos céus a mentira feita pardal. Oh, previsão de extremismos ligeiramente egoísta, que és, afinal, em brevidade de exaltação. Oh, ser eu não este bucolismo fútil de paisagens existenciais.

Escorrego véus de realidade, inexisto a toda a força. Sou as peles de camurça que não visto. Mas que esteja na declamação o ganho, economias imateriais em ascensão, zénites. Escadas intermitentes a subir de luz rolante, iluminando-me através das cidades. Estilhaços de tsunami por um mar mucoso a pouca maré. Roupa que seca num estendal de partilha.

O meu único Deus é o livre arbítrio. E mesmo esse, só nos intervalos do Destino.

Pedro 22:36

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Prós estudantes de Cronologia: feito dia 2 de Janeiro (partes 1, 2, 3, 6), dia 2 de Fevereiro (parte 5) e dias 7 e 30 de Janeiro, 2 e 7 de Fevereiro (parte 4).


Cruzeiro humano


I
Repentino vento

Por Deus - agora vejo
(e como!) a realidade
obscura desta sociedade
de disfarce e de desejo

permanentes. Não pestanejo,
tal a límpida claridade
com que esta dorida atrocidade
seu impacto emana. Velejo

nestes mares revoltos
de multidão desprovida
de compreensão, soltos

das amarras os nós.
Mais valia reprimida,
esta visão... Parto veloz.


II
Mar de gente

Lá longe, no alto mar, uma miríade
de gente nada em turbilhão. Que susto!
Querem chegar à costa, a todo o custo.

As braçadas que dão são uma tríade
de esforço, de vontade e de corrente.
Isto num rio provocaria uma enchente.

Uns elegantes, outros mais rebeldes
na forma como o braço encontra a água,
e mais diversidade ainda nos debaldes

percursos à marítima superfície.
Como ninguém sabe a direcção, nadam à toa.
Uns quantos apostam numa, até à calvície;

outros vão mudando, com medo do fracasso;
outros nadam frenéticos, aos círculos doentios;
outros ainda deixam-se boiar, de cansaço.

Há ainda os que, nos barcos em madeira,
vão ao sabor do vento, em lentos rodopios,
pois lhes parece indiferente a maneira

como se avança - sendo uma questão de sorte,
que diferença fará ir para Sul ou para Norte?
O dilema é só o de esbracejar mais ou menos.

Assim, recostam-se nas barcas solitárias
sem fé nem alento, autênticos párias
dos que lhes roçam o casco, sejam hostis ou amenos.


III
Mergulho primeiro

Posto isto, mergulhei,
aventureiro,
qual cinzas sopradas
de um cinzeiro.

Lá, depressa encontrei
o balanço
das ondas azuladas
aquém do nevoeiro.

Lá encontrei também
a inquietação,
não soube nadar bem,
fui um inapto ganso.

Não pude mais regressar,
ditou o vento.
O barco velejou-se, num afastar.
O vento soprou-me um não.

Fiquei a sós com o mar,
e as pessoas
passaram, sem dar por mim, a nadar.
Dei por mim em isolamento.


IV
Gente do mar

Boiei em desfazamento,
chapinhando à tona da água,
até me virem arrancar a rima.
Braços, corpos, forças às dezenas
tomaram-me por obstáculo fútil
e o verso fez-se supérfluo,
subaquático e adjacente.

Esbracejos, dores e soluços
sucederam-se em sobrevivência.
Fora de um meio ambiente,
adensei-me selva de estragos
e emoções profundas. Turbulentas,
as energias camufladas, em impacto,
esvaíam-se sem braço pela correnteza.

Em encontros incessantes de alto-mar,
o meu corpo atordoado pelo marasmo
servia para propulsionar os peregrinos
em multidão e fervor de natação.
Muitos, possantes e sedentos
de avanço no vasto mar atlético.
Grande vaga humana em pleno rebentamento.

Outros, em ligeira emersão,
deixavam-se arrastar sem grande esforço,
condicionados pelo mundo que eram todos,
abstinentes de medir mares e vizinhos,
sujeitando-se a nadar em vaga prancha
de um surf social e cativante
sempre que em comunhão nela se erguiam.

Afastei-me de uns a nado convulso,
de outros dei continuidade ao afastar-me.
Seguiam todos numa migração sem rumo
que eu me dediquei em esforço a evitar.
Reflexos de um pouco confortável oceano.
Estremeci o frio, espaireci a pausa,
e de noite brilhei a lua calada.

Esporádicos encontros doridos
continuaram mar adentro, passageiros,
transportando consigo a escotilha
de ver o baço por um navio inútil.
A pouco leme, as órbitas sucederam-se
em reconhecimento astral diurno
feito de guinadas pouco mundanas.

De dia, a troços, fui inventando margens.
Aos poucos, o chapinhar transformou-se
e aprendeu o desvio a meia-distância.
Também a visão se acostumou
e reconheceu, entre membros ocupados,
contornos distintos, por vezes semelhantes,
que não os de peixes brutos de cardume.

Combatente sem escudo, remédio ou antídoto,
intoxiquei-me mortiço pelas águas,
em viagem, aproximando-me dos postos
de desafios escondidos e tendo por bagagem
a pronta ausência ao mais pequeno salpico
da água de outrém, deixando-me para trás
em longas quilometragens de fôlego a recuperar.

Nesse passeio contornado, inundei-me
de compreensão às camadas do que via,
ao que me engasguei de pulmão seco,
com a trémula consciência do meu ser
face à segura consistência dos compostos
líquidos, alheios e vizinhos.
Passei a desviar-me do meu próprio nado.

Contudo, tentei que não se afogasse a luta.
Motivado por estar vivo, fui boiando,
por vezes nadando. Porém não mais a direcção
se me avizinhou em companhia,
e passaram-se várias batalhas inconclusas
em que não fiz parte de um sentido que durasse.
Assim me dei às ondas - não me dando à gente do mar.


V
Solitário mar
ou
Rising de(e)cay

Suave e terna voz invísivel
que me embala insuficiente
de um mastro. Pouco plausível,
o navio sem quilha, assente

no mar que se aterra poluição
no sorvido naufrágio da graça
que brinca vaga, na imaginação.
Navego em carícia pela massa

disforme deste cruzeiro maciço,
apalpando a dor terna e suave
da súplica, implícito e castiço
sentimento de maré em enclave.

Todo este mar de imprecisa posição,
sem mapas, é a inexistente praça
de uma cidade à beira-mar sem razão,
fundada e afundada em desgraça.

E os mapas que não há em incrível
redemoinho desenham um descrente
caminho no topo de um pouco crível
mastro. Trepo, decadência ascendente.


VI
Mergulho último

Senti crescer uma forte caimbrã.
Senti-me fundo num mar em câmara lenta.
Afoguei-me lento num mar sem fundo.
Doí-me. Chamei vão pela mamã.

Pedro 10:41

Domingo, Fevereiro 05, 2006

Post-brinquedo feito de estilhaço.

O desnorte... A recapitulação. No ontem de hoje, a paisagem surreal de um autocarro.

Céus! Sê solene, solene como o vento. Não, mas embirra, embirra-te. Vá...

És a desgraça. Justaposto, és o fragmento de quem estava ali.

Queres ser cola, coitado, queres ser cola. Esfrega, esfrega-te bem. E cai ao chão e parte-te sem ninguém ver.

Absorve o elixir imperceptível. Impossível. Não te bebas, não te sorvas, não faças barulhinhos de palhinha no fim do molhado.

Mas quem? Mas quem??? Quem ?! e onde ?! anda ?! aos ésses ?! de estrada pouca...

Adjectivos, tempo e ciclo de sanidade. Um quase-batido de gelado confundido.

Venha o próximo...

Ensaios de apelo em feminino aleatório:

Catarina! Catarina, vem cá, vem ao cá de amígdala esguia. Surge do silêncio e silencia a dor em cantos tão suaves quanto os de dois fantasmas agradáveis recíprocamente torneados. A azáfama, credo, a azáfama, parafernália, a eliminação sorrateira de divindades, tudo isto é pó. Vem Catarina, e sopra embora o pó.

Cátia, anda até aqui. Balbucia-me ao ouvido a inveja, a mal contida. Chora a lágrima do impasse, e consola-me em desabafo o ombro amigo. Sê redescoberta e faz aventura da tímida sorridente.

etc.

Pedro 06:03

Sábado, Fevereiro 04, 2006

Já de chave sonolenta, finda a arte de extroversão oculta, encerro não um mistério destacado, não um lânguido do ininterrupto, não um retorcido limiar de tédios de um lado e uma semi-automática luta do outro; apenas a citação visual da memória de um mês manuscrito, em frase descritiva e plena o suficiente.

Pus-vos aqui, enquanto a tempestade real não se promete, mais uns outrora rascunhos, bastantes. Para o aventureiro que decifra e absorve, interessado em se dar ao prévio, aí tem a recompensa em estirpe passada. Para os outros, continuem a aparecer que há-de também aparecer aqui mais qualquer coisa... Para o predominante Ninguém, muito desprezo para si também.

Pedro 03:36

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

Explosões... furto-me de mim,
canibal, quase, qual Adolfo,
cá estou a pingar as bermudas
de um hoje nú, em actos
completamente irreflectidos.
Daqui a nada estarei já saturado
de não ter já a concentração
para mensagens que hoje
não tive. Dei-me a imediatizações
e às suas imediações.
Procurei ser o acaso de onde algo
surge sem sentido, para me ir lendo
e continuando sem sentido.
Para quê? Para nada. Como consequência
natural e plena de ter hesitado,
disparei os cartuchos que se esvaziaram,
não de balas propriamente,
mas de tiros.
Conceito interessante,
mas, enfim, pouco relaxante...
Digo eu. Quer dizer...
é mais sei lá que outra coisa.
Rolei a cabeça para ali para algures
para o costume para o para.
Baila o baile bailarino e repete,
repete, repete, repete
disforme, sem dar por isso,
cláusula do habitual, o costume,
para para para para.
Contínuo, chego ao fim do post do costume.
Continuo em contínuo e continuo
em comboio sem passageiros nem carruagem,
nem céu, nem fumo, nem engrenagem,
nem nada com rodas.
No paradigma do paradoxo, da comparação
a um conceito frouxo
e redutor, esmigalhado em relação
ao conceito original, a ambiguidade
do costume, de sempre o paradigma,
sempre o sempre, e sempre a eternidade
de uma pontualidade, e sempre o fim
do pavio assinalado,
o contínuo.
Mas para quê... Que importa.
As alternativas, não, nem vamos voltar lá.
Sei que não as quero, mesmo que as procure,
e se o refiro, é porque quero alternativas.
Ora essa... Já chega em parte.
Sem querer que isto soe, sem me querer soar,
procuro-me assoar destas frases engripadas
na justaposição do costume.
Novos costumes, novos tédios, emergem decerto
ao incerto longe aqui à frente
e faço-me mais, mais e mais um eu
com novas realidades a mal ser eu,
em bermas angulares de inclinação regressiva
e fugitiva ao mesmo tempo.
Pressiono-me e descomprimo-me,
em jogos duais sem unidade
numa recuperação de línguas escondidas
por baixo do lodo sem saliva
e salivo-as com micróbios
e doençazinhas saudáveis doentias.
Tanto faz, reformulo, recompacto,
não páro - fiz um pacto
com o contínuo das erupções assoladoras
de cidades fantasma de disposição
das estradas e dos espectros.
Agressivo rompante de contrários suaves,
enleados uns dos outros em azia
interpretativa, e alguma estrutura completamente
imaginária num céu estranhíssimo, de cores
de fora do arco-íris, de ruídos para lá dos ruídos,
até mesmo daqueles que só os cães ouvem,
e no entanto audíveis e visíveis,
a olhos que palpitam e sabem fitar
transversais e diagonais
em tabuleiros redondos de xadrez redondo
ou de um jogo assimétrico,
ou qualquer recombinação do conceito um
com o conceito dois, mas em sintonia
com um sentido que não existe para lá
de um céu tão vago quão imberbe,
pois está longe do mundo dos pelos
ou das árvores ou dos cotovelos,
é completamente desprovido de identidade
que caiba numa cartografia artística,
psicológica ou autista.
É solene só passado muitos minutos,
e só num durante imesurável
sem tempo para a velocidade da luz
nos trazer brilho do céu,
mas com tempo para a adoração
perpassar em vibrações do tecido
do espaço em que somos e em que também é
esse céu que não se percebe
nem se atribui a nada, a nada, a mesmo nada...
Está ali, tão sem distância nem proximidade
nem união, oposição ou amálgama de sistemas métricos...
Está ali, e ali vai ficar,
infiltrado num sempre dos extremos pontuais do tempo
milimétrico repartido.
E eu, que não percebi muito bem
sobre o que é que escrevi,
apesar de ter percebido
que estava a escrever sobre alguma coisa,
mas que me vou branquear qual nuvem
para outras maneiras,
mais ou menos.

Pedro 00:24

O sopro frio do vento moído
é o movimento sem gente, consentido,
de sabedoria e desgraça ao mesmo tempo
que me invade numa literatura sem tempo.

Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Esvaio-me aos pingos para aqui
e espero por ti
que em mim não és
nem poderias ser, sem me conhecer
ou sequer existir.

Raios, diabo, caramba.
Quem sou? Este ar que se desaba...
é o vento gélido dum moinho soprado
até mim em vontades estagnado.

Círculos, piruetas e uma atmosfera
absurda e asceta de sofrida
sem motivo, de quê, ou ilusão.
Regurgito palavras e numa esfera
sem gente, consentida,
invado-as repentino sem motivo vão.

E tu, onde estás?
Que é de ti......

Escusas de te ir embora,
lá porque não existes...

Onde estás? MAS ONDE ESTÁS??????

Pedro 00:22

Domingo, Janeiro 29, 2006

Berma azeda

Tudo o que é bom sabe a morte,
todo o possível é nulo
quando não se tem suporte,
quando se está num casulo.

Não sei mais o que vos diga,
não vos quero dizer mais,
quero contrariar a fadiga
em mil estrebuchos fatais.

Quero à berma de sofrer
cambalear sem equilíbrio
para tentar esquecer
que fingir não é estar ébrio.

Tudo quer ser sorte,
mas quando se morde,
o sabor foi para Norte.
O meu espelho é um fiorde.

Pedro 04:46

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Dois em um

I
Dualidade

E agarro-te as crinas de amor equídeo.
E solto-te o dorso de vontade curva.
E abraço-te o galope de rédea turva.
E sorrio a tua boca de arfar canídeo.

E entoas-me os olhos em embalo cantante.
E diluis-me o cérebro em carícia melódica.
E afagas-me a dor em torrente espasmódica.
E sorris o meu ouvido em ardor falante.

E persigo-te a coxa pela viela acima.
E encurralo-te a língua no fundo do beco.
E esgano-te os seios no crime que disseco.
E espio o teu sufoco pelo ventre que me mima.

E arrependes-me o amargo em rios de beijos.
E invejas-me a doçura em aperto embebido.
E estonteias-me o sexo em prazer derretido.
E ecoas o meu clímax em catarata de desejos.

II
Unicidade

Velejamos juntos nos altos mares
dos nossos líquidos corporais,
despertando graças aos seus sais,
desmaiados pelo ofegante dos ares.

Dormimos por ignorar tudo o mais
que não os sonhos puros. Os azares,
as desavenças vão para outros lares;
ficamos unidos por cordões umbilicais.

Acordamos por deixarmos para trás,
sob os pretextos dos desejos carnais,
os insaciáveis meandros sociais
que nos consomem. Em paixão assaz

os desprezamos. A sós, somos totais.
Com pudor, renegamos esse capataz;
fodemos contra a inadequação incapaz.
Fundimo-nos num só. Dois é demais.

III
Omni-falsidade

De repente, qual óvulo abortado,
cessou a união,
e de um pulo foi para seu lado
cada um, em aversão.

É que lemos nas entrelinhas
da Natureza consumada
que estava cheia de espinhas.
A sociedade odiada

entranhou-se em nós, e ao receber
a sua mensagem subliminar,
digerimos que não se pode romper
um tão implantado invólucro de azar.

Ao tentar transcender o comunicativo,
o impulso que nos movia
já não era o banal ímpeto lascivo;
era o de ser quem se deveria,

segundo ela; obedecermos aos seus caprichos, sua métrica.

Pedro 05:07

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

E quando a inspiração são quadros clássicos de figuras sem moldura num âmbito exterior, revivem-se infâncias emocionais e memórias às migalhas, em esperança de destroçar o historial afastado e queimar o rastilho do decorrer faminto. Em tom político, solicito intervenções, em agnóstica adequação à circunstância, diminutamente revitalizada num corpo imaginário. O cérebro circunscreve-se de conflituosos cenários de reposição de uma estátua indefinida de corroída por ácidos de realidade. Pelo meio, está-se ainda à espera de desencontros antigos, espera-se pelo concerto final de Smashing Pumpkins a que não se foi, espera-se pelo concerto final de Faith No More a que não se foi, ou até pelo concerto final de Morphine, a que se foi em insuficiência ignorante. A filosofia do derradeiro dá lugar a uma derradeira asfixia de filosofias, num abraço preemptório ao sufoco invísivel, já expirado. A morte esquecida ao canto da tela, em moribundos quadros à vida. O fardo expressivo engolido por uma colecção de instantes e impulsos afixados num muro confuso e de Berlim. Separa-se o sonho do separatismo, e salta-se para uma face pouco gravítica desse rosto da evolução, e aguarda-se que a sua evacuação deixe de ser um quase. Artifícios da arte, única salvação possível, conquanto, enfim... impossível. Enfim...

Pedro 01:34

Sábado, Janeiro 21, 2006

Entretanto, e distendendo um pouco o contínuo do tempo, em afastamento, revejo-me menos sóbrio de vontades, menos aglutinado de globalização espiritual. Refiro-me às últimas poucas semanas, em que larguei o corrimão do sítio recente e deslizei um pouco mais por ziguezagues da vontade e da palavra em verbalização hipotética, o anunciamento futurista da necessidade. Reidentifiquei objectos, qual detective num jardim que sua a crime ao sol. Reidentifiquei imediatizações, arrastos de mentalidade e incertezas pendentes subjugadas a uma voz de zaragata inaudível em aspiração a fraterna. Hesitei também, o que me leva a acautelar a prenúncia de desenfreada descida de ski em gélido íngreme. Aqui, uma prova concreta, no misto mistificado de pertinência com sensação de pertinência. Mas, claro, todo este crescente agitar evolucionista é mero sinónimo do mais vago ondular que o precede, em semânticas de materialização.

Pedro 19:35

Uma pessoa mínima cresce de interrogação.
O que quer saber ao certo? Incertezas?
Quer saber memórias esmagadoras que a tragam de volta, na sua dimensão original, imperturbável e extinta.
Quer luzir e reluzir na noite iluminada de escuridão.

Quer isso tudo. É velho e sabido.
Velha é também a inconclusividade para lá do primeiro passo.
Regenere-se pois, quiméricamente, a idade perdida, em passos físicos e reais.

Uma calçada torta, e o andamento de uma leve palavra, e o nervo espreitante agachado.
A ressalva interna do vazio dissipador, e o pensamento dividido entre o que quer que fosse e vagos impulsos, quais guilhotinas contraídas.
Há aqui uma bifurcação: ora se subverte a mentira, ora se subverte o natural.
Em geral, prossegue-se, de pensamento controlado, abstraído e são.

Continua-se, e os pilares assentam, balanceando de moles.
Dão-se umas trepadelas verbais e gestuais.
Algures na caminhada, alguém que não existe os chama de moles.
Ignora-se ainda.
Ainda na caminhada, alguém que existe reage de certa e determinada maneira.
Antes da bifurcação, é dada continuidade à pureza até um certo ponto, por firmar.
Tem-se o cuidado de não sentir a reacção antes de a observar, em circunstâncias que não sejam especialmente agrestes, ou especialmente preconcebidas de um fracasso inconsciente.

É nessa altura que há o ricochete de multiplicidade.
Quando do esboço e da construção sobressai, em angariamento obreiro, um espaçamento extra e arriscado.
De súbito, em três tempos, a continuidade transforma-se num sobressalto invísivel, a construção transforma-se em continuidade exteriorizada de vigas rectílineas e o momento é um e acaba.
Fundada em hipótese, a pessoa perpassa, estranhando por vezes, ou, embalada pelos seus anos divertidos, repisa os sonhos em resposta prematura, que por isso não o é, ou, embalada pelos seus anos aborrecidos, segue em frente após denotar (sem denotar) um enfim normalizado, como o de quem remete um envelope para a caixa postal da falta de expectativa por razões de nexo.
Fundida em hipótese, a lâmpada imaginativa renega o escuro e mantém os fusíveis ateados, após o curto circuito.
Em caso de gravidade com impacto, deixa-se arrefecer o exaustor primeiro.

Redesperta-se para outro prosseguir, ora sonolento, ora de intermitente, ora de luz possante de certezas por instantes.

De regresso ao fim de página, vindo do meio da rua, o homenzinho encontrou as respostas às perguntas de cabeçalho?
Não. Perdeu-se num passeio qualquer.
Passeou-se em outras respostas quaisquer, mas regressou para casa no ponto de viragem.

Pedro 07:09

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Vindo de lá, do país das pessoas gigantes. Pulos imperiais pela anarquia do pensamento vivência. Arcaicas fachadas de subconsciente cíume. Anoraks em chuva desigual imperdoável. Vindo de lá, de lado nenhum, em partes reais a descoberto. Os gritos vindos da desembocadura para onde vão mudos. Espirro de agitação nas ossadas hipóteses, uma leitura segunda. A escrita da reflexão borracha. O lápis esqueleto em sociedade. O perigo da esquina afia, e o carvão tatuado. A onda gigante lavagem, por entre gordura espessa acumulada. A saúde em mar internado. Bóias capacetes. Meia-ideia vertigem rombo no casco, em processo pirâmide. Cor confusa de difusão arco-íris. Aritmética cosmética em quadros. Jaulas e animais mágoas. Impotências divididas entre partos petroleiros e abortos derrames. Um filho de lá no mundo cá sem mundo mundo.

Pedro 03:27

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Hoje as palavras soam-me de um vazio berrante. A música, essa, grita lá de fora a sua caseira essência viajante, e é tudo. Mais nada se significa, as palavras berrantes são vazias.

Hoje, reclino-me e oiço a música omnisciente em recantos do lar ignorante. Aqui, onde nada mora.

Pedro 00:14

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

E agora, estou no ressequir do vício, e espero que a pulsação vital da alma abrande, para de mais sonhos me enlear. Estou no culminar do princípio da noite, que se funde com o nascer do sol nesta linha de texto. Pouco iluminado, escrevo e sou chato, sou forçado e sou indiferente a tudo isso, enquanto coço as horas barbeadas pela lâmina do crime. Agrido os sons sem gaguejar, fervo as ideias sem me escaldar, destruo-me, sem me ser mais que a temperatura ambiente. Enquanto me anicho, frio de tão morno, submeto a lua à pontualidade inconsequente do meu brilho sombrio e vazio. Escrevo e espero, e espero. Aos pinotes num cavalinho de embalo de madeira, sublimo o rompante sem sensação, após me adornar do vago colar reluzente na inversão conceptual costumeira e nocturna. Beijo-me, e ao colar, em carícias quase sevícias para com o substrato diluído em pré-películas invariávelmente escuras. Para não variar, babo-me solvente e degenero no ventre umbilical da mãe apática, sorrindo de impressionismo. Sobre o ausente, regenero pós e tusso-os, doentios entes fraternos da impureza. Faço-me morte enquanto a noite se desprende das malhas vivas de consistência empatogénica. Destituo-me da batuta e a orquestra cala-se em chinfrim desarticulado, marioneta das separações entre segredos interiores mas subjacentes, pela harmonia. Em eco de atrito, a aceitação do estridente deita por terra a paisagem de verde, ao que claramente acorro com o fechar das cortinas e olhares. Morro, duna dorsal, em planície de areia montanhosa.

Pedro 07:24

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Hoje, mais sonhos, a juntar aos de ontem. É sempre bonita, a materialização etérea do que, norma diurna, são meros apeteceres de imediato engavetados, nas raras vezes em que sequer se dá por eles. Hoje sonhei com mistos de um filme que houvera visto há algum tempo (aquele da Bovarinha, do Manuel d'Oliveira... devem estar a ver qual é, sim, porque somos todos muito entendidos em matéria de cinema português, veneramo-los, aliás deveras.), (e que bela, divina actriz, aquela Leonor Silveira), e com uma viagem de carro, envolto de gente antiga e sem apreço pela minha presença. Mas naturalmente é no pormenor impossível de recriar que está a riqueza por contar. A verosimilidade do decorrer, mesmo nos seus espasmos de ficção pura ou peripsicótica, e ainda mais, a verosimilidade da entranhada comunicação em bermas de conflito. Tudo isto dá aos sonhos uma textura de vida densa de tricotar. Como todos sabem, de resto... Ontem, sonhei com algo mais. Um andar no Chiado, e da janela, uma outra pessoa antiga, em vias de abismal desespero na estrada abaixo, disperso na intensidade da escassez de esgares, e em comunhão com os seus ouvidos surdos e suicidas, em discussão apagada mas acesa com alguém que pretensamente se lhe dirige, saturando-a em acréscimo. Arranco-a por uns momentos da travessia, e desco, e subimos, e descemos, e pelo meio, uma também interacção em insuficiência, contudo esta à partida, e por natureza, sem negatividade, sob um signo de alguma amizade, apenas poluída pelo desenrolar dos nervos, pela tomada de consciência do vago no entendimento, da dispersão das mensagens, e até mesmo do seu processo de criação em mim. Revejo, em aflitiva impotência, a medida dos momentos em transbordo de névoa que não consigo esclarecer. E ao mesmo tempo a vontade de não ser a sobrecarga da cabeça em implosão alheia, a vontade extrema de até poder fazer algo por isso... e a tendencial antítese disto, que é o momento resultante, e a chuva de antecipações de uma presença escusada e a mais. Mas tudo regulado pelo realizador sonho, de forma a não cair em demasia de exageros. Interessante.

Pedro 18:01

Invasão e libertação
(varre-se o espaço potencial)

A intensidade que abarca
e navega embora
é pesada como uma arca
quando chega a hora

de a fechar ou abrir.
Pesa como o eclodir
de antecipações
feitas de limitações,

que apertam, revolvem
e desencaixam
a postura - súbitas vêm
e as costas rebaixam.

Do reinventar da forma,
o evento torna-se
apagado, pão sem fôrma,
sem festim. Torna-se

a tremer o desengano,
a drenar a paciência
do caule do gordo ano.
Assim se planta a demência.

Incontidos, os nervosos
piscares de olhos
e de reflexos pavorosos
são dos pães os môlhos

únicos e bolorentos,
os vagos adventos
do acentuado na frase.
São da ânsia mais uma fase.

Agito-me e cuspo-me.
Refuto com nojo
a paranóia e dispo-me
de complexo. Alojo

novo parque com lugar
para as viaturas
da poesia por criar
nos livros de capas duras.

Pedro 04:36

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Ena pá. Hoje e agora estou contente por não sei quê, não sei quem. Sinto uma presença aqui mesmo atrás de mim, a acariciar-me as costas com o seu bafo quente e nostálgico. Mais invisível que irreal, esta saudade transcrita em imaginação vívida e aconchegante, tanto que a sinto pairar no mesmo sobre que a minha aura.
A sensação física, tão intrínseca e, portanto, psicológica... Um completo baralho de emoções e de descartados desassossegos. Em prenúncia do sono, mas sem o banal da luz e cabeça apagadas. A parte boa de todas as partes do todo, espalhando-se quais bactérias de apego afagando o sangue sem difuso dos momentos, o aglomerado de uma manhã independente do sol que a noite esconde ainda, algures. Tão distante quanto a efemeridade disto tudo, tão futuramente imponente quanto a longevidade disto tudo.
Uma vaga pena do inevitável. Mas curta, para não interromper todo este evitar, de um raro dócil, tão raro quão absoluto, dissolvendo todos os antagonismos no fluxo viral desta doença sublime. O rancor adoeceu na noite fria.
E enquanto o corpo dá sinais de substancial, avizinho-me da próxima divisão, mais sonolenta e ilegível. Esvaio-me enquanto perdura algum fantástico, de mim para lá de mim, mas sempre em mim. Que bom, ser um mundo e a camada de ozono de um mundo enquanto dura. Que bom, ser vítima da Biologia de carne, osso, e supra-real. Que bom, um bom completamente desarticulado, não fora o retiro implícito, em amálgama solene e sumarenta, das geometrias. Deformo-me em bom e rebolo-me. Pontapeio piões sem tontura, embrião na cama. Volteio-me sonhador.
Não páro nem prossigo, enquanto o meu espanto reconhece que, aqui, valho a pena. Indescritível valho a pena. Apesar.. apesar... apesar de..... apesar de nada. Neste aqui sem apesar, valho a pena.

Pedro 05:29

Domingo, Janeiro 08, 2006

Hoje não estou para sentimentalismos perdidos de antemão no exacerbado da frase. Não estou numa de carregar os momentos de um fardo poético ou estilístico. Não estou para me contrabandear em negócios a milhas da China silente. Por isso, em tom pouco surpreendentemente antagónico (sou-me previsível), não vou postar.

:P

Pedro 23:43

Atalhos


Na estrada do falso, em implantes
de adoração, um novo cadafalso.
Como o voo de um faisão, os amantes

perseguem-se altivos e cruéis
nos seus despiques lascivos,
em quartos empíricos de hotéis.

Passa para o impulso a convulsão
da mente, do coração para o pulso
a força carente em sagrada união.

Pouco matrimonial, a identidade
dos humanos é a parelha sazonal
que une, em planos de sonoridade,

o timbre à boca, a voz à língua,
em metáfora rouca, quase louca,
de apagar, por fora, a míngua.

Em escala preliminar, a imagética
soluciona toda a surdina do pensar
quando equaciona os berros do olhar.

Porém, na falácia de observarem bem,
no patamar do activo, da experiência,
focam-se no trancar da divisão além,

e cerram a paisagem que existira,
por dimensionar, em inútil embalagem.
De um atalho o tomar é adiar a ira.

Pedro 00:32

Sábado, Janeiro 07, 2006

Talvez


Estou sempre em mudança
a caminho de acolá.
Não sei porque dança
a minha mente, maná

de esoterismos milhentos.
Procuro mentiras fáceis,
talvez. Procuro pôr acentos,
de vez, nas horas a mais,

talvez. Não procuro nada,
e isso aflige-me. Talvez.
Talvez pão, talvez empada,
talvez, talvez, talvez...

Por fermentar desta incerteza,
o centeio da minha vivência,
e talvez, quem sabe, a beleza
de um sabor meu em conivência

com a demanda que acarreto.
Mas talvez, quem sabe, seja
este mesmo fervilhar no espeto
o fermento que o poema almeja -

talvez, quem sabe, o português
da minha voz quando interrogada.
talvez, talvez, talvez...
Calo-me farto da encruzilhada.

Pedro 05:33

Em obscenidade satírica,
crivado de necessidade
pelo olhar perfeito
de uma lâmpada pouco forte,
artefacto suave
da iluminação obesa,
martirizo-me em vigilâncias
de olhares imperfeitos
numa mente-viela escurecida,
em desígnio ilustrativo.
Sou-me, imagem, na acepção
do que me seria, imagem,
e danço em papel virtual,
solene, à escuta
de passos abafados,
tímido de concretas sonoridades
durante as variações do monótono.
Pinto-me manchas coloridas
e sardentas, personificadas
no papel impessoal
da noite serena,
de uma obscenidade amena,
como quem viola tântrico
as roupas desbotadas de pudor
na sexualidade da obra,
mescla orgíaca e mestiça
de olhares rompantes e belos.
Visões do mérito na hora
dão forma etérea ao etéreo
interior da hora interna
ao relógio que pulsa sangue
e esboça visivelmente individual
a dissolução do palpitar
na irrigação invisível.
Brindo-me em sonho passante
sem treva, e esclareço
os sentidos sob débil iluminação.
Leio-me a outra face da moeda
inconstante e sorrio no seu reflexo
enquanto não cai, ressacada.
Suspiro as redondezas
em tom de liberdade
e destruo citadinas fortalezas
sem ser preciso fazer nada.
Obedeço-me sem ordem
num papel em flor
em campos perfumados de mim.
Estóicas conquistas da paz.
Penduro-me aqui.
Perduro-me.

Pedro 05:03

Fito um muro. Reflicto nas poesias fartas e absortas na vontade de se estar absorto. Durmo de concentração e solene esvaio-me em simplicidade, dorida ao de leve. Aclareiam-se-me as emoções de um aferrolhar estonteante enquanto me busco quimérico em falta de memórias. Dois, três, talvez quatro sinais do prévio reluzem pouco distintos, e o meu cérebro é possuído por uma luz que asfixia a cor do neurónio. Pinto-me baço na noite corrida, o nada em corrimento. Agarro-me torto ao corrimão mole e tento rasgar o meu papel de habitante domiciliário com mãos histéricas. No oxigénio um palpitar demasiado. Se assento, desconsolo. Além do mais, mas de tudo o menos, uma obrigação distante na mesa anexa. Mas se, no decurso de ultimamente, já deixei esvoaçante esta outra, preponderante búsilis de humidade seca... Fiz mal. Forçaram-me a cabeça na abertura mínima sem espaço, de ideias tornadas tempo estéril e de rituais disciplinares em dias torpes e submissos. Obrigaram-me a uma anestesia falsa, enquanto a estrutura se recompunha básica e vincada por ruína em cima do ex-Pedro. Saltearam-me o banco de poupanças assaltantes e próprias. Numa bifurcação que se calhar nem existe, interrogo-me talvez estúpido qual das vertentes do espelho indefinido me garante. Tudo a traços ajoelhados em borrão. Que dor de vazio, que dor de passado, que dor de dor...

Pedro 02:10

Ontem, de madrugada:

Calma implosão


Moreno selvático com brio
ao espelho de luz parcial
e brilhante,

faço-me forte numa calma sem sono.
Descalço as etnias da sensação
e escorrego brusco.

Afundo a palma da altivez
na minha mão cega
e berro sem Deus.

Em Odisseia sem Graal obtuso
abarco a lividez de viagem
e assumo-o, tornado forte.

Obtuso tornado natural num revolver
de ânsias meridionais
e inteiras.

Ameaça franca do revólver imaginário,
em crimes no papel menos liso
e coretos de raiva.

Aspiro bocal o terreno platónico
numa espera ciclónica de cobertor
e a nocturna proximidade do fim adiado.

Pedro 01:15

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Ontem, de madrugada:

Vaivém de desejo


Lá estou eu, sempre a querer,
como se eu não me chegasse...

A igreja quer burburinhos:
rezas, súplicas, meninos
a chorar... por isso lhe tocam os sinos.

O ovo quer pintainhos.
Se a galinha o vemos a chocar,
é porque ele precisa muito de rachar.

O jardim quer abelhinhas
a voar. Musical, deixa-se florir
de cores cantantes para o ar ouvir.

Basta, basta! Tudo leva a crer
que com o desejo tudo tem um enlace.

O que me leva então, plantas minhas,
a vos regar com sumos de cansaço?
Que árvore frondosa e invísivel tem um laço

com este meu voo tão surdo aos galinheiros
que se chilreiam destinos para onde quer que eu vá,
polinizando em mim o nascimento de um "Bah"?

Na gema da aflição, busco isqueiros
que religiosos me alumiem o prédio
cuja construção tilinte contra o tédio.

Mas, nas suas paredes, leio a frase:
"lá estou eu, sempre a querer"...

Pedro 01:10

Sábado, Dezembro 31, 2005

Aqui está um novo blog. Novinho em folha, como perceberão. Serve para proteger este de uma forma e de um conteúdo demasiado maçudo, por vezes a seco, sem no entanto dele privar os potenciais interessados (e corajosos, dada a caligrafia). Enjoy (not).

Para quem gostar mais dos produtos caseiros do costume, abaixo deixei-vos três posts que eu tinha ali, mas que tenho tido essencialmente preguiça de postar ultimamente.

Bom e por fim... "Até uma próxima ocasião, estimado leitor! Volte sempre!"

Pedro 03:10

De uma mera associação de timbres simpáticos no contexto simultâneo a uma explosão subalterna da mudança de energias, igualmente estática, transmitindo a sensação de prazer semiorgânico, de formas acentuadamente claras e inamovíveis, mas de uma textura sensorial misteriosamente agridoce, assim se constrói um momento natural, efémero, de densidade eterna.

Pedro 00:56

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

De dia 26, à tarde:

Porquê escrever sofisticado
se somos todos
máquinas antigas e ultrapassadas?
Contentemo-nos com menosprezar
o nosso sentido crítico
e iludir a ilusão de estarmos perto
de um absoluto indefinível.
Se confinados à expressão,
queremos substitui-la
por aproximações expressivas
à realidade.
Deixemo-nos disso.
Absolvamo-nos de uma tentação inútil
e cedamos à tentação inicial,
banal
mas intrinsecamente resplandescente
de um brilho comum
que alivia.

Mas porque carga de água estou a escrever em verso??
...
...
Porque carga de água estou a escrever?

Pedro 18:05

Da madrugada de dia 19:

black fucking metal

the obsolete turns to vomit
night sprays over my head the darkest, strangest, foreign sounds of recapitulation
overly sensible
too much for one's mist and sweetness

words can be, simply

they need not cry intention
just pointless drama

who understands life better than the dead?
surely not you, boys and girls
who seek reaffirmation in social grandeur.

open your wounds and dive into them

remember nothing
- remember yourself

be, without
always lone,
always the same ill structure pointing towards the unsolvable

other heads could change my world
but i cannot change the other heads

oh, fuck it

Pedro 18:03

Da tarde de dia 18:

Quero sair daqui mas não quero sair daqui.
Apaziguem-me, fodasse.
Quer dizer...

Mas quem são vocês?!??

Tenho de sair daqui depressa.
Depressa, depressa.
Depressa, depressa, depressa!
DEPRESSA,

antes que me assolem a alma prisões perpétuas. Saber esperar é ir ao encontro da fuga, por vezes. Ficar num parado que esconde a maior das azáfamas sem finalidade é o gerador de todo um desconexo no gesticular cognitivo.

Mas enfim, isto da irrequietude é uma velha história e é o menos. A facilidade com que me privo desta é mínima, comparada com a dificuldade em esquivar-me às opressivas investidas da imaginação e recriação de um alheio destrutivo e inflexível.

Por isso, devo evitar estabelecer que evito. Evitar os escapes que não as palavras, por mais difíceis ou vagas, verdadeiras. Saber portanto esperar, mas nunca por nada em especial, que não a oportunidade de deixar de esperar.

Discernir o apropriado nas condutas possíveis, enfim, teoretizações pouco úteis num fim-de-tarde crescente. Já pouco de arte... E não vejam revelações propriamente ditas, onde estão apenas explícitos alguns passos a dar neste ponto do caminho para alcançar uma espécie de coexistência com as ditas, ao nível da simbiose de pontualidades.

Saiba-se esperar, pois este significado para já são letras de ócio.

Pedro 17:56

Penso que, se eu o tivesse querido, poderia vir a ser um poeta. Da mesma forma que já pude vir a ser guitarrista. E seria um bom poeta, e seria um bom guitarrista. Não tenho sombra de dúvidas. Leia-se orgulho, leia-se especulação optimista, de qualquer forma o facto é que não me imagino nem uma coisa nem outra. Transporte-se isto para o resto, e não me imagino. De qualquer forma, não é importante que nos imaginemos, não são importantes as ambições. É importante, isso sim, encontrar a medida certa de certas coisas. Actualmente, a minha é a de improvisar alguns versos de maturidade dúbia, esboçar passos incertos em estradas de pedra ou madeira, ou um qualquer material inorgânico, olhar o mundo e as pessoas sempre que possível, em vaga simbiose saudável, a meia-distância. A medida certa, actualmente, não é a medida cheia. É o mais que consegui enchê-la. Não espero mais do mundo que um espaço. De mim, espero não vazar de arte e de emoções demasiado cedo. É uma espera orientada ao momento, isto enquanto, nas carruagens, os fiscais da limitação se atrasam. Uns físicos, outros sociais, uns que extenuam, outros que hostilizam passivamente, por descrédito e marginalização. Leituras fáceis, escritas difíceis, um papel convulso, ora múltiplo, ora nulo.

Tenho escrito algumas reflexões, nas horas em que algo obriga ao desabafo ou à descompressão do vácuo. Mas não me vou pôr a atafulhar o blog com um chorrilho de realidade abstraída e pessoal, demasiado para manter o interesse. Recapitular metas pessoais será mais um exercício de sanidade que um post, penso. Talvez abra um blog com uma compilação de alguns devaneios intra-psique, com alguns exercícios de retórica localizada, em tema. Mas aqui não... não quero perder os leitores que não tenho! :D Embora me preocupe que isto possa ser filtragem de posts, coisa que eu nunca fiz. Não quero mesmo entrar por aí. Sempre mantive isto como uma resposta espontânea e heterogénea à escrita. No entanto, mesmo pôndo as referidas filosofias eremíticas à parte, já deixei ali 3 cenas por postar. Raios, cuidado com o zelo de pseudo-integridades. Esses caminhos são o princípio do fim. Tou farto de saber isso.

Ora essa... estes dilemas... mas alguém quer saber disto pra alguma coisa?!

Pedro 01:25

Nunca mais chega o horizonte.
Estático e pesado como um rinoceronte,
encaro a paisagem impaciente.
O pensamento dormente
extingue-se às manadas
de migrações algemadas.
Sinto o tempo em deslocação absorto,
e a inspiração é a de um morto.
Por fim, dá-se um transbordo
sob a forma de sangue no bordo
das esporas. Um frémito galopante,
e tudo é bonito durante este espasmo de instante.
Em redor, as caras passam em turbilhão sem amor.
A alegria (e tudo) perde de ser a razão. Sobra dor.

Sobra também, ímpar, o horizonte.

Pedro 00:41

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Incógnita


Quem és tu, imaginação na bruma
que se adensa insólita,
incómoda e imprescindível,

sob a forma de qualquer uma
que os meus segredos cita
com o seu olhar intangível?

Quem és tu? Uma mulher?
Um impulso? Uma miragem?
O pó das memórias? Emoção?

Não sei. Mas queria saber,
agarrar-te o pulso, ver-te paisagem,
contar-te mil histórias com a mão.

Pedro 17:35

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Semi-canto


Na cúpula dos Pensamentos
nova metáfora vazia
ecoa e subsidia
a ilusão de que não há tormentos.

Sereno então os Sentimentos.
Por fim a alma canta,
esvai-se a dor de garganta,
esvaem-se até os tormentos.

Porém, como todos os Momentos,
também este se esgota.
Fica a meio som a nota

da música principiada.
A acústica é constipada,
aqui na cúpula dos Tormentos.

Pedro 01:27

Domingo, Dezembro 18, 2005

Redescoberta convicta


Fiz mais uma descoberta -
aquilo que eu já sabia
nesta tarde aberta
a reflexões e à maresia

de quando se abandona
as vagas de delinquência
dos impulsos à tona
de viver em intermitência

num mundo por colorir
para lá do imaginativo
cavaleiro até cair
dado o freio lascivo

que impede de viver
galopante na planície
de ventos a arrefecer
a espiritual imúndicie

de quando somos externos
ao nosso próprio calor
e aos nossos passos internos
com medo do sangue da dor.

Descobri, uma vez mais,
e sempre mais que nos outroras,
que a convicção são pardais
que tentam cantar contra as horas.

Pedro 18:05

Escudo contra a despersonificação


Do alto do fosso existencial
fitas-me com uma lupa invertida
e gritas com o teu silêncio
a indiferença.

O modo das coisas
morre em ti
antes sequer de te alcançar,
à distância.

Visões góticas
perpassam pela noite escura
de ausência sombria
e germinam calos no andar.

Polvilhas-me com o pó
das emoções por fulminar
e sufoco o pistoleiro
num veludo fino grosso.

Ando, ando, ando,
circulo
em rotundas desencaminhadas
numa espiral inútil.

Tudo porque,
do alto do fosso existencial,
vês um mapa desfocado
que te ludibria a transparência

e te impede de ver
o amalgamar das fronteiras,
ao invés de linhas finas
e vazias.

Pedro 17:25

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Tenho voltado a tomar a decisão de sentir,
em antevisões de mágoa a sacudir
a minha débil existência por decidir.

Em transparência, atravesso a mão
do futuro a agarrar-me com o seu Não
e alcanço, desaparecido, a desilusão.

Ressurge, imposta em desmotivação, nova vontade
de envolver o velho manto em realidade,
desnudando a coxa ferida de ansiedade

que me impele manco ao retrocesso
até à divisão selada, onde ingresso
numa outra encruzilhada, sempre em excesso.

Pedro 00:44

Domingo, Dezembro 11, 2005

Um dos momentos mais fortes da história do cinema... Diálogo que se desenrola entre Conan e o seu companheiro de viagem e de destino.


(Um sorriso de nostalgia infantil invade o guerreiro.)

Conan: "I remember days like this when my father took me into the forest. We ate wild blueberries. More than twenty years ago. I was just a boy of four or five. The leaves were so dark and green then! The grass smelled sweet with the spring wind."

(Curta pausa. Retoma as suas lembranças, agora angustiadas.)

"Almost twenty years of pitiless combat! No rest! No sleep like other men!" (Esvai-se o tom de fúria.) "Ahh... and yet the spring wind blows, Subotai. Have you ever felt such a wind?"

Subotai: "They blow where I live too... in the North of every mans heart."

Conan: "It's never too late Subotai..."

Subotai: "No. It would only lead me back here another day... in even worse company!"

(Pausa fatídica.)

Conan: "For us, there is no spring. Just the wind that smells fresh before the storm..."

Pedro 02:36

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

"o caminho da sanidade", percorrem eles,
frases com voz e medida.
vestem-se sonhos de inverno
e abusa-se deles.
nos corredores estreitos amplifica-se o volume,
alarga-se a passagem.
escuras ruas pintadas
nascem sob os pés sem sonho.
pontapeiam-se os lugares mais comuns
num futebol amigável à distância.
esclarecem-se esperas mentirosas,
imensas e presentes.
dormita-se por baixo
numa divisão comprimida sem cantinho.
chega-se a casa, e fez-se isto e aquilo,
e rectifica-se a moldura,
e diz-se "ah, eu sou isto,
faço certas coisas
para satisfazer o meu lado assado,
mas sem esquecer aquele coiso importante.
então não é?"

as esculturas no pedestal caído de nascença.

Pedro 01:37

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Preciso de palpitar
em tom irreflectido,
as pálpebras por levantar
em sinal de descrença.

Preciso de realidades.
Explorar-me via alguéns,
especialmente hoje,
pelo menos enquanto escape.

Nunca estive a falar de sexo.
Isso paga-se sem complexo,
e faz-se sem preconceito.
O que me dava mesmo jeito

eram componentes expressivas
das que entre pessoas se avivam,
principais e libertadoras
de mensagens invísiveis.

De resto, está um nevoeiro
para além disto,
e tapadas estão as medidas
do importante, para além disto.

É natural.
O dia nunca é global.
A perspectiva só cabe num dia,
fica restrita ao banal.

Sei só que não se trata
de nada demasiado simples,
nem demasiado complicado,
mas sim de uma intangibilidade

irritantemente sempre ao alcance.
Mas destas irreflexões pouco se tira,
principalmente com cabeças pessoais
e intransmissíveis, que só são aquilo que são.

Disto se tira talvez,
em clave de fórmulas,
a insistência em ineficácias,
se assim se quiser, ou então

o pergaminho amarelecido
pela prosaicidade que cabe
em papéis, mas não em existências,
defensivas portanto, justificações.

Nada disto é verdade. Se a quiserem aceitar,
a única verdade é a falta de algo
conjugada com uma leve insónia
dispersa em papel vagamente confirmado.

Pedro 03:49

noite com bolor

o naufrágio cerebral
de palavras sempre iguais
os momentos desiludidos
a corrida de barreiras
o sono doente
rancor hiperdepressivo

pequenos momentos diferentes
e tudo teria sido diferente
a partir do abstinente
culpado

mas não faz mal
espera-se recicla-se

Pedro 02:54

Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Hoje é (diziam eles na televisão) uma data "especial". Informem-se ou deduzam o porquê, pois serviu também de mote para este texto:


Ausência de dedicatória

Dorme descansado,
pois não te encobrirei com um manto devoto
de aborrecido reconhecimento.
Não renunciarei à autonomia deste meu acto de escrita,
idêntica a todas as outras autonomias
que tanto prezo.
Continuarei a escrever serenamente
e tu continuarás a dormir,
não no falso túmulo palaciano de lembrança documentada,
à janela de um distinto segundo andar,
nem no túmulo de madeira dura, banalmente,
num indistinto Mosteiro importante.
Estarás em lugar nenhum, evidentemente,
e eu estarei aqui,
neste lugar que não é propriamente nenhum,
mas que facilmente passa por tal;
daqui me dobro sobre a tecnologia
numa ocasião marcada pelo acaso
relativamente raro,
para te pedir que, de todos esses sítios
onde tu não estás,
te recolhas por meio instante,
o suficiente para que retornes ao patamar inferior
da escadaria de um só sentido
e albergues fictício
este desalojado sentimento de fraternidade
entre uma pessoa que não sabe escrever
e uma outra, esta de nome,
que se escreveu e se soube
como nenhuma outra.
Sossega, pois como te digo,
não te despertarei de onde não podes acordar
para te imolar com tortuosas cópias
de estruturas adulteradas
em parvoíce fanática de quem nunca fui
nem compreendi,
nem pretendi compreender ou ser.
Só estendi os braços, do alto
de um túmulo palaciano de verdade documentada
pela Física,
se a aceitarmos como a linha fina
que arranca impiedosamente o conceito de realidade
às subtis garras do abstracto,
e assim o demarca do seu simétrico,
para deste sítio que é tudo menos um Mosteiro
em termos de alma,
acenar a uma pessoa como as demais,
passageiro,
e a seguir aconchegar o cobertor que me demarca as pernas
deste rigor de quando se acerca Dezembro
pouco sorrateiramente.
O mesmo Dezembro que me aparta
da pessoa que foste, como todas as outras,
e que decidiu deixar à parte
uma falsa identidade, pois está escrita,
para advertida ou inadvertidamente inspirares
não a escrita,
mas a noção inviolável e palaciana de que,
para lá da realidade difusa e abstracta
está um lugar nenhum de pessoas
avassaladoramente iguais a todas as outras.
Concretos em mil e um sonhos,
pretenciosos em mil e uma opiniões,
somos todos o homem que, do alto do seu palácio tumular,
vê passar um barco sob o fumo do Tejo
para se pintar em hipotéticas palavras,
argumentos,
murros,
pontapés,
acções,
desilusões
e pensamentos apenas,
passando fluvialmente sob o fumo de um cigarro,
sob o ponto de vista de outra pessoa qualquer
que pode nem existir fora da nossa cabeça.
Não podem sobrar dúvidas
após estes anos de existências,
historiadores,
sociólogos,
entertainers
e de namoros em parques,
que tirando esta construção
de amores, personalidades, e histórias de vida,
nada sobra.
Seremos pois todos, como tu terás sido,
ou como pelo menos te atribuo teres sido
(mas é o suficiente para o seres
neste dia falso, em que é quase Dezembro) -
uma Mensagem por passar.
Acredito pois piamente
que não receberias a minha Mensagem
incontornável,
pelo que me privo de aborrecida gratidão
ou de uma dedicatória inútil,
e, na medida do possível,
de estranhas conversas metafísicas
e cadavéricas.
Continuarás sossegado no teu sono
de prosa vazia,
que preenche hoje a poesia desassossegada
de um outrora inqualificável,
e eu sossegarei parcialmente
esta minha Mensagem, que não está na ponta dos dedos,
nem no coração,
nem em qualquer outra parte
que não as tocas onde se aninham as confusas vontades,
os sempre actuais intervalos dos intervalos,
enquanto te imagino a sorrires, categórico,
face a qualquer incutida grandiosidade inconsciente,
que somente merecerias
num mundo em que, em vez da Física,
existisse a grandiosidade como forma de distinção.
Sorririas pragmático, sarcástico talvez,
e mergulharias noutros devaneios atípicos
até passar o próximo Esteves.
Não o farás, e provavelmente nem o farias...
a não ser aqui, referencialmente.
Hmmmm
Vou mudar de opinião, bruscamente.
Afinal fá-lo-ás, neste actualmente.
Não tu, que dormes em vácuo,
mas o outro tu, o único -
o imaginário de milhares de pessoas
como tantas outras.

Pedro 03:56

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Boas.

Hoje idióticamente banal.

Desperspectivado.

O sempre que volta e renega o efectivo.

E em redor, meandros de gente que se escreve e requinta igual, com convicção comportamental instantânea, destruindo ameaças de inadvertida realidade e denegrindo as cores dos casebres alheios e espíritos independentes.

E sorrisos que se fecham, por túneis de ecos assustados. Condecorações de abstinência verbalizada em faces comuns, desfiguradas e invísiveis no mundo contrário por imaginar. Clara e apressada incompreensão fulgurante, asmática no refutar da doença.

Por tradições redescobertas farsas, nado em contra-corrente evitando redimir-me de religiões livres, em verdade. Evitando vangloriar por força de agregados, evitando empalhar a presença, evitando recair no terramoto mentiroso.

Sem empunhar parâmetros de condição quantitativa, referi-os após mais um desenlace. A partilha pontual, com a ressalva de o ser. Sem presságios nem intuitos de Lei.

Ainda, algum receio, alguma lágrima, pelo que rompe, pelo que escorre, pelo que a Natureza não se inibe de vetar. O sangue nas veias por envenenar dócil. O desterro de ideias, tragédias periódicas na transpiração de células a pouco desporto.

O multicolor a cinzento.

Contracção determinante e afónica de noções de mal denso, com a ligeireza que esperneia em torno do abraço indesejável.

Chamem-se-lhe nomes grandes.. Pompeia, demência, inspiração lunar..

O chamamento - a arma do povo cantante.

E mais restos. E mais réstias - ou ainda me vão culpar de sexismo.

Ena. Até humor escolar já aqui faço. :D Qualquer dia, letras de mariah carey, e todo um universo pintado.

Agora claro, há que acabar com isto, em desarmonia, em tons de bah. Tem de ser. Vão-se foder se repudiam aquilo que não sabem. Vão-se foder se não querem saber de mais uma página bolorenta, de mais uma crónica de escura arte diluída em decepção, de enganadoras montras de aversão se vistas como tal - vão-se foder se não estão dispostos ao Erro.

Vão-se foder, e fiquem bem.

Eu vou fazer o que prometi. Tapar esta garrafa destilada de leitores quase palpáveis, incómodamente quase. Varrer um soalho incómodamente pegajoso de pervasividade feminina. Repetir o sono que amansa os muros. Roncar inconsciência até ao mais sagrado décibel. Entoar valas de incontinência enquanto trincheirados se preparam os lugares-comuns. E aos poucos, ganham terreno...

Qualquer dia serei vencido, e então cederei. Trabalharei dobrado para eles, viverei e conviverei como eles, serei um deles. Mas continuo a lutar e a lutar. Em escassez de armas, de forças, de alternativas capazes. Tenho-me a mim, e à liberdade de lutar. Anos a fio.

Enquanto se desenham pinturas rupestres em posts de pulsantes exageros caricaturas, soa a velha máxima, por ínfima que seja - a esperança é a última a morrer.

Pedro 04:29

Domingo, Novembro 06, 2005

A magia de um acorde solto crepuscular encerra todo o drama metamórfico da humanidade. Toda a concepção imesurável é sugerida, toda a definição está polvilhada de um acompanhamento ébrio, mais fino que o do ar, e conducente da extensão global, caótica, profana, sensível, promissora, sedutora, um vácuo magnético fundido com o encurtar das distâncias. O mote é simples, como uma válvula, e os pensamentos nascem precipitados, numa escadaria sem topo. Trepam-se degraus sem unicidade, mal conexos, pouco ou nada sólidos, em imensidão. Constroem-se algumas palavras que fragmentam a hipotética longínqua frase em vidro. Entretém-se camadas de carnaval com máscaras de rotatividade incontornável. Abana-se o leque da fornalha universal e sopram-se reparos à cascata implosiva. Desvanecem-se os objectivos quaisquer num impressionismo em dominó aleatório. Faz-se. Arrastos convulsos. Zombies. Berros ocos, distâncias surdas, fonemas loucos. bzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzzbzbzbz

Pedro 03:01

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Todos convictos de qualquer.
Sem mínimo.
Gota na testa, pensante, a escorrer.
Luzes turbulentas.
Um semáforo triste.
Turbilhão de vozes serenas de imposição rompante.
Fragmentar ineficácia e estilhaços.
Vidros de sangue pulsante.
Morno dia decai.
Decair de mãos pouco dadas.
Significados transformados em ausências.
Pisa-se forçosamente.
E repisa-se.

Os mais indistintos momentos podem transformar-se em cantinhos de páginas a lamber sem fôlego.

Pedro 00:11

Sábado, Outubro 22, 2005

O peso da conotação esmagadora dos tempos idos, desaparecidos num recôndito suspiro de pouco alívio. O peso da conotação suada de quando a toda a energia se esgotou o empurrar as muralhas do castelo invisível, para de desidratadas ideias e convicções se reter a exaustão num desistente tornado de paralisia. O peso da conotação mórbida dos passos mudos, ocos, desistentes, pelos fantasmagóricos corredores. Passos pesados de morte sem conotação.

Pedro 15:23

Acordo no lar casulo e recupero o torpe narcisismo típico da larva. Deixo um rasto de grude pegajosa pelos instantes percorridos enquanto me arrasto circularmente pelos seus confins vazios. Nutro-me de ligeiros aconchegos, de temperatura, de harmonia, de semi-sonhos. Transcrevo-me desalojado de divisão exterior esquecida e cubro a percepção com esta mole carícia finita de ócio vendado. Evito a divisão interior esquecida e infinita.

Acordo no lar casulo enquanto evito acordar.

Pedro 15:22

Módulos de satisfação redespertam módulos de insatisfação, descomprime-se o almirante do barco sem mar, vira-se a página para se reler um branco interrogação, e as feridas tremem, perante a vontade de abrir e fugir ao caos de ambiguidades. Senta-se sempre a crítica, na cadeira que nos esquecemos de arrumar. Vem sempre o vento bafejante de carícias cortantes de gélidas. Na garrafa, a mensagem perdida. Dissipada. Tinta invisível em mares sem almirante em suficiência. Grandes arpoadas de Natureza quinam sem determinismo. Ondulação.

Calmaria. Um ontem que é hoje, na visita ao contemplar. O brinquedinho infantil de neve e vidro, que alguém parou de agitar. Escala-se o abismo sem pressa, e recupera-se um esconderijo escuro. Cláusulas de expressão nocturna redefinem o tratado da paciência. Mãos dadas com o ar, sem procurar tactear. Expressionismo apaziguado. Por quanto tempo?

As buscas animalescas lá fora, na vegetação selvagem, em rodopio de passados-presentes. Um pião de confronto. E todo este tempo perdido, sou eu.

Pedro 01:41

E a facilidade com que por aí se pega em formatos pré-concebidos, socialmente ergonómicos, de design manchado pelo estereótipo tradicional e conclusivamente limitado. Assolam-se terras, planetas inteiros, de uma doença leve mas condicionante, uma constipação da visão além-corpos e métodos rotineiros. Despromove-se a reflexão numa dança que guia os passos solitários, esquecidos das asas metafísicas. Despromove-se a riqueza em todo o seu infinito reluzente, e sucedem-se gritos de guerra, gargantas sem rumo, colunas estereofónicas sem vontade própria.

Obedece-se. Uns aos outros.

Apetece-me fechar os olhos com pálpebras de verdade e injectar várias doses de mim mesmo. E ouvir para lá desta cacofonia. E sonhar para lá deste pesadelo. E viver para lá desta morte.

Pedro 01:16

Domingo, Outubro 09, 2005

Cuidado com:

Aquele procurar incessante, com olhos de um condor de fome desértica emparedado pela planície.
Aquele chupar diário da mesma fruta, alvejando as brechas do caroço enorme.
Aquele agarrar à corda que queima enquanto não se evita, apenas abranda, a descida pelo abismo.
Aquele suspirar um insuficiente "enfim", de quem reencontrou, atrás do sofá, uma pecinha do puzzle.
Aquele viciar nas pausas dos esforços, enquanto se compilam fragmentos de fadiga.

Pedro 22:10

Sábado, Outubro 08, 2005

Visita a memórias do genérico.

Muitas letras perfeitas em torno, orbitais novelas de um mundo escondido nos outrém. As teias de uma rede vital apaixonante, tão mentirosa áspera quão estupidamente graciosa avassaladora, uma rede sem ausência, só buracos de espreitar. Buraquinhos funis de lavagem à alma sem piedade, fuzis execuções do castrante, em bang bang's não surdina.

É só uma vontade de poder ser chato no enquanto. Permitir-me o ímpeto mundano real, em medidas poucas, na progressão pouco estrita. A fase de Renascimento, desde pequenas a grandes minúcias comportamentos opções.

O âmbito dos durantes, muitos bah's, virar o disco. Um sono tortuoso a pingar as pautas. O aborrecimento na mensagem aborrecida de opostos. A brisa a reler-me incómoda.

Já não sei há quanto tempo milenar virei as páginas por escrever.

Pedro 17:14

Enquanto. Desdobram-se as vertentes múltiplas unas, poucas de tamanho. Precisa-se a informação inqualificável, em estéticas. Mapeia-se de mundos para mundos, na função apenas. Pavoneiam-se fragmentos da arte nunca. Quando a agitação subtrai o nexo. Frémitos infiltrados num controle necessário. Estabilidade de prelúdios, abstraídos de ritmos coisas gritos. Labaredas pendentes no infernal próximo. Uma cidade em chamas por pisar, o momento eterno sufocado, passo a passo, fuga a fuga, o olhar atento do contínuo no jardim despovoado, um limite de raízes. O limite.

Pedro 16:01

A exploração da banalidade. Infernos sem esforço. Gatos pingados cinzas. Gota queimada e felina, sórdida sem patamares - só mistério a nú e quente.

Apaguem a vela que dói.. Murmurem patamares de ilusão fácil. Escale-se a nem por isso subida com meias de desterro degredo. Derrame-se um suor sem queixa.

Construam-se artimanhas, por um Algo superior sem existência, física ou outra. Descredibilizemos o sentido. Amemos frígidos. Raspemos as lascas ceras escamas peles.

Banalizemos a exploração. Esforcemo-nos infernalmente. Caiamos lá do alto, em fila americana. O abismo estético sem pára-quedas. Um caixão final com entradas de ar.

A piada sem sarcasmo.
A foda sem orgasmo.
A vida sem marasmo.
Uma morte enquanto pasmo.

Pedro 00:27

Relembrar.
Olhar saciar em volta sôfrega.
Puxar a perspectiva com um guindaste fracasso impaciência.
Opção sempre esquecida imponderada.
Esquecer.
(tentar)

Devia experimentar engolir umas vertigens. Seriamente planar refeito sorriso auto-alimento.
Escondam as vossas, redondezas... :) No típico pormenor organizado ou não de lavatório, à mão óbvia.

Refaçamos um mundo vago, interrompido, suíço esburacado vómito.

Degenerativos sem neuro-fantástico du monde, unissons-nous.

A Revolução, ao virar da esquina portal...

...se ela chegar entrementes, cancela-se o relógio e quiçá se mude de estado.

Pedro 00:25

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

A fenda que se abriu no ocupado espaço vazio, projectando filmes sem metragem.

Benvindos.

Pedro 23:12

Domingo, Outubro 02, 2005

Lá fora a guerra sem cessar, fogo morteiro ferida grave.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Aguardo o vácuo em vácuo pouco ideal.
De ideias transformadas em impulsos, gota a gota.
Torneira que escorre em ideias. Desertos numa miragem canalização.

Lá fora a paz agressão contraste mágoa indolor.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
A produção extensiva em cadeados encadeados.
Voz letreiro virgem de nota timbre voz.
Palmilhado pé pela areia a fervilhar. Escorre a queimadura sem sangue.

Lá fora a imóvel confusão expectante, despachos risos brutos tristes.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Um céu pintura na terra a olho.
Uma orientação no véu repulsa narcisismo extremismo.
Um Islão de alma húmida encharcada. Escorre um ego constipado.

Lá fora o vento. O mar, o fogo. A insignificância escondida.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
O ar respiração proeminente elementar insignificante.
Os lugares-comuns afogados ardentes.
Escorrem noções estéreis de imaginação. Sem-abrigos num sexo lençol cobertor.

Lá fora, tudo nada insignificante.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido insignificante.
Amainar insignificante, resfolegar insignificante,
animar insignificante, deprimir insignificante,
por fora insignificante por dentro. Escorre insignificante.

Lá fora por dentro por fora,
tintas órgãos tintas,
tendas corpos tendas,
vidas mortes vidas.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido fechado.

Pedro 16:37

E impedir que os atalhos se tomem, quando se está a varrer as ruas da cidade fantasma que nasce do aborto passeio em pés tortos tropeçados. As fragilidades, bonitas malditas.
Eu digo para além do meu além, mas nunca chego ao aqui.

Que aborrecimento de posts, mas querem o quê? Deixem-me foda-se, ninguém vos convidou. Deixem-me.

Revisitado casebre paranóico, céu de palha, madeira em vez de janela, mas sempre uma escassa memória aos traços miligramas poeira, um sempre cada vez mais perfeito. Dissertar instantâneo. Antevisão de um passado vindouro, revisão da metafísica, anos-luz ciclicamente. Atrás dos traços um papel por entre. Superfície pigmentada lisa e atrás. Raros eternos bons.

Não esquecer, não esquecer de rasgar o ar à volta e deslizar no papel por baixo escorrega bom charco mãe protectora de protecção risco feixe ácido corroente poluente.

Não esquecer, esquecer, esquecer, esquecer. Não esquecer, esquecer esquecer.
Esquecer esquecer esquecer.

Não evitar. Evitar evitar evitar.
O sagrado sacral desproporcionado aglomerado em mentiras de superficíes ao contrário.

Cá em baixo, a lua avessa. A finalidade sem. O brilho não.

A escuridão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão

Pedro 00:54

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

O meu surrealismo ocupa-se de não me realizar.
Ocupo-me de negação.
Estendo-me na prancha de tubarões afiados, e olho um sol escuro por dentro.
Inaudível, impalpável. Intudo.

Falo de dias gerais, outra vez.

Porquê falar todas as vezes em particular de dias? Porque eles não falam de mim. Reciprocidade sazonalmente soalheira e sempre falsa, de escuridão.. Este falar é escuridão porque não é falar. O outro é escuridão por nunca ser.

Mas agora com uma distância tumular pacífica. Um mundo dentro do transparente por fora, cintilante universal. Aromático vazio nariz. Um entupido muito mais desengasgado inestático estético. Profetas cegos, divinos como a Lei manda. Regimento por redigir, encarnado morto, cá. Claro.

Escuridão pacífica oceânica elementar a olho nú. O desfoque do enfoque escuro, sublime vaga neutra nula desazulada contemporânea intemporal escuridão.

Aquilo que está por conter. Criança num parto mudo pardo por rebentar. Adocicado espesso amargo sem chocolate. O vice da conversa, o verso, a alma, sangue. Sangue. Sangue. Sangue. Transparente. Sempre, tudo, e até inclusive.

Por causa das flores que não murcham nem desabrocham, e ficam a olhar no canto de uma janela, transparente, duma estufa regelada de inadequação.

Tudo meramente escuridão pragmático. Quase escuridão sorridente. Uma escuridão sempre quase.

Quase.
Tactear sem ver a escuridão.
Quase.
Ver sem tactear a escuridão.
Quase.
Escuridão. Escuridão. Reflexo de escuridão no espelho escuro sem tema.

Uma folha escura sem página de escuridão.

Possuída quase. Possuam-me quase. Quase aqui, na escuridão.

Pedro 00:25

Domingo, Setembro 11, 2005

Um patamar insólito abre-me a visão.
Avalanche de portas.
Um colchão:
Palavras, palavras, suspiros, escapes gelatinosos, e palavras, palavras.
Atrás de palavras, palavras.
A colherada, enquanto tremem felizes. Cintilantes no céu da boca do Inferno.
Do infernal... Geografias, para fora, xô xô, chicotada.
Queremos nhac nhac.
Preferimos todos ficar, fora de um "aqui".
Permanhecer pela alvorada nocturna invisível poeirenta.
Pó de ouro.
Algemas de ovo.


dedicado a Abade Fatia, um Pioneiro do impúdico equívoco sem margem de erro, um Mestre

Pedro 02:29

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Merda.
Tudo errado.
Não devia estar aqui,
neste sítio.
Nesta pausa,
entrecortada pelos premeios da álgebra comunicativa sem equação.

Merda.
Tudo errado.
Não me devia deixar ir
para este
sítio nenhum
a descoberto. Deixar fugir a roupa nua e metafórica.

Enfim.
Vai-se estando.
Deixem-me aqui,
neste sítio.
Nesta pausa
reciclada.

À espera de seja o que for,
revivendo a espera anterior.

Imediatamente!

Pedro 01:51

Ensaio sem subaquático


Preciso outra vez
de vinhos sem mente.
De banhos, tormentos,
do mergulho dormente
neste mar que tu lês.

Piscina que se sente
sem água - este mês
a conta é de duzentos
euros. Seca, como vês.
Mas segue-se em frente.

Pedro 00:42

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Things are just like that. And it's no use to move forward, please stay. Some fremit indulges us to cry the voices of quietness. Time to stay free. Pay no fee to the man in the borderline between lands of escape and nodding down. Believe and stay. Free you stay. Believe.
Always stay free. Believe.
Always stay. Free belief.

Pedro 23:41

Faz-me vibrar.
Faz-me crescer.
Faz-me apagar.
Faz-me doer.
Faz-me agitar.
Faz-me sofrer.
Faz-me fazer.
Faz-me...
Sim, faz-me.

Desintegro-me numa falsa integridade sem objectivo.
Faz-me morrer.
Espero-me numa palpitação sem objectivo.
Faz-me explodir.
Sublinho-me espera sem objectivo.
Faz-me adoecer.
Desiludo-me de esperança sem objectivo.
Faz-me morrer.
Marco-me gado num abate sem objectivo.
Faz-me morrer.
Morro numa hesitação irreflectida da vida sem objectivo.
Faz-me morrer três, quatro, ipselon vezes.
Três, quatro, ipselon vezes sem objectivo.
Foca-me na cadavérica objectiva sem objectivo.
Faz-me apodrecer.
Faz-me renegar, vivo ou morto sem objectivo.
Término cadáver passante.
Luz da sombra da lua. Ilumino-me. Tudo menos tudo.
Faz-me ver cegar.
Faz-me ouvir ensurdecer.
Faz-me sem objectivo.
Faz-me ressoar, ressoar, ressoar, agarrar com força tudo menos tudo. Auricular desejo.
Tremores a ressoar, a ressoar, a ressoar, sem objectivo, a ressoar.
A ressoar.
Faz-me.
Faz-me.
Faz-me.
Faz-me.
Existo, Eu Existo, deus, Eu Existo. Espuma pastosa. Desejo engasgado em bocas de convulsão. Sórdida, atroz, funesta, espuma.
Ali, ali.
Faz-me espalhar-me.
Ali, ali, blblblblbl.
Faz-me doer-me, massacrar-me, existir-me, grrrrrrrrrrrrr, rosna amor comigo, rosna comigo feridas, sem objectivo rosnar.
Agarrem-me sopro de êxtase mau. Atmosfera regelada unívoca.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzz.
Faz-me zzzz.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.


Pedro 23:16

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

O confronto reprimido demarca o atravessar da fronteira. As vozes afiam-se, o crime cá dentro. A dor na luz, no passo e na posição fomenta mais confronto, agora sem um alguém implicado. A voz transforma-se numa bomba relógio de fragmentação de crença. Auto-confiança afundada num pesado silêncio oceânico.
Se ao menos a demência fosse cega e real.. sê-lo-ia cegamente...
A arte é real, mas preciso de o ouvir da boca do empírico, sem traições. E saber o que vem a seguir a cada momento de arte, não cortar o guião à tesourada silenciosa, só a parte que diz 'esgotante'. A arte pode até ser vazia, desde que se regenere num contínuo. Não é? Eu cá penso isso. É bom sabê-lo, gentes leitoras?
Já sei, vou criar um blog. Vou continuar a fazer coisas que já fiz, parando o relógio na ânsia de o fazer andar. A minha visão envolve vários frames de relógio por minuto, obsessão? Qual quê.. Essa agora, sem ironia, a sério. Ironia? Qual quê..
Cheiro os vários eu's crónicos, um a um, tentando-me lembrar do perfume sem cheiro. Nada. Às vezes treme-se mais, no frio da liberdade tão aqui mas tão ali. Outras respira-se menos asmáticamente. O céu abre-se em dois ou mais, e vinte e três mundos são eu. Nenhum é meu. Mas exploro, aproveito o enquanto da fresta. Os céus não se abrem assim sem mais nem menos. Prostitutas finas da criatividade.
Alguém que diga que sim? Alguém que diga que não... Alguém que o diga, alguém que diga respeito, alguém que tenha palavra. Sabedoria o suficiente, para não me saber. Sabe a pouco ao ego, enquanto brincam aos sociólogos obstinados, e por isso pouco sociólogos. Mas sociais, na sua delinquência da república ciêntifica, chove-lhes nos espíritos. E a chuva tolda, enquanto molda. Chuva de coisas, de gestos, do típico do atípico, e portanto coisas. Assim os molha a chuva. Um boneco de barro, perfeito ou não, será sempre de barro. Que chova ácida.
Introspecção forçada na sistemática do dia. As vantagens.. quando o forem.
Enfim.
O sabido boceja, cansado de si. Em alternativa, este blog meu: http://espectro-de-gente.blogspot.com

Pedro 03:05

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

A busca ondulada, o rompante confiante e algum sabor.
Obrigado, mente.
Mini-construções fazem o eu-dia.
Apreciação sem caos pretencioso.
Linhas desalinhadas para bem.
Assentemos pois sem pressa-disparate.
O suave.
Mãos sem pulso, braços sem ombro.
O respirar como coordenação.
O permitir do amanhã.
Vamos sem ir.
Vejamos sem olhar.
Sem artimanhas, no consoante da concepção.
Até um logo.

Pedro 06:32

Sábado, Julho 30, 2005

Minimalista, a estética do mundo envolve-me num não-abraço. Aperta-me com o seu cinto de castidade mínimo. Revolve-me, num rodopio feito de tonturas. Oferece-me o vazio, em troca de desejos esvaídos no rio do pó da alma. Alguém sopra para o pó, e o vazio adensa-se, imaterial. Vento a passar no vazio, deslocações vazias no espaço da frustração invisível. Frustrações que passam como o vento, sem cortejo. Pequenas picadas de abelha, espigões inocentes mas afiados. Um irrequieto por sob uma língua saudosa, engolido em seco. Mudez. O único sabor, a repetição, a mesma. A novidade refugia-se atrás dos espinhos viris de um roseiral murcho.
Os espasmos de poesia, falsas mensagens na garrafa. Deprimente, o constatar do deprimente. A perturbadora estética de um suicídio abstracto, incompreensível. Perturbantes razões desnecessárias. A vontade de ninguém, a relva sem espinhos, de um verde enjoado. Longe na frase sem recursos estilísticos, de sonoridade afónica. A procura da deriva num mar estático de sonhos a seco. A inconclusividade do céu de nuvens indiferentes. Um parque sem infantilidade, de diversões com frio. Uma chama de calor extinto. A morte.


A morte,
a morte,
a morte,
a morte.

Cada vez mais,
a morte.
Caíndo a pique,
a morte.


Pedro 20:07

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Sabor a jazz


Sabor a jazz melancólico
invade o serão
e o quarto,
neste quarto
de hora. Dispersão.

Sabor a jazz, diabólico,
estica os minutos,
com o grude
que ilude
os meus eternos lutos.

Sabor a jazz pré-digerido
entope-me o organismo,
e regurgito
o velho mito
de que eu já nunca cismo.

Sabor a jazz. Bem definido,
quase perfeito,
o sem alento
do ritmo lento
de que é feito.

Sabor a jazz, redundante,
na noite já sem sabor
de tão mascada.
Serve de nada,
o paladar. Dissabor.

Sabor a jazz. Esgotante,
de tão real mas inerte.
Pouca a sorte,
na meia-morte
daqui. Vazio nos oferte

o sabor a jazz. Pesada
a escala da monotonia,
cujo compasso
veste um laço:
a desolação da harmonia.

De desilusões pejada,
permita-me a vida saborear
a dor que traz
todo este jazz.
Cismo que nela me hei-de contentar.

Pedro 02:06

Estou farto do seco em tudo. Do stress secante, em tudo.. Farto, do stress que está em mim, e que eu procuro evitar, desviando-me. De tudo.
É um stress, o desviar-me de tudo. É uma seca, quando encontro um desvio e o sigo sem stresses.
E pelo meio? Uma identidade mal-parida, não tanto por encontrar, como por perder, por soltar..
Ando e respiro e ando, vejo, "olha, ando!", apago parte da sensação de apagado. Como o vento que sopra o pó de cima do baú de séculos e revela parte. Que haverá lá dentro? Pó? A madeira aparenta ser de qualidade. À sua maneira, como todas as madeiras, como todas as árvores.
Páro o cérebro, respiro e ando. Vejo, uma loja de animais. "Como não tenho asas, posso voar!" Só os elefantes não cabem em gaiolas, por isso são extintos. Um pouco de raiva contra a humanidade nunca matou.
Páro o cérebro, ando. Não vejo grande coisa. Para onde estou a ir?
Páro.
Páro o cérebro, respiro, ando. Um pequeno bah. Já não digo nada há tanto tempo. De que me serve o respirar, andar, respirar? Estou aqui, no stress de não ter stresses. No silêncio à mesma, essa ameaça de gaiola.
Páro o cérebro, ando. Vou ver se falo a alguém, então. Mas não vislumbro nenhuma rua por onde meter, nenhuma alma por conversar. De que me serve esta caminhada em frente, anti-desvios? Não será comportamento desviante?
Não.
Páro o cérebro, respiro, ando. Piso a rua. A única rua. Seja qual das ruas for, é a possível, a única.
Respiro. Ando. Vou. Com ir, sem ir, não importa. O importante são os pontos nos i's.
Vejo. Um muro. Qual é a moral disto? Não sei, mas o muro tem coisas imorais escritas. Numa escala de sorrisos, tem 0. Mas não por imorais o serem, bolas, não estou assim tão velho. Apenas pela clássica falta de inovação.
Vejo um restaurante chinês, agora sim, um 0.8. Porque faz lembrar as últimas de Alberto João Jardim. Um 1 ambulante.
No outro dia vi um 1.5. Em letras bem gordas, lia-se "NOTÁRIO: Pedro Rodrigues", à entrada de uns escritórios. Pensei no belo que seria, se alguém colasse um bocado de papel branco meticulosamente por sobre o N. E no dia seguinte, a maior parte dos colegas e restante gente do prédio não evitaria a gargalhada, mais ou menos discreta. E talvez até o próprio reagisse com uma indignação descontroladamente despropositada.
Páro as memórias. Respiro. É que isto não é um passeio.
Não ando.
Bocejo.
Fecho o post.

Pedro 00:05

Terça-feira, Julho 26, 2005

Tudo é um bom mote


Tudo é um bom mote
para se querer poesia.
Basta escolher do lote
de coisas de um dia

e pedir uma emprestada
à realidade.
Bebê-la fria, bem gelada,
a verdade

líquida. O estômago
sem motes sorverá
o gélido âmago
do qual recriará

uma fotocópia fútil
e escura.
Pouco terá de útil
a candura

com que o fará, ou a
sólida dureza
do detalhe, da boa
análise, na mesa

as cartas. Pois
tudo se ultima
para depois,
no fim da rima,

se voltar à estaca
zero, ao dia sem poema.
E, forte ou fraca,
sobre alecrim ou alfazema,

a rima passada foi,
o verso vazio é.
Passou sem dizer "Oi",
pé ante pé ante pé.

Tudo é um bom mote
quando há falta de poesia.
Nada é um bom bote
quando está seca a ria.

Pedro 22:54

Da madrugada passada.. (por isso, obviamente actual):


Na métrica do desencaixe


Por vezes, querer
sem disso esperar obter
mais que a vontade
implícita. Pois há-de

alguém compreender
o dito em sigilo?
Por vezes, esquecer
torna-se o asilo

possível. Pois há-de
servir a insistência
no que não foi (saudade,
ainda assim)? Dormência,

por vezes, semi-doença que
se instala. Pois há-de a mente
reflectir, quando sempre mente
no agir? Um passeio no parque

o bálsamo, por vezes.
Pois há-de haver remédio
para evitar o tédio
duma prisão? Por vezes,

tranquilidade nasce
do vento, do mar, da paz
que um olhar traz, se
na calma absorto. Apraz,

por fim, respirar. Sopra
a inspiração ao de leve, a cada
passo, novo andar. Oh, pra
quê bocejar? Mas junto à entrada

duma nova divisão, o inconstante
é sempre porteiro, e não obstante
a força de ser, frescura das criações,
inventa e impõe novas limitações.

Pedro 22:52

De 3 de Abril, ainda bastante actual:


Nada retorna.
Células que se esvaem, e ainda uma mínima réstia de expectante.
A sombra de um gajo sombrio por cima da montanha, cuja escalada invertida faz estremecer.
Não se vêem caras, não se vêem mundos. Vê-se o mínimo, e alguns tudos pelo meio..
Ilusão.
Rasgo de confiança por uns intervalos afora até ao amanhã, que pode ser hoje, dia em que é inútil, porque sempre foi inútil.
Dia sem tempo.
Ficam os lugares comuns, para que não percam o comum que neles há, outro tanto de inútil.
As miragens que passaram. No desespero sabia-se a recta das coisas, com dor. No lume brando, era questão de procurar, sabendo os estados de espírito. Lidar pontualmente, mesmo com a visão desfocada de outrém, perfeitamente sabida e nem sequer um desafio. A visão que vão questionar, como sempre.
Mas hoje acabou. Retrocedo para o ninguém, pescador sem o dar conta da próxima pequena ilusão que o queira ser, para nela me aperceber novamente do perpétuo que não quero. E nela redespertar a semi-fúria de estar mal vivo, e me lembrar de mim mesmo, e se sobrar espaço, confiar no eu dos futuros breves, esmagar de leve a antecipação do indesejável. Mas sem exageros, a noção, sempre. Noção invísivel, mas pura.
Não é o mais fácil nem o mais difícil. É como se acorda.
Se me pudesses um dia entrar na cabeça e ver o que eu vejo. E sentir... Ias perceber tão bem, ias ver o quanto te enganas.

Pedro 21:21

Terça-feira, Junho 14, 2005

Um génio, hoje, aqui. Hoje, acordei génio, aqui, de novo à beira de um alpendre na construção menos construtiva da estrada. Sou de novo um génio, não porque saiba bem ser génio, e não porque saiba mal. A genialidade não se questiona, apenas se finge questionar, é uma sua característica.
Acordei génio. Não que dormisse, contudo, só o génio é que dormia. Como todos sabem, ser génio implica qualquer coisa. Toda a gente sabe estas coisas, as "coisas que toda a gente sabe", o que é idiota, pois a genialidade não é um pote de barro numa montra. O que as pessoas sabem, é que há uma montra. Os mais consumistas vão às compras, os outros apenas olham, por vezes.
Talvez seja das horas que passam, sem identidade própria. Talvez o analista distante o saiba, de óculos que reflectem as coisas, mal as vendo. Ele sabê-lo-á com a simplicidade de quem não quer saber, até porque não existe, faz apenas parte da minha genialidade. Fruto das horas?
Hoje ordenho-me génio, para que amanhã o leite se esqueça num frigorífico qualquer. Hoje brinco sem magia às palavras mágicas da televisão, ou das televisões, para com isto demorar um pouco. A genialidade será mais que isto? Claro que não. Sinto-me o modelo de génio, que não sei definir ou comparar, por nunca ter lido demasiado. Sinto-me, aqui, claro, pois de facto, estou ali. Mas as horas, as horas impelem a segurar esta coleira do cão-génio, a empacotar mais um modo de ver uma coisa indefinível, e que podia bem ter permanecido como tal, uma projecção sem astros. Mas assim dá-me trabalho inútil, como todos os trabalhos dignos desse nome. É aliás o conceito de trabalho: inutilidade aplicada. Mas não aquele inútil a crú, mas sim o outro, o inútil entrecortado pelo som das teclas. O inútil som das teclas, a empacotar esta ténue mentira. Para que o pouco que teve de verdadeiro, que foi um pequeno instante, talvez nulo, se anule. Que seja algo, pois. Reconfortemo-nos no conceito de nulidade, pois esse é um conceito, e tem portanto conforto. Ou teve.
Distendem-se ex-bocados de pensamentos sucedâneos, perdendo-se a falsa genialidade de uma linha bem traçada, em prole da falsa genialidade das curvas aparentemente geniais.
Olhem só para mim. Um géniooo. Chamarei a isto colina, e vocês vergarão por um bocado as vossas costas erectas de vida, e subirão um pouco. Chamem-lhe demência. Qual demência? Hoje chama-se genialidade, também um mero nome, de resto. É giro, vir aqui dizer coisas, e tentar agarrar-me a uma audácia que mais não é que o analista de óculos, um personagem desenhado com pouca tinta. Como qualquer bom génio o desenharia.
Bah. A luz bate agora através da janela da esquerda. É genial, como ela se predispõe a atravessar janelas de vidro, transmutando-se, só porque estão no mesmo lado que ela, para depois brilhar um pouco. É incrível, a forma como a luz atravessa vidros e brilha.
É bom brincar aos moldes, com potes de barro, que não são a genialidade. Porque o barro, dura. E por instantes, não tenho de ter medo de me partir. Porque o barro só parte uma vez solidificado. E uma vez bem distinto da mão.
Não que as horas tenham desaparecido. Eu conto umas mil. É.
E impingir-vos uma mentira vagamente acreditada por mim, é pouco caixinha de surpresas. É mais gramofone, uma distracção com séculos, das que chiam enquanto tocam um disco quase sem distracção. Muito inútil, bolas, muito inútil. Bolas, muito inútil, bolas. Bolas, bolinhas, caem do céu. Haverá um estádio de futebol por perto? Mas sem aplausos? Duvido muito.
Porquê usar estas palavras?
Moldes.
Porquê fingir que constato coisas acerca da minha forma de agir no papel?
"Moldes".
BAH! Uma puta. Uma puta, sem sexo, e sem falta de sexo. Com falta de aspirina. O sexo é uma coisa que está por aí, e é indiferente em linhas de genialidade, isto é, em mais horas de inércia, em que só aquele disfarce sem motivação de expressar as próprias mentiras como se fossem verdades foi simples o suficiente. Apelos, existem, vários até. Mas a maior parte são mentiras, ou passam a ser, quando se passa do apelo para o concreto implícito que ilude. Se é que ilude, pois não chega a iludir. Chega só a parecer que vai iludir, e portanto resta a ilusão apregoada pela inércia. Porque os verdadeiros apelos, precisam de espaço, e não querem deixar as mentiras sem pensamento instalar-se. São uns egoístas que não querem perder-se na concretização de uns outros egoístas. E fica ali, aquele apelo vago, gordo, a esfregar as mãos em câmara lenta, enquanto se tenta fingir que está tudo bem como está e como não está.
Mas é necessário. Estas linhas é que não são necessárias. Mas há os outros todos que as querem ler, e eu lá lhes fiz a vontade. Sou pelo menos simpático, em oferecer o facto de não poder oferecer nada. Para além de umas linhas sem nada. Para além de uns nadas sem nada.
Quais outros? Que fique patente que não me referia a alguém. Continuo nos moldes. Na genialidade. Longe de mim esperar alguma coisa de alguns outros verdadeiros. Pelo menos agora, que estou nos moldes. Nos moldes não há gente. Só um fingir que há autovalorização pela arte. E uma monotonia que não pára. Os outros são outros, não são esperanças. O que há é uma réstia de vontade de olhares sem indiferença, não tanto por questões de ego, essas então onde já vão? O passado são andorinhas que nunca voaram para lá do passado. Mais, isso sim, por questões de liberdade, de eliminar o absurdo que é a constante sensação de inadaptado, e que me remete ao silêncio em alturas de fazer barulho. Mas existem alturas de fazer barulho? Bom, existe o querer fazer barulho, e onde ele for um com o agora, é uma dessas alturas. Oh, isso é óbvio. Não gosto de dizer o que me é óbvio. Parece que tapo os olhos, que cedo a explicar algo que me está claro, à ilusão de me materializar num explicador, e não num "whatever's beyond this wall". Mas hoje sou um génio da colina, e daqui vejo tudo. Daqui vejo quem sou, quem não sou, e quem me estou para tornar, em linhas do papel, uma personalidade impressa e destacável, como os autocolantes dos pacotes de batata frita, com uns miligramas de sal (ilusão, claro.. especiarias só no mercado).
Genial. Sou genial. É engraçado ver tudo, pois ao menos ganha forma uma visão, na poeira que é a leitura aborrecida da escrita, do acto da escrita e das vontades envolvidas no acto da escrita. É engraçado... Deixa de o ser... E volta a ser, e vive-se no volta e meia, estímulozito de grandiosidade na introspecção, de completude, de ver tão bem definidos os contornos. Esquece-se uma pessoa até, do resto. Qual resto? Pois.
Mas sou génio, como uma sandes no prato descontextualizado, mas cada vez menos sandes e mais produto alimentar, e o absurdo do prato não interessa nada.
De repente não sei para onde me virar. Este texto entra no âmbito do insuficiente, bom, já lá estava. O insuficiente deixa de ser suficiente, é essa a frase. Farto de um abstracto sempre igual, voltar às horas? Mas agora estava perto de qualquer coisa, nomeadamente de estar próximo de qualquer coisa. Estava perto de fazer algum sentido, ou pelo menos de ter feito. As miragens... E agora falar em oásis... E meter uns adjectivos para me sentir mais eu, mais perto de transmitir a emoção de estar num oásis.. E constatar a repetição de quimeras minímas, e transmitir que estou farto, e palavras encadeadas num abraço a mim mesmo, fictício claro, mas que se foda. Morra o Dantas, que é também como o analista de óculos.
Pois sou um génio. É importante ser-se génio. Eu sou importante, já viram? Tenho a importância do que de facto sucedeu. Mas sucedeu alguma coisa? Estava quase a esquecer-me que não. Mas era um quase muito vago.. Pelo menos isto fica bem, voltar a afirmar o controlo da situação.
Ahahah. Rio-me de tudo. Estarei a achar graça, ou começo a rasgar a cortina que ainda me separava das mentiras insuficientes que preenchem a insuficiência do insuficiente que estava nas outras mentiras, mas que pretendiam ser consistentes com a mentira que sou eu próprio? Sei lá. Isto se calhar precisa é de uns tiros, de uns cavalos, e de umas naves espaciais. Não porque essas ideias me digam alguma coisa contudo. Mas o génio precisa de papéis não feitos exclusivamente de repetição. Vamos mudar para as mentiras misogéneas, que eu nem sei bem o que quer dizer, mas é mesmo aí que estou a querer chegar. Agora sim, é mentir a torto e a direito.
Mas não. Agora com isto ganhei aversão, da verdadeira. Isto é nojento.
Mas leve-se à letra, sim. Façam de mim um falso génio no fingir que estou a fingir que sou génio, em vez do eu que não está escrito. Nem aqui nem em lado nenhum.
Leve-se à letra toda esta treta. Vivam os génios, e já agora vivam as lâmpadas também.

Pedro 08:29

Quinta-feira, Maio 26, 2005

Arpegiam-se desejos, o acompanhamento uma falsa crença em mim, até que a própria falsidade acredite, e no ciclo da vida se extinga.

.
.
.

Não sei outra vez de que falo,


não sei outra vez.

Pedro 22:30

Quarta-feira, Abril 27, 2005

reflexão do irrealismo
como os milhares
o que precede é inexistente numa concepção sem existência
mas só aí
e o que vem a seguir sabe o que o precede, mesmo sem sabedoria
está-lhe nos traços.
há traços lindos no planeta. traços que revelam esta mesma consciência de que nada há a revelar.
sensações reais
de palpabilidade do irreal
e outras faíscas milenares esbatidas no fumo da fogueira da aprendizagem, desaprendizagem de afeições solenes e outros mitos
mas que hoje me apeteceu relembrar
sinónimos sempre reais, mesmo que apagados numa memória branqueada
vinhas do momentâneo, dêem fruto sem sumo, nem após

Pedro 02:30

Sábado, Abril 16, 2005

It feels so fucking pointless again.
Yet I shall wait for the small moments that are not enough.
O mar amaina um pouco, quando sem pensamento se põem os olhos no horizonte.
Bah para tudo o resto.
Life in jail.. so fucking pointless.

Pedro 18:37

Domingo, Fevereiro 20, 2005

Duas e tal da manhã. Algum descanso, mood de bocejo.. Ora já que não se faz nada, vamos lá olhar pra trás, hoje sem lirismos-complicações.

Tudo é uma prisão, quando se nasce, ou renasce, prisioneiro.
E se se fica farto, está-se farto.
Estas linhas são uma prisão. Porque não espelham, nada espelha, só reflecte para cima de mim o que nem sequer existe.

Pá, tens que ser tu mesmo. É só partir umas grades.
Yap.

Epa não é pêra doce mesmo. As pessoas são muito comportamentais.

Se às vezes posso dizer isto ou fazer aquilo, sei que para muitos isso quer logo dizer qualquer coisa, ou pelo menos, assim que qualquer sinal de insegurança esteja presente.

E há pessoas apressadas, em inquirir tudo, e descortinar tudo. E apressadas em formar conclusões irrevogáveis.

Estar à vontade é poder não ser aquilo que está formado na cabeça dos outros que eu sou. Poder cagar, poder estar calado quando e quanto me apetece, e dizer as coisas sem que estejam a ser encaixadas numa fórmula que diz quem é que eu sou em função disso. E é isso que me custa um pouco.

Não é uma questão de timing, de dizer coisas, nem de estar calado. É uma questão de tal não ter significado à partida. E é também uma questão de não ver toda a gente com pressa, a verem se tal confere ou não com aquilo que é de esperar do mundo, se encaixa nos protocolos certos, se lhes agrada o suficiente. Isto baseado em frases ou acções, coisas tão distantes da "verdade", do eu da mente pá..

Como é que possível fds, ter-se uma ideia tão simples da humanidade? Já viram a grossura dos livros de psicologia? Será por acaso? Para escoar as sobras da fábrica de papel? Dass nº 2.

Parecem dilemas de tótó, não parecem? Mas se calhar não são assim tão importantes para mim. E estão a sair tão a seco, porque sei 1001 coisas que podem estar a pensar. Todas elas erradas, ou então nem todas, fds. Estar-me-ei aqui a defender de algo? Se calhar estou. Tb não sei ao certo.

Mas pá, sei que estou farto de cortar caminhos no subconsciente.. por causa dessas coisas.. sei que tenho só é que dizer e pronto. Pá, mas sei que vou continuar a cortar caminhos várias vezes. Fds, eu não descobri nada disto agora.. É é tudo muito relativo.. demasiado para ter uma solução simples.

Certo é que, importante ou não, custa um pouco a dizer. Custa, acho que mais pela quantidade de tudo que já pensei em associação com isto, pela quantidade de cenas que já tirei disto tudo, conclusões e quê.. É isso que eu sinto negligenciado, quando ao dizer as coisas elas parecem não condizer comigo por saber que dá para estarem a pensar cenas sobre o que eu estou a pensar, sobre a minha identidade. Estarem a pensar coisas, conscientemente ou não.. e sentir-me reduzido por causa disso. Sentir que passei mais uma vez a imagem errada. Perder o à vontade à pala disso porque de repente há dois (ou mais) eus.. o verdadeiro e o(s) falso(s). E sentir-me por causa disso sem valor, mesmo quando sei que ficou mt por dizer, ou por passar, ou por fazer entender. É também como se essas coisas que eu não disse, as constatasse inúteis..

Por outro lado, eu sei qual é a verdade. E é aí que me tenho de agarrar. Posso não sabê-la expressamente sempre, e não preciso de o fazer. Não posso martirizar-me com "epa agora com este equívoco, com este ter-me expressado mal, não fiz passar a verdade certa, e não a consigo ter presente para dizer a coisa que mais se lhe parece". Nop, eu sei qual ela é, não preciso nem devo fazer esforços por ela..

Sei que já estou a adensar, e isso poderia ser sinal de estar a envolver-me demasiado nesta artificialidade de tar a escrever. Mas as cenas simples para mim soa-me sempre um bocado estúpido, não tanto a minha voz, mas a minha voz nos outros. Por causa do que já disse, por soarem sempre a erradas. Erradas face àquilo que eu realmente penso, e que eu realmente era (estou a ser) quando escrevi isto. E que eu realmente sou. Os mal entendidos, sempre os mal entendidos.

Eu já falo destas merdas e de mim nos meus posts desde sempre, se repararem bem.

Sei que para me soltar, preciso de não estar rodeado dessas pequenas merdas fragilizantes, leituras inválidas, tarem a tirar de mim coisas óbvias e redutoras. (E a maior parte das vezes não estão. É tudo complexo.)

Quando às vezes faço uma coisa parva qualquer, nem me importo de ser parvo. Desde que o esteja a ser. É muito simples e com isso posso eu bem. Tenho consciência das cenas.

Só os complexos é que me fodem. Só isso.

Tou a escrever com cansaço já, este tema puxa um bocado por mim.

Fiquem bem, inté [] *

Pedro 03:59

distensões.txt
06-02-2005, 6.04 matina

partir

ir onde não fui? não.
saber esperar? em parte,
mas não no sentido de espera.

perder a noção de erro?
pois, saber o erro sem insistir em ter noção,
em ter noções.

alçapões.

o escuro não importa, mas o tactear comporta uma hesitação
da palma da mão
que se expande, que se agita, treme, treme,
qual parkinson subindo pelas partículas todas, pegando-se umas às outras
falta de preservativos no minúsculo do ser

conclusão, é o nascer de embaraços embaraçosos, pois nem o foram
antes de supostos,
é o enfrentar aquilo que não era para ter sido, o aborto espontâneo
a falta de crâneo
em redor da mente

no abstracto

ou não. são posturas, que passam, que corroem, e as horas que destroem
são mais que as horas-placentas
que remendam o casco
do eventual explorador vasco
que exista por explorar
mas não se trata de filosofar
isso é óbvio dentro do paradigma,
dificil é dissecar, imediatizar, subornar
o controlo do guarda em excesso
atirar-lhe armas de arremesso

cuidado, porque os tiros voltam
para trás
se conhecermos o conceito de ricochete

apague-se
a noção de conceito,
o conceito de noção
e estenda-se a mão
sem saber mais do que a força de ombro

...
tudo muito bonito.
nada de novo.
ora avançando,
...

em particular,
fugir às demoras
mas sem fuga
ou sem consciencialização de fuga
pelo menos.
há bastante para ser dito
mas quando não há
não haja
sem raiva,
e sem obsessão

mas há algo mais neste jogo
pressinto
..

sinto
..

chego a um ponto em que apagar é perder
é preciso inserir as coins
pinbolizar mais
mas caramba
há um medo forte
de que isto tudo pareça
um pinball

quando eu estou por cima,
afinal.

grunf
então devia estar a estar por cima
ou a treinar o equilíbrio
do lado de cima,
ou a furar os tectos
do lado de baixo
sem passar por carpinteiro
pois eu sou mais por cima
mas só quando lá estiver

até lá,
o comportamental por vezes
está longe, qual maçã no galho alto
e não estou a saltar
estou só a coisar, por vezes
e são coisas muito diferentes.
coisar é uma espécie de coito interrompido
no comportamental do eu,
neste caso.
saltar seria,
se eu fosse o salto,
e não me lembro
de costumar ser saltos

nem de usar saltos altos

mas alguém quer saber?
nem por isso.

então apenas,
não saibam
se não o querem
ou saibam, mas
saibam o errado
em saber.
ou não saibam.
hmm só que nem toda a gente
me é indiferente,
nessa óptica.
mas vá,
amanhã há pinball
com saúde,
de preferência

sem perder a razão do sem
mas sem ganhar também

Pedro 03:51

where.txt
06-02-2005, 5.29 matina

where am i the fuck?
where the fun fuck is the
where where could be it,
thus waiting for never today
sometime tomorrow,
maybe.

travelling, dispatch
chá chá chá, mar
where the sea is
there are no roses
just sea
and sea, and sea,
you see?? just sea, see?
or can't you see?
i only see the lack
of light and shadow
and both, because
the world is made of pairs,
disturbingly dissident in the discipline of straightness
hatred, emotions, chaos, fire, bored out of hell
bored into the smell
of putrefaction of soul
of dispatching the hole,
the body as a whole,
the whole body of light.
no absence of presence,
just dissident feelings
of chaos, magma, fusion
of sad disorders.

shitty words, shitty non-words.

shitty worlds
ruína sem passado, um pouco só,
mas olha aí a desolação, pois não,
avariado rádio sem travão, um despiste
na fonética da céptica liberdade.
e mais um, e outro.

há o manter-se a meio gás, e há a fuga de gás
que escorre pelas janelas
para uma cidade sem plantas, oxigénio
que não sabe de onde aparecer
para se oxigenar
qual água sobre ferida,
palavras, hoje, cada vez menos semântica, sempre,
e sempre traços de fronteiras conhecidas.
olá senhor da alfândega, e vá-se foder, sim?
farto desse bigode postiço, dessas tranças
à lá aranhiço,
não o quero mais constatar, mas, mas

mas?

Pedro 03:48

Nas malhas da rede.txt
30-1-2005, 5.05 matina

Vergar o limiar
da criatividade
criteriosa
recriação
do passo
passo para ali
pulo para
aqui
junto à distância
verdades
ou mentiras
muita farinha
em forma de palavras
forma para um bolo
que tem sabor a vazio
e que mordo
por favor
ao sistema
incolor da dor sem dor
por nada
na razão
sem razão
do nada
abstracto, abstracto, abstracto, abstracto, abstracto.
hoje caí no erro de pensar
que se abrisse esta janela do note pad
ia ter alguma coisa para
dizer
aonde
quem
como, porquê, essas merdas, ninguém quer saber disso pois,
é mais que sabido
né, é, refrasear
frases
fraseadas
pelo sistema
as redes e as
malhas
das redes
e parvoíce
quando tudo está certo
menos o estar errado
mesmo que esteja certo
à parte de estar errado
três pontinhos
inhos pequeninhos
a voz quando não existe põe-se a falar
sem falar
blé
nhé
sumo tropical num sem-fim de gelo sem fim
tropical no nome, mais que isso
é lá com as pessoas
que definem o significado dos trópicos e seus derivados
hoje é repetido e fraco-neutro
sem neutrão
no sentido do átomo-eu
e pouco o faz
mas quanto mais o faz
a serra de monsarraz?
o formulaico é hoje
para brincar com os dedos,
a sério
acreditarem ou foderem
se
desligo a
cena
nao desmotivo
já que nao motivo
motivo não houve
a sequência é nula
para lá do conceito
não é preciso dizer mais

Pedro 03:40

Quarta-feira, Novembro 17, 2004

As andorinhas voam equidistantes por razões de simetria sem razão.
A frase razoavelmente incompleta.
O estigma das labaredas, um intervalo na dor, para que se veja, para que se sinta, e para que arda a indiferença física do todo-carbonizando.
Uma vez em lata, a sardinha é o nunca ter sido.
O queixume extingue-se num rastilho de martírio censurado, um flagelo sem crasso por questões de vocabulário mental.
Esporádicas asserções do seja como for, algumas por acontecer, mas debaixo da língua, o sabor a repetição mascarado de predador.
Uma voz quebrada pela continuidade de quando dá voz ao simples..
Complexado pela polifonia de um simples sem harmónicas.
Uma distância não fixa, mas para lá da cartografia.
Fim aos enredos sem história, universais em geografias sem mapa.
Destroços mal varridos, para que estale um novo princípio-fim.

Pedro 02:02

Domingo, Novembro 14, 2004

O facto é que algures pelo meio, houve paz.

Uma paz em conformidade. Quase contínua em larga escala. Uma cabeça com cabeça.

Parece-me que o caminho pendente da guerra é irremediávelmente sinónimo de derrota. É derrotista também, daí esta frase. Mas constatá-lo é sinónimo de derrota.

Brinque-se pois aos crescidos da argila estética, numa tela de simples sobre uniformismo, vestido o uniforme da arte-arbusto. Selvática, essa tal de natureza. Vamos estar encaixados mas com um olhar arrogante para com as plantas.

Pois as tintas são a palavra-labareda na chama da pseudo-simbiose sorridente, e a tela a falsa consciência, mas verdadeira, pois natural. Elos portanto que só existem supostos, mas que unem até na desunião, isto claro, a um grau de focagem suficientemente desfocado. E desde que se saiba supor.

Os elevadores no prédio sobem e descem, mas sempre na vertical. É essa a guerra deles. Mentiram-lhes os cabos e as roldanas. Mas para eles, verdade ou mentira, a mentira não importa. Há uma guerra para travar.

O pior disto tudo, é o fervilhar das partículas. Atestadas de guerra. Pequenos explosivos que obedecem a sopros sem guerra.

A paz ali fora, à margem da fuga eterna. À espera de si mesma. Mas a paciência é um desconsolo disfarçado, não há botão de pausa.. a guerra, os explosivos, os desvios, os não-desvios, principalmente estes..

Hoje, nos últimos hojes, nos próximos hojes, espera-se em sinusóide de paciência sem paz.


Pedro 21:10

Perseguições

Dói-me o sangue
de alguém,
paralítico.
Não corre,
não morre o mítico
em alguém.
Há também
uma floresta
sem luzes de festa,
com feras
virtuais.
São meras
mentiras
existenciais,
que miras,
nada a mais.
As feras são lentas
a encurralar-me nas vertigens
que me lembram as fuligens
de chaminés do desespero
sem fumo, semi-tormentas
que assumo placentas
de um novo que espero.
E voltar a subir?
Na hora em que os passos
são sinónimo de cair.
Descendentes compassos
de espera. A crença
não existe, só traços
de uma regurgitada desavença
nos estômagos da ilusão,
gástricas fábricas doentias
que produzem falhas no chão,
desequilíbrios. Sem acção.
As mãos da verdade ficam frias.
Os olhos das feras, e lá por trás
os olhos de alguém.


Pedro 14:04

Domingo, Outubro 31, 2004

Então e agora?.. Pergunta muito repetida, e ei-la uma outra vez. Pergunta que esteve para sair e que não saiu. Sai agora, quando por repetição se erodiu o absurdo inerente, o complexo do de antemão código penal vigente, no Estado da transacção de meias-verdades, mas sólidas.
As pessoas sabem lá do que falam, as pessoas sabem lá ao que se referem. Mas falam, e referem, e pensam no imediato. E fazem-no guiadas pela voz de um uníssono-miragem, em conivência com a vassalagem pelo ego prestada.
Somos todos iguais. A mesma merda. Metam isto na cabeça, e tudo vai perder aquele véu de falsidade transparente.
O teatro só morre de vez quando não houver actores. Não basta fechar os olhos, pois que de representação não padece a arena.
E já não sei se estou a fazer sentido, no mau-contacto dos fusíveis da alma-verdade.
Fique a dúvida, mas de luz apagada.

Pedro 21:17

Sexta-feira, Outubro 15, 2004

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Então e: morte morte morte, sangue sangue sangue?

e já agora estrelas luz, luar, céu brilho blablablablablablabla é isso tudo.

O importante é tentar ser rebelde e partir as coisas. Claro. Que óbvio. Que sim. e´tg er tg
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Líxivia aqui em doses do caralhão grande.

Vomitar vomitar vomitar vomitar, morrer. Vomitar.

gHGEr 34h 3

Sim, tanto ódio, ui. E imaginem agora a ouvir Bach ou Chopin. E a partir tudo! Mesmo à descontrolo sem nada e sem a haver com.gkreher+
hhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Porque é a música do partir tudo em todos os sentidos. E talvez faça sentido.

Mas só para quem pensa que percebeu.

bis, bis. Outra vez: gjhpejrhop eatg 43'yug 43' tjga w«ti2~~«2t5~«2t«32~5r9 AQ«3OTG'
«RFG5R0O«4'TR 0F43'T 043 T543 43
T F
´543YG 54Y54
YHG54 54 PYG54EYTGA4EQ
T #IO0T43~'

pLAYStatION num BloG perto de si

amor amor amor amor amor amor
fraldas
uma homogeneidade de homónimos heterogéneos.

Já tou a picuinhar! E partir tudo? bahhhhhh



ctéria!
Na artéria!


Bem, perdi a vez. És tu, vá.
Já podes.

E vais fazer, e pronto. Vamos todos em fila nas direcções opostas. Mas sem exageros. Só de faltas de.
Toma o joystick.


Pedro 01:21

Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Umas repentinas pequenas coisas para dizer em pequeno:
o dia sem neutro, mas tambem sem resolução de definitivo. Umas pequenas ideias pensadas em pequeno. O desconcerto do concerto de primeiros andamentos, asfixiados sem neutro, mas tambem sem resolução de definitivo. A repetição vagueia nas sombras. Uh. Muros que se erguem sem mais construção que o acto de erguer.
Erguido. O algo pode. Segundo andamento. Reminiscências do ordenado, da ordem de desordens sem importância nesse aspecto, com elos. Esquecida a incerteza dada como certa, agora as pequenas certezas incertas em que se gere, com cuidado para não exagerar nas telas-monitores, pequenos gestos para gesticular em pequeno.
Insignificante. Mas com razões.
Outros vão fixando noções verbalizadas do concreto sem verbo, mas nao forçosamente menos assímptotas.
Alguma confusão e por fim algumas coisas para dizer sem presença, cascos para remendar, a superficie-onda a parecer aflitivamente menos distante numa calmaria aflitiva. As gargantas de uma tripulação zombie sedentas demais.
João Bosco e o formato quase forçado dentro do diferente por somatório, mas pretensão não me parece.
Bastante confusão. Nota geral, de momento. O produto externo do interno do externo, com o externo, interno produto de vontades com existências sem dúvida.
Algures ainda, um rosto. Em lista de espera sem espera verdadeira, numa espécie de infelizmente esborratado pela falta de verdade em tudo enquanto parte. De um eu sem mim, mas nao é sem mim que me encontro em sítios sem desilusão no bom sentido, ou médio. Nem se pode perceber bem. Mas é para lá destas palavras, e para trás ao mesmo tempo, pois sou um eu sem mim, mas esta conclusão é rodeada de falsos olhares descréditos, ou mesmo expectantes de uma repetição, independentemente de primeira, segunda, ou etc, que lhe anexe a razão.
Nao sei se me faço entender. Por outro lado, sim, não. Mas por outro lado sim, deste lado, mas só nos intervalos da confusão e ainda do resto assexuado no tempo. A confusão sao duas, distintas. A formatada, e a carregada de oposição sem opositor.
Compositor do sono e do ali. Com repentinas pequenas coisas para dizer em pequeno, tentar nao esquecer. Ou tentar esquecer. Nao sei o que deve e o que não deve, só que nao acontece num plano de pessoa enquadrada num quadrado qualquer, que pode até ser outra forma. Frases de medida nula, mesmo que não, e pode até ser que seja indiferente. Uma diferença de medida nula.
E após os ligeiros alívios e recargas (olhem um), o tal esquisso de dia-a-dia com traças, mas pouco traçado e que perdura aos bocados, volta e meia. Sempre que pode o que não pode, aparece aqui. Mas isto é para não pensar como em mais do que uma coisa para pensar, daquelas que preenchem os de repentes de alívios e recargas referidas, mas que morrem por aí. Um pensamento tem o seu tempo de vida, com ou sem traças, e pode morrer muito doente, ou são e indolor.
Em termos do hoje, pensar demasiado nisso seria forcar um ridículo engasgante. De asfixia pura e impura. De destruição celular e fotocelular.
Vou então compor. E recompor. E essas coisas que aparecem nos fins.


Pedro 05:22

Terça-feira, Outubro 05, 2004

Algo que está perdido, pelo meio do costumeiro, algo que nunca esteve ganho, pois claro. Pelo meio do costumeiro, uma sensação de derrota, hoje leve. O desvio do cansaço sem sensação. Um cansaço do sem nexo da prévia, por vezes emaranhado bolorento, por vezes mera pasta grudenta.
Falando em sensações, uma ténue chama brilha numa vela impossível, mas que verte a sua cera em gotículas amigavelmente corrosivas. E eu sempre perdido em termos de espaço-tempo, labiríntica física do pensamento. Surgem esboços de incertezas para preencher o vazio de certezas, e apagam os desenhos que nao se pintam.
É portanto ridículo falar nestes termos. Mas vou fingir que não faz mal.
Na horizontal, minimamente equilibrada.

Pedro 02:34

Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Porque nos recantos que se estimam refúgios, toma forma a forma.
Os clichés pairando num céu pouco descoberto e o simplesmente, perdido entre o sol e as nuvens.
Que sim.
Na escuridão, o espaço priva-se de brilho, a esparsa sensação dispersa num uniforme uniforme de mudez.
Vozes que ecoam caladas, vazias excepto de ecos, do ponto de vista de quem ouve.
Desterro falso e inutil constatação, o seguinte segue-se sempre, cega-se sempre.
Demência inútil em circularidade pouco adiabática numa cidade diabética de guloseimas sem sabor.

Pedro 03:03

Segunda-feira, Agosto 16, 2004

Das cinzas emerge Conan, enegrecido pelo óbvio negrume exceptuando o olhar vencedor, distinto da vitória contudo, uma mera fatalidade recheada de força injectada sem dó pelas agulhas do Nada-combustão.

Melhor que nada.

Ou mau como tudo?

O fio que sabe que tem de passar pelo buraco da agulha, ou a luz que passa pelas frestas disponíveis e pronto. A chama pré-extintor, ou a fogueira agradável de Inverno. Labirinto sem saída, mas já agora liberta-se-lo de umas paredes.

Vidas, ou semelhante.


Pedro 14:32

Terça-feira, Maio 11, 2004

Não achas?..

Tendência minimalista, é que eu não sei, :|

Escondam-se, escondam-se vem aí o metropolitano das coisas, etc.

Frases perdidas, refrões a meia voz, mas não penses que sim.

Ah, e a súbita vontade de rir do isso. Pela parvoíce? Pelo que não te disse?..

Radiografia à mente, é isso que eu queria/precisava, objectivo de vida? Só a menos de um resto. Preencher, fazer de conta que zero?

Açúcar ou limonada?

Qual? E tu? (o chamado círculo do post, se não foi visto, se foi repita-se, em letras gordas, ao contrário de umas outras)

Cântico incógnito por trás, influências exteriores ao interior de exteriores, mas interior ao exterior dos interiores de minha pertença, algum sol, já que vamos nessa onda, onda.. praia? Olha, não, mas era bem, num talvez. Nunca no Gerês, mas rima. E isto nem é a título de hehe, mas está. Então e você, caro ouvinte, caro seguinte, de uma fila qualquer, neo-fragmentos, acha que vai dar valor, ao sem-valor? Eu não acho, porque sou mentiroso, ou acho porque sou venenoso numas veias que não sei bem de quem são, mas acho que nenhuma. Ou meias.. Yin Yang por exemplo, mas isso são imagens tão pouco descritivas, se é que sim. São para estabelecer pontes, em primeiro lugar, com o ego, em segundo lugar com o consciente, semi, sem nenhuma ordem. Yin-Yang? Círculos, porque a vida é um ciclo? O porquê outra ponte? O açúcar é doce. Ponte? Hmm Estou a estabelecer paralelismos suicidas de conteúdos..

Recta final parece-me. Apetece-me? O quê? Pois, o problema agora é esse.. Encontremos de novo o espontâneo da decisão, com ou sem cérebro, aí numa esquina turtuosa, que nem uma viela, abusos de notação, hee, afogue-se o espírito em não-líquidos indescritíveis. Na dimensão do dito, leia-se. Estou a fugir das meias.. Encontra-se um todo substituto e sempre detentor de parcial, ou nulo. Não..

Cai mais uma ponte.

A nós o esplendor da Engenharia da não-Engenharia intrínseca à Engenharia..

Seja o que/como for, tem de ser complicado mas simples. Com muitas pontes, mas nenhum rio. E vice-versa, mas que conversa, hee, rima-driven, oceano de metano num planeta sem química, e vice-versa, hee

Dói-me a cabeça, e daí até não, será que ir atrás da visão desfocada, fotografia tremida, tempo de exposição elevado, aprendizagens, não destrói o dito do não-dito? Ritmo. Existe arritmia? Batida-driven, irregular regular. Meaning? Sim, mas excesso de assumpção, então não, naa, olha que não. Então?

A pergunta presunta, a resposta chouriço-imposta, para terminar sem ou com.

Pedro 12:40

Terça-feira, Abril 06, 2004

?

Pedro 13:17

Segunda-feira, Março 29, 2004

Sandes com Planta, um copo de leite. O conforto desconfortante de um domingo, a altas horas. Algumas palavras, frutos do silêncio, e névoas-recordações de pessoas que falam comigo por imagem, sem dizer nada. Dizem muito, contudo. Dizem que de vez em quando nos cruzámos, e que de vez em quando nos inteirámos de existências exteriores. Passo dois, interacção, com mais ou menos 'inter'.

A leveza do passageiro, com a sua percentagem de melanco-rotineira ordem das coisas.

Os que percorriam os corredores estreitos mas compridos, oh, nunca mais acabam? Encontro alívio no passado implicado.. Mas figuras marcantes, e momentos dos tais. Os malucos de agora, e os menos malucos, corredores menos estreitos, e agora não interessa o tamanho.. Pouco interessa de facto, só pontualmente se finge. Uns sorrisos momentaneamente dispersantes de restante, umas brisas de bem-estar auto-justificado, e pouco mais. Ainda pequenas ambições grandes, com suspiros pós-sonho. Coisas.

Será para isto que se aprende a aprendizagem? Sanguinária reflexão sem sangue, consanguínea da putrefacção? Ou refinado baú de ouro, jóias, estética consciente de inconsciência? E dou por mim no erro do porquê.

Respostas sem fórmula é inimigo na tecelagem do caótico simples que somos.

Então porquê que as procuro?

Pedro 02:31

Sábado, Março 13, 2004

Epílogo: Passou-se mais tempo.

É, as cenas arrastaram-se mais uns centímetros. As mangas têem saudades dos trunfos e eu também. Ter mangas sem trunfos é uma chatice, mas a qualquer momento eles hão-de aparecer de onde nunca sairam. A colectânea de misticismo monga à la Paulo Coelho porque sempre esperou à venda nas bancas. Mas o que é facto é que não há trunfos nas mangas. Que fazer?..

Hmm sumo de manga?

é hé hé

.

Prólogo: Vai-se passar mais tempo.

Pedro 01:19

Terça-feira, Março 09, 2004

só anúncios, dass

placares aqui, ali e ainda pequenos chavões entremeados

aproveitar buracos de processamento, gerir, gerir

duas vertentes: o grupo de gente que faz e que é no fundo obrigada mesmo quando não, instinto de sobrevivência, e a outra vertente - larga escala, necessidades atendidas, no quando do lucro claro

e coiso e tal

moldes de pessoas, pessoas-bolos, pessoas-fôrmas, meio sim meio não

o suposto artificial não deixa de ser natural, mas isso já toda a gente sabe

o problema, caros, é a tendência..

o problema é o espírito que, descrente, se agarra a si, enrosca rebola reverte, mas sempre no si dos outros.. uma espécie de si bemol

luz, tudo o que ilumina cega

fechem os olhos por um bocado

e entretanto as cortinas de pano sem transparente já vêm, às tiras

já nem sei bem o que é a palavra global

e a visão, nocturna, diurna, no casebre-máscara da ausência

ser sistemático faz parte do sistema

o defeito está na mente?

o defeito é intrínseco. boa.

pimpimpim defeito pimpampimpompum

zagzagzag

perceberam?

espero que sim, apesar de não existir essência antes da dita

portanto espero que não

caos contido, caos sentido, caos consentido, caos com Tide

é que, "lava mais branco" :)

pequena vaga no mar de anúncios

vaga sem vagar, por favor, mais devagar,

já não há mesmo vagar

mas estou-me a marimbar

:|

sobremesa, sobre a mesa, sob o tecto e o olhar indiscreto

de quem se diz perdiz do céu de vidas, passos rasgados,

interrompidos,

contínuos na sua interrupção, mas inconscientes, contentes,

o dia-a-dia faz a opinião

vida sim, inteligência não, ah, biologia, que mania

que tens, essa de ter manias.

yep. o ponto é aquele.

that's my point

e pelo meio as palavras pegaram no volante do veículo das palavras

seremos mais que engrenagens sem meta?

vai uma pergunta obsoleta?

oh bolas já foi

eu também já fui. isto hoje ficou esquisito

não de denso, como às vezes, mas de esquisito

é. esquisito é a palavra.

correu bem ou mal?

olha, esquece.

Pedro 21:54

Terça-feira, Dezembro 02, 2003

Volta sempre tudo para trás, o significado é um nome que se dá aos devaneios 'inner-psique' que fazem lembrar cadeiras de baloiço.

Estas palavras também não querem dizer nada, nem eu.

Tudo de tal modo irrelevante, no âmbito da formalização.

É que julgamos mesmo que por descobrir uma veia do sistema irrigador das ideias e do pseudo-intelectualismo, esta desagua.. e num jacto-geiser buscamos o fim da veia.. mas todo o sistema é circular, que óbvio não é? Mas então para quê?

"Pratiquem-me eutanásia" --> o paciente-Razão na clínica do Fútil.

"Isto faz-me lembrar Zen.."
"Mas Zen não é uma recordação.. Nem sequer é 'recordável'."
"O que é o Zen?"

Simplesmente, párem.
Desenquadram-se com tanto enquadramento.

Que importa o Zen, o Papa os Bispos e a dona Religião?
Não importa. Nada.

"Outra vez?" --> Expectante analista, com barba, senso comum e senhor doutor da performance masturbatória e criteriosa dos 'inner selfs' - Mas sem crítica. Elogio seria, se fosse útil sê-lo.

Fim de repetição. Fiquem atentos à próxima, porque novamente não terá interesse.

O perpétuo não morre por causa do Ímplicito que um alguém ninguém lá pôs.. Digo eu.

"Épá..." Se calhar o melhor é ficar calado.

Pedro 22:35

Quinta-feira, Setembro 04, 2003

As almas são meros atrelados de um sólido disforme que rumina vontades e angústias sobre si mesmo, arrastando-se para superfícies untadas de bem-estar, temperatura e consciência. Uma pastosa forma de banhar as ânsias, afogar as razões. Pasta essa, derivada dos outros sólidos, aglomerados num pretenso acordo implícito de amizade, amor, e outros adjectivos fúteis, garantindo a sobrevivência de egos-hélices responsáveis pela efusão interna. Personalidades mais não são que impulsos amadurecidos com os anos, folhas do caule que foi a infância, utilizadas para dissimular. Conversas, trocas de rastilhos, expectativa no ricochete. Satisfações via disfarces, um baile de máscaras em que se aprecia discretamente os esplendores de outrém.

Capturados na dança, sem terra firme sob o pé, até não haver mais braços.

Falsos castelos na areia, desmanchados quando se muda de praia.

À formulação dependente de contexto condenada espécie humana.

Pedro 01:33

Domingo, Agosto 31, 2003

..por aqui também não, para onde? paredes e mais paredes..

Estou-me a sentir encurralado. Numa liberdade sem graça. Posso fazer tudo ou não fazer nada, mas e o que se segue? Ali antes do próximo esquisso de distracção, cá estarei rodeado de paredes. E agora sinto-me agrilhoado, completamente imobilizado. Mas não estou sequer a reagir, parece que caguei sem reflectir, instintivamente, mas que força será esta?

Não importa. Nada importa.

Quero ficar aqui sentado e quieto sem vontade própria, quero não querer. Só me apetece chorar, mas nem sequer estou triste, menos ainda desesperado. Estou só assim. Sentado e quieto. Zero gramas de vida.

Mas que cena mais deprimente que eu escrevi, eu sei. Mas não importa..

Pedro 18:13

Terça-feira, Julho 08, 2003

Uma ferida antiga reaberta, redescoberta.

A melancolia depressiva plena de rancor sem direcção jorra pela crosta fora e esbate-se no árido deserto de vida, e crispa as dunas que sopro e revolvo, e enrolo-me nelas debatendo-me por um oásis que não está dentro delas, mas sim para lá. Sim, vejo-lo, mas agora a areia tapa-me os olhos, concavidades da Estátua-Sem-Pedestal, e esfrego-os e esbracejo porque sim, porque o manda a Cruz-Perdição da sinuosa sina, malfadado fado (de luto fardado fardo), foda fodente. Renego a Bandeira-Identidade, cuspo, conspurco, um futuro inexistente nos futuros escritos do Futuro, a consciência disso, logo mais rancor. Mais azedume. Mais... mais... e mais, e mais, mais mais mais mais asmdimaimais miamsimam ifs amimaimsia msmia imgfanregv paj04au93r'%$68t%$T%%R&T=I RFOGO$EOTGKOSTRHBtr

Sim toma lixo, sangrento, sim, estúpido, sim, não quero saber, fodam-se.

Hoje sou básico e quero-lo ser. E todos seremos básicos. E tudo será melhor porque seremos básicos. E à face disto, onde estão os discursos, as pseudo-importâncias, o apego, a paixão? Morra o Dantas. O cabrão do Dantas, o filho da puta do Dantas, esse caralhete mal fodidete do Dantas, e é tudo. "Vêem? Falta de.." Engole os teus argumentos/frascos de conserva. Eu NÃO estou a discutir. Eu não quero discutir. Quero que morras, amarrado, submerso, preso a uma cadeira, com a cabeça de fora para respirares, e com uma piranha a devorar-te aos bocadinhos. Aos cubos, e não migalhas de ti. E a moral-escudo que pavoneias recursivamente também.

Embora não tenha saído do mesmo sítio, numa verdade que me é mais verdadeira faço explodir tudo em redor com um estrondo tal que todos os tímpanos de habitantes terrestres se transformam em torneiras.

Uma síntese de 'imaginação/nuvem de ácaros' pestilenta.

Pedro 22:23

Sábado, Junho 28, 2003

Fiz aqui uma pequena rusga mata-segundos e arranjei dois ou três ex-tópicos blogáveis, source is #demencia:

'a mentalidade das coisas é uma que não perdoa ao garçon se este não tiver trocos na caixa do protocolo :D'
'dissabores do envelope-desejo'
'O crepuscular oscilando a que estamos sujeitos em toda a extensão do tempo do verbo'
'(@davanita) o sexo é o ópio do povo social'
'O solene culto do Nós. Sempre.'

Pedro 18:41

Poderia começar este post dizendo (apenas?) que sim, poderia enveredar pelo Tudo da acepção insólita e deprimente que imagino em sonhos que qualificam a fina película do real, com uma certeza ingénua e rompante, detergente da mancha-trepadeira nociva para a razão, túmulo do perpétuo ruminar-ensejo da Visão, míopes ad-hoc, sim, e depois, ouvir luzes, ver barulhos, refutando-lo qual agente reflexo, sem plano esquemático, sem esquema rimático, nos versos do hoje e do ontem, degradando o Momento para uma eternidade finita, poderia até nem sequer o começar, não o escrever. Evitá-lo. Ir até ali, fazer aquilo assim e assado, num gasto entretenimento daqueles tais, ou..

"Evitar-me? Não o farás! Precisas de mim, tal como eu de ti."

Conclusão precipitada. Sou senhor dos meus "ais" e dos meus "uis", posso inclusive apagar-te quando me der na real gana. Escrevo-te agora, de rajada, e escrevo-te mais logo, aos poucos. Ou não te escrevo. É tudo plausível.

"Sabes do que eu estou a falar. Essa obsessão crescente, a olhos vistos, que te arrasta para um inevitável sem que pressintas a corrente antes de vislumbrar a foz. Aquela lei da física, sabes, a velha história.. Velocidades constantes, o passeares-te dentro do Boeing hipersónico,.."

Escusas de continuar. Sim, ele é isso tudo. Eu, um imberbe jornaleiro aos encontrões na avenida da não-liberdade psicoemocional. O pára-sol a voar ao longo da costa, enrolando-se em si mesmo, enquanto o despreocupado dono eventualmente se afoga ao largo da Caparica.

"Pois.. Reconhece-lo portanto. Eu sou necessário."

Não da forma como o colocas. Mas sim, vais ser um post. Porque me apetece.

"Porque precisas."

Entende como quiseres. Eu farei o que eu quiser.

"Claro, claro.. Que previsibilidade. O menino quer-se agarrar à sua pretensa puberdade e enaltece-se ao estágio da decisão. Protegendo-se de uma ameaça que está em si mesmo. O míssil só explode na matéria, nas muralhas, nas paredes."

Estamos portanto em busca de pontos fracos? E que guerra é tua?

"A mesma que a tua.. A dos olhares aos quais queres atribuir almas-juízes. Cujo único desígnio é avaliar-te. Despir-te, e enumerar-te as fragilidades, os fracassos espirituais, os ossos sem cálcio. A escassez de desmembramento."

E no entanto, sou eu a sua fonte.. Elas estão alojadas em mim, e em mais lado nenhum.

"Como de resto, tudo o resto que para ti é algo. O raciocínio actua ao nível do parasita."

Estou tão surpreendido.

"Eu sei."

......

Menti. Desco agora do palco do circo. Não houve novidade no desenlace prévio. Só deixei a tinta escorrer, e fomentei-me um pouco. Por um momento estive confuso, confesso. Por falta de clareza, as betoneiras a funcionar e.... as outras, as que tremem, :\ Findas as obras, reposta a certeza de que há um Outro inexistente. Porque nada nem ninguém me lê fora do âmbito do parasita empírico, e sob o qual exerço o controlo derradeiro. Custa-me por vezes, sede de falso poder, mas sei descer do pedestal de ilusionista, feito de nuvens, e revolver em busca do Não solvente de interrogações melodramáticas e redundantes.

Sim, este blog é só lixo por varrer, substituto da expressão íntima e palpável, apóstolo da oração-cisterna. E contudo, neste bocado de aura existencial, foi. Era isso que buscava: descortinar-me com verdadeiro puxão de cortinas, rasgar um pouco, independentemente dos olhares secretos, que se ceguem todos, spit on them, puá.

"E no entanto, estarei aqui, para a posteridade."

Pois estás.

"É a tal força que te impele."

Pois é. Estou de novo súbdito do apelo exibicionista. Mas, não vamos recomeçar. Parece-me que é uma questão de parar relógios. Abrandar os ponteiros, e usar a borracha no lápis dos impulsos distorcidos.

"Talvez.."

E no entanto, vou-te manter.

"Eu sei."

Não sabes. Vou-te manter, porque de nada me serve apagar. A indiferença não conduz à prova de si. Conduz à indiferença. Há bocado, foi o que foi, esvaí-me, flui, alevianei. Pronto. Vou-te agora postar, resultado.

"Porque argumentas então?"

.....
Estou farto!
Mas que tens tu com isso, afinal de contas?

....................

Pedro 00:55

Sábado, Abril 19, 2003


Ou talvez nada.

Próxima paragem - conformismo e sono. Ergo-me e prossigo.

A vida nunca esperou por mim, porque hei-de esperar pela vida?

Por agora, sonha-se e chega. Bed time!


Pedro 04:04

Sexta-feira, Abril 18, 2003

É tudo um grande comboio numa paisagem de estados de alma.

Ontem, padres da liberdade e do simplesmente impingiam-me que a Salvação estava no isolamento. É capaz. Na minha condição de ateu a tempo inteiro, rejeito. Deixar que as estrelas brilhem? E quando elas nos fitam penetrantes, corrosivas, focos de distância e holofotes da insignificância, porque não reflectir o ténue? E beber do brilho, embriagarmo-nos com tudo (não só com álcool)..

O uniformismo é uma hipótese, não todas. Espiritualismo sim, mas o resto também. Impotência, pequenez, e outros romantismos fúteis, são traços do auto-retrato, fugir da condição humana seria razoável?

Sinceramente, não sei, mas também interessa-me afinal de contas, ou não sou eu um mero atrelado do que tem de ser, com sacos de farinha e aveia e coisas para empapar e fazer receitas de um livro imutável e atirá-las ao solo, aos animaizinhos cohabitantes da inutilidade suprema da cruzada do sustento físico e psicológico, do amor-próprio idiota, sentença de morte à auto-crítica e à auto-competição, do refinamento de toda a engrenagem que nos permite a evolução, o progresso, análise mais e mais profunda, sem vertigens de um abismo que tem de ser caído, metro a metro, e embater com o máximo de violência, mas sem sangue nem miolos a voar, não, só com afinação ininterrupta dos passos no solo arriscado de vicissitudes mil. Inconformado, eu? Ahah, não, ligado. Como o sol ali fora a agredir-me e ao meu cantinho escuro (heh). Mas vá, tanto faz.

Gimme a break..

E um segundo dia de férias, submerso numa estaticidade crescente. E repetida. Assassina um pouco o pretexto destas, não fora a conotação ser ela própria um alívio. O que é meio estúpido. Especialmente tendo em conta que nunca mais pus os pés nas aulas.

IRC ligado, hmm por acaso agora até não, o som, este sim, e já agora deixa cá ver se os tais.. Alexis, yep era isso, o quarteto dos três elementos. E aproveito e atiro com uma lista de nomes-jazz, semi-lacuna em quantidade para o que me apetece, e cuja procura vou pondo o kazaa a processar, e..

e...


Dei-me a uma pausa, bilha de oxigénio, major tom to ground control, i can hear you ground control, tou-t'ouvir, e pronto! Pretty much empty now, undressed and skinless, void man in a void world.

Não se encontra nada dos Alexis :(
Talvez mais pela calada..


Pedro 17:56

- bocejo -

Espantoso. Como a multicolor multidão de dias converge para este mesmo início, não restringido a nenhum tempo, nenhum espaço, zero, só à transição do comando, do sub para o consciente.
E como nunca me tinha apercebido tão bem.. por mais óbvio que fosse, não mencionado, por mais natural, não insignificante.
E, tal como este parágrafo que acabei de escrever, paralelo e autónomo do texto que o precede e segue, em nada a mão no barro, apenas. Mas necessário.

Findo isto, o dia abate-se sem estrondo. A meia vontade de ser, de estar na vida, mas completamente difusa e atrapalhada, glóbulos-balões de consistência sem alfinetes, o chá matinal, ah que bem que sabe, é congruente na medida certa. Não tem o sólido, faz pensar que fura a fila para as veias e dá fluidez ao sangue-rampa do activo e reactivo.

Bom, começo de férias, uma ou outra volta à pista, tudo igual. Também, era de esperar. Uma leve brisa de monotonia e o tempero do clima pré-verão. Alguns loops mais, e dou por mim precisamente aqui, nesta linha, onde vocês (ey, tu aí!) estão a chegar agora, empurro o cursor com bocados de côdea mental semi-mastigada. Alguns backspaces. Falta pontaria para o definitivo..

Enfim, está na altura de ter 1 blog. Acho que de vez em quando me vai saber bem, chegar aqui e zás,...
e por ora está desembrulhado. Aguardem, que mais exposições de pequenos nadas-tudos-algos virão, conforme ditar a lei que me impulsiona o súbito.

e ir assim sendo os quadros de mim..


Pedro 00:28


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